Powered By Blogger

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Atividade Debate Regionalização em Saúde no Brasil

"A regionalização em saúde nos estados brasileiros evidencia mudanças importantes no exercício de poder no interior da política de saúde, como a introdução de novos atores, objetos, regras e processos, orientados por diferentes concepções e ideologias, entre outras mudanças", apontou a pesquisadora do Departamento de Administração e Planejamento em Saúde Luciana Dias Lima na quarta edição do Ciclos Temáticos 2011: Território, Desenvolvimento e Saúde, realizado na sexta-feira (12/8) na ENSP. Com o tema Desenvolvimento e Regionalização: novas perspectivas para a organização político-territorial do SUS, a pesquisadora apresentou em sua palestra dados da pesquisa sobre os condicionantes da regionalização da saúde no período de 2007 a 2010. A atividade teve a coordenação do pesquisador do Departamento de Epidemiologia e Métodos Quantitativos em Saúde, Paulo Sabroza.
A pesquisa, que teve como fruto o livro Regionalização e relações federativas na política de saúde do Brasil, foi organizada por Luciana em parceria com Ana Luiza D'Ávila Viana, diretora do Departamento de Ciências e Tecnologia do Ministério da Saúde (Decit). De acordo com a pesquisadora, o foco da publicação foi o processo de regionalização nos estados. Dando início à palestra, Luciana abordou as principais implicações da pesquisa, dentre elas, a de que o desenvolvimento requer um enfoque integrado entre políticas que embasem um projeto nacional de enfrentamento das desigualdades sociais e a construção de uma cidadania plena.
 Segundo Luciana, a saúde ocupa um papel central no desenvolvimento em sua expressão geral e territorial. "Precisamos ver a saúde como locus privilegiado de inovação, modernização, investimento, emprego e renda, mas também de geração de bem-estar, equidade e inclusão social", disse. Em seguida, a pesquisadora apontou para o processo de regionalização na saúde, um processo político que envolve a distribuição de poder e o estabelecimento de um sistema de inter-relações entre diferentes atores sociais (governos, organizações públicas e privadas, cidadãos) no espaço geográfico; o planejamento, integração, coordenação, regulação e financiamento de uma rede de ações e serviços de saúde no território e a incorporação dos elementos de diferenciação e diversidade espacial do desenvolvimento e da articulação dos diversos campos da atenção à saúde no território.
A pesquisadora afirmou ainda que há três grandes questões que giram em torno da regionalização da saúde no âmbito da gestão pública, dentre elas: como institucionalizar uma rede de ações e serviços respeitando a diversidade territorial e superando as desigualdades injustas; como formalizar a responsabilidade pública com participação e envolvimento da sociedade civil e dos diversos agentes que compõem o sistema de saúde no território e, ainda, como garantir a regulação centralizada com a manutenção da autonomia dos governos locais. Segundo Luciana, resultados do modelo de descentralização implantado no SUS apontam que, embora avanços possam ser observados, permanecem problemas relativos à iniquidade, à intensa fragmentação e à desorganização de serviços de saúde devido aos milhares de "sistemas locais isolados" existentes.
"A regionalização é fundamental para ampliar a concepção da descentralização, para reduzir as desigualdades e para consolidação nacional do sistema público de saúde", analisou. Dando continuidade à palestra, a pesquisadora abordou o Pacto pela Saúde como o início de um novo ciclo no processo de regionalização da saúde, apontando a criação de novas instâncias de coordenação federativa nos estados -
os Colegiados de Gestão Regional (CGR) - como fundamental. De acordo com a pesquisadora, o objetivo dos CGR é analisar os processos de regionalização da saúde nos estados brasileiros, identificando os contextos e condicionantes e as mudanças institucionais introduzidas nos sistemas de saúde.
Por fim, a autora do livro Regionalização e relações federativas na política de saúde do Brasil citou alguns resultados da pesquisa. Segundo ela, eles sugerem ganhos de institucionalidade em contextos histórico-estruturais e político-institucionais desfavoráveis. Entretanto, tais dificuldades comprometem maiores avanços e a sustentabilidade da política desenvolvida em muitas regiões. Ainda de acordo com a autora, há necessidade de fortalecimento do enfoque territorial no planejamento governamental, de modo a integrar os investimentos (federais, estaduais e municipais) na atenção à saúde, as ações de fomento ao complexo industrial da saúde, e a política de ciência e tecnologia ao SUS. "É fundamental que se perceba a necessidade de promover um enfoque mais integrado das políticas sociais e econômicas e de articulação dos diversos campos da atenção à saúde no território", concluiu a pesquisadora.

Fonte: Informe ENSP

Disponível em:<http://www.ensp.fiocruz.br/portal-ensp/informe/materia/?origem=1&matid=26947>. Acesso em: 16 ago. 2011



Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.