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segunda-feira, 30 de junho de 2014

Pessoas com fobias têm área do cérebro diminuída

Cíngulo anterior do córtex tem menor volume em pessoas com medo de aranha

A região do cérebro chamada cíngulo anterior do córtex apresenta-se com menor volume em pessoas com medo de aranha.  É o que revela exames de última geração, com aparelhos de ressonância magnética e de espectroscopia por ressonância em estudo de pesquisadores da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP e das Universidades Federais de São Paulo, Santo André, no Estado de São Paulo, e do Rio de Janeiro, RJ.
A ciência busca respostas para as reações químicas e biológicas das pessoas que sofrem de fobias e, ainda, como é a anatomia das regiões do cérebro dessas pessoas. Apesar dos avanços científicos dos últimos anos, tentando explicar o funcionamento do cérebro humano para as emoções, pouco ainda se sabe sobre a origem do medo excessivo que é tido como um dos fatores que desencadeiam os transtornos de ansiedade.
O coordenador da pesquisa, professor José Alexandre Crippa, do Departamento de Neurociências e Ciências do Comportamento da FMRP, conta que a falta de informações consistentes, principalmente em termos de imagens neurológicas em fobias, fez com que optassem por estudar um tipo bastante comum de fobia, o medo de animais,  que afeta 12% das mulheres e 3% dos homens, por meio de análises por ressonância magnética estrutural e espectroscopia por ressonância magnética (que faz estudo neurobiológico do cérebro).
A fobia escolhida foi a de aranha e a área a estudar foi o cíngulo anterior do córtex (ACC, em inglês). Essa região é conhecida pela relação com a percepção e conhecimento do medo e da ansiedade. Também está ligada ao circuito de ações condicionadas (aquelas aprendidas nas experiências da vida).
Anormalidades na percepção do medo
A pesquisa começou em 2010, quando selecionaram voluntários saudáveis e aqueles que sofriam com medo de aranha. Formaram dois grupos, com 17 e 19 pessoas, respectivamente, com equivalência em idade, escolaridade e nível socioeconômico. Nenhum dos participantes apresentava história de doenças neurológicas, psiquiátricas ou outra de relevância orgânica e nem faziam uso de medicação psicotrópica ou tinham abusado de drogas. Todos foram submetidos a avaliações clínicas e exames por ressonância magnética e espectroscopia no Hospital das Clínicas da FMRP.

Os resultados finais não encontraram alterações metabólicas (análise neurobiológica feita por espectroscopia), mas indicaram afinamento na espessura do cíngulo anterior do córtex (ACC) no grupo de portadores de fobia de aranha, quando comparado com o grupo saudável. Esses achados, garantem os pesquisadores, são importantes por detectar anormalidades em uma estrutura específica, podendo sugerir disfunção potencial dessa área cerebral.
No caso do volume diminuído da ACC que encontraram, “é possível que sejam uma consequência e não a causa das fobias”. É que essa região é ativada em distúrbios emocionais, em estresse pós-traumático e em ansiedade; estudos indicam ainda relação com processos de dor afetiva e, mais precisamente a área do hemisfério direito do cíngulo, ligações ao condicionamento do medo.
Assim, acredita Crippa, os achados de seu estudo podem ser uma consequência de fatores constitucionais e ambientais desses pacientes. A confirmação viria com estudos longitudinais — acompanhando as pessoas ao longo do tempo, para obter informações “quanto à ativação funcional antes que os sintomas de ansiedade comecem a se manifestar”.
Mesmo assim, alertam que pesquisas com neuroimagens em fobias ainda estão em fase inicial. Além desse estudo, relatam apenas outros dois, em todo o mundo, que avaliaram espessuras corticais nessas doenças. Um, mostrou aumentos em estruturas da área límbica (setor medial da superfície do cérebro que controla emoções e comportamentos sociais e que envolve a ACC), e o outro não encontrou nenhuma diferença em volume ou espessura dessas estruturas cerebrais.
Alertam também para o fato de que, apesar de a espessura cortical indicar integridade na arquitetura de regiões do córtex cerebral, não se tem evidências para dizer que a diminuição da espessura do córtex implique diretamente em patologias.
Mesmo sendo resultados ainda preliminares, exigindo novos estudos, os resultados dessa pesquisa brasileira mostram que esta área, o cíngulo anterior do córtex, está relacionada com patologias da ansiedade, especificamente com as fobias. Ajudam também na compreensão da neuroanatomia “dos circuitos de condicionamento e mecanismos do medo inato”.
O professor Crippa ressalta que, como os resultados mostraram diminuição na espessura de uma região paralímbica relacionada ao TOC (transtorno obsessivo compulsivo), síndrome do pânico e transtorno de estresse pós-traumático, eles são válidos também para essas formas de ansiedade e não apenas para as fobias.
Foto: Marcos Santos / USP Imagens
Mais informações: e-mail: jcrippa@fmrp.usp.br

Fonte: Agência USP de Notícias

Disponível em: <http://www.usp.br/agen/?p=179985>. Acesso em: 30 jun. 2014

Meditar para se libertar

Por Sonielson Luciano de Sousa 
É publicitário (CEULP/ULBRA), pós-graduado em Educação, Comunicação e Novas Tecnologias (UNITINS), editor do jornal e site O GIRASSOL e graduando em Filosofia (UCB-DF e UFT). É Colaborador do (En)Cena.

Setores da Ciência já perceberam, sobretudo no campo na Psicologia, da Psiquiatria, da Psicanálise e da Neurociência, que a meditação é uma importante aliada nos processos de prevenção e até mesmo tratamento de distúrbios psicológicos. Embora este não seja o objetivo das religiões tradicionais orientais, cujo foco é o treinamento interno e o desenvolvimento da compaixão, a meditação acaba por gerar “efeitos secundários” que favorecem a saúde mental dos praticantes.
De acordo com pesquisas recentes, “pessoas que têm experiência em meditação parecem ser capazes de ‘desligar’ áreas do cérebro associadas a devaneios, transtornos psiquiátricos (como esquizofrenia) e autismo”. Isso pôde ser observado a partir de um novo estudo de imagens cerebrais feito por pesquisadores da Universidade Yale, nos EUA. O trabalho científico está publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).
Ainda de acordo com a pesquisa, que teve como um dos principais autores o professor assistente de psiquiatria em Yale, Judson A. Brewer, “a capacidade da meditação em ajudar indivíduos a manter o foco no presente tem sido associada a maiores níveis de felicidade”. Assim, pessoas que, pela meditação, obtém estados mentais mais equilibrados acabam por se tornar, também, mais felizes.
Na pesquisa, descobriu-se que “meditadores experientes tiveram uma redução da atividade em áreas cerebrais da chamada rede neural de modo padrão, que tem sido associada a lapsos de atenção e distúrbios como ansiedade, déficit de atenção e hiperatividade, e até acúmulo de placas senis na doença de Alzheimer”. Brewer arrematou dizendo que “a capacidade da meditação em ajudar as pessoas a permanecer no presente tem sido parte de práticas filosóficas e contemplativas há milhares de anos", numa referência às tradições orientais que se utilizam desta técnica.
Budismo e Meditação
No Ocidente, o Zen Budismo provavelmente é um das mais difundidas escolas japonesas a utilizar-se da meditação. A base de seu ensinamento, o zazen, é considerado o coração da prática.
E para os interessados em conhecer um pouco mais sobre este vasto campo do saber, que nos últimos 80 anos vêm obtendo grande atenção da Psicologia e, a 30 anos, da Ciência como um todo, o líder espiritual de várias comunidades zen budistas brasileiras, em vários estados do país, inclusive no Tocantins (Daissen-ji – Grupo Zen Budista de Palmas), Monge Genshô Sensei volta a Palmas para proferir duas palestras públicas e um “zazenkai”, espécie de retiro espiritual zen budista, curto e intensivo, que também tem um caráter de confraternização.
Os eventos ocorrem nos dias 18 e 19 de julho próximo. Na sexta (18) à tarde o monge vai proferir uma palestra no Luare Instituto de Yoga (110 Norte – Av. JK), com o tema “Meditação, Diálogo Inter-religioso e Cultura de Paz”. Na mesma data, Genshô Sensei realiza a palestra “Afinal, quem é você? – concepção histórica, concepção absoluta e postura investigativa” no auditório da Assembleia Legislativa do Tocantins. Para esta palestra, solicita-se que o participante contribua com a quantia mínima de R$ 10,00 para ajudar a custear as despesas do evento. Qualquer pessoa interessada nos temas pode participar das palestras.
Já no sábado, 19, o Zazenkai está previsto para iniciar às 8h (chegada dos participantes), e será realizado numa residência na quadra 404 Sul (em frente à praça da quadra, na Al. 13). Até às 16h do dia 19 haverá uma extensa programação que inclui leitura de sutras, meditação sentada (zazen), meditação andando (kinh’in), palestras, momentos para que os participantes possam tirar suas dúvidas, além de dois intervalos para lanches, almoço vegetariano e momento de descanso.

Os interessados em participar do retiro (cujas vagas são limitadas), ou que queiram tirar dúvidas sobre as palestras, podem entrar em contato com a organização do evento através do telefone 63 8112-9265 e/ou através do e-mail sonielson@brturbo.com.br .
Quem é o reverendo Petrúcio Chalegre (Meihô Gensho)1
Monge Genshô iniciou no Dharma através de Igarashi Roshi, em 1973, teve sua investidura leiga em 1992 com o nome de Meihô, sendo ordenado monge na forma limitada de ordenação particular em 2001, após passou para a orientação de Moriyama Roshi, de quem foi professor assistente, até que este também voltou para o Japão em 2005, foi então ordenado oficialmente pelo Sookan (Superior Geral) da América do Sul, Dosho Saikawa Roshi, monge da Soto Zen, em 2008 graduou-se Zagen na cerimônia de Hossenshiki (Combate do Dharma) tendo como Mestre o próprio Saikawa Roshi o qual lhe deu a Transmissão em 2011, o que o torna um dos seus sucessores, dirige a Comunidade zen budista de Florianópolis a qual tem grupos relacionados sob sua responsabilidade em Rio do Sul, Concórdia, Guaratinguetá, Maringá, Joinville, Rio de Janeiro, Goiânia, Palmas e Londrina. Na vida leiga atua como consultor de empresas de grande porte dirigindo uma empresa de consultoria em gestão.
O que é o Zen Budismo2
Zen é o nome japonês da tradição (e filosofia) religiosa ch'an, que surgiu na China por volta do século VII. O Zen costuma ser associado ao budismo do ramo mahayana. Foi cultivado, inicialmente, na China, Japão, Vietnã e Coreia. A prática básica do Zen é o zazen, tipo de meditação contemplativa que visa a levar o praticante à "experiência direta da realidade".
A escola Soto (a qual pertence o Monge Genshô) foi fundada no Japão por volta do século XIII pelo célebre mestre Eihei Dogen Zenji (1200-1253). Sua prática fundamental é a Shikantaza ("apenas sentar-se"), um tipo simples de meditação cuja prática é identificada com a própria iluminação.
O Zen tem uma longa tradição de trabalho meditativo e é provavelmente uma das escolas budistas mais difundidas no Ocidente. Nada é desperdiçado nesta tradição, que também vê a possibilidade de se atingir graus de compreensão da realidade através de atividades que envolvem tanto o trabalho braçal (como fazer a limpeza de uma residência ou cuidar de um jardim, por exemplo), até através de atividades mais refinadas, como o uso da caligrafia, a confecção de ikebana (arranjos florais) e a realização da famosa cerimônia do chá.
 Notas:
1- Mini-currículo disponível no site do Colegiado Budista Brasileiro, através do endereçohttp://cbb.bodhimandala.com/fundadores/index.php?newsid=3 – Acessado em 26/06/2014.
2– Texto extraído e alterado a partir da definição do que é Zen Budismo pela Wikipédia em português. Disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/Zen - Acessado em 26/06/2014.
 Referências:
Daissen-ji – Portal das Sanghas Zen sob a orientação do Monge Genshô – Disponível emhttp://daissen.org.br/hp/index.php - Acessado em 26/06/2014.
Fonte: (EN)Cena
Disponível em: <http://ulbra-to.br/encena/2014/06/28/Meditar-para-se-libertar>. Acesso em; 30 jun . 2014

Depois das Teorias X, Y e Z vem agora a Teoria Índigo?

Isto é, havia a crença do administrador de que os empregados seriam ou X ou Y, e por conseguinte haveria a necessidade de se direcionar atos e ações administrativas de controle sobre os empregados, seletivamente.

Esgotaram a ordem alfabética para classificarmos as Teorias do Comportamento Humano. Teoria X, Teoria Y e Teoria Z. As Teorias X e Y foram formuladas por Douglas McGregor (EUA, 1906-1964), economista, psicólogo e professor de Gestão Industrial, desenvolvidas nos anos 1950. A Teoria Z foi proposta por William Ouchi (EUA, 1943-), nos anos 1980, fez esgotar a ordem alfabética nestas últimas 3 teorias da motivação e do comportamento humano na empresa e na gestão dela.

McGregor com sua formação em psicologia experimental identificou aqueles dois perfis básicos dos administradores em relação aos empregados. Para ele o administrador inicialmente tinha por hábito atribuir aos empregados situações de hábitos e comportamento aos quais haveria necessidade de se implementar controle, segundo "medidas e contramedidas" aos perfis. E alguns empregados atuavam de fato dentro dos perfis X e Y classificados por McGregor.

Isto é, havia a crença do administrador de que os empregados seriam ou X ou Y, e por conseguinte haveria a necessidade de se direcionar atos e ações administrativas de controle sobre os empregados, seletivamente.

Ouchi já em sua Teoria Z identificou um "estado de espírito de ser" mais melhorado em relação ao da Teoria Y de McGregor.

Nas Teorias do Comportamento X e Y de Douglas MacGregor, sobre o behaviorismo na administração de um estado, ou de uma empresa, em que as pessoas, em função de características naturais, de criação, de formação e aculturação, são a "terra fértil" de determinados ideários pelo processo de afinidades e de auto-identificação com o conjunto de premissas e preceitos de tais ideários, nós vamos encontrar boa parte de explicações sobre o fracasso do comunismo no mundo.

Na Teoria X – o perfil modelo diz que as pessoas são recessivas, acomodadas e resistentes a mudanças:

1. São preguiçosas e indolentes;
2. Evitam trabalho;
3. Evitam responsabilidades e fim de se sentirem seguras;
4. Precisam ser controladas e dirigidas;
5. São ingênuas e sem iniciativas;
6. São fundamentalmente egocêntricas;
7. Seus objetivos pessoais opõem-se, em geral, aos objetivos da organização;
8. São resistentes a mudanças;
9. São dependentes e, o que os torna incapazes de autocontrole e disciplina;
10. A única motivação para o trabalho é o salário;

Esta Teoria X defende um estilo de liderança autocrático levando assim as pessoas a fazerem exatamente o que a organização pretende que elas façam, sendo comum a gestão onde:

a. A responsabilidade pelos recursos é somente da organização – estado ou empresa;
b. É necessário dirigir os esforços das pessoas – controle das ações para modificar o comportamento;
c. É necessário praticar políticas de persuasão, recompensas e punição já que suas atividades são dirigidas em função dos objetivos e necessidades da organização – estado ou empresa;
d. A remuneração é o meio da recompensa.

Na Teoria Y – o perfil modelo diz que as pessoas são progressistas, auto-evolutivas e autônomas:

1. São esforçadas e gostam de ter o que fazer;
2. O trabalho é uma atividade tão natural como brincar ou descansar;
3. Procuram aceitar responsabilidades e desafios;
4. São automotivadas e autodirigidas;
5. São criativas e competentes;

O estado ou a empresa devem proporcionar condições para:

a. As pessoas reconheçam e desenvolvam características como motivação, potencial de desenvolvimento e responsabilidades;
b. Organização e metodologia de função e operação por meio das quais as pessoas possam atingir seus objetivos e dirigirem esforços no sentido dos objetivos do estado ou empresa;
c. Descentralização das decisões de responsabilidade e delegação de rotinas;
d. Promoções para trabalhos de maiores significados de juízo e valor;
e. Administração participativa nas decisões mais importantes;
f. Autocrítica e auto-avaliação de desempenho.

Na Teoria Z - o perfil modelo diz que as pessoas podem ser imaginativas, participativas e de livre expressão e que o progresso do estado ou da empresa está ligado à motivação humana e não simplesmente à tecnologia:

a. Querem participar;
b. O patrimônio é o próprio homem;
c. São criativas;
d. Querem ser originais com muita liberdade;
e. Têm iniciativas positivas;
f. São estáveis e responsáveis;
g. Exigem melhores qualidades de vida;
h. São insatisfeitos com o "status quo";
i. O grupo ou a equipe prevalece sobre o indivíduo;
j. Exigem segurança.

O estado ou a empresa devem proporcionar:

a. Estabilidade organizacional e de empregabilidade;
b. Remuneração condizente com os esforços em juízo e valor, sob méritos reais;

c. Meios para a solução real dos problemas que afligem a todos e que podem destruir a todos;
d. Meios para todos os questionamentos sobre eliminação de ineficiências prejudiciais à organização;
e. Adoção de projetos participativos sugerindo mudanças e melhorias na qualidade de vida;
f. Exigem um sistema de incentivo eficaz que premie a todos e de acordo com a contribuição de cada um.

O "estado de espírito de ser, em comportamento e motivação" destas 3 teorias decorre de uma classificação técnica de perfis baseada na observação experimental dos dois cientistas (McGregor para X e Y e Ouchi para Z). Mas, estas diferenças não só decorrem do processo de educação e escolarização das pessoas. Decorrem de outros fatores ambientais, vivenciais e experienciais de tais pessoas.

Acredita-se com base na interpretação da história, dos personagens e ilustres pessoas, que os perfis X e Y, além do Z, são da natureza humana dos espíritos - almas. E, portanto, eles existem desde que existe o homo sapiens sapiens.

Recentemente outro processo de observação experimental identificou um novo perfil denominado de ÍNDIGO, nas crianças das recentes gerações (anos 1970 para hoje), e comumente associado ao perfil Y. As origens e características do perfil INDIGO constam do livro "The Indigo Children" escrito por Lee Carroll e Jan Tober publicado pela primeira vez em Maio/1999.

O perfil ÍNDIGO transcende as características dos perfis X, Y e Z. É em nível quase de "paranormalidade" e com potencialidades cerebrais impressionantes, com o uso dos 2 hemisférios cerebrais, indo além da inspiração, da mediunidade e da lógica mediana.

O texto traduzido e adaptado por Dailton Menezes, junho 2001, e constante no site: http://www.flordavida.com.br/HTML/indigo.html , uma criança ÍNDIGO é aquela que apresenta um novo e incomum conjunto de atributos psicológicos e mostra um padrão de comportamento geralmente não documentado ainda.

Dentre os vários tipos de crianças ÍNDIGO, podemos relacionar abaixo alguns padrões sobre elas:

• Elas vêm ao mundo com um sentimento de realeza e freqüentemente agem desta forma;
• Elas têm um sentimento de "desejar estar aqui" e ficam surpresas quando os outros não compartilham isso;
• Auto-valorização não é uma grande característica. Elas freqüentemente contam aos pais quem elas são;
• Elas têm dificuldades com autoridade absoluta sem explicações e escolha;
• Elas simplesmente não farão certas coisas; por exemplo, esperarem quietas é difícil para elas;
• Elas se tornam frustradas com sistemas ritualmente orientados e que não necessitam de pensamento criativo;
• Elas freqüentemente encontram uma melhor maneira de fazer as coisas, tanto em casa como na escola, o que as fazem parecer como questionadores de sistema (inconformistas com qualquer sistema);
• Elas parecem anti-sociais a menos que estejam com outras do mesmo tipo. Se não existem outras crianças com o nível de consciência semelhante em volta, elas freqüentemente se tornam introvertidas, sentindo-se como se ninguém as entendesse. A escola é freqüentemente difícil para elas do ponto de vista social;
• Elas não responderão à pressão por culpa do tipo: "Espere até seu pai chegar e descobrir o que você fez";
• Elas não são tímidas em fazer você perceber o que elas precisam.

Os autores Lee Carroll e Jan Tober listam as seguintes características para ajudar a identificar se sua criança é um Índigo:

• Tem alta sensibilidade;
• Tem excessivo montante de energia;
• Distrai-se facilmente ou tem baixo poder de concentração;
• Requer emocionalmente estabilidade e segurança de adultos em volta dela;
• Resiste à autoridade se não for democraticamente orientada;
• Possui maneiras preferenciais no aprendizado, particularmente na leitura e matemática;
• Podem se tornar frustrados facilmente porque têm grandes idéias, mas uma falta de recursos ou pessoas para assistirem pode comprometer o objetivo final;
• Aprendem através do nível de explicação, resistindo à memorização mecânica ou serem simplesmente ouvintes;
• Não conseguem ficar quietas ou sentadas, a menos que estejam envolvidas em alguma coisa do seu interesse
• São muito compassivas; têm muitos medos tais como a morte e a perda dos amados;
• Se elas experimentarem muito cedo decepção ou falha, podem desistir e desenvolver um bloqueio permanente.

"As Crianças Índigo encarnaram neste tempo por uma razão muito sagrada: para introduzir uma nova sociedade baseada em honestidade, cooperação e amor. Quando elas atingirem a fase adulta, nosso mundo será vastamente diferente do que é hoje. Nós não mais teremos violência e competição". E segundo outros analistas estas crianças irão demolir as instituições empresariais que operam com base em conceitos, processos e procedimentos corrompidos e distorcidos.

E ai vão os governos que se fundamentam em mentiras, em suas propagandas enganosas e abusivas, que se articulam baseados em compra de caráter e de opiniões. As empresas se verão obrigadas a rever seus critérios de RH, na seleção e recrutamento de novos empregados, em face de identificarem os perfis ÍNDIGO e direcionar tais "mestres" para os cargos e atividades, que precisarão da VERDADE e da DERRUBADA DE PARADIGMAS secularmente cristalizados.

Já se identificou 4 tipos diferentes de INDIGOS:

1. Humanista: Primeiro, existe o Índigo Humanista que vai trabalhar com as massas. Eles serão os futuros doutores, advogados, professores, vendedores, executivos e políticos. Vão servir as massas e são hiperativos. São extremamente sociais;
2. Conceitual: Os Índigos Conceituais estão mais para projetos do que para pessoas. Serão os futuros engenheiros, arquitetos, projetistas, astronautas, pilotos e oficiais militares;
3. Artista: Este tipo de Índigo é muito mais sensível e freqüentemente menor em tamanho, embora isso não seja uma regra geral. Eles são mais fortemente ligados às artes. Eles são criativos e serão os futuros professores e artistas. Em qualquer campo que eles se dediquem será sempre pelo lado criativo. Se eles entrarem na medicina, eles se tornarão cirurgiões ou pesquisadores;
4. Interdimensional: O Índigo Interdimensional é muito maior do que os demais Índigos, do ponto de vista de estatura. Entre 1 e 2 anos de idade você não pode dizer nada para eles. Eles dizem: "Eu já sei. Eu posso fazer isso. Deixe-me sozinho". Eles serão os que trarão novas filosofias e espiritualidade para o mundo.

Ainda existem controvérsias no campo da psicologia aplicada, de tais perfis ÍNDIGO.

Porém, alguns acreditam que este novo "estado de espírito de ser, em comportamento e motivação", venha a ser uma evolução para a transformação do planeta, onde obrigatoriamente se haverá necessidade de ceder, às altas inteligências para as boas obras, uma boa parcela dos requisitos de administração de empresas e de estados, em face da tendência de caos e complexidades, que se avolumam e se acumulam, desbancando as capacitações medianas e inferiores, dos processos administrativos, para prevenir disfunções, solucionar problemas recorrentes e enfrentar as catástrofes tendentes e em agigantamento, no meio social e econômico e no meio ambiental.


Fonte: Clipping - Associação Brasileira de Psiquiatria

Disponível em: <http://www.abp.org.br/portal/imprensa/clipping-2>. Acesso em: 30 jun. 2014

A sociedade estimula o estresse precocemente

O psicólogo Armando Ribeiro analisa as várias vertentes deste que é um dos problemas de saúde mais frequentes no mundo moderno e alerta para a necessidade de mudanças no estilo de vida, grande desafio da Psicoterapia

Por: Lucas Vasques / Fotos: Divulgação/Beneficência Portuguesa


Considerado um dos problemas de saúde mais frequentes do mundo moderno, o estresse possui diferentes possibilidades, tanto no que se refere ao diagnóstico quanto à forma de tratamento– das doenças ocasionadas por ele e das suas origens. Na avaliação do psicólogo Armando Ribeiro das Neves Neto, o estresse é uma reação psicofisiológica natural de adaptação diante de ameaças. “Os hormônios do estresse preparam nosso organismo para enfrentar perigos (reais ou imaginários), mas a ativação prolongada desse mecanismo gera o ‹estresse crônico› ou ‹estresse tóxico›, tornando o organismo mais vulnerável às doenças (físicas e emocionais) e infecções”.
Ribeiro coordena o Programa de Avaliação do Estresse da Beneficência Portuguesa de São Paulo e do Hospital São José. Segundo o psicólogo, ele desenvolve um serviço baseado no rastreio (combinação entre conceitos da Psicologia da Saúde, Psicologia Positiva e Medicina Integrativa) de fatores psicológicos e comportamentais no meio médico. Este, por sua vez, é tradicionalmente focado nos exames clínicos e laboratoriais de alta complexidade, mas não vê o sujeito como um todo.
Em seu vasto currículo, Ribeiro é mestre em Ciências, especialista em Bases da Medicina Integrativa e especialista em Neuropsicologia. Tem aprimoramento em Psico-Oncologiae é consultor do programa Saúde Emocional, do canal FoxLife. É professor de Medicina Comportamental e supervisor clínico da pós-graduação em Terapia Cognitivo-Comportamental e da Unidade de Medicina Comportamental do departamento de Psicobiologia da UNIFESP.
O ESTRESSE PODE SER CONSIDERADO UMA DOENÇA OU UM FATOR DE MOTIVAÇÃO PARA O SURGIMENTO DE DOENÇAS, ESPECIALMENTE AS QUE AFETAM O LADO PSICOLÓGICO? 
ARMANDO RIBEIRO – O estresse é uma reação psicofisiológica natural de adaptação diante das ameaças. Os hormônios do estresse preparam nosso organismo para enfrentar perigos (reais ou imaginários), mas a ativação prolongada desse mecanismo gera o “estresse crônico” ou “estresse tóxico” ou “distresse”, tornando o organismo mais vulnerável às doenças (físicas e emocionais) e infecções. Atualmente, existe uma corrente de pesquisa sobre estresse, que defende a expressão “carga alostática” para se referir ao desgaste do organismo em manter a produção prolongada dos hormônios do estresse (principalmente a adrenalina, a noradrenalina e o cortisol).

VOCÊ DESENVOLVE UM TRABALHO EM PSICOTERAPIA PARA O DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO DE ANSIEDADE, FOBIAS, DEPRESSÃO, IRRITABILIDADE, INSÔNIA, PÂNICO E TRAUMAS. EXISTE ALGUMA RELAÇÃO ENTRE ESSES PROBLEMAS E O ESTRESSE? 
RIBEIRO – O estresse crônico pode ser o “gatilho” para o aparecimento de transtornos mentais (ansiedade, fobias, depressão, irritabilidade, insônia, pânico e traumas). É comum, no consultório, ouvirmos que, antes do início dos sintomas da doença, o paciente se encontrava no limite de sua capacidade de lidar com as fontes de estresse (problemas financeiros, crises afetivas, problemas de relacionamento no trabalho, sobrecarga no trabalho). Existe uma teoria que diz respeito à relação entre “diástese - estresse”, ou seja, nossa predisposição às doenças (diástese) e o gatilho “estresse” como forma de pensar nele como disparador das doenças mais comuns. Atualmente, também reconhecemos o papel do estresse na epigenética, ou seja, na influência do estresse crônico, seja na ativação ou desativação de genes, que predispõem ou nos protegem de doenças.


Didaticamente, dizemos que existem fontes externas (poluição ambiental, alimentos com agrotóxicos, extremos climáticos, microrganismos etc.) e fontes internas (pensamentos catastróficos, pessimismo, perfeccionismo, pensamento do tipo “tudo ou nada”, esquemas cognitivosdesadaptativos etc.), que motivam o estresse

O ESTRESSE INTERFERE NO FUNCIONAMENTO DOS NEURÔNIOS, O QUE PREJUDICA O FUNCIONAMENTO DE UMA MENTE SAUDÁVEL. ESSES NEURÔNIOS ‘BOMBARDEADOS’ PELO ESTRESSE PODEM SER RECUPERADOS? 
RIBEIRO – Neurocientistas da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, já demonstraram que o cortisol pode destruir neurônios, principalmente, na região do hipocampo (associada à memória). Atualmente, também se descobriu que o estresse tóxico diminui a função do córtex pré- -frontal (responsável por diversas funções cognitivas complexas, tais como atenção, aprendizagem, planejamento, flexibilidade cognitiva etc.), literalmente o estresse tóxico “desliga” o córtex pré-frontal e estimula a atividade do sistema límbico, aumentando os estados de ansiedade, medos, fobias e outras. Somente nos últimos anos é que foi comprovado que tratamentos psicopsicológicos “antiestresse” podem estimular a neurogênese em locais ‘bombardeados’ pelos hormônios do estresse.

O ESTRESSE É CONSIDERADO UM PROBLEMA DA VIDA MODERNA E HÁ MUITAS CONTROVÉRSIAS A RESPEITO DAS RAZÕES QUE LEVAM A ESSE ESTADO. PARA ACABAR COM AS DÚVIDAS, DEFINITIVAMENTE, O QUE PROVOCA O ESTRESSE E QUAIS OS SINTOMAS? 
RIBEIRO – Didaticamente, dizemos que existem fontes externas (poluição ambiental, alimentos com agrotóxicos, extremos climáticos, microrganismos etc.) e fontes internas (pensamentos catastróficos, pessimismo, perfeccionismo, pensamento do tipo “tudo ou nada”, esquemas cognitivos desadaptativos etc.). Nossa sociedade evoluiu bastante em termos de controlar ou reduzir o estresse ambiental, mas pouco ainda conquistamos em termos de uma educação infantil ou de valores sociais que promovam as virtudes humanas, tais como resiliência, solidariedade, compaixão, temperança, autocontrole e por aí vai. Numa sociedade altamente competitiva e baseada no medo, os hormônios do estresse são estimulados precocemente.

ANTIGAMENTE, AS PESSOAS NÃO TINHAM OS RECURSOS TECNOLÓGICOS, FORMAS DE COMUNICAÇÃO, FACILIDADES DE TRANSPORTE, ENFIM, NÃO HAVIA TANTAS POSSIBILIDADES DE SE OBTER QUALIDADE DE VIDA, EM RELAÇÃO AO CENÁRIO ATUAL. ANTES, A VIDA ERA MAIS DIFÍCIL, NO SENTIDO FÍSICO, POIS O TRABALHO ERA EM LAVOURA, AS MULHERES COZINHAVAM À LENHA E PASSAVAM ROUPA NO CARVÃO. NO ENTANTO, NÃO SE OBSERVAVA A OCORRÊNCIA, PELO MENOS EM GRANDE INCIDÊNCIA, DE ESTRESSE E OUTROS PROBLEMAS SIMILARES. POR QUE ISSO ACONTECE?
RIBEIRO – O conceito médico do estresse é contemporâneo (a partir do século XX), mas outras tradições médicas já observavam que haveria uma condição geral que propiciava o maior risco de adoecimento físico e emocional. O estudo do estresse teve importantes precursores. Contudo, os estudos sobre os aspectos psicológicos do estresse (modelo cognitivo) só ganharam força a partir dos estudos de Richard Lazarus (1966). Podemos considerar que o estresse do homem do campo era, principalmente, físico (exposição ao sol, longas horas de trabalho manual, fome etc.). Atualmente, melhoramos nossas condições físicas e pouco fizemos em direção a criar gerações mais “resilientes” ao estresse social, onipresente em nossas sociedades. Acredito que a melhor “vacina” antiestresse é oferecida nos primeiros anos de vida, por meio de famílias estruturadas, modelos de resolução de problemas eficientes e uma escola emocionalmente equilibrada.

O TERMO ESTRESSE SE VULGARIZOU AO LONGO DO TEMPO. COMO DETECTÁ-LO E COMO SE PODE CHEGAR À CONCLUSÃO DE QUE OS SINTOMAS SÃO CONSEQUÊNCIA DESSE PROBLEMA OU DE ALGUM OUTRO DISTÚRBIO MENTAL OU FÍSICO ESPECÍFICO? E COMO PODEMOS DIFERENCIAR O ESTRESSE PATOLÓGICO DO CANSAÇO, DA FADIGA CRÔNICA? 
RIBEIRO – O problema do termo “estresse” é que ele se equiparou ao termo “virose” ou “doença psicossomática”, ou seja, se torna um meme com vida própria e indistinto de sua definição original. Atualmente, é possível avaliarmos o nível de estresse em que se encontram os pacientes, por meio de testes psicológicos validados pelo Sistema de Avaliação de Testes Psicológicos do Conselho Federal de Psicologia (SATEPSI – CFP), da avaliação psicofisiológica (por intermédio de equipamentos de biofeedback – variabilidade da frequência cardíaca, resistência galvânica da pele etc./ Neurofeedback – ondas cerebrais) e, também, de exames laboratoriais (níveis de cortisol/ adrenalina). A avaliação de um profissional da saúde especializado é fundamental para diferenciarmos entre condições patológicas. Portanto, a abordagem ao estresse deve ser multiprofissional.


Melhoramos nossas condições físicas e pouco fizemos em direção a criar gerações mais “resilientes” ao estresse social. Acredito que a melhor “vacina” antiestresse é oferecida nos primeiros anos de vida, por meio de famílias estruturadas, modelos de resolução de problemas eficientes e uma escola emocionalmente equilibrada

PESQUISAS INDICAM QUE, PARA CADA HOMEM DIAGNOSTICADO, DUAS MULHERES SE RESSENTEM DO PROBLEMA. VOCÊ PODE EXPLICAR QUAIS AS DIFERENÇAS PSICOLÓGICAS ENTRE AMBOS QUE DETERMINAM ESSE FATO? 
RIBEIRO – Pesquisas nacionais e internacionais têm obtido resultados semelhantes, ou seja, existe, em média, duas mulheres com diagnóstico de estresse crônico para cada homem. O principal argumento é em relação aos múltiplos papéis da mulher na sociedade contemporânea. A sobrecarga delas, que assumiram diversos papéis na vida, é um dos principais motivos para o estresse ter aumentado. Uma pesquisa da Nielsen, com 6.500 mulheres de 21 países, revelou que as brasileiras ocupam a quarta colocação entre as mais estressadas, com 67% das pesquisadas. As três primeiras colocações ficaram com Índia (87%), México (74%) e Rússia (69%).

ESSE QUADRO SE REPETE EM RELAÇÃO ÀS CRIANÇAS? COMO PAIS E PROFESSORES PODEM IDENTIFICAR O PROBLEMA? MUITOS TENDEM A JULGAR ALGUNS COMPORTAMENTOS COMO MANHA, MAU COMPORTAMENTO ETC. O TRATAMENTO EM CRIANÇAS E ADOLESCENTES É DIFERENTE DO QUE É FEITO EM ADULTOS? 
RIBEIRO – Cada vez mais crianças e adolescentes vão aos consultórios (pediatras e psicólogos clínicos) com queixa ou sintomas de estresse crônico.Os sintomas do estresse, em crianças e adolescentes, podem ser diferentes dos encontrados em adultos. Segue uma lista dos principais sintomas infantis: sintomas físicos – diarreia, dor de barriga, dor de cabeça, enurese noturna, falta de apetite, gagueira, hiperatividade, mãos frias esuadas, náuseas, ranger dos dentes, tensão muscular e tique nervoso; sintomas psicológicos – introversão súbita, terror noturno, agressividade, ansiedade, hipersensibilidade, dificuldades interpessoais, pesadelos, preocupação, impaciência, insegurança, desobediência, medo ou choro excessivo.

NINGUÉM FICA ESTRESSADO DO DIA PARA A NOITE. NA PRÁTICA, OCORRE UMA MUDANÇA LENTA E GRADUAL NA PESSOA. É POSSÍVEL PERCEBER E COMBATER O PROBLEMA ANTES DE ELE ESTAR DEFINITIVAMENTE INSTALADO?
RIBEIRO – O estresse agudo, que aparece em situações pontuais, é rápido e naturalmente adaptativo, mas é o estresse crônico que preocupa os especialistas, porque as pessoas vão ignorando o custo de se manterem tensas por muito tempo, produzindo cargas tóxicas de hormônios do estresse. No modelo quadrifásico do estresse, compreendemos que existem quatro estágios de evolução dos sintomas: fase de alerta (mãos e pés frios, boca seca, dor no estômago, aumento da transpiração, tensão e dor muscular, aperto na mandíbula, ranger os dentes ou roer unhas ou a ponta da caneta, diarreia passageira, dificuldade para dormir); fase de resistência (queixas de memória, mal- -estar generalizado, formigamento das extremidades, sensação de desgaste físico, mudança de apetite, problemas dermatológicos, hipertensão arterial, irritabilidade e desejo sexual diminuído); fase de quase- -exaustão (o processo de adoecimento se inicia e os órgãos que possuírem maior vulnerabilidade genética ou adquirida passam a mostrar sinais de deterioração); fase de exaustão (diarreias frequentes, dificuldades sexuais, insônia, tiques nervosos, hipertensão arterial, doenças dermatológicas, taquicardia, tontura frequente, pesadelos frequentes, apatia, cansaço excessivo, irritabilidade e angústia).

ALGUNS ESPECIALISTAS AFIRMAM QUE O ESTRESSE, EM CERTA MEDIDA, FAZ BEM, POIS AUMENTA A PRODUTIVIDADE E FORTALECE O SISTEMA IMUNOLÓGICO. O QUE ACHA DESSA ANÁLISE?
RIBEIRO – Muito cuidado! O estresse, inicialmente (fase de alerta ou “eustresse”), potencializa os recursos do organismo, torna a mente mais focada e ágil na resolução de problemas, mas, infelizmente, ninguém fica nesse estado por muito tempo. Há empresas que fomentam a cultura do estresse como algo positivo, mais produtividade em menos tempo, mas ignoram que o ganho imediato será perdido com o aumento de afastamentos por licença médica, perda da produtividade, perda da criatividade, aumento do número de acidentes de trabalho, aumento da rotatividade...


Pesquisas nacionais e internacionais têm obtido resultados semelhantes, ou seja, existem, em média, duas mulheres com diagnóstico de estresse crônico para cada homem. O principal argumento é em relação aos múltiplos papéis da mulher na sociedade contemporânea

OS PROFISSIONAIS, UNANIMEMENTE, DIZEM QUE O REMÉDIO CONTRA O ESTRESSE É MUDAR O ESTILO DE VIDA. CONTUDO, NA PRÁTICA, ISSO NÃO É TÃO SIMPLES. AS PESSOAS TÊM UMA ROTINA DITADA PELAS OBRIGAÇÕES PROFISSIONAIS E PESSOAIS E NEM SEMPRE É POSSÍVEL ALTERÁ- -LA, ALÉM DE DIFICULDADES INERENTES AO DIA A DIA. COMO LIDAR COM ISSO?
RIBEIRO – O estilo de vida pode ser fonte de estresse, mas modificá-lo poderá, inicialmente, ser ainda pior. Em minha opinião, existem mudanças mais fáceis e outras mais difíceis de serem implementadas, caso a caso. Não podemos criar uma terapia “antiestresse” mais estressante do que a própria vida do paciente. O meu trabalho é, principalmente, voltado para que o paciente se torne consciente de sua vida atual. Para isso, as práticas demindfulness (atenção plena) são, atualmente, as estratégias mais bem utilizadas nos grandes centros médicos, pois não impõem mudanças externas, mas, sim, que as pessoas saiam do “piloto-automático” de suas vidas e voltem a perceber os ritmos naturais, como a necessidade de se hidratar, de respirar profundamente, de descanso, de sonoetc.

VOCÊ PROCURA ESTUDAR E APLICAR AS POSSIBILIDADES DE ASSOCIAÇÃO ENTRE ABORDAGENS PSICOTERAPÊUTICAS CONVENCIONAIS, COMO TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL, E AS TERAPIAS COMPLEMENTARES, COMO ACUPUNTURA, HIPNOSE, BIOFEEDBACK, MEDITAÇÃO ETC. ESSAS FORMAS DE TRATAMENTO MAIS ALTERNATIVAS NÃO SOFREM PRECONCEITOS, PRINCIPALMENTE NO AMBIENTE CIENTÍFICO?
RIBEIRO – As terapias integrativas vêm sendo amplamente estudadas pela Medicina e Psicologia científicas atuais. O problema, muitas vezes, não está nas terapias em si, mas no despreparo dos profissionais que executarão tais abordagens. A falta de regulamentação da formação nessas terapias, com critérios claros de proficiência profissional, de um código de ética e de evidências científicas pode aumentar o preconceito profissional. Mas sinto, infelizmente, que o preconceito é, muitas vezes, maior nas associações de classe, que regulamentam as profissões de saúde, do que nos meios acadêmicos. Alguns conselhos profissionais avançaram na regulamentação de tais práticas, tais comoos federais de Enfermagem, Fisioterapia, Odontologia e o próprio Conselho Federal de Medicina. Quanto à Psicologia, temos, apenas, duas resoluções específicas, uma para a prática da Hipnose e outra para a Acupuntura (questionada no projeto do Ato Médico).

EXISTE ALGUM MOMENTO EM QUE O ESTRESSE PRECISA SER TRATADO COM MEDICAMENTOS?
RIBEIRO – Não existe remédio para o estresse, mas, sim, para as doenças relacionadas a ele. Medicar o estresse seria como desligar um alarme, que indica que estamos sob ameaça iminente. O melhor é entender as causas e, aí sim, modificá-las. Temos dados oficiais, que descrevem um aumento significativo da venda de medicações calmantes (benzodiazepínicos) e antidepressivas, usadas pela população geral, mas é importante compreender que elas não tratam as fontes do estresse e podem mascarar o desconforto, resultado de um estilo de vida negativo. Não somos contra a medicação, mas é preciso reconhecer que existem abusos em nossa sociedade.


Há empresas que fomentam a cultura do estresse como algo positivo, mais produtividade em menos tempo, mas ignoram que o ganho imediato será perdido com o aumento de afastamentos por licença médica, perda da produtividade, perda da criatividade, aumento do número de acidentes de trabalho e aumento da rotatividade

VOCÊ NÃO ACHA QUE HÁ UM RADICALISMO NO QUE SE REFERE AO USO DE MEDICAMENTOS, OU SEJA, ALGUNS PROFISSIONAIS INDICAM REMÉDIOS INADVERTIDAMENTE E OUTROS, SIMPLESMENTE, NÃO ACEITAM SUA UTILIZAÇÃO? 
RIBEIRO – É uma das questões complexas do sistema de saúde atual, pois envolve desde a formação técnica especializada dos «prescritores» até o interesse e pressão de uma poderosa indústria farmacêutica. Sou defensor de uma postura equilibrada entre a indicação precisa do medicamento e potencializar os recursos naturais de cura dos próprios pacientes. Os medicamentos são bem-vindos em um programa amplo de mudança do estilo de vida, mas não devem substituir o esforço pessoal por uma vida com sentido e propósito.

O ESTRESSE ESTÁ RELACIONADO COM A ATIVIDADE PROFISSIONAL, OU SEJA, HÁ PROFISSÕES MAIS SUSCETÍVEIS AO ESTRESSE? EM CASO AFIRMATIVO, QUAIS SERIAM? 
RIBEIRO – Sim. A atividade profissional pode, por si só, representar uma fonte importante de estresse, tais como demonstram os estudos com policiais e profissionais da área de segurança, controladores de voo e motoristas de ônibus, executivos e empreendedores, profissionais da saúde, professores e jornalistas. É importante enfatizar que, além da carga do próprio trabalho, as fontes internas de estresse são parte fundamental dessa equação. Por isso, observaremos médicos, no mesmo plantão, em estado de calma e concentração e, também, aqueles que estão sobrecarregados com o estresse crônico.


Fonte: Psique

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Conectados: 24h de olho nas redes sociais

Por R. Patresio Pesssoa 
Acadêmico de Jornalismo do CEULP/ULBRA

 "Gosto de usar as redes sociais como uma forma de propagação da minha fé. Mas, também confiro as novidades de outras pessoas e me informo sobre programações, eventos etc." é a resposta de um dos entrevistados sobre permanecer sempre conectado em redes sociais digitais.
Com a criação da internet e sua ascendência a partir da década de 1990, o universo virtual se tornou um campo a ser explorado. Neste lugar, além de estudar e informar com conteúdo selecionado pelo navegante ou internauta, há também a possibilidade de ser entreter, com vídeos, jogos, fofocas.
Neste universo virtual, também surgiram espaços para interação interpessoal, as chamadas redes sociais, onde se dá integração, mas também promoção pessoal, por meio de vídeos, fotos e posts que descrevem a rotina do indivíduo ou o que ele está sentindo. No mesmo local, as pessoas podem encontrar pares com gostos e ideias semelhantes formando assim grupos para tratar de assuntos específicos nas redes sociais.
Já foi necessário estar conectado em computadores pessoais (PC) ou Notebook, mas com a evolução tecnológica é possível acessar a internet e seu universo por meio de um aparelho telefônico, os smartphones. Essa modernização possibilitou a conexão mais duradoura entre as pessoas dentro das redes sociais.
Segundo informações disponibilizadas na versão eletrônica da revista Superinteressante, a Universidade de Chicago fez um estudo relacionado com as redes sociais. A pesquisa contou com 205 voluntários entre 18 e 85 anos que receberam smartphones por uma semana. Durante esse tempo, os pesquisadores entrevistavam os voluntários de meia em meia hora, querendo saber quais os seus desejos naquele instante. O resultado apontou que eles sentiam muito mais vontade de checar as redes sociais do que fazer qualquer outra coisa como fumar, beber ou até fazer sexo.
                  
Pelo jeito ficar conectado 24 horas por dia pode se tornar um vício entre as pessoas, porque algumas acabam esquecendo-se de outras coisas importantes como família, trabalho e amigos. A entrevistada Talanta Oliveira, estudante de Nutrição e violinista, fez um comentário bastante interessante:
 "Antigamente tínhamos que esperar chegar em casa para então ligar o PC e acessar a internet, hoje isso praticamente não existe mais. Com os smartphones podemos acessar a net a qual momento de qualquer lugar. Se antes era difícil ficar sem se conectar, agora então é impossível. E claro, isso nos ajuda muito, hoje temos em mãos um meio de comunicação rápido e eficaz. Porém  não poucas pessoas, mas quase todas, não conseguem mais se desligar, ficar algumas horas em off, aí eu me pergunto, até que ponto seria isso bom?!  Sabemos que isso tem aproximado pessoas que estão longe (do outro lado da telinha) mas, chega ao extremo  de afastar quem está perto (sentado ao seu lado). Hoje as redes sociais estão substituindo o real pelo virtual. Precisamos aprender usá-las corretamente"
 
A jovem Talanta Oliveira. Foto: Arquivo Pessoal
 Os participantes da reportagem apontaram que Facebook Twitter são as redes sociais mais acessadas por eles, que também utilizam outros mecanismos virtuais com o mesmo princípio, como o Skype e Whatsapp. Todos concordam que hoje, devido a presença e facilidade de acessar as redes sociais só aumentou a necessidade e o vício de estar conectado. "Toda hora não, mas varias vezes ao longo do dia [me conecto], por que elas facilitam nossa comunicação para trabalho, faculdade, encontro com os amigos, igreja. Um dia sem acessar, já fico desatualizado", conta a jovem Talanta.
Já Ivone Azevedo, contadora em uma empresa de contabilidade em Palmas (TO), considera que "hoje as pessoas estão mais virtuais, digamos assim, ou seja, passam mais tempo teclando do que tendo um bom papo com os amigos". Ela finaliza com convicção dizendo que, "a tecnologia é boa, mas se não for usada da maneira correta, vicia".
Fonte: (En)Cena

Extrato de cacau pode prevenir doença de Alzheimer

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Segundo um novo estudo da Escola de Medicina Icahn no Monte Sinai (EUA), um tipo de preparação específica do extrato de cacau, chamado de cacau lavado, pode reduzir os danos vistos nos cérebros de pacientes com doença de Alzheimer muito antes deles desenvolverem sintomas.

Cacau lavado é composto principalmente de polifenóis, antioxidantes também encontrados em frutas e legumes. Alguns estudos já sugeriram que polifenóis podem prevenir doenças degenerativas do cérebro.
O estudo

Os pesquisadores utilizaram ratos geneticamente modificados para imitar a doença de Alzheimer. Quando os animais receberam extrato de cacau lavado, a proteína β-amiloide não formou aglomerados pegajosos nos seus cérebros, conhecidos por danificar as células nervosas, conforme a doença de Alzheimer progride.

Dentro de vias nervosas saudáveis, cada célula nervosa emite um pulso elétrico até que ele atinja uma sinapse (espaços entre as células nervosas) onde provoca a liberação de substâncias químicas chamadas neurotransmissores, que passam informações adiante no cérebro.

Os aglomerados pegajosos de que falamos acima se constroem normalmente em torno de sinapses. A teoria é que eles interferem fisicamente com estruturas sinápticas e perturbam os mecanismos que mantêm a capacidade dos circuitos de memória. Além disso, desencadeiam respostas inflamatórias do sistema imunológico, como uma infecção, que acabam danificando nossas próprias células.

“Nossos dados sugerem que extrato de cacau lavado previne a formação anormal de aglomerados, evitando, em último caso, o declínio cognitivo”, disse o principal autor do estudo, Giulio Maria Pasinetti. “Dado que o declínio cognitivo na doença de Alzheimer se inicia décadas antes dos sintomas aparecerem, acreditamos que nossos resultados têm amplas implicações para a prevenção da doença de Alzheimer e da demência”.
Chocolate não, extrato de cacau lavado

Esse estudo é o primeiro a sugerir quantidades adequadas de polifenóis específicas para impedir a formação de aglomerados que danificam o cérebro como um meio de prevenir a doença de Alzheimer.

A equipe testou os efeitos de três tipos extratos de cacau que contêm diferentes níveis de polifenóis: natural, holandês e lavado. Cada tipo foi avaliado quanto à sua capacidade de reduzir a formação de aglomerações e proteger a função sináptica.

Extrato lavado, que tem o maior teor de polifenóis e atividade anti-inflamatória entre os três, foi o mais eficaz em reverter os danos às sinapses nos ratos do estudo.

“Houve algumas inconsistências na literatura médica sobre o benefício potencial de polifenóis do cacau na função cognitiva”, disse o Dr. Pasinetti. “Nossa descoberta de proteção contra déficits sinápticos pelo extrato de cacau lavado, mas não o holandês, sugere fortemente que os polifenóis são o componente ativo que resgatam a transmissão sináptica, uma vez que grande parte do conteúdo de polifenóis é perdido pela alta alcalinidade no processo holandês”.

Como a perda de função sináptica pode ter um papel mais importante no dano à memória do que a perda de células nervosas, o resgate da função sináptica pode servir como um alvo mais confiável para uma droga eficaz contra a doença de Alzheimer.

Além disso, o extrato de cacau lavado pode atuar como um suplemento dietético seguro, barato e facilmente acessível para prevenir a doença de Alzheimer, mesmo nos estágios iniciais assintomáticos da condição.


Fonte: Hypescience

Disponível em: http://hypescience.com/extrato-de-cacau-pode-prevenir-doenca-de-alzheimer/. Acesso em: 26 jun. 2014

Fazer várias tarefas ao mesmo tempo diminui a produtividade

Comprometer-se com muitas atividades sobrecarrega memória de trabalho e demanda mais esforço para concluí-las

                  
Você tem o hábito de responder e-mails, escutar música e falar com o colega de trabalho ao mesmo tempo? Cientistas da Universidade de Groningen, nos Países Baixos, garantem que o cérebro não consegue realizar com eficácia várias tarefas ao mesmo tempo. Em estudo publicado na Human Factor, mostram que alternar tarefas sobrecarrega a memória de trabalho (que armazena informações temporárias) e afeta a produtividade.

O psicólogo especialista em modelagem cognitiva Niels Taatgen e sua equipe pediram a voluntários que trabalhassem em algumas tarefas, com a liberdade de alterná-las o quanto quisessem. Os pesquisadores observaram que essa “autorização” levou-os a mudar constantemente o que faziam, mesmo que isso custasse esforço mental. Como os cientistas esperavam, tal comportamento aumentou o tempo gasto em cada tarefa, o que sacrificou a produtividade. Além disso, os participantes não demonstraram evidência de aprendizagem, ou seja, sua estratégia de alternar tarefas não gerou resultados melhores ao longo do tempo.
Você tem o hábito de responder e-mails, escutar música e falar com o colega de trabalho ao mesmo tempo? Cientistas da Universidade de Groningen, nos Países Baixos, garantem que o cérebro não consegue realizar com eficácia várias tarefas ao mesmo tempo. Em estudo publicado na Human Factor, mostram que alternar tarefas sobrecarrega a memória de trabalho (que armazena informações temporárias) e afeta a produtividade.

O psicólogo especialista em modelagem cognitiva Niels Taatgen e sua equipe pediram a voluntários que trabalhassem em algumas tarefas, com a liberdade de alterná-las o quanto quisessem. Os pesquisadores observaram que essa “autorização” levou-os a mudar constantemente o que faziam, mesmo que isso custasse esforço mental. Como os cientistas esperavam, tal comportamento aumentou o tempo gasto em cada tarefa, o que sacrificou a produtividade. Além disso, os participantes não demonstraram evidência de aprendizagem, ou seja, sua estratégia de alternar tarefas não gerou resultados melhores ao longo do tempo.

Fonte: Scientific American Mente Cérebro

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Substâncias usadas no dia a dia causam danos cerebrais a bebês

Componente antichama que reveste móveis e eletrônicos prejudica desenvolvimento de crianças com predisposição genética

               
Em seu estágio inicial de desenvolvimento, o cérebro do feto é particularmente vulnerável a produtos químicos. A exposição de grávidas a determinados agentes tem sido associada a quocientes de inteligência (QI) mais baixos e a transtornos psíquicos em crianças. É difícil precisar quanto essas substâncias interferem no sistema nervoso em formação, pois isso depende de vários fatores, como predisposição genética e quantidade de exposição.

Pesquisas recentes, porém, têm conseguido predizer os efeitos negativos de alguns componentes, entre eles os éteres difenil-polibromados (PBDEs), usados nas últimas duas décadas como retardadores de chamas em objetos como tecidos de cortinas, colchões, carpetes, móveis e eletrônicos. São substâncias que têm um “talento”pouco comum para permanecer no ambiente. Tanto que a Agência de Proteção Ambiental americana os classifica como poluentes orgânicos persistentes (Pops). Os PBDEs acumulam-se no corpo, principalmente em estruturas ricas em tecidos gordurosos, como o cérebro. Alguns estudos revelam ações dos PBDEs e seus metabólitos (produto de seu metabolismo pelo organismo): interferem, por exemplo, na regulação dos hormônios da tireoide, crítico para o desenvolvimento do cérebro no útero e nos primeiros meses de vida do bebê.

Um trabalho publicado em 2013 na Toxicological Sciences mostra que o PBDE-47 prejudica o crescimento de novos neurônios em adultos – processo importante para aprendizado e memória. Os efeitos sobre o cérebro em desenvolvimento, no entanto, são ainda mais sensíveis. A pesquisadora de saúde ambiental Julie Herbstman, da Universidade Colúmbia, descobriu que crianças de mães com alta concentração de PBDEs no sangue do cordão umbilical pontuaram menos em testes de desenvolvimento mental na primeira infância.

Há também evidências de relações dessas substâncias com sintomas de autismo. A microbióloga Janine LaSalle, do Instituto de Investigação Médica de Transtornos do Desenvolvimento da Universidade da Califórnia, estuda como os PBDEs e outros poluentes orgânicos influenciam o desenvolvimento fetal em termos moleculares. Ao pesquisar tecidos cerebrais de adultos diagnosticados com transtorno do espectro autista (TEA), ela descobriu uma quantidade anormal desses componentes. Eles se concentravam mais nas amostras provenientes de pessoas com tipos de autismo relacionados à participação significativa de fatores genéticos.

Janine testou também os efeitos dos PBDEs em ratos com a mutação genética associada à síndrome de Rett, cujos sintomas são muito semelhantes aos do autismo - como problemas no desenvolvimento da linguagem verbal, movimentos repetitivos e compulsivos e deformidades físicas como mãos e cabeça pequenas, e bem mais comuns em meninas. Ratos que receberam doses diárias de PBDEs, equivalentes à exposição humana média, tiveram fêmeas com déficit de habilidades sociais e comportamentais semelhantes aos sintomas de Rett. Segundo a microbióloga, isso ocorre por causa de uma metilação (modificação química) do DNA. Distribuídos sobre cada fita de DNA em nossas células, grupos metila influenciam a expressão de nossos genes – por exemplo, ligando genes que constroem neurônios no cérebro. Janine observou que o tecido cerebral de pessoas com autismo é significativamente submetilado – bem como o de filhotes de ratas expostas a PBDEs.

Mas, de acordo com a pesquisadora, essas substâncias não interferem na metilação do DNA em qualquer circunstância. Ela usa a metáfora de um recipiente se enchendo de água (ver imagem abaixo) para explicar que é preciso haver uma soma de fatores de risco para que o desenvolvimento cerebral seja afetado. Por exemplo, a exposição a PBDEs pode ser considerada um fator de risco para Rett apenas se uma gestante carrega a mutação genética associada à síndrome. Rett e diversos tipos de autismo surgem, na visão atual da ciência, de uma interação complexa entre fatores endógenos e ambientais. PBDEs são, assim, uma influência ambiental a mais que contribui, usando a metáfora anterior, para fazer a tina transbordar.
               
Fonte: Scientific American Mente Cérebro
Disponível em: <http://www2.uol.com.br/vivermente/noticias/substancias_usadas_no_dia_a_dia_causam_danos_cerebrais_a_bebes.html>. Acesso em: 13 jun. 2014