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terça-feira, 22 de abril de 2014

Terapia Virtual - Psicanálise para além do divã


Poderia ser "a tela de computador" o próximo instrumento, que, devidamente teorizado, viabilizaria a análise aos mais distantes rincões, além de proteger a todos da insegurança das ruas e, assim, melhorar a qualidade de vida de todos, potencializando a melhor utilização do tempo e a maior produtividade?

Por Hemerson Ari Mendes


Antes de pensarmos sobre as (im)possibilidades, (in)adequações, (contra)indicações das novas tecnologias de comunicação como instrumentos para tratamentos psicanalíticos, gostaria que pudéssemos examinar o impacto das mesmas no dia a dia das pessoas e suas relações. Como elas entram na vida dos analistas, como invadem o setting, como são utilizadas por eles, que mudanças as novas tecnologias trouxeram/impuseram às relações terapêuticas. Ou seja, vamos pensar sobre aquilo que não se escolhe, mas vai lentamente se infiltrando nas relações, inclusive, claro, as terapêuticas.
Trabalho em uma cidade de porte médio; portanto, é comum os pacientes saberem mais coisas sobre a vida, hábitos e relações dos terapeutas do que em cidades maiores. Estamos mais habituados a lidar com comentários que entremeiam fantasias dos pacientes com informações mais concretas das nossas vidas. Quando a paciente chega e comenta que soube algumas coisas sobre mim na internet, naturalmente estimulo para que ela siga falando, como tantas outras situações. Ela aceita a proposta, me coloca em sua prancha e passa a surfar em ondas que eu desconhecia, ou melhor, conhecia mas imaginava que mais ninguém conhecesse, pelo menos não uma paciente. Descreve fatos da minha vida, ocorridos há décadas e a milhares de quilômetros, faz paralelos com acontecimentos da sua, pequenas inferências plausíveis sobre como eu tinha me sentido. Me senti como quem, com ar de deboche, estende a mão para uma cartomante que imediatamente começa a descrever acontecimentos de sua vida, debochando do seu desdém. A paciente descreve acontecimentos da minha vida pessoal que não me pareciam estar ao acesso de ninguém, além de não autorizados emocionalmente por mim. Apesar da sua fala buscar uma empatia, do tom predominantemente carinhoso, sinto-me invadido. O meu setting, que não era asséptico, mas que eu fantasiava estar sob controle, fora violado. Ele não voltará a ser o mesmo, e isso não é só com esta paciente, ela só apresentou o cartão de visita do impacto que as novas tecnologias trariam às relações, à privacidade e, evidentemente, para as relações terapêuticas.

É possível o atendimento em Psicanálise por meio dos novos instrumentos tecnológicos e até pelos velhos telefone, e-mail?

                   
O divã, a alta frequência de sessões e uma postura abstinente do analista durante a sessão faziam parte das orientações básicas aos candidatos a analistas

Começo a atender a outra paciente num momento em que se recupera fisicamente de problemas ocasionados por uma atitude impulsiva, ocorrida num momento de muita raiva. Após alguns meses, ela me diz que se encontrará com alguém que conheceu pela internet. Marcaram um encontro em uma cidade intermediária. Na semana seguinte, volta e conta que o rapaz era a pessoa mais fantástica que conheceu até hoje, o amor da sua vida. Com a mesma rapidez, impulsividade e incontinência que a levaram aos problemas que a trouxeram até mim, avisa-me que interromperá o tratamento e se mudará para cidade do “amor da sua vida”. Atropelado no processo, seguro as angústias que ela depositou em mim. Um mês depois, utilizando os mesmos instrumentos que a aproximaram do “seu amor” – telefone, e-mail, mensagens –, desesperada, volta a pedir ajuda e orientação; está abandonada no aeroporto, machucada, só com sua mala e sem dinheiro.
Meu filho adolescente é silencioso, ou melhor, ele precisa estar no clima, disposto a conversar. Se assim não for, ele consegue, com firmeza e objetividade, encerrar o assunto. Compartilhamos vários interesses, tento acompanhá-lo, participar, saber o que está acontecendo com ele. Desde criança ele tem hábitos noturnos, funciona lentificado logo que acorda e está ligado à noite. Apesar de relacionar-se com os amigos, praticar esportes, ter uma vida social, ele nasceu com a internet, suas combinações com os amigos se dão pela internet, começou a manter-se financeiramente através da internet e, em muitas oportunidades, mostra-se entusiasmado para conversar comigo por meio da internet. Precisa contar-me o que está acontecendo, aceito e, assim dialogamos; às vezes, isto ocorre após um jantar silencioso, no qual não consigo engatar um assunto ou criar um clima, mas pela internet ele pode retomar a questão.

                  

Psicanálise não é sexo virtual, é sexo ao vivo, sem uso de camisinha, com todos os riscos e implicações desta escolha. Psicanálise pode não ser alta culinária ou fast food, mas é comida feita em casa, pelos próprios comensais

Meu outro filho é diferente. Precisa da presença, precisa conversar, irrita- se quando eu respondo sem tirar os olhos do jornal, incomoda-se com excessos de checagem nos smartphones. Ele ficou um ano fora, foi fazer um intercâmbio no exterior. Antes de viajar, ele criou uma conta no Skype, para que pudéssemos conversar. Foi uma experiência muito rica. Falávamos bastante, mas isso não o impediu de viver intensamente a nova experiência. A nossa comunicação não era uma resistência à outra forma mais aprofundada e íntima de comunicação, foi apenas o jeito de utilizarmos o lastro da vivência que tínhamos antes, para que ele melhor pudesse aproveitar a nova experiência.
Eu, analista, os pacientes e meus filhos não temos o livre-arbítrio – novidade, não é? – sobre todos os usos/impactos/invasões e as respectivas consequências que as novas tecnologias vão tendo em nossas vidas. Elas são como memes culturais que não podemos ignorar. Mas podemos, sim, pensar e tentar delimitar a maneira como iremos nos relacionar com tudo isso. Sigamos, então, ao tema em questão: é possível o atendimento em Psicanálise por meio dos novos instrumentos tecnológicos – Skype, Messenger etc. – e até pelos velhos telefone, e-mail?

Precisamos delimitar o que é um tratamento psicanalítico e quais sãos os seus pressupostos básicos

imagens: shutterstock
• Prós e contras •
Não há consenso sobre a utilização das redes sociais. Enquanto muitos preferem ressaltar as vantagens dos infinitos recursos proporcionados por elas, é crescente a opinião de pessoas que acusam o meio de levar seus usuários a uma fragmentação da memória e da atenção. A tese indica que estamos perdendo a capacidade de aprofundamento. Com a quantidade enorme de informações, em tão pouco tempo, os cérebros podem ter cada vez mais dificuldade de armazenar mensagens.
Atendimento online Lembremos da frase de H.L. Mencken: “Para cada problema complexo, há uma solução que é simples, elegante e errada”. Como a Psicanálise não é uma profissão regulamentada, e a única referência dos psicanalistas são seus conselhos de origem, que em geral proíbem a prática de atendimento virtual, a resposta está dada e, como diz Mencken, é simples e errada. Basta uma pesquisa rápida para descobrir múltiplas ofertas de serviços online: formação em Psicanálise, supervisão e tratamento.
Num dos sites que divulgam, convidam e enaltecem tal prática, encontramos o seguinte:
Qual é a diferença entre a terapia realizada pessoalmente com o psicanalista e a terapia online? Somente a tela do computador.
Mesmo nos primórdios, exceções já eram exceções; o próprio Freud relata que atendeu Katharina nas montanhas e Mahler num passeio
Lembro-me de Ricardo Bernardi, Psicanalista da Associação Psicanalítica Uruguaia (APU), em uma supervisão em nossa Sociedade Psicanalítica de Pelotas (SPPel), comentar que muitos colegas, quando escrevem algo para ser publicado ou quando fazem apresentações em Congressos, mostram suas mais belas panelas, aquelas que ficam expostas na sala, quiçá, nas cristaleiras, que todos os visitantes admiram. Contudo, essas mesmas pessoas cozinham com panelas velhas, tampas amassadas e, eventualmente, cabos quebrados.
Para seguirmos, precisamos delimitar o que é um tratamento psicanalítico e quais sãos os seus pressupostos básicos. A maioria dos pacientes chega em busca de algum tipo de alívio para as suas dores e conf litos; alguns sabem que estão procurando um psicanalista, mas muitos não sabem exatamente o que é e como atua um psicanalista. Alguns nos atribuem um papel e esperam que atuemos como ortopedistas da alma, outros como cirurgiões extirpadores de angústias, porteiros dos desejos, advogados de defesa, gurus, videntes, psiquiatras alquimistas.... Não somos nada disso. Aliás, talvez seja mais fácil dizer o que não somos, do que definir o que somos e fazemos. Freud escreveu que analisar, educar e governar são funções impossíveis de serem exercidas. Somos isso. Contudo, temos nossos métodos. Vamos a eles.
Inconsciente dinâmico, o complexo de Édipo (sexualidade infantil), a repressão, a resistência e a interpretação são os pressupostos teóricos e técnicos considerados imprescindíveis por Freud. O uso do divã, a alta frequência de sessões e uma postura abstinente – neutra – do analista durante a sessão faziam parte das orientações básicas aos candidatos a analistas. O tempo da sessão também era outro importante marco da psicanálise.

 
Vários autores como Ferenczi, Winnicott, Lacan, Bion, Kohut e Kenberg, introduzem algumas mudanças técnicas para adaptar a Psicanálise a suas novas teorizações

Ao longo das décadas, a Psicanálise passou a se ocupar – para o bem e para o mal – de uma gama cada vez maior de situações clínicas

Mesmo nos primórdios, exceções já eram exceções; o próprio Freud relata que atendeu Katharina nas montanhas e Mahler num passeio. Com isso estou sugerindo que devemos nos ater e permanecer com as orientações freudianas iniciais? Como se elas fossem os Dez Mandamentos das Sagradas Escrituras? Claro que não, inclusive porque isso não estaria em acordo com o espírito freudiano. Quando escreveu sobre a ampliação do trabalho dos psicanalistas além dos seus consultórios, Freud disse que eles teriam de adaptar a técnica da Psicanálise às novas condições, sendo necessário “fundir o ouro da psicanálise com o cobre da sugestão direta”. Contudo, advertiu, “quaisquer que sejam as formas que essa psicoterapia possa assumir, os seus ingredientes mais efetivos e mais importantes continuarão a ser, certamente, aqueles tomados à psicanálise estrita e não tendenciosa”. Estaria aqui uma autorização para incluir “somente a tela de computador” como a pequena poção de cobre que se misturaria com o ouro e não lhe traria qualquer perda? Creio que não.

PARA SABER MAIS
Para o bem e para o mal 
PC era uma paciente com histórico de depressões e pânico, já tinha feito múltiplos tratamentos, tinha uma vivência de incompreensões e abandonos associados a eles. Era bastante prolixa na sua fala, e seu vazio existencial e ideias suicidas eram temas constantes. Fazia um tratamento psicoterápico, uma vez por semana, associado a intervenção clínica medicamentosa. Em um final de semana, liga-me de madrugada; é um telefonema suicida, ela está sozinha em lugar de impossível acesso naquele momento, e eu escuto, escuto, escuto (...), tento nomear o que ela estava querendo matar, tento ser continente da sua dor (...), não sei exatamente quanto tempo ficamos ao telefone, tenho certeza que não foi nada que eu tenha dito que mudou o desfecho, foi o tolerar ficar do outro lado, foi tolerar escutar. Quando desligamos, tínhamos certeza de que o dia amanheceria para os dois. Essa experiência foi fundamental para que a paciente pudesse seguir vivendo e tentando dar sentido ao vazio da sua vida, sem precisar afogá-lo. Mas ela não existiria sem o antes, nem se elaboraria plenamente sem o depois.
PD é um adolescente fronteiriço, em vários sentidos, suicídio, sumiços e outras atividades impulsivas também eram atitudes/temas frequentes nos nossos encontros. Tinha precárias noções de espaço, tempo, individualidade. Evidentemente, seus relacionamentos eram caóticos. Sua comunicação era confusa e fragmentada. Estou em férias, a milhares de quilômetros, ele liga, diz que precisa que eu atenda a ele e a namorada naquele momento. Comunico sobre a impossibilidade, ele escuta e comenta: “tudo bem que está longe, mas preciso que venha para cá agora”. Esse tipo de comunicação não era novo, já a inclusão da namorada, sim. Ele desliga, dentro do padrão. Algum minutos depois, liga novamente, apavorado, diz que eu preciso voltar imediatamente, pois a namorada acabara de fazer uma tentativa de suicídio com relativa gravidade. Ele falava comigo como quem se comunicava com um colega de jogo que estava num cibercafé em outro país, e ao mesmo tempo na mesma trincheira da batalha virtual. Para esse casal, naquele momento, não seria melhor não ter tido acesso a mim? Não teriam buscado uma saída mais concreta para as suas dores e angústias? Qual seria a minha responsabilidade pelo desfecho? Sim, os novos instrumentos não são meios que viabilizam experiências do tipo ganha-ganha.


As “e-parafernálias” geram manifestações em análise, tais como os sonhos, os acting out/in, os chistes e demais manifestações

Clínica do vazio
Ao longo das décadas, a Psicanálise passou a se ocupar – para o bem e para o mal – de uma gama cada vez maior de situações clínicas: pacientes psicossomáticos, as mais diversas adições, a chamada clínica do vazio com seus pacientes fronteiriços, transtornos alimentares, automutiladores etc. Com isso, vários autores – Ferenczi, Winnicott, Lacan, Bion, Kohut e Kenberg, dentre outros – introduzem algumas mudanças técnicas para adaptar a Psicanálise a suas novas teorizações e para adequar-se, viabilizando-se o atendimento dos novos pacientes.

                                 
O setting, embora não asséptico, fora violado pelos pacientes que utilizam as novas tecnologias e não voltará a ser o mesmo depois do impacto que essas tecnologias trazem às relações, à privacidade e às relações terapêuticas


Desenvolveram-se novas escolas. A Psicologia do Ego criou uma fronteira com uma zona de livre comércio com as teorizações comportamentais. A Psicologia do Self namora as abordagens das correntes humanísticas. Mesmo com algumas divergências dentro da Psicanálise, não creio que haja uma fragmentação da teoria nem rompimentos com os paradigmas iniciais.
Poderia ser “a tela de computador” o próximo instrumento, que devidamente teorizado, viabilizaria a análise aos mais distantes rincões, além de proteger a todos da insegurança das ruas, do trânsito e, assim, melhorar a qualidade de vida de todos, potencializando a melhor utilização do tempo e a maior produtividade? Não, isso denotaria o fim da especificidade da abordagem psicanalítica.
Os atos sexuais virtuais e ao vivo apresentam especificidades próprias. Com sexo virtual não se engravida nem se transmite doenças. Ele pode ser utilizado no lugar do sexo ao vivo, mas não podemos dizer que é igual, ou que a única diferença é a tela de computador. Psicanálise não é sexo virtual, é sexo ao vivo, sem uso de camisinha, com todos os riscos e implicações dessa escolha. Psicanálise pode não ser alta culinária, mas é comida feita em casa, pelos próprios comensais, e também não é fast food. Psicanálise não é genérica. Psicanálise é caminhar ao ar livre, inclusive em dia de vento e chuva; não é assistir televisão enquanto se caminha na esteira. Não há possibilidade da Psicanálise virtualizar-se sem perder sua especificidade, sem diluir-se, sem desvirtuar-se.

               
Poderia ser “a tela de computador” o próximo instrumento, que devidamente teorizado, viabilizaria a análise aos mais distantes rincões

Mas tal assertiva não elimina e não isola a Psicanálise do mundo virtual, não garante que ela fique asséptica, isolada dessa realidade. Não impede que o virtual concretize dentro do seusetting, tampouco, que ele, eventualmente, virtualize-se. E ao fazer/ viver isso, sendo Psicanálise sexo sem camisinha, pode-se engravidar e gestar, mas também infectar-se com bactérias baratas ou vírus mortais.
Eu, analista, os pacientes e meus filhos não temos o livre-arbítrio sobre todos os usos/impactos/invasões que as novas tecnologias trazem
E-parafernálias no dia a dia 
Denise Goldfajn, em seu artigo E-setting: um dia ordinário no consultório de um psicanalista descreve algumas vinhetas clínicas de pacientes que ela atendeu ao longo de um dia. Começa com a P1 que, após seis anos em tratamento, comunica que “googlou” a analista; segue com o P2, que solicita que ela tire a bateria do celular, assim como ele faria, pois existem softwares que podem “escutar/gravar” a conversa mesmo que o celular esteja desligado. A P3 chega atrasada, o que já é um avanço, pois com frequência permanece jogando virtualmente. O que é real e o que é virtual é uma confusão em sua mente. O intervalo serviu para ler o e-mail de P4 que a convidava para entrar em um site e assim acompanhá-la ao vivo em sua visita a um ponto turístico de uma grande metrópole, assim, compartilhariam a conquista do enfrentamento do pânico e da agorafobia que a aprisionava. P5 mandando uma mensagem, para falar sobre o que não conseguia abordar nas sessões, seria um avanço ou um retrocesso? Já P6, que está viajando, pede encarecidamente um atendimento pelo Skype.

                                                


Vemos no seu relato que as “e-parafernálias” geram manifestações em análise, tais como os sonhos, os acting out/in, os chistes e demais manifestações. Contudo, devemos lembrar que utilizamos os conteúdos manifestos dos sonhos, para chegarmos aos conteúdos latentes – o material inconsciente do paciente. Talvez, se partilharmos e entrarmos na proposta de comunicação dos pacientes, perderemos a possibilidade de ver o simbólico do virtual e passaremos, como P2, a substituir o encontro pelo jogo.
Tenho algumas experiências, frutos da exceção e da necessidade. PA foi um paciente atendido em análise por seis anos, apresentava grandes dificuldades nas suas relações. A construção de um espaço de intimidade para pensar as suas questões foi uma conquista de sua análise, mas ela ainda não extrapolara de maneira ampla para outras relações. Foi nesse período que ele precisou se mudar de cidade e não poderia mais manter a mesma frequência de sessões; trabalharíamos apenas aos sábados, mas ele tinha consciência que esse intervalo o levaria a intoxicar-se com seus pensamentos e desidratar-se afetivamente. A dúvida se conseguiria manter-se em outra cidade de forma definitiva, bem como a relação bem estabelecida comigo, fazia com que resistisse a procurar um novo analista. Foi nesse contexto que criamos a alternativa/ possibilidade de trabalharmos pelo telefone ao longo da semana. Vejam, já existia um trabalho, já conhecíamos o nosso ritmo, nossos silêncios e entonações. Tenho como registro de uma experiência positiva.
Talvez, se partilharmos e entrarmos na proposta de comunicação dos pacientes, perderemos a possibilidade de ver o simbólico do virtual e passaremos a substituir o encontro pelo jogo
Ainda sobre PA. No início da análise, por um longo período, ele apresentou grandes desconfianças em relação à privacidade do sett ing, sempre fantasiava que pessoas pudessem escutar o que ele estava falando, ruídos eram provas perturbadoras. Havíamos superado na nossa relação essa questão, ele conseguia separar melhor seus ruídos internos dos externos. Contudo, com a mudança, com os novos estressores e com a nova forma de nos comunicarmos, em vários momentos dos primeiros telefonemas, PA interrompeu perguntando-me sobre ruídos na ligação, voltou a fantasiar que alguém poderia estar escutando nossas conversas, que alguém estivesse comigo escutando a sua fala. Ele voltou a reexperimentar a sensação de estar no quarto ao lado, enquanto os pais mantinham relações. Não creio que pudéssemos elaborar essas questões, se antes não tivéssemos tido a experiência. Transpondo para as relações do dia a dia, a combinação com PA seria semelhante ao uso que eu fiz do Skype com meu filho.

                     
O trânsito, a violência, a correria dos dias atuais, as questões financeiras, as necessidades de constantes viagens fazem parte dos tempos atuais. São interferentes na construção de condições adequadas para um trabalho analítico

Nós analistas devemos seguir buscando a ampliação dos espaços (in) existentes para melhor exercer a nossa função (im) possível que é analisar
Há alguns meses, um colega médico perguntou-me se eu faria um atendimento pelo Skype. Sua irmã exercia uma função diplomática na “Cochinchina”, não estava bem, não conseguia pensar em se tratar naquele lugar, gostaria de falar em sua língua. Comento que já tinha feito alguns atendimentos assim, mas todos com pessoas com as quais eu já tinha trabalhado em um enquadre normal. Mas, dada a excepcionalidade, eu poderia conversar com sua irmã, nem que fosse para uma orientação ou abordagem breve. Logo depois ele me avisa que ela iria tentar aguardar até voltar ao Brasil. Acredito que essa situação é excepcional, assim como várias outras. Contudo, o trânsito, a violência, a correria dos dias atuais, as questões financeiras, as necessidades de constantes viagens (...) fazem parte dos tempos atuais. São interferentes na construção de condições adequadas para um trabalho analítico. É triste que não se consiga muitas vezes viabilizar um tratamento adequado. Mas, lamentavelmente, ou felizmente, gambiarras não trarão os mesmos resultados, tampouco devem servir de álibi para o enfrentamento de um processo analítico. Ao mesmo tempo, nós analistas devemos seguir buscando a ampliação dos espaços (in) existentes para melhor exercer a nossa função (im) possível que é analisar.
Hemerson Ari Mendes, psiquiatra e psicanalista, membro da Sociedade de Psicanálise de Pelotas e filiado à Federação Brasileira de Psicanálise (FEBRAPSI).

Fonte: Revista Psique

Disponível em: http:<//portalcienciaevida.uol.com.br/esps/edicoes/98/artigo308736-3.asp>. Acesso em: 22 abr. 2014

Para evitar recaídas, pesquisa investiga mecanismos da dependência química

                
A interrupção abrupta do consumo de cocaína provoca uma intensa sensação depressiva. Essa reação pode oferecer pistas aos cientistas de como funcionam os mecanismos da dependência e ajudar a evitar as tão temidas recaídas. Um grupo de pesquisadores americanos descobriu mais uma parte do que acontece no cérebro, no nível celular, e que faz com que os dependentes de cocaína se sintam tão mal e sofram da síndrome de abstinência. 

Segundo o artigo publicado na edição das Atas da Academia Nacional de Ciências, nos Estados Unidos, ao estudar ratos geneticamente modificados, cientistas se concentraram em uma molécula, chamada receptor canabinoide tipo 1 ou CB1, que diminui a comunicação entre células nervosas.

Essa molécula é particularmente importante na área do cérebro conhecida como núcleo accumbens, que comanda as emoções e as motivações (veja quadro na pág. anterior).

Esse foi o primeiro estudo que demonstrou o impacto da cocaína na produção de CB1 e o que isso representa na área do núcleo accumbens durante e depois de uma elevação provocada pela droga. Quando uma pessoa tem uma sensação motivadora produzida pela cocaína, existe uma “aceleração orgânica”, que deflagra um estado emocional altamente gratificante. Segundo o pesquisador Bradley Winters, principal autor do estudo, nos ratos a cocaína induziu a produção excessiva de CB1, o que afetou a contenção de hiperatividade no núcleo accumbes. Winters faz uma comparação: quando descemos uma ladeira íngreme, precisamos pisar no freio. O cérebro dos consumidores de cocaína, porém, parece “desaprender” como “soltar o freio” assim que o efeito da cocaína desaparece.

A consequência disso é que a pessoa se sente muito mal, apática e sem energia. Esse estado extremamente desagradável torna-se a tal ponto desconfortável que o paciente volta a usar a droga porque quer se sentir melhor e a cocaína é sua única motivação.

Fonte: Scientific American Mente e Cérebro

Circuito cerebral da maldade

                  
Psicopatas têm uma conexão mais “frouxa” entre áreas neurais que processam as emoções, mostra um estudo da Universidade de Chicago. Usando a tecnologia de ressonância magnética funcional (fMRI), a  equipe coordenada pelo psicólogo Jean Decety captou imagens do cérebro de 121 presidiários enquanto olhavam fotografias de pessoas sentindo dor em situações corriqueiras, como prendendo o indicador em uma gaveta ou topando a unha do dedo do pé na parede. Eles foram orientados a imaginar aquilo acontecendo com eles mesmos ou com alguém próximo – uma conhecida técnica de mudança de perspectiva que costuma despertar a empatia, isto é, a capacidade de reconhecer e experimentar os sentimentos alheios.

A resposta neural de todos os voluntários foi equivalente quando se imaginaram na situação: foram acionados, normalmente, centros de percepção da dor e das emoções. O resultado, porém, foi diferente quando eles pensaram em outra pessoa. Presidiários que tiveram pontuações mais altas em um teste que avaliava os níveis de psicopatia, aplicado antes do experimento, revelaram menor coordenação entre o funcionamento da amígdala – região crucial no processamento de emoções, principalmente o medo –, e do córtex pré-frontal ventromedial, área com participação importante no autocontrole, na empatia e na moralidade. “Algumas imagens até sugerem que foram ativadas regiões associadas ao prazer”, diz Decety.

Segundo o psicólogo, algumas áreas que se comunicam de maneira menos eficiente na psicopatia “são essenciais para experimentar a sensação de se importar com o outro, característica que parece de todo ausente nos psicopatas”. Decety acredita que em breve estudos com neuroimageamentopoderão ser úteis para avaliar a eficácia do tratamento com terapia cognitivo-comportamental (TCC) para a psicopatia. “O fortalecimento das conexões pode ser indicativo de que as estratégias para estimular a empatia estão dando certo”, diz. 

Fonte: Scientific American Mente Cérebro

Felicidade é obtida por meio da bondade

           Felicidade é obtida por meio da bondade
A conquista da felicidade não é uma tarefa individualista e egoísta: a felicidade aparece junto com pessoas, não com coisas.
Felicidade e individualismo
O jeito ocidental de pensar tem levado a uma postura individualista na busca pela felicidade.
Mais do que isso, o enfoque "busque asua felicidade" pode ser extremamente egoísta.
Isto tem levado ao que os psicólogos chamam de "paradoxo da felicidade": perseguir a felicidade como um bem a ser adquirido para si próprio torna as pessoas menos felizes.
Mas certamente há formas de ser feliz ou, pelo menos, caminhos para a felicidade.
Um deles, recomendado por líderes espirituais há milênios, acaba de ser documentado experimentalmente por Melanie Rudd e Jennifer Aaker, da Universidade de Stanford (EUA), em um estudo publicado no Journal of Experimental Social Psychology.
A solução está na bondade, ou benevolência - concentrar-se em elevar a felicidade dos outros, em vez de concentrar-se em si próprio.
Mas cuidado, porque a coisa tem que ser feita do jeito certo.
Felicidade e bondade
Os resultados dos experimentos com voluntários mostraram que os atos destinados a melhorar o bem-estar dos outros levam a uma maior felicidade para os doadores quando esses atos são associados com objetivos concretos e claramente delineados.
Assim, objetivos pró-sociais em abstrato, do tipo trabalhar para o bem de todos os seres humanos ou do planeta, não vão funcionar para sua própria felicidade.
Em vez disso, o caminho para a felicidade ressaltado pelos pesquisadores, embora se faça através da benevolência, deve ser trilhado através de metas concretas e específicas - como fazer alguém sorrir ou reciclar o próprio lixo.
A razão disso é que, quando você persegue objetivos concretamente enquadrados, suas expectativas de sucesso são mais propensas a serem cumpridas. Por outro lado, objetivos abstratos e amplos podem levá-lo para o beco escuro do paradoxo da felicidade: expectativas irreais que nunca se cumprem.
"Embora o desejo de felicidade pessoal possa ser claro, o caminho para alcançá-lo é indefinido. Uma das razões para essa rota nebulosa para a felicidade é que, embora as pessoas frequentemente pensem que sabem o que as pode levar à felicidade, suas previsões sobre o que irá torná-las felizes são muitas vezes imprecisas," disse Aaker.
Já a benevolência encaminhada por meio de objetivos pró-sociais concretos permite ter expectativas mais bem calibradas, aumentando a felicidade pessoal, concluem os pesquisadores.
Na verdade, isso pode aumentar a felicidade geral, já que outros estudos demonstraram que os atos de bondade espalham-se pela sociedade.
Fonte: Diário da Saúde

terça-feira, 15 de abril de 2014

Em casos de distúrbio alimentar, centros de recompensa sofrem disfunção

Anorexia está relacionada à baixa atividade dessas regiões; bulimia, à alta


Sentir prazer ao comer alimentos doces é natural – em contato com as papilas gustativas, o açúcar ativa regiões cerebrais de recompensa. No caso da anorexia e da bulimia, porém, a reação do cérebro ao sabor adocicado é, respectivamente, menos e mais intensa, de acordo com um estudo publicado no Journal of Psychiatry. Os autores, psiquiatras da Universidade da Califórnia em San Diego, afirmam que essa diferença reforça a hipótese de que existe uma predisposição neurobiológica para desenvolver esses transtornos alimentares.

Os cientistas registraram imagens do cérebro de 28 mulheres que se recuperaram de distúrbios alimentares havia pelo menos um ano – metade delas da anorexia, as outras da bulimia – e de 14 que nunca tiveram esse tipo de problema, todas elas com idade e peso próximos. Depois de uma noite de jejum, as voluntárias tomaram um café da manhã modesto, para nivelar seus níveis de saciedade, e em seguida receberam pequenas doses de açúcar por via intravenosa a cada 20 segundos, enquanto os pesquisadores captavam as imagens neurais.

 O cérebro das voluntárias que haviam superado os sintomas da anorexia, distúrbio marcado pela percepção irreal das formas corporais, mostrou menor atividade que o do grupo de controle em um centro de recompensa chamado córtex gustativo primário. Já no cérebro das que sofriam de bulimia, cujo principal sintoma é comer de forma exagerada e forçar o vômito em seguida, essa região reagiu ainda mais. “As respostas anormais ao açúcar podem significar uma predisposição para transtornos alimentares. Há cada vez mais evidências de que existem aspectos genéticos e biológicos subjacentes à maioria dos casos”, diz um dos autores, Walter Kaye, diretor do Programa de Pesquisa e Tratamento de Transtornos Alimentares da Universidade da Califórnia. 

O psiquiatra reconhece, porém, que existe a possibilidade de essas marcas neurobiológicas serem, na verdade, consequência e não causa dos sintomas. Seriam, assim, uma espécie de “rastro” dos distúrbios no cérebro. “Mas isso é pouco provável”, esclarece. “Considerando a valorização social da magreza nas culturas ocidentais, era de esperar que, caso não houvesse fatores biológicos subjacentes, muito mais mulheres sofressem desses distúrbios”, afirma Kaye. De fato, as estatísticas de anorexia na população feminina têm se mantido estáveis há décadas – nos Estados Unidos, por exemplo, é de menos de 1%. “A pressão social por um corpo magro e perfeito é sem dúvida um gatilho poderoso, mas que não basta em si para o desencadeamento do problema. Devemos levar em conta o fator predisposição”, diz.
                    
Fonte: Scientific American Mente e Cérebro

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Pessoas físicas podem importar medicamentos à base de maconha

Com informações da Agência Brasil

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) divulgou instruções sobre a importação de medicamentos sem registro no Brasil.
O comunicado veio um dia depois que a 3ª Vara Federal do Distrito Federal autorizou uma mãe a importar um remédio com princípio ativo docanabidiol, substância derivada da maconha.
O medicamento não tem venda permitida no país.
Importação de medicamentos por pessoa física
Segundo a Anvisa, medicamentos sem registro no Brasil podem ser importados por pessoas físicas.
O procedimento é possível por meio de pedido excepcional de importação para uso pessoal.
Os pedidos devem ser protocolados na agência, onde serão analisados pelos técnicos que levam em conta aspectos como a eficácia e a segurança do produto e se eles estão devidamente registrados em seus países de origem ou em outros países.
A importação, conforme a Anvisa, também é possível em relação a medicamentos classificados como substância de uso proscrito, como é o caso dos compostos extraídos da maconha.
Canabidiol
O canabidiol é considerado um canabinóide, ou seja, a substância faz parte dos 80 componentes presentes na planta Cannabis sativa, mais conhecida como maconha.
"A sua importação pode ser solicitada para uso pessoal. Também é possível que uma empresa interessada solicite o registro do produto no Brasil. Nas duas situações, os pedidos são analisados pela área técnica da Anvisa", informa a agência.
A Anvisa destacou ainda que, até o momento, não registrou nenhum pedido de registro de medicamento com substância proscrita, nem pedido de importação para uso pessoal.
Fonte: Diário da Saúde

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Terapia psicodélica

Por Jéssica Rodrigues Lima 
Acadêmica de Jornalismo do CEULP/ULBRA
        
Primeiro estudo terapêutico com LSD em 40 anos mostra resultados positivos para ansiedade e depressão em pacientes com doenças terminais. A pesquisa, feita pela Associação Multidisciplinar para Estudos Psicodélicos (MAPS), traz as primeiras evidências científicas sobre o uso medicinal da droga. Os testes, realizados na Suíça, ainda são restritos, apenas 12 voluntários participaram da pesquisa.
Nenhum medicamento psiquiátrico foi utilizado e só foram aceitos pacientes sem histórico de problemas mentais, como a esquizofrenia. Os 12 voluntários passaram por 30 sessões utilizando a droga: 22 com uma dose de 200 mg, e oito com a dose placebo de 20 mg. Não houve efeitos colaterais graves como flashbacks, surtos psicóticos ou ansiedade severa.
Segundo o psiquiatra Peter Gasser, coordenador do estudo, “a droga interage com neurotransmissores como a serotonina e a dopamina, provocando uma espécie de sonho acordado muito vívido, que leva os pacientes a um profundo contato com suas pendências e ao enfrentamento de seus medos”, afirma.
De acordo com Rick Doblin, fundador e presidente da MAPS, as novas pesquisas devem apontar alternativas a medicamentos psiquiátricos tradicionais. “As pessoas já demonstram descrença na indústria farmacêutica e tendência à aceitação de outras substâncias para finalidade médica e espiritual. A exploração do subconsciente e da espiritualidade é um direito humano fundamental”, opina.
Apesar disso, ainda há uma série de restrições por parte do governo, que impedem que os estudos sejam realizados livremente. Essa preocupação começou desde o início das descobertas científicas a respeito do LSD, devido ao uso recreativo da droga entre os jovens nos anos 60. Mas com a descoberta dos potenciais terapêuticos como possível tratamento para diversos distúrbios, os estudos com LSD vão sendo cada vez mais aceitos em pequena escala.
Com os resultados promissores obtidos através do estudo feito pelo MAPS, a organização também planeja novos estudos legais sobre o uso medicinal do MDMA (ecstasy), maconha, ibogaína e ayuasca para tratamentos direcionados à ansiedade, estresse pós-traumático e dependência química. Os próximos grupos devem ser montados no México e Nova Zelândia.  Os pesquisadores acreditam que os avanços positivos nos estudos colaboram para que em poucas décadas possamos ver o uso de tratamento com psicodélicos em larga escala trazendo inúmeros avanços à medicina.
Fonte: (EN)Cena
Disponível em: <http://ulbra-to.br/encena/2014/04/02/Terapia-psicodelica>. Acesso em: 03 abr. 2014

Sintomas de depressão: 11 sinais de que esse mal está dominando você

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De uma maneira geral, os sintomas de depressão se confundem bastante com sintomas de outras doenças. E saber qual a diferença entre um quadro de tristeza, por exemplo, e um caso real de depressão não é a tarefa mais simples do mundo. “Tristeza é uma emoção, enquanto depressão é uma doença”, explica o psiquiatra Ken Robbins, da Universidade de Wisconsin-Madison – nos Estados Unidos.
E verdadeira depressão difere da tristeza em dois pontos-chave:

A. Severidade

Os sintomas da depressão são severos o suficiente para dominar sua vida e interferir profundamente em sua rotina diária. É como se você estivesse atolado em um mar de areia movediça e, não importa quanta força faça, apenas não consegue sair dali.

B. Duração

A tristeza com certeza faz parte da lista de sintomas de depressão. Mas, quando é “só” tristeza, o sentimento acaba passando em alguns dias e a vida volta a ser como era antes – o que não acontece em uma caso de depressão, quando a pessoa fica triste o tempo todo e por mais de duas semanas.
E, ao contrário do que muitos pensam, os sintomas de depressão vão muito além da tristeza. A seguir, vamos apresentar 11 sintomas de depressão que são os mais comuns. Mas, antes de falar mais sobre cada um deles, vale um alerta: é possível que uma pessoa deprimida não tenha os 11 sintomas de uma só vez, e a intensidade de cada um deles pode variar. O importante, e fundamental, é verificar se vários desses sintomas estão presentes por mais de duas semanas em você, ou em alguém que você conheça. Nesse caso, talvez seja hora de procurar ajuda médica especializada.
Vamos aos sintomas:

11. Baixo astral generalizado

Quando o baixo astral domina todos os seus momentos, talvez seja hora de ficar em estado de alerta. Perda de interesse na vida, incapacidade de sentir ou expressar felicidade ou outras emoções também fazem parte do pacote. Como dissemos, é normal se sentir assim quando alguma coisa que não gostaríamos acontece com a gente. Como ser demitido, ou terminar um relacionamento, por exemplo. Mas, o normal é que essa melancolia seja passageira. Quando ela insiste em ficar e anula todas as possibilidades de sorrir e sentir qualquer tipo de alegria, ela não se torna apenas um sintoma, mas também uma das evidências mais fortes de que se trata de um quadro real de depressão.
Se você está em dúvida sobre estar ou não nessa situação, pergunte a você mesmo: “quando foi a última vez que eu fiquei feliz?”.

10. Sentimento constante de desesperança, inutilidade ou desamparo

Quando uma pessoa está com depressão, ela não consegue deixar de sentir que está tudo errado e a culpa de todos os problemas do mundo é dela. A pessoa parece incapaz de ver qualquer lado positivo ou luz no fim do túnel. E então começa a se fixar em erros do passado, ficando horas, dias e semanas remoendo um sentimento de culpa infinito. Falas como “eu não tenho escolha”, “eu não posso fazer nada”, “ninguém se importa” são comuns de se ouvir de alguém que se encontra nessa situação.

9. Choro frequente

Quando o choro é frequente e aparentemente não tem uma causa que o justifique, vem “do nada”, ele pode entrar para a lista de sintomas de depressão. Mas é importante ressaltar que nem toda pessoa deprimida chora. Na verdade, algumas nunca choram. E, segundo um estudo feito na Universidade de São Francisco (Estados Unidos) em 2001, a quantidade de choro não está diretamente relacionada à gravidade da depressão. Contudo, pode ser a pontinha do iceberg.

8. Inquietação e agitação constante

Pessoas com depressão podem se sentir incapazes de relaxar. Podem ter também um sentimento constante de irritação e raiva de tudo e de todos.

7. Cansaço exagerado e perda de energia

Normalmente, quando uma pessoa está com depressão e não mostra a agitação de que falamos no item anterior, ela tende a ficar mais quieta e se queixar constantemente de cansaço e falta de energia para tudo. Daí vem uma onda implacável de improdutividade que atinge desde o trabalho até as atividades mais rotineiras. Esse sintoma pode ser tão forte a ponto de a pessoa não conseguir mais nem sair da cama.

6. Perda de interesse em atividades e hobbies que gostava

Esse é um dos sintomas de depressão mais reveladores da doença. A pessoa não tem mais vontade alguma de fazer coisas que antes adorava. E essas coisas podem ser as mais variadas possíveis, como passear com os cachorros, se exercitar, ou tomar conta dos seus sobrinhos. E, assim, a pessoa depressiva vai lentamente se isolando do mundo, recusando convites e qualquer outro motivo para sair de casa.

5. Dificuldade de concentração

Esquecer compromissos e recados, cometer erros bobos, não se lembrar de nomes e evitar fazer planos ou adiar decisões. A pessoa considerada “deprimida” é vítima constante de “pensamentos confusos”. Entre os sintomas de depressão, esse é aquele que começa virando motivo de piada, mas pode ficar sério a ponto da pessoa começar a escrever lembretes para ela mesma.
E atenção: essas falhas mentais associadas à depressão podem se parecer muito com “demência”. E, de fato, as pessoas com esta condição são propensas à depressão, e vice-versa.

4. Dormir demais ou problemas de sono

Falta de sono, ou sono em excesso, e a depressão estão intimamente relacionados. Em algumas pessoas, a depressão se manifesta com insônia, enquanto em outros acontece exatamente o contrário: tudo o que a pessoa quer é dormir. De um jeito ou de outro, a rotina de sono é interrompida e a pessoa nunca se sente descasada o suficiente. Importante saber: a depressão é uma das principais causas de problemas de sono, porque ela interfere nos ritmos biológicos naturais.

3. Falta de apetite ou comer compulsivamente

Esse é mais um caso em que o sintoma tende a aparecer como um extremo ou outro: a pessoa depressiva pode perder totalmente o interesse na comida, ou começar a comer descontroladamente. De um jeito ou de outro, é relativamente fácil detectar um comportamento anormal, principalmente porque nesse caso, um pouco mais que nos outros, os resultados desse comportamento é geralmente visível.

2. Pensamentos suicidas

A depressão é uma das condições mais comumente associadas ao suicídio. Ele começa com o que parece ser uma solução lógica para toda a dor e sofrimento que uma pessoa depressiva sente. De acordo com o Instituto Nacional de Saúde Mental dos Estados Unidos, 90% das pessoas que cometem suicídio tem um quadro clínico de depressão, estão sob efeito de drogas ou ambos.
Quem tem esse tipo de pensamento geralmente fala coisas como “eu queria morrer”, “eu quero acabar com tudo” e por aí vai. O perigo é que muitas pessoas podem pensar que essas são palavras ditas “da boca pra fora”, mas a verdade é que elas realmente sentem essa vontade de colocar um ponto final na vida. E esse, mais do que todos os sintomas, é um indicador de que a ajuda profissional não só é necessária, como é urgente.

1. Dores persistentes, dores de cabeça, cólicas ou problemas digestivos que não melhoram com tratamento

A depressão é estressante. Os efeitos físicos do estresse crônico, somado à falta de cuidados com si mesmo, provocam uma série de problemas de saúde, como os que enumeramos acima. Obviamente, alguns destes sinais físicos podem ser pistas para problemas de saúde não relacionados à depressão. O importante é perceber se isso está acontecendo junto com outro(s) sintoma(s) que listamos neste artigo.
Dica: levar uma pessoa ao médico sob o pretexto de avaliar sintomas crônicos permite que você tenha uma chance de fazer um relatório completo de outros sintomas preocupantes que podem levar ao diagnóstico de uma depressão. Isso pode ser muito importante porque pessoas com depressão costumam negar essa condição e todos os possíveis sintomas relacionados a ela. E, de acordo com o Instituto Nacional de Saúde Mental, até os casos mais severos de depressão costumam responder muito bem ao tratamento adequado. [Health]
Autor: Gabriela Mateos
Fonte: Hypescience

Ansiedade: 9 sintomas de quem tem esse distúrbio

               Hangover, Headache, Pain
De tempos em tempos, todos nós experimentamos um sentimento de nervosismo e ansiedade. Principalmente antes de conferir o resultado de uma prova, participar de uma reunião importante ou falar em público, por exemplo. São emoções humanas completamente normais. Mas, em alguns casos, esse sentimento se torna mais constante do que deveria. E, ao invés de ser passageiro, acaba tomando as rédeas e comandado nossa vida.
Quando a ansiedade chega a esse ponto, temos um quadro clínico chamado “distúrbio de ansiedade”, que se trata de uma doença mental muito séria.

O que é

Ansiedade é um termo geral usado para caracterizar várias doenças que causam nervosismo, medo, apreensão e preocupação. Esses distúrbios afetam a maneira como nos sentimos e nos comportamos, e podem ficar graves a ponto de manifestarem sintomas físicos reais.
A ansiedade em um nível leve pode deixar a pessoa inquieta e desatenta. Já em níveis mais severos pode ser extremamente debilitante e ter um grande impacto na vida diária das pessoas que sofrem com esse mal. É como dizia o dramaturgo e jornalista irlandês Bernard Shaw: “A ansiedade e o medo envenenam o corpo e o espírito”.

Sintomas

Saber identificar o ponto em que a ansiedade deixou de ser normal para tomar conta da sua vida pode ser mais difícil do que parece, principalmente porque ela pode aparecer em várias e diferentes formas, como ataques de pânico, fobias, ansiedade social etc, e o diagnóstico nem sempre é claro.
Por isso, é importante observar seu próprio comportamento para ver com que frequência os sintomas estão presentes no seu dia a dia. Um bom começo pode ser verificar essa lista:

9. Medo de falar em público

A maioria das pessoas começa com um friozinho na barriga antes de abordar um grupo de pessoas ou ter que subir em um palco para falar para uma grande multidão. Mas se o medo é tão forte que nenhum treinamento ou prática vai aliviá-lo, ou se você gasta muito tempo pensando e se preocupando com isso, você pode ter uma forma de transtorno de ansiedade social (também conhecido como fobia social).
As pessoas com ansiedade social tendem a se preocupar por dias ou semanas que antecederam a um determinado evento ou situação. E se conseguem passar por uma situação como essa, a experiência costuma ser incalculavelmente desconfortável.

8. Insegurança

Transtorno de ansiedade social nem sempre envolve falar em público ou ser o centro das atenções. Na maioria dos casos, a ansiedade é provocada por situações cotidianas, como conversar cara-a-cara com alguém, ou comer e beber na companhia de pequeno número de pessoas.
Nestas situações, as pessoas com transtorno de ansiedade social tendem a sentir que todos os olhos estão sobre elas, o que muitas vezes asw levam a experimentar tremores, náuseas, suor excessivo ou dificuldade em falar. Estes sintomas tornam difícil a convivência em sociedade, conhecer novas pessoas, manter relacionamentos e avançar no trabalho ou na escola.

7. Tensão muscular

Consiste em apertar sua mandíbula, ou os punhos, ou flexionar outros músculos por todo o corpo repetidamente. Este sintoma pode ser tão persistente e generalizado que as pessoas que convivem com ele por um longo período podem simplesmente parar de percebê-lo depois de um tempo.

6. Problemas para dormir

A dificuldade em pegar no sono, ou conseguir dormir por algumas horas consecutivas, está associada a uma grande variedade de condições de saúde, tanto física quanto psicológica. E, claro, não é incomum ficar se revirando na cama antes de uma entrevista de emprego, por exemplo. Mas se você se encontrar cronicamente acordado por várias noites seguidas, preocupado com problemas ou com nada em particular, pode ser que isso seja um sinal de um transtorno de ansiedade. Segundo algumas estatísticas, metade das pessoas com transtorno de ansiedade têm sérios problemas para dormir.

5. Preocupação excessiva

A marca registrada do distúrbio de ansiedade é se preocupar demais com tudo, inclusive com assuntos que não merecem a sua atenção. Mas o que é “demais” nesse caso? Bom, significa ter pensamentos persistentes ao longo dos dias, semanas e meses a respeito de um mesmo assunto. A ponto de ficar praticamente obcecado por aquilo e deixar toda essa preocupação interferir no seu dia a dia. “O que diferencia um transtorno de ansiedade de uma ansiedade normal é se suas emoções estão causando muito sofrimento”, explica o Sally Winston, psicólogo e codiretor do Instituto de Ansiedade e Estresse de Maryland, nos Estados Unidos.

4. Perfeccionismo

O comportamento mimado e obsessivo conhecido como “perfeccionismo” é um sintoma que anda de mãos dadas com distúrbios de ansiedade. Perfeccionismo é especialmente comum no transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), que tem sido visto como um transtorno de ansiedade.

3. Comportamentos compulsivos

Podem ser tanto mentais (quando a pessoa fica repetindo para si mesma) quanto físicos (roer as unhas, por exemplo). Pensamento e comportamento obsessivo compulsivo se tornam uma doença quando a necessidade de completar comportamentos, também conhecidos como “rituais”, começa a conduzir sua vida, diz Winston. “Se você gosta do seu rádio a nível volume 3, por exemplo, e ele quebra e fica preso no dia 4, você estaria em total pânico até que você pudesse consertá-lo?”.

2. Medos irracionais

Alguns casos de ansiedade são ligados a uma situação ou coisa específica, como voar, animais, ou multidões. Se o medo torna-se irresistível, perturbador e desproporcional ao risco real envolvido, pode ser um sinal de fobia, um tipo de transtorno de ansiedade.
Apesar de fobias terem o poder de incapacitar uma pessoa, ela não é óbvia em todos os momentos. Na verdade, pode nãi vir à tona até o momento em que você tem que enfrentar uma situação específica e descobre que é incapaz de superar o seu medo. “Uma pessoa que tem medo de cobras pode passar anos sem ter um problema”, diz Winston. “Mas, de repente, seu filho quer ir acampar, ela percebe que precisa de tratamento”.

1. Pânico

Os ataques de pânico podem ser aterrorizantes. É como se uma sensação súbita de medo e impotência tomasse conta do seu corpo por vários minutos, comprometendo a sua respiração, acelerando batimentos cardíacos, provocando formigamento nas mãos, suor, fraqueza, tonturas e dores no peito e no estômago. Nem todo mundo que tem um ataque de pânico tem um transtorno de ansiedade, mas as pessoas que os experimentam repetidamente podem ser diagnosticadas com o chamado “transtorno do pânico”.
Se você verifica qualquer um desses sintomas de ansiedade em sua vida, talvez seja hora de procurar um médico. A ajuda especializada é fundamental para saber qual é o tratamento mais indicado ao seu caso para que você, com o tempo, aprenda a controlar seus ânimos e não mais receber ordens dele. [Health, Medical News Today]
Fonte: Hypescience