Powered By Blogger

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Dormir ajuda a recuperar memórias esquecidas

Dormir não só protege as memórias do esquecimento, mas também as torna mais fáceis de serem acessadas no futuro.
Os resultados dos experimentos que demonstram essa ligação sugerem que, após um bom sono, somos mais propensos a lembrar de fatos que não conseguíamos nos lembrar antes de ir dormir.
Palavras inventadas
Em duas situações experimentais, nas quais voluntários se esqueciam de informações ao longo de um período de 12 horas de vigília, uma noite de sono foi suficiente para promover o acesso aos traços de memória que tinham inicialmente sido fracos demais para serem recuperados mais tarde, antes de dormir.
O experimento acompanhou a lembrança de palavras novas - palavras inventadas - aprendidas ou antes de uma noite de sono, ou de um período equivalente de vigília. Os voluntários tentaram se lembrar das palavras imediatamente após tê-las visto, e depois novamente após o período de sono ou de vigília.
A principal diferença foi entre as palavras que os participantes conseguiram se lembrar tanto no teste imediato quanto no reteste depois de 12 horas, e aquelas das quais eles não se lembravam no teste, mas conseguiram se lembrar no reteste.
Recuperar mais do que reter
Em comparação com a vigília diurna, o sono ajudou a resgatar mais memórias não lembradas no primeiro teste do que evitar o esquecimento das palavras já lembradas no teste - dito de outra forma, foi mais fácil recuperar palavras esquecidas inicialmente do que reter aquelas inicialmente lembradas.
"O sono praticamente dobra nossas chances de lembrar de um material previamente esquecido. O impulso pós-sono na acessibilidade da memória pode indicar que algumas memórias são aguçadas durante a noite. Isso dá suporte à noção de que, durante o sono, nós ensaiamos ativamente informações marcadas como importantes," interpreta o professor Nicolas Dumay, da Universidade de Exeter (Reino Unido).
Fonte: Diário da Saúde

Compra compulsiva é problema de saúde - e tem tratamento

Compra compulsiva - Oniomania
O ato de comprar desperta nas pessoas uma sensação de bem-estar, prazer e satisfação. No comprador compulsivo, esse sentimento é exagerado. 
Oniomania
O nome do transtorno é oniomania, a impulsão para comprar coisas - o termo é derivado do grego oné (compra, aquisição) e manía (insânia, fúria).
O que leva uma pessoa a comprar compulsivamente é que, muitas vezes, o ato de comprar serve como remédio para a angústia e a depressão, explica a psicóloga Tatiana Filomensky, coordenadora do Programa para Compradores Compulsivos, da USP (Universidade de São Paulo).
O ato de comprar desperta nas pessoas uma sensação de bem-estar, prazer e satisfação. No comprador compulsivo, esse sentimento não é diferente.
"O problema é que, para ele, isso é muito mais. Ele vai em busca dessa satisfação com uma frequência muito maior, porque não consegue atingir essa satisfação de outra maneira. A solução para as sensações desagradáveis, negativas e frustrações está nas compras. Muitos dizem que compram para preencher um vazio," explica Tatiana.
Sintomas do comprar compulsivo
O comportamento repetitivo e crônico de gastar descontroladamente gera consequências negativas para o indivíduo, além dos elevados índices de comorbidade (doenças relacionadas), como transtorno de humor e ansiedade.
Os principais sintomas da compra compulsiva são:
  • preocupação excessiva, perda de controle sobre o ato de comprar;
  • aumento progressivo do volume de compras;
  • tentativas frustradas de reduzir ou controlar as compras;
  • comprar para lidar com angústias ou outra emoção negativa;
  • mentiras para encobrir o descontrole com compras;
  • prejuízos nos âmbitos social, profissional e familiar;
  • problemas financeiros causados por compras.
A boa notícia é que a oniomania tem tratamento.
Tratamento da compra compulsiva
Para tratar esse transtorno, é necessário realizar uma avaliação psiquiátrica para diagnosticar as questões relacionadas aos problemas de cada indivíduo.
Paralelamente, é feito o tratamento psicoterápico, realizado em grupo. São 20 sessões, uma vez por semana, durante uma hora e meia. Dois psicólogos fazem o acompanhamento durante todo o período em que o paciente se encontra em tratamento, buscando ajudá-lo a entender o que acontece com ele, por que compra demasiadamente, quais os "gatilhos" que o levam a esse descontrole e o porquê desse comportamento compulsivo.
Segundo Tatiana, a doença não tem cura, mas consegue-se controlá-la. Os resultados do ambulatório são positivos, afirma: "As pessoas que passaram pelo tratamento e tiveram alta dizem que melhoraram muito e que mudaram o seu comportamento."
O importante, para a psicóloga, é tentar "ressignificar" o comportamento compulsivo, mostrar outras formas de a pessoa obter recompensas e sentir-se amada que não seja pelo viés do consumo compulsivo. Tatiana explica que não dá para simplesmente dizer para a pessoa não comprar nunca mais: "Temos que ensiná-la a entender quando é uma compra compulsiva e quando é normal."
Mais informações sobre o Programa para Compradores Compulsivos da USP podem ser obtidas no endereço eletrônico www.proamiti.com.br.
Fonte: Diário da Saúde

Aplicativo para treinar cérebro pode ajudar pessoas com esquizofrenia

Um jogo de "treino cerebral" para dispositivos eletrônicos desenvolvido na Grã Bretanha pode melhorar a memória de pacientes com esquizofrenia, ajudando-os em suas vidas cotidianas em casa e no trabalho, disseram pesquisadores nesta segunda-feira (3).

Um jogo de "treino cerebral" para dispositivos eletrônicos desenvolvido na Grã Bretanha pode melhorar a memória de pacientes com esquizofrenia, ajudando-os em suas vidas cotidianas em casa e no trabalho, disseram pesquisadores nesta segunda-feira (3).

Cientistas da Universidade de Cambridge disseram que testes feitos com um pequeno número de pacientes que jogaram o game por quatro semanas descobriram que tiveram melhorias na memória e no aprendizado.

O jogo, "Wizard", é desenhado para ajudar a chamada memória episódica - o tipo de memória necessária para lembrar onde você deixou suas chaves algumas horas atrás, ou para lembrar algumas horas depois onde você estacionou seu carro em um estacionamento com muitos andares.

Este estudo, publicado no periódico "Philosophical Transactions of the Royal Society B", descobriu que 22 pacientes que jogaram o jogo da memória incorreram significativamente em menos erros para tentar lembrar a localização de diferentes testes de padrões específicos.

"Precisamos de uma maneira de tratar os sintomas cognitivos da esquizofrenia, como problemas com a memória episódica, mas o progresso em desenvolver um tratamento com medicamentos tem sido lento", disse Barbara Sahakian do departamento de psiquiatria da Universidade de Cambridge.

"Este estudo de prova de conceito... demonstra que o jogo da memória ajuda onde as drogas falharam até então. E porque o jogo é interessante, até mesmo os pacientes com falta de motivação são estimulados a continuar o treinamento", afirmou.


Fonte: Associação Brasileira de Psiquiatria
Disponível em: <http://www.abp.org.br/portal/imprensa/clipping-2/>. Acesso em: 5 ago. 2015

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Não é demência, é seu remédio para o colesterol

Substâncias presentes em medicamentos de uso crônico podem provocar efeitos colaterais na memória e no aprendizado

O ex-astronauta Duane Graveline, da Nasa, voltava para casa, em Merritt Island, na Flórida, depois de uma caminhada numa manhã de 1999 quando, de repente, percebeu que não conseguia lembrar onde estava. Graveline, na época com 68 anos, cumprimentou sua mulher, na frente da casa deles, como se ela fosse uma estranha. Quando sua memória voltou, cerca de seis horas depois, ele se perguntou o que poderia ter provocado aquele surto de amnésia. Só uma coisa lhe veio à mente: poucos dias antes ele tinha começado a tomar um remédio à base de estatina.
A substância que baixa os níveis de colesterol, é usada em alguns dos medicamentos mais prescritos no mundo com esse propósito – e já salvou a vida de muitos pacientes cardíacos. Entretanto, recentemente um pequeno número de usuários tem apresentado inesperados efeitos colaterais no campo da cognição, como perda de memória, confusão mental e dificuldade de aprendizagem.
Centenas de pessoas já se queixaram das estatinas à MedWatch (a base de dados da Administração de Controle de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos), mas poucos estudos sobre o tema foram realizados até agora. Vários especialistas, no entanto, acreditam que uma pequena parcela dos usuários corre risco. Ainda assim, é importante alertar o público sobre possíveis efeitos colaterais das estatinas que podem ser confundidos com sintomas de demência em pacientes idosos.
Não é absurdo relacionar essas drogas à cognição, já que um quarto de todo o colesterol  do organismo se encontra no cérebro. Sua textura é semelhante à da cera, que tem, entre outras funções, ajudar a formar a estrutura das membranas celulares. Níveis elevados aumentam o risco de doenças cardíacas porque as moléculas que transportam o colesterol podem danificar artérias e bloquear o fluxo sanguíneo. O colesterol desempenha papel fundamental na formação de conexões neurais – ligações vitais que constituem a base da memória e da aprendizagem. Raciocínio rápido e reação imediata também dependem do colesterol, pois essas moléculas funcionam como “tijolos”, formando o revestimento que isola os neurônios e acelera a propagação de sinais elétricos. “Não entendemos como uma droga que age num percurso tão importante não teria reações adversas”, comenta Ralph Edwards, ex-diretor do Centro de Monitoramento de Drogas da Organização Mundial da Saúde (OMS) em Uppsala, na Suécia.
Testes publicados pelo farmacologista clínico Matthew Muldoon, da Universidade de Pittsburgh, sugerem relação entre estatinas e problemas cognitivos. Um deles, realizado com 209 participantes com altos níveis de colesterol, mostrou que pessoas que ingeriram pílulas de placebo tiveram melhor desempenho em testes de atenção e de tempo de reação medidos durante seis meses do que os voluntários que tomavam estatinas. Eles se saíram melhor provavelmente em razão da repetição de exercícios, como geralmente ocorre. Outro estudo, realizado com 60 usuários de estatina que relataram problemas de memória, publicado no periódico científico Reviews of Therapeutics, revelou que mais da metade afirmou que os sintomas melhoraram quando pararam de ingerir o medicamento.
Muitos especialistas concordam que para a maioria das pessoas o risco de usar estatinas é pequeno. Os efeitos adversos, porém, parecem consideráveis. Alguns pesquisadores acreditam que as vítimas têm perfil genético que as predispõe ao risco. A médica Beatrice A. Golomb, professora da Universidade da Califórnia, em San Diego, sugere que pacientes com defeitos nas mitocôndrias (estruturas celulares que produzem energia) podem formar um grupo de risco. As estatinas impedem que o organismo produza um antioxidante capaz de neutralizar a ação prejudicial dos radicais livres criados pela atividade mitocondrial. Se as células do cérebro, que consomem grandes quantidades de energia, já tiverem problemas, a terapia com estatinas poderá potencializar danos, causando, por exemplo, o comprometimento da aprendizagem.
A teoria de Golomb foi reforçada por um estudo coordenado pela geneticista Georgirene Vladutiu, da Universidade de Buffalo. Ela observou que usuários de estatinas que relataram efeitos colaterais como dores musculares estão mais propensos a apresentar falhas genéticas preexistentes relacionadas à produção de energia celular. Curiosamente, porém, alguns estudos também sugerem que as estatinas parecem melhorar a memória de algumas pessoas, diminuindo o risco de demência. Esse efeito benéfico surge porque o colesterol está envolvido na produção de proteínas indicadoras de doenças degenerativas, como Alzheimer e Parkinson. Ou seja: mesmo que as estatinas sejam neurologicamente vantajosas para alguns elas podem ser problemáticas para outros, visto que os efeitos colaterais provavelmente surgem devido a variadas reações bioquímicas.
Como as estatinas têm fórmulas diferentes, é possível que interfiram em inúmeros processos mentais, e, como os usuários têm diferentes predisposições genéticas, a simples troca de medicamento pode ajudar aqueles que estão recebendo sinais de alerta, como esquecer nomes de pessoas conhecidas e até próximas com muita frequência. Em um estudo de 2009 publicado no periódico Pharmacotherapy, Golomb e Marcella A. Evans, aluna de pós-graduação da Universidade da Califórnia em Irvine, analisaram as características de 171 usuários de estatinas que relataram prejuízos à cognição. As descobertas parecem indicar que pessoas que utilizam estatinas mais potentes correm risco maior do que as que tomam drogas mais fracas.
Graveline, hoje com 84 anos, tem certeza de que seu remédio provocou o surto de amnésia. Embora tenha parado imediatamente de tomar a medicação, seu médico – que não acredita nesta tese – convenceu-o, meses depois, a fazer nova tentativa. Após oito semanas de tratamento Graveline sofreu um novo surto de amnésia e abandonou completamente as estatinas. Até hoje o ex-astronauta, que controla o colesterol com dieta, garante que nunca se sentiu tão bem. Mas ele também sabe que para muitas pessoas os benefícios que as estatinas proporcionam superam os riscos. “Não estou pedindo que essas substâncias sejam banidas, apenas sugiro que os médicos estejam cientes de seus efeitos colaterais sobre o cérebro.”

Fonte: Scientific American Mente Cérebro

Qual é a melhor maneira de combater a perda de memória?

Qual é a melhor maneira de combater a perda de memória
Pergunte quais são as maiores preocupações de qualquer pessoa com mais de 40 anos e uma das respostas mais comuns será o medo de perder a memória.
Há algumas maneiras bem conhecidas de manter a saúde - não fumar, manter-se dentro do peso ideal ou não desenvolver diabetes do tipo 2.
Mas pode-se fazer algo para realmente melhorar o cérebro? Pesquisadores britânicos desenvolveram um teste para tentar descobrir.
Exercícios ou arte
Para esse teste, feito em parceria com a Universidade de Newcastle, na Inglaterra, foram recrutados 30 voluntários. Eles foram submetidos a diversos exames que analisaram memória, habilidade de resolver problemas e velocidade de reação.
Todos receberam um monitor de atividade, que mediu o quanto e quando eles se moviam. Em seguida, os voluntários foram separados aleatoriamente em três grupos. Cada grupo recebeu uma atividade diferente, que deveria ser feita durante oito semanas.
A tarefa para um dos grupos era simplesmente andar rapidamente, a ponto de ficar quase sem ar, durante três horas por semana. A ideia é que a caminhada - ou qualquer forma de exercício vigoroso - mantém o cérebro alimentado com sangue rico em oxigênio.
O segundo grupo teve que fazer jogos, como palavras cruzadas ou sudoku, também por três horas por semana. A justificativa é que o cérebro se beneficia dos desafios.
Finalmente, o terceiro grupo teve aulas de arte cuja tarefa envolvia desenhar o corpo de um modelo.
Quem se beneficiou mais?
No final do experimento, quase todos no primeiro grupo relataram uma grande melhoria em seu condicionamento físico - quão fácil passou a ser uma subida, por exemplo. No segundo, os voluntários acharam os desafios difíceis no início, mas no final já estavam trocando dicas de Sudoku. Mas o terceiro grupo mostrou-se particularmente entusiasmado com a arte.
Os pesquisadores então refizeram a bateria de testes cognitivos e os resultados foram bem claros: todos os grupos tinham terminado a experiência um pouco melhor, mas o de maior destaque era o que tinha assistido às aulas de arte.
Mas por que ir a uma aula de arte pode fazer a diferença para coisas como a memória?
"Aprender algo novo envolve o cérebro de maneiras que parecem ser a chave. O seu cérebro muda em resposta a isso, não importa quantos anos você tenha," opina o psicólogo clínico Daniel Collerton, um dos especialistas que participou do estudo,
Benefícios físicos e sociais
Aprender a desenhar não era apenas um novo desafio para o grupo, mas, ao contrário das palavras cruzadas e do Sudoku, também envolvia o desenvolvimento de habilidades psicomotoras.
Capturar uma imagem no papel não é apenas intelectualmente exigente: envolve aprender a fazer os músculos na mão guiarem o lápis ou o pincel nas direções corretas. Um benefício adicional é que ir à aula de arte significava que durante três horas semanais eles tiveram que ficar em pé enquanto desenhavam ou pintavam.
Ficar de pé por longos períodos é uma boa maneira de queimar calorias e de manter o coração em boa forma.
A aula de arte também foi a mais ativa socialmente, outra coisa importante a ser levada em conta para manter o cérebro afiado. Este grupo reuniu-se regularmente fora das aulas e trocou e-mails.
O mais provável, segundo os pesquisadores, é que qualquer atividade de grupo que envolva ser ativo e aprender uma nova habilidade ajude a impulsionar o funcionamento do cérebro.
Fonte: Diário da Saúde

Papel da serotonina varia em diferentes tipos de ansiedade

Pesquisadores da USP descobriram que o papel desempenhado pela serotonina varia nos diversos tipos de transtornos de ansiedade.
A expectativa é que essa descoberta leva a um aprimoramento do diagnóstico e do tratamento desses transtornos.
Em pessoas com transtornos de ansiedade, existem pelo menos dois grupos que apresentam respostas diferentes a variações abruptas nos níveis de serotonina, conforme o tipo de transtorno.
Ansiedades diferentes
Em um dos grupos, o transtorno está mais relacionado a ameaças potenciais de risco imediato.
"Isso ocorre em casos de transtorno de estresse pós-traumático, fobia social e transtorno do pânico. Nessas situações, mais associadas ao medo, a redução muito rápida da serotonina tende a aumentar a sensibilidade aos estímulos temidos pelo portador do transtorno," relata Felipe Corchs, que realizou o estudo em conjunto com seu colega Marcio Bernik.
Quando o transtorno envolve ameaças potenciais distantes, como ansiedade generalizada e Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC), a queda abrupta da serotonina não provoca o aumento da sensibilidade aos estímulos causadores de sintomas.
"Embora os dois grupos de pacientes sejam tratados com o mesmo tipo de medicação, o controle dos distúrbios se dá a longo prazo", aponta o pesquisador. "A análise demonstra que a redução de serotonina influência os pacientes de modos diferentes, conforme o tipo de transtorno de ansiedade".
Classificação dos transtornos de ansiedade
De acordo com o pesquisador, novos estudos precisam ser desenvolvidos com metodologia específica para identificar as características clínicas exatas dos pacientes que têm esses dois perfis farmacológicos de forma independente dos atuais critérios diagnósticos do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM) e da Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID).
"Isto poderá contribuir para o delineamento de critérios diagnósticos baseados em etiologia, ou seja, do ponto de vista não dos sintomas, mas dos efeitos no cérebro", concluiu.
Triptofano
A evidência é baseada no estudo dos efeitos da redução abrupta dos níveis do triptofano, aminoácido precursor da serotonina, que faz a comunicação entre neurônios.
O triptofano não é produzido pelo organismo, sendo incorporado ao corpo humano por meio da alimentação (ingestão de proteínas).
Por ser o único único precursor da serotonina, sua redução abrupta culmina em queda abrupta também dos níveis de serotonina, que funciona como neurotransmissor nas células do sistema nervoso entre outras funções. Dessa forma, divergências nos efeitos dessa diminuição sobre os sintomas dos transtornos estudados permitiram avaliar supostas diferenças no papel da serotonina em subgrupos de transtornos agrupados sob o termo "transtornos de ansiedade".

Fonte: Diário da Saúde

Soneca diminui frustração e impulsividade

Soneca diminui frustração e impulsividade
Empregadores que adicionam um local para soneca no trabalho ou um intervalo mais longo podem ter funcionários mais produtivos. 
Sesta
Tirar uma soneca pode ser uma estratégia eficaz para neutralizar o comportamento impulsivo e aumentar a tolerância à frustração.
É cada vez mais comum para as pessoas, principalmente adultos, não conseguir dormir uma noite inteira.
Isto pode afetar negativamente a atenção e a memória de uma pessoa, sem contar a fadiga.
Em muitos países, é comum a prática da sesta, um momento de descanso após o almoço.
Pesquisadores da Universidade de Michigan (EUA) examinaram como um breve cochilo afeta o controle emocional dos adultos. Os 40 participantes, com idades entre 18 e 50 anos, mantiveram um horário de sono consistente por três noites, antes do teste.
Eles fizeram tarefas em computador e responderam a perguntas sobre sonolência, humor e impulsividade, sendo a seguir designados aleatoriamente para um período de descanso de 60 minutos ou de não-soneca, assistindo a um vídeo sobre natureza.
Produtividade
Aqueles que cochilaram gastaram mais tempo tentando resolver uma tarefa do que os que não descansaram. Estes, por sua vez, demonstraram-se menos dispostos a suportar frustração para completar a segunda bateria de exercícios. Além disso, quem cochilou relatou se sentir menos impulsivo.
Combinado a pesquisas anteriores, que demonstraram os efeitos negativos da privação de sono, os resultados indicam que permanecer acordado por um longo período de tempo impede as pessoas de controlar as respostas emocionais negativas.
"Nossos resultados sugerem que dormir a sesta pode ser uma intervenção benéfica para os indivíduos que são obrigados a se manterem acordados por longos períodos de tempo, o que aumenta a capacidade de perseverar diante de uma tarefa difícil ou frustrante," disse Jennifer Goldschmied, principal autora do trabalho.
Tirar uma soneca também pode ser uma estratégia rentável e fácil para aumentar a segurança no trabalho, disseram os pesquisadores. Empregadores que adicionam um local para soneca no trabalho ou um intervalo mais longo podem ter funcionários mais produtivos.
Fonte: Diário da Saúde

quinta-feira, 23 de julho de 2015

REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL

Exibindo 2015 - Debate Maioridade Penal-01.jpg

XI Enecult | 2015

Relato de experiência: Dissidências sexuais e de gênero: ativismos em arte e comunicação

O relato de experiência Dissidências sexuais e de gênero: ativismos em arte e comunicação vai debater a possibilidade de outras formas de ativismos – menos institucionalizadas e mais independentes – que fogem e/ou desconstroem ideais sobre as sexualidades e os gêneros. Imergindo nas dimensões da arte e da comunicação, a sessão vai ressaltar o caráter político que essas duas formas de atuação adquirem no fomento de outras maneiras de fazer conhecimento e no combate à produção de subalternidades.
Com Jota Mombaça (Monstrx Erratik), também escritorx, articuladorx e artista da performance, e Sofia Favero Ricardo, administradora da página “Travesti Reflexiva” no Facebook.
A sessão será coordenada e mediada por Leandro Colling, professor do IHAC e do Pós-Cultura da UFBA e coordenador do grupo de pesquisa Cultura e Sexualidade (CuS).
Mais detalhes sobre o relato de experiência AQUI.
Clique aqui para se inscrever.
Confira toda a programação no nosso site.

Demência vascular é mais comum que Alzheimer e pode ser prevenida

Demência vascular
Médicos da USP descobriram que a demência vascular é mais comum entre os idosos brasileiros do que a doença de Alzheimer.
A descoberta é importante porque a demência vascular pode ser prevenida, estando geralmente associada a fatores de risco cardiovascular, como hipertensão e diabetes.
Até agora, acreditava-se que a principal causa de demência entre os idosos brasileiros era a doença de Alzheimer, a exemplo do que tem sido verificado em estudos realizados no exterior.
O estudo nacional, que envolveu a análise do cérebro de pessoas que faleceram com diagnóstico de demência, identificou um grande número de alterações decorrentes de lesões cerebrais causadas por problemas da circulação sanguínea, compatíveis com o quadro de demência vascular.
Prevenção da demência
Os resultados da pesquisa demonstraram que grande parte dos casos de demências poderia ter sido prevenida se os fatores de risco cardiovasculares, como pressão arterial, colesterol e obesidade, tivessem sido tratados adequadamente.
"Não existe tratamento para a demência, mas é possível evitar ou retardar seu aparecimento quando a causa é um problema da circulação sanguínea", ressalta a professora Lea Grinberg, coordenadora do estudo.
"Há consciência de que o controle de fatores de risco vasculares tem impacto positivo na saúde do coração. A pesquisa mostra que esse efeito pode se estender ao cérebro," completou.
Fonte: Diário da Saúde

segunda-feira, 20 de julho de 2015

OMS alerta que 10% da população global tem distúrbio de saúde mental

A Organização Mundial da Saúde, OMS, alerta que uma em cada 10 pessoas no mundo, 10% da população global, sofre de algum distúrbio de saúde mental. Isso representa aproximadamente 700 milhões de pessoas. No entanto, apenas 1% da força de trabalho mundial de saúde atua nesta área.
Segundo a OMS, quase metade da população global vive em países onde há menos de um psiquiatra para cada 100 mil pessoas.
Acesso Desigual
A agência destaca que existem "grandes desigualdades no acesso a serviços de saúde mental dependendo de onde as pessoas vivem". Em uma média global, há menos de um trabalhador de saúde mental para cada 10 mil pessoas. Os dados estão no Atlas de Saúde Mental 2014, da OMS, lançado nesta terça-feira. De acordo com o documento, em países de rendas baixa e média as taxas caem abaixo de um para cada 100 mil pessoas, enquanto em países de renda alta este índice é um para cada 2 mil pessoas.
Gastos
O relatório afirma que os gastos locais em saúde mental ainda são "muito reduzidos". Países de rendas baixa e média gastam menos de US$ 2 per capita por ano em saúde mental. Este valor é equivalente a R$ 6,30. Em países de renda alta, esses gastos chegam a mais de US$ 50. A maior parte do dinheiro vai para hospitais psiquiátricos, que servem a uma pequena parcela dos que precisam de cuidados. Os países ricos ainda têm um número muito maior de leitos em hospitais psiquiátricos e de taxas de internação.
Treinamento
Segundo a agência, o treinamento de equipes de atenção primária em saúde mental é "fundamental" para capacitação ao reconhecimento e tratamento de pessoas com distúrbios mentais graves e comuns. Desde 2011, o número de enfermeiras trabalhando em saúde mental aumentou 35%, mas ainda há escassez em todas as áreas, particularmente em países mais pobres.
Políticas
De acordo com o Atlas, as nações continuam progredindo na criação de políticas, planos e leis para saúde mental, que fornecem uma base para boa governança e desenvolvimento de serviços. A agência afirmou que dois terços dos países têm uma política ou plano e metade deles tem uma lei de saúde mental independente. No entanto, a maioria das políticas e das leis não estão em plena conformidade com os instrumentos internacionais de direitos humanos. A implementação é, muitas vezes, fraca e pessoas com transtornos mentais e seus familiares têm frequentemente envolvimento limitado em seu desenvolvimento.
Plano de Ação
O relatório lançado nesta terça-feira é a quarta e mais nova edição da iniciativa da OMS de medir os progressos em saúde mental em todo o mundo.
Em 2013, a agência da ONU lançou o Plano de Ação Abrangente sobre Saúde Mental 2013-2020. O documento estabeleceu quatro objetivos, incluindo o fortalecimento de liderança e governança para saúde mental e o fornecimento de serviços sociais e de saúde mental abrangentes em ambientes comunitários. A OMS quer também a implementação de estratégias para promover a saúde mental e o fortalecimento de sistemas de informação e pesquisa.
*Apresentação: Edgard Jr.
Fonte: EBC
Palavras Chave: 

Fonte: UNA-SUS

O legado do biógrafo de Freud

A obra de Peter Gay, além de apresentar o criador da psicanálise de maneira autêntica e rigorosa, restitui o personagem a seu lugar no pensamento ocidental

No momento em que a psicanálise redescobre o interesse pela sua própria história, chega com pesar a notícia do falecimento do historiador alemão Peter Gay, em 12 de maio. Graças ao seu monumental trabalho Freud: uma vida para o nosso tempo (Companhia das Letras, 1989), o autor se consagra mundialmente como o “biógrafo de Freud”. Porém reduzi-lo a esse título é dizer muito pouco, principalmente por dois motivos. Primeiro, porque escrever uma biografia do fundador da psicanálise não foi exclusividade de Gay. É fato que ele toma distância da história oficial de Freud, promovida por Ernest Jones nos três volumes de A vida e a obra de Sigmund Freud (Imago, 1989). Psicanalista, Jones apresenta uma escrita excessivamente contaminada pelo tom hagiográfico, privilegiando a conduta inabalável de Freud, possivelmente devido à sua proximidade com ele. Justiça seja feita, outros também se distanciaram da história oficial para uma escrita criativa e livre, como no singularíssimo exemplo latino-americano de Sigmund Freud – Século da psicanálise – 1895-1995 (Escuta, três volumes, 1995), biografia escrita pelo “argentino-baiano” Emilio Rodrigué.

Mas Peter Gay foi um dos grandes desbravadores na missão de aproximar a história oficial da psicanálise e a historiografia erudita – embasada em arquivos, com a devida consideração de documentos, textos e verdades factuais – sem “oficialismos”. Ele estabelece a narrativa sobre Freud não para exaltar sua figura lendária, mas sim – e sobretudo – para elevá-la à dignidade de seu invento. Isso equivale a dizer que, para além de Freud, a psicanálise se origina do solo histórico que lhe dá ensejo e, inversamente, que a compreensão da modernidade informa sobre o gênio criador de Freud. Em vez de delegar a tarefa de narrar o percurso de vida do criador da psicanálise exclusivamente a psicanalistas ou a jornalistas mais ou menos curiosos, Gay faz da biografia um trabalho histórico autêntico e rigoroso, ao mesmo tempo que restitui Freud a seu devido lugar no pensamento ocidental.
Em segundo lugar, porque Freud, para Peter Gay, é bem mais do que um simples objeto de estudo: ele é, em praticamente todos os momentos de sua obra, um verdadeiro interlocutor. Seu memorável trabalho Freud para historiadores (Paz e Terra, 1989), inexplicavelmente pouco lido e comentado no Brasil, é uma exploração de cruzamentos metodológicos da experiência intelectual freudiana com as teses da história da psicologia, herdada da mais profícua tradição historiográfica da Escola dos Annales. Nos cinco volumes de A experiência burguesa (Companhia das Letras, 1989), Peter Gay busca compreender as profundas transformações dos modos de vida da era vitoriana até, justamente, o destaque conferido à sexualidade pela doutrina freudiana.
Uma característica de suas teses sobre o Iluminismo e o Modernismo é a recepção da estética no campo das ideias: o atravessamento da literatura de Baudelaire e de Kafka, da música de Mozart a Schoenberg e Stravinsky, do teatro beckettiano e das pinturas da secessão vienense costuma compor o cenário dos livros do historiador, do mesmo modo que também não escapam aos seus olhos atentos os arquivos de diários íntimos, cartas de família, relatórios médicos e panfletos religiosos e políticos. Esse vasto conjunto de elementos faz de Peter Gay um historiador social da cultura e das ideias da mais alta envergadura na compreensão da experiência da modernidade. Seria impossível elencar tais elementos aqui exaustivamente pela extensão da obra, mas cabe sublinhar que, além dos textos propriamente ditos, suas valiosíssimas notas de rodapé são fontes generosas de uma inesgotável bibliografia percorrida por esse insaciável pesquisador.
Além de ter se dedicado ao ensino e à pesquisa nas universidades de Columbia e Yale, Peter Gay também era psicanalista, tendo realizado sua formação no Western New England Institute for Psychoanalysis e se tornado membro honorário da Associação Americana de Psicanálise, em 1985. Os Estados Unidos que o abrigariam ainda na infância fugido do nazismo, em que ele passa a sua vida, será, curiosamente, o mesmo país que acolherá anos depois uma grande parte dos arquivos pessoais de Freud, sob a tutela da Livraria do Congresso, em Washington. Imagino que, estando ele devidamente abrigado nos documentos de Freud, não deve ter sido nada fácil para um historiador honesto presenciar o florescimento de certa escola revisionista americana que (ainda) insiste em criticar ou vilipendiar Freud e a psicanálise por meio de uma historiografia caluniosa e inverossímil.
Se há hoje na história da psicanálise uma verdadeira batalha contra o revisionismo antifreudiano e contra um biografismo reduzido a mera coleção de notas e curiosidades do percurso da vida do biografado, o pensamento e a obra de Gay são uma verdadeira lição de método de como se posicionar de maneira honrosa nesse tipo de contenda. Peter Gay pôde ser o biógrafo que foi graças ao historiador que era: um intelectual digno desse nome. Ele nos deixa com a tarefa de levar adiante o legado da historiografia erudita da psicanálise – um legado para o nosso tempo.

Rafael Alves Lima é psicanalista, mestre em psicologia clínica pela Universidade de São Paulo (USP), autor de Por uma historiografia foucaultiana para a psicanálise: o poder como método (Via Lettera, no prelo) e organizador de Clinicidade: A Psicanálise entre Gerações (Juruá, no prelo).

Fonte: Scientific American Mente Cérebro

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Meditação para usar na escola

Quando aplicada na sala de aula, a técnica contribui para uma maior capacidade de concentração e facilidade de aprendizagem

Vários estudos científicos têm comprovado que a meditação favorece a capacidade de aprendizagem, concentração, além de ajudar a perceber melhor as próprias emoções e a lidar com elas. Acessível a qualquer pessoa, a prática usada há centenas de anos por religiosos favorece a sensação de bem-estar geral e tem se mostrado uma poderosa ferramenta no combate de depressão, ansiedade, hiperatividade, dor crônica, inflamações e até mesmo do envelhecimento das células.

Na prática, as técnicas de respiração e concentração comprovadas pela ciência têm trazido benefícios para pessoas de variadas idades. Em São Paulo, desde 2006 voluntários da Fundação Lama Gangchen para a Cultura de Paz (http://www.napaz.org.br/) oferecem aulas, palestras workshops e treinamentos para crianças, jovens e adultos sobre técnicas de respiração e concentração. A instituição tem trabalhado com escolas públicas e particulares, empresas e ONGs. Na Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Angelina Maffei Vitta, zona norte, por exemplo, há três anos são acompanhados semanalmente 50 professores, que multiplicam os exercícios de relaxamento na sala de aula. O resultado entre os profissionais e a coordenação pedagógica é a diminuição do estresse, maior tranquilidade para lidar com provocações dos alunos e com a bagunça na classe. Para os estudantes, os ganhos também são visíveis: maior capacidade de concentração e facilidade de aprendizagem. “O caminho, porém, é longo, há muito a ser feito”, reconhece o diretor-presidente fundação, Daniel Calmanowitz. Chama atenção do estudioso e praticante de meditação a dificuldade que crianças e adolescentes têm para simplesmente relaxar. Mas ele reconhece os progressos: “Depois que experimentam os benefícios, os próprios alunos, em especial os mais novinhos, de primeiro e segundo anos, pedem que os professores os orientem a fazer na sala de aula”, conta.  Sem conotação religiosa, a fundação tem a proposta mais abrangente de propagar a cultura de paz, propondo formas de solução de conflito e círculos restaurativos. E a respiração é uma ferramenta fundamental nesse caminho. 

Inspira, expira...

Um dos pontos mais interessantes em relação à meditação é a simplicidade de sua proposta, uma vez que parte do princípio básico de voltar a atenção para a própria respiração, centrando-se no aqui e no agora – a priori, algo acessível a praticamente qualquer um. O que parece tão óbvio, porém, requer empenho. Em um das práticas básicas mais usados, é preciso sentar-se em uma postura confortável, com a coluna reta e os olhos semiabertos ou fechados e prestar atenção em cada inspiração e espiração pelo nariz, acompanhando o trajeto do ar até três dedos abaixo do umbigo, percebendo sua entrada e sua saída. Em algum momento, os pensamentos vão voar, mas o segredo é não segui-los ou julgá-los – apenas deixá-los passar como se fossem nuvens. E voltar a atenção à respiração.

Fonte: Scientific American Mente Cérebro

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Cigarro pode aumentar risco de esquizofrenia, aponta pesquisa

Cigarro

Parar de fumar te parece quase impossível? Aqui está mais um motivo para banir o cigarro da sua vida. Um novo estudo sugere que fumar pode aumentar o risco de desenvolver esquizofrenia. A descoberta foi publicada na Lancet Psychiatry, uma das revistas científicas mais prestigiadas do mundo.
A ligação entre o cigarro e a esquizofrenia não é nova. Pesquisas anteriores apontavam que o índice de tabagismo entre os esquizofrênicos é maior que entre a população geral. Porém, acreditava-se que os esquizofrênicos simplesmente recorriam mais ao cigarro para tentar lidar com o estresse causado pela doença. Agora, pesquisadores da Kings College London apontam que pode haver uma relação de causalidade entre o cigarro e a esquizofrenia.
O dobro da chance
Após analisarem 61 estudos, com um total de 290 mil participantes, os pesquisadores descobriram que pessoas que fumam diariamente têm o dobro de chance de ter esquizofrenia.
Além disso, fumantes tendem a desenvolver a doença um ano antes dos não-fumantes. A explicação mais provável é que a nicotina altera os níveis de dopamina - neurotransmissor associado à sensação de euforia -- no cérebro.
Nos últimos 50 anos, a explicação mais acolhida pela comunidade científica para a causa da esquizofrenia é a "hipótese da dopamina". Segundo esta corrente, a esquizofrenia decorre do excesso de dopamina no lobo temporal, região responsável pela percepção e pela memória, e de sua falta no lobo frontal, região ligada ao pensamento.
Hoje, mais de 21 milhões de pessoas sofrem de esquizofrenia ao redor do mundo.
Fonte: Superinteressante

Psicoterapia é fundamental no tratamento da fibromialgia

O alívio para a dor causada pela síndrome envolve uma combinação de cuidados

A fibromialgia é uma síndrome de dor crônica sem causa aparente, que atinge principalmente articulações e músculos. As principais vítimas são mulheres entre 35 e 50 anos. Embora não tenha cura, o problema pode ser controlado de forma eficiente com uma combinação de cuidados. É recomendado que a pessoa evite carregar peso, desenvolva rotinas para manter a qualidade de sono e procure preservar-se ao máximo de situações que aumentem o estresse. Mas, na base dessas providências, um dos maiores desafios do paciente com a síndrome é aprender a cuidar de si mesmo, sem permitir que a síndrome se torne o centro de sua existência. O apoio de vários profissionais é importante, mas para que seja possível a articulação entre as várias experiências, terapêuticas e pessoais, é indispensável que a pessoa tenha um espaço seguro que lhe permita elaborações e construção de sentidos em relação ao que vive. No processo psicoterápico, deve haver espaço não apenas para tratar da dor, propriamente dita, mas também de conteúdos – medos, angústias, desejos e fantasias – que estão além e aquém dela.

Fonte: Scientific American Mente Cérebro

Psiquiatria Forense: A Lei de Talião

Ainda que possa parecer brutal e desumana, essa lei foi uma das maiores revoluções morais nas relações entre os homens

Imagem: Shutterstock

A lei de talião (talis, e, latim: tal, igual) é uma evolução enorme na história do Direito, uma vez que o castigo alcança apenas o autor do delito, e institui a proporcionalidade entre ofensa e débito, o que não se verificava na fase anterior a essa lei, quando, muitas vezes, não só quem praticou o ato pagava, mas também outros membros da sua família. A lei de talião foi edificada por Hammurabi, rei da Babilônia, senhor da Mesopotâmia, cujo reinado iniciou-se em 1792 a.C. e faleceu em 1750 a.C. Registre-se que durante o seu longo reinado uma das primeiras preocupações foi captar a confiança dos povos vencidos e, para isso, implantou a ordem e os preceitos legais, erigindo o sistema de leis que hoje é conhecido como Código de Hammurabi, com 282 parágrafos, entre os quais está o citado jus talionis, exposto assim, no parágrafo 196: "Se um homem livre destruiu o olho de outro homem livre, destruirão o seu olho"; e no parágrafo 200: "Se um homem livre arrancou um dente de outro homem livre igual a ele, arrancarão o seu dente". Há outras passagens semelhantes como esta: "Se um médico fez em um homem livre operação difícil com escalpelo de bronze e causou a morte desse homem livre, cortarão a sua mão". Outra disposição muito interessante do Código de Hammurabi está no parágrafo 278, que é a primeira junção psiquiátrico-forense da história da humanidade, ao disciplinar disposição legal sobre um mal neuropsiquiátrico, epilepsia (a doença mais antiga que o homem conhece), dando-se, portanto, o primeiro encontro de assuntos da Psiquiatria com assuntos do Direito: "Se um homem livre comprou um escravo (ou uma escrava) e, antes de completar um mês, foi acometido de epilepsia, ele o conduzirá ao seu vendedor e o comprador receberá a prata que tiver pesado".

Nessa fase, já vai se esboçando o castigo como remédio e meio de correção de culpado, à medida que se pressupõe distribuição de justiça. Aí também está embutido o temor, que tem papel crucial na pedagogia da humanidade.

A bem ver, a pena, para ser eficaz, precisa ter, no mínimo, dois atributos fundamentais. Primeiro é ser temida, pois quem teme evita. Então perguntará o leitor: nada mais impõe temor do que a morte; assim, pena de morte não seria ótimo exemplo?

Resposta: não, pois é antieducativa, e educar é o segundo atributo fundamental que a pena precisa ter. Ou seja: temor e educação são requisitos primários da pena. Para terminar, os motivos de a pena de morte, que causa temor, não educar é simples: educa-se, também, pelo bom exemplo e é péssimo combater a morte com a morte. É um mal exemplo o pai- -Estado matar oficialmente e querer que os seus filhos-cidadãos não matem.

Nessa ordem de ideias, à ponderação de que somente seriam executados criminosos que cometeram crimes gravíssimos e são irrecuperáveis, portanto a punição capital funcionando como medida de higiene social, contrapõe-se melhor solução, qual seja: prisão perpétua.

Mas isso é assunto longo, que certamente será abordado outras vezes nesta coluna.
Arquivo pessoal

Guido Arturo Palomba é psiquiatra forense e membro emérito da Academia de Medicina de São Paulo
 
Fonte: Revista psique

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Pesquisadores isolam efeitos nocivos da cannabis de seu efeito analgésico

Pesquisadores da Espanha conseguiram dissociar os efeitos prejudiciais da maconha, como a perda de memória, de suas propriedades analgésicas, o que abre um novo caminho para desenvolver fármacos com a cannabis.

Pesquisadores da Espanha conseguiram dissociar os efeitos prejudiciais da maconha, como a perda de memória, de suas propriedades analgésicas, o que abre um novo caminho para desenvolver fármacos com a cannabis.

A pesquisa, dirigida pelo chefe do Laboratório de Neurofarmacologia do Departamento de Ciências Experimentais e da Saúde (CEXS) da Universidade Pompeu Fabra (UPF), Rafael Maldonado, com participação da pesquisadora do Instituto Hospital do Mar de Pesquisas Médicas (IMIM), Patricia Robledo, foi publicada nesta quarta-feira (8) pela revista "PLoS Biology".

Maldonado explicou que o potencial terapêutico dos compostos derivados da Cannabis sativa são de grande interesse para o tratamento de diversas doenças, mas seus efeitos psicoativos, especialmente as alterações que estas substâncias produzem em nível cognitivo, limitam o desenvolvimento de novos remédios baseados na planta.
Esta pesquisa mostrou em um ensaio com ratos que é possível dissociar determinados efeitos terapêuticos dos canabinóides de seus principais efeitos indesejáveis, e identificou novas terapêuticas no sistema nervoso central que permitirão projetar novos remédios.

Interesse terapêutico
O estudo revelou ainda que em determinadas estruturas cerebrais as moléculas responsáveis pelos efeitos psicoativos dos canabinóides, os receptores CB1, formam heterômeros (unidades de dois receptores diferentes) com receptores de tipo serotonérgicos 5HT2A, que são também alvo de grande interesse terapêutico.

"Estes heterômeros são responsáveis por alguns dos efeitos psicoativos dos canabinóides e, mais concretamente, das alterações cognitivas, da ansiedade e dos efeitos relacionados à conduta social induzida por estas substâncias psicoativas", detalhou Maldonado.

"A interação entre os dois sistemas de receptores já estava descrita, mas o mecanismo não era conhecido", especificou Patricia Robledo.

Segundo a pesquisadora, o mecanismo "se baseia no fato de que os dois receptores estão nas mesmas estruturas do cérebro, a ativação do receptor de serotonina 5HT2A libera um tipo de endocanabinóide, e a perda do receptor CB1 em ratos interrompe a atividade relacionada à serotonina no córtex pré-frontal do cérebro".

Por outro lado, os receptores CB1 monoméricos, sem acoplarem os receptores serotonérgicos, são os responsáveis por algumas ações terapêuticas induzidas pelos canabinóides, como seus efeitos analgésicos.

Evitar efeitos indesejados
Assim, os pesquisadores demonstraram que é possível obter respostas analgésicas dos canabinóides e, ao mesmo tempo, evitar os efeitos indesejados sobre a memória mediante o uso de peptídeos bloqueadores que atuam interferindo e dissociando os receptores CB1 dos heterodímeros.

Segundo Robledo, "um dos efeitos do principal ingrediente psicoativo da maconha é a deterioração da memória, o que limita o uso médico desta substância para a dor, as náuseas e a ansiedade".

Maldonado concluiu que "a descoberta destes heterodímeros e o benefício de evitar sua formação abre novas possibilidades para desenhar ferramentas farmacológicas que permitam desenvolver um uso terapêutico dos canabinóides sem os principais efeitos adversos psicoativos destas substâncias".


Fonte: Clipping - ABP - Associação Brasileira de Psquiatria
Disponível em: http://www.abp.org.br/portal/imprensa/clipping-2/. Acesso em: 13 jul. 2015