quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Cérebro de psicopatas pode ter alterações no sistema de recompensa

Estudo aponta diferenças funcionais no processamento de informações relacionadas à punição e à gratificação
                                       
Muitos crimes violentos são cometidos por pessoas com transtorno antissocial de personalidade (TPAS) e traços psicopáticos. Não é de surpreender, portanto, que haja um grande número de psicopatas nas prisões. Estudos recentes indicam que aproximadamente 30% dos detentos se enquadram nos critérios diagnósticos do distúrbio: esses indivíduos podem ser insensíveis ao sofrimento alheio, agressivos e manipuladores. Ainda hoje, esses casos representam um grande desafio para a psicologia e psiquiatria forense.

Nesse sentido, um grupo de pesquisadores da Universidade College London submeteu à ressonância magnética funcional (fMRI) 12 criminosos violentos com TPAS e psicopatia; 20 com o transtorno, mas sem traços psicopáticos; e 18 voluntários saudáveis não infratores enquanto realizavam uma tarefa de “aprendizado por reforço”. Então, avaliaram a capacidade dos participantes de ajustar o comportamento (tomada de decisão adaptativa) quando as consequências das respostas se alteravam de gratificação para sanção.

Eles observaram que essa transição levou a um aumento incomum na atividade do córtex cingulado posterior e da ínsula anterior. “Encontramos diferenças funcionais no processamento de informações relacionadas à punição e recompensa no cérebro dos criminosos com psicopatia”, diz o psiquiatra Nigel Blackwood, autor do estudo. “Os resultados sugerem que esses indivíduos não demonstram somente diminuição da sensibilidade neural à penalidade, mas também uma organização alterada do sistema responsável pela aprendizagem reversa (uma espécie de filtro que elimina o excesso de dados) e a tomada de decisão adaptativa” (processo que envolve vários critérios ao mesmo tempo para resolver um problema). Esse mesmo padrão neural, apontam, pode ser observado em crianças com traços insensíveis e sem emoção.

Segundo os pesquisadores, problemas de conduta e antecedentes da psicopatia surgem no início da vida, quando as intervenções têm o potencial de alterar a estrutura e o funcionamento do cérebro. Os dados lançam luz sobre os mecanismos neurais de adultos criminosos violentos e sugere linhas de pesquisas sobre o desenvolvimento da psicopatia em crianças com esse perfil. “Compreender melhor esses aspectos pode ajudar a aprimorar intervenções na infância e prevenir a violência”, conclui Blackwood. O estudo foi publicado na Lancet Psychiatry.

Fonte: Scientific American Mente Cérebro

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