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segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Equoterapia tem resultados positivos e traz cada vez mais interessados para o meio

Por Camila Furtado 
Acadêmica de Jornalismo do CEULP/ULBRA
                            
A busca por alternativas diversas que ajudem o ser humano a se adaptar às mudanças atuais que nem sempre favorecem o próprio desenvolvimento é frequente, já que a rotina diária, praticamente obriga as pessoas a conviverem com um mundo que exige mais conhecimento, mais tempo e principalmente mais agilidade. O fato de a evolução exigir muito da sociedade em geral, traz uma série de benefícios, mas também pode provocar uma onda de estresse, por motivos  que envolvem a capacidade de cada um em dar, ou não, conta desta rotina, levando à estados críticos de depressão, além de problemas que podem comprometer a saúde pessoal por tempo indeterminado.
O estresse é apenas um dos milhares de fatores que fazem as pessoas buscarem não só a recuperação física e mental, como também a qualidade de vida cada vez mais padronizada pela própria sociedade.  Como uma das mais recentes alternativas de tratamento, a Equoterapia é cada vez mais bem vinda e bem avaliada por profissionais que confirmam a melhora contínua dos pacientes, que por meio da interação com os cavalos, encontram a solução para muitos problemas.

A Associação Nacional de Equoterapia – Ande-Brasil, destaca que além da Equoterapia empregar o cavalo como agente promotor de ganhos a nível físico e psíquico, ainda exige a participação do corpo inteiro, contribuindo assim, para o desenvolvimento da força muscular, relaxamento, conscientização do próprio corpo e aperfeiçoamento da coordenação motora e do equilíbrio. Ainda de acordo com a Associação, a interação com o cavalo, incluindo os primeiros contatos, desenvolve novas formas de socialização, autoconfiança e autoestima.
                                 
A Equoterapia mostra em estudos, a capacidade de interação que o praticante, neste caso, tem com os cavalos antes, durante e depois das aulas monitoradas por profissionais do meio equestre, além de um psicólogo e de um fisioterapeuta devidamente reconhecidos pela Ande Brasil. A busca pela terapia com cavalos cresce mesmo sem muita divulgação e vem tendo reconhecimento com parcerias que incentivam a prática por meio de palestras, eventos voltados para o segmento, atividades interativas e depoimentos que mostram os resultados positivos.
Fonte: En(Cena)

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Fazer parte de um esforço conjunto aumenta motivação

              Fazer parte de um esforço conjunto aumenta motivação

É bem sabido que é mais fácil conseguir motivação para fazer uma tarefa quando várias pessoas se unem e trabalham em conjunto com o mesmo objetivo.
O que não se sabia é que isto é verdade mesmo se a pessoa estiver trabalhando sozinha.

Na verdade, basta que a pessoa sinta que faz parte de um esforço conjunto - mesmo que na realidade não faça.
A equipe do psicólogo Gregory Walton, da Universidade de Stanford (EUA), constatou que obter motivação é uma questão de se sentir fazendo parte de um esforço conjunto - mesmo para quem estiver trabalhando por conta própria e sozinho.

Por exemplo, é mais fácil fazer um trabalho de escola quando se sabe que toda a classe está fazendo o mesmo - cada um em sua casa. Ou trabalhar em uma pesquisa científica procurando um novo medicamento quando se acredita que várias outras equipes estão fazendo o mesmo.

Sentimento de pertencimento

Segundo Walton, quando as pessoas são tratadas como parceiras que trabalham em conjunto - mesmo que fisicamente separadas - isto aumenta a motivação.
E quando elas meramente sentem que são parte de um esforço conjunto para resolver um problema difícil, isto também aumenta a motivação.

"Trabalhar junto com os outros proporciona enormes benefícios sociais e pessoais," afirmam Walton e sua colega Priyanka Carr em um artigo no Journal of Experimental Psychology.

"Nossa pesquisa descobriu que pistas sociais que simplesmente indicam que outras pessoas lhe tratam como se você estivesse trabalhando em uma tarefa podem ter efeitos marcantes sobre a motivação," afirmam.

Motivação intrínseca

Em cinco experimentos diferentes, Carr e Walton descobriram que essas "pistas de trabalho conjunto" aumentam a "motivação intrínseca" conforme as pessoas trabalham por conta própria.
Motivação intrínseca refere-se a comportamentos que as pessoas querem ter - o que elas gostam e acham intrinsecamente gratificante, e não o que elas se obrigam a fazer.

Os resultados mostraram que, quando as pessoas são tratadas como se estivessem trabalhando juntas, elas:
Persistem de 48 a 64% mais em uma tarefa desafiadora;
relatam mais interesse na tarefa;
ficam menos cansadas por ter que persistir na tarefa - presumivelmente porque gostam dela;
ficam mais envolvidas com a tarefa e apresentam melhor desempenho ao realizá-la.

Fonte: Diário da Saúde

Disponível em: <http://www.diariodasaude.com.br/news.php?article=fazer-parte-esforco-conjunto-aumenta-motivacao&id=10069>. Acesso em: 26 set. 2014

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Como reduzir seu risco de Alzheimer agora mesmo

              alzheimer
Se você ainda não leva o risco de ter Alzheimer a sério, deveria. As estatísticas são alarmantes: de acordo com um relatório recente da associação Alzheimer’s Disease International, cerca de 44 milhões de pessoas vivem com demência no mundo. Como a expectativa de vida está aumentando em todo o planeta, esse número deve quase dobrar até 2030 e mais que triplicar em 2050.

Mas nem tudo são más notícias. Enquanto a ciência não encontra uma cura para a condição, os especialistas focam na prevenção.

Segundo a Alzheimer’s Disease International, o que é bom para o seu coração também é bom para seu cérebro. Mais especificamente, há evidências convincentes de que o risco de demência pode ser diminuído através da redução do uso do tabaco e de um melhor controle e detecção de hipertensão e diabetes, bem como dos fatores de risco cardiovasculares.

Diante dessa escala epidêmica e sem cura conhecida, é crucial que procuremos soluções para reduzir o risco ou retardar o aparecimento de desenvolver a doença”, escreveu Marc Wortmann, diretor executivo do Alzheimer’s Disease International.

Ou seja: nunca é tarde demais para fazer algumas alterações no seu estilo de vida, pensando em melhorar o seu bem-estar físico e mental.

Veja cinco coisas que você pode fazer agora para reduzir seu risco de ter demência:
Cuide do seu coração;
Seja fisicamente ativo;
Siga uma dieta saudável;
Desafie seu cérebro;
Aproveite atividades sociais.

O novo relatório da associação afirma que os fatores mais fortes ligados à demência são falta de educação no início da vida, hipertensão na meia idade e tabagismo e diabetes através de toda a vida.

É fácil seguir os cinco itens acima: vá ao médico de vez em quando checar seu coração, tente comer mais produtos naturais, tenha uma vida social ativa, cercada do apoio de amigos e familiares, pratique exercícios que lhe sejam agradáveis, como dança, yoga ou tênis, e mantenha seu cérebro afiado com palavras cruzadas ou qualquer outra atividade mentalmente desafiante que você ache divertida.

“Se entrarmos na velhice com cérebros mais saudáveis, seremos mais propensos a viver vidas mais longas, mais felizes e mais independentes, com uma chance muito menor de desenvolver demência”, conclui o relatório. [CNN]

Alzheimer: Como Saber Se Eu Vou Ter?


                 


Fonte: Hypescience

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Transtornos estrangeiros

Patologias surgidas em certas sociedades, com nomes e sintomas estranhos para os ocidentais, intrigam psicólogos e psiquiatras
               

Vamos começar com um pequeno questionário. Quantos dos distúrbios a seguir você conhece? Taijin kyofusho, hikikomori, hwa-byung e reação psicótica ki-gong. Se jamais ouviu falar de nenhum deles, não se incomode. A culpa pode ser do meio cultural em que você vive. As duas primeiras são doenças mentais bastante endêmicas no Japão; as duas últimas são comuns na China. E os transtornos psíquicos – ou, pelo menos, os rótulos que damos para eles – diferem de acordo com as diversas culturas.

Mas será que estes e outros distúrbios não ocidentais são realmente distintos daqueles de que temos notícia no Brasil, em outros países da América Latina, Estados Unidos e Europa? Ou todas as doenças mentais, por mais estranhas que soem, são apenas variações de problemas que nos parecem mais familiares como depressão e esquizofrenia? 

Até o momento, as evidências sugerem que o meio em que vivemos e os valores de nossa sociedade podem influenciar a expressão das doenças mentais. Também é inegável que em culturas muito diversas se apresentam transtornos psicológicos totalmente diferentes, o que nos leva a pensar que a interação entre o mundo interno e o ambiente em que vivemos pode ser decisiva para a manifestação de um ou outro sintoma. 

A importância do assunto vai além da discussão teórica ou acadêmica. Geralmente, os psicoterapeutas consideram as diferenças culturais em seu tratamento, mas é comum concluírem que a depressão, por exemplo, parece mais ou menos a mesma em toda parte, com pequenas exceções.

Se as denominadas síndromes ligadas à cultura – transtornos mentais específicos de determinadas sociedades – são meras variações de distúrbios ocidentais, então os profissionais de saúde mental em países do Ocidente podem, com segurança, continuar a usar os conhecimentos existentes sobre os transtornos que lhes são familiares para melhor cuidar dos pacientes. Em contraste, se alguns problemas psiquiátricos são distintos daqueles que aparecem em países ocidentais, psicólogos e psiquiatras podem ter a necessidade de iniciar do zero a pesquisa para tratá-los de forma mais eficiente.

Foi no século passado que o papel da cultura nas doenças mentais mudou de um extremo a outro. Antropólogos, sociólogos e psicólogos culturais concluíram que havia uma enorme diversidade de distúrbios em todo o mundo e se mostraram céticos sobre quaisquer tentativas de classificá-los. Porém, esse ponto de vista sofreu um sério revés em 1976, quando a antropóloga Jane Murphy, da Universidade Harvard, relatou fortes evidências de que algumas síndromes, de fato, pareciam transpor limites culturais.

Ela examinou duas sociedades bem distintas – um grupo de iorubas na Nigéria e outro de esquimós inuítes, que habitam as regiões árticas do Canadá, do Alasca e da Groenlândia, perto do estreito de Bering, que pouco haviam experimentado contato com culturas modernas. No entanto, essas populações tinham nomes para transtornos que pareciam extremamente semelhantes à esquizofrenia, dependência de álcool e outras psicopatologias. Por exemplo, os inuítes usavam o termo kunlangeta para descrever o homem que mente, prejudica, engana e rouba, é infiel à esposa e não obedece aos mais velhos – um quadro muito parecido com o do psicopata ocidental. Quando Murphy perguntou a um dos inuítes como o grupo tradicionalmente lidava com essa pessoa, ele respondeu que “alguém poderia empurrá-la no gelo quando ninguém estivesse olhando”. Aparentemente, os inuítes não apreciam mais os psicopatas do que nós.

Mais tarde, as pesquisas corroboraram as conclusões de Murphy. Mas a ideia de que algumas doenças mentais estão presentes tanto no Ocidente quanto entre outros povos não elimina a possibilidade de que alguns distúrbios possam existir apenas em certas sociedades. Na verdade, em 1994, a Associação Psiquiátrica Americana introduziu na quarta edição do Manual de diagnóstico e de estatística dos transtornos mentais (DSM-IV) um anexo com25 síndromes ligadas à cultura. 

Mas tão logo surgiu a complementação, muitos cientistas contestaram a noção de que as síndromes ligadas à cultura sejam condições singulares, argumentando que algumas ou talvez até mesmo todas possam ser variantes de transtornos já catalogados. Por exemplo, alguns caçadores de focas na Groenlândia experimentam o kayak angst, caracterizado por sentimentos de fobia do oceano e intensa necessidade de segurança. Embora o kayak angst apareça em algumas listas de síndromes ligadas à cultura, é muito semelhante à síndrome do pânico e à agorafobia, marcadas por medo extremo de situações das quais seria difícil escapar no caso de surgimento repentino de algum perigo. 

Outra possível enfermidade ocidental “disfarçada” é a taijin kyofusho, que consta no anexo do DSM-IV. Trata-se de um distúrbio de ansiedade, comum no Japão, caracterizado pelo medo extremo de incomodar as pessoas com a aparência ou com o odor do próprio corpo. Taijin kyofusho talvez seja uma forma asiática de fobia ou ansiedade social na qual as pessoas temem se comportar de maneira inadequada ou cometer gafes. Como os japoneses são mais preocupados com a harmonia e a coesão de grupo que os ocidentais, a patologia pode ser exacerbada na sociedade oriental, que é especialmente sensível ao julgamento alheio. 

Algumas síndromes ligadas à cultura, entretanto, costumam ser bastante distintas dos transtornos ocidentais para merecer critérios diagnósticos. Pessoas com o curioso distúrbio koro, encontrado principalmente no Sudeste Asiático, temem que seu órgão sexual encolha ou desapareça. O terror às vezes se espalha, causando pânico em massa, como uma histeria coletiva. Já os malaios acometidos pela síndrome amok, quase todos do sexo masculino, ao receber uma desfeita reagem mostrando-se primeiramente ausentes e meditativos, mas, em seguida, sobrevêm atos descontrolados de violência. 

Outro transtorno incomum, o amor 2-D, recentemente reportado no Japão, faz com que os homens desenvolvam o que parece ser um relacionamento amoroso com personagens de animação femininas; alguns chegam a carregar consigo, por todos os lugares, fotos e desenhos dessas personagens. Não se sabe ao certo se existem semelhanças subjacentes entre essas doenças misteriosas e patologias psiquiátricas ocidentais bem documentadas. O koro, por exemplo, poderia ser um tipo específico de hipocondria, mas a hipótese não chegou a ser suficientemente pesquisada. 

Divergências científicas à parte, os especialistas concordam que a cultura às vezes contribui de forma significativa na configuração da expressão de uma doença mental. Consequentemente, os psicoterapeutas deverão considerar a possibilidade de estudar melhor as influências culturais exercidas sobre as doenças mentais e incorporá-las a seu plano de tratamento. Enquanto isso, os cientistas deveriam usar testes de personalidade e de laboratório para investigar as causas e as manifestações das síndromes ligadas à cultura e determinar quais desses transtornos, se é que existem, são distintos dos encontrados no Ocidente. Caso algumas dessas síndromes sejam realmente únicas, os profissionais da saúde mental talvez precisem pesquisar e passar a utilizar intervenções psicológicas que se distingam de modo significativo das que reconhecemos.

As faces da loucura

Algumas doenças mentais não têm contrapartida direta no Ocidente. Os cientistas debatem se essas afecções diferem dos problemas que afligem os ocidentais ou se elas incluem facetas ocultas que, por fim, as ligam a doenças que conhecemos tão bem.
        

Fonte: Scientific American Mente Cérebro

A ciência da depressão

            depressao

De acordo com um levantamento feito pelo jornal O Estado de S. Paulo com base nos dados do sistema de mortalidade do Datasus, o número de mortes relacionadas com a depressão (incluindo suicídio) cresceu 705% no Brasil apenas nos últimos 16 anos.

A Organização Mundial da Saúde estima que mais de 350 milhões de pessoas sofram com a doença no mundo todo.

Mas o que acontece exatamente com o corpo e a mente de uma pessoa depressiva? O que se passa dentro dela?

No passado, a depressão era comumente explicada como sendo apenas um “desequilíbrio químico” do cérebro: faltava serotonina aos doentes, substância conhecida por causar bem estar nas pessoas. Porém, a única evidência que apoiava essa teoria é que pacientes que recebiam serotonina sentiam um alívio de seus sintomas.

Agora, a ciência sabe que a depressão é mais complexa do que somente a falta de uma substância química no cérebro. Recentemente, descobrimos que as conexões entre as células também desempenham um papel.

Além disso, o hipocampo – aérea do cérebro que controla memória e emoção – dos depressivos tende a ser menor do que o de outras pessoas. Quanto mais tempo alguém sofre da doença, mais seu hipocampo diminui. As células da região de fato se deterioram.
O estresse é um grande fator que desperta essa condição. Estudos já mostraram que quando tal parte do cérebro é regenerada, células crescem, novos neurônios são estimulados e o humor da pessoa melhora.

Aliás, muitas drogas do mercado, incluindo as que afetam o nível de serotonina, tem um efeito indireto no crescimento de células do cérebro. Por isso, esses remédios parecem ajudar os deprimidos. Daqui para frente, cientistas querem focar nos medicamentos que diretamente afetam a neurogênese (o crescimento de novos neurônios) para tratar a depressão.

Até agora, falamos de coisas físicas, mas os pesquisadores também descobriram que a depressão é influenciada por fatores genéticos. Por exemplo, um defeito no gene que afeta o transporte de serotonina deixa seu portador mais vulnerável à condição. Por fim, a propensão a doença também pode ser hereditária.

A causa exata da depressão, no entanto, é desconhecida. Falamos de células do cérebro, substâncias químicas e fatores genéticos, mas os estudos feitos nos últimos anos encontraram diferentes “gatilhos” e condições associadas à ela, de maneira que a consideramos uma doença com base biológica e implicações psicológicas e sociais.

Dada tamanha complexidade, então, não é legal confundir tristeza com depressão. Essa doença não é algo que as pessoas podem simplesmente “deixar para lá” ou “esperar para passar”. Está na hora da população aceitar que a condição pode ser realmente debilitante e precisa de atenção e cuidados médicos especiais. [AsapScience, Uol, info]

Autor: Natasha Romanzoti

Fonte: Hypescience

Disponível em: <http://hypescience.com/ciencia-da-depressao/>

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Neurocientistas afirmam que é possível reescrever más lembranças

Descoberta do mecanismo por trás do processo ajuda a explicar o poder dos tratamentos atuais de psicoterapia para doenças mentais, como a depressão ou o Distúrbio de Estresse Pós-traumático (DEPT), e pode abrir novas vias para o tratamento psiquiátrico

s emoções relacionadas a lembranças podem ser reescritas, fazendo com que eventos ruins do passado pareçam melhores e coisas boas, piores, descobriram cientistas do Japão e dos Estados Unidos, que deram detalhes de seu estudo em artigo publicado nesta quarta-feira na revista científica britânica Nature.

De acordo com eles, a descoberta do mecanismo por trás do processo ajuda a explicar o poder dos tratamentos atuais de psicoterapia para doenças mentais, como a depressão ou o Distúrbio de Estresse Pós-traumático (DEPT), e pode abrir novas vias para o tratamento psiquiátrico. "Estas descobertas validam o sucesso da psicoterapia atual, ao revelarem seu mecanismo subjacente", explicou à AFP, em Tóquio, o chefe das pesquisas, Susumu Tonegawa.

A equipe de cientistas, formada a partir de uma colaboração entre o Instituto RIKEN, do Japão, e o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), dos Estados Unidos, usaram a optogenética - uma nova técnica de controle cerebral que usa a luz - para compreender melhor o que acontece quando pensamos no passado.

Eles descobriram que sentimentos acolhedores ou de medo intenso, provocados pela interação entre o hipocampo - o 'confessionário' do cérebro - e a amígdala - o local onde seria codificada a positividade ou a negatividade - são mais flexíveis do que se pensava. "Depende da intensidade da prevalência (do aspecto bom ou ruim). Há uma competição entre as duas forças de conexão dos circuitos", explicou Tonegawa.

Os cientistas injetaram em dois grupos de camundongos machos proteínas de uma alga sensível à luz, permitindo a eles identificar a formação de uma nova memória na medida em que acontecia e, com isso, usar pulsos de luz para reativá-la quando quisessem. Eles permitiram a um grupo de roedores brincar com as fêmeas, criando uma memória positiva. O outro grupo levou um pequeno, porém desagradável, choque elétrico no chão.

Memória dolorosa
Em seguida, os cientistas reativaram artificialmente a memória, usando os pulsos de luz, efetivamente fazendo os roedores se lembrarem do que tinha acontecido com eles. Enquanto os ratinhos "lembravam" o evento, eles vivenciavam a experiência oposta: as cobaias com a memória positiva levavam um choque, enquanto aqueles com a memória dolorosa eram conduzidos a fêmeas.

Tonegawa explicou que sua equipe descobriu que a emoção da nova experiência subjugou a emoção original, reescrevendo a forma como o animal se sentiu a respeito. "Fizemos um teste na câmara original e a memória de medo original desapareceu", afirmou. No entanto, reescrever a lembrança só foi possível com a manipulação do hipocampo, que é sensível a contextos. O mesmo resultado não poderia ser alcançado manipulando-se a amígdala.

Tonegawa disse que a conexão entre a memória contextual no hipocampo e as emoções "boas" ou "ruins" na amígdala ficaram mais fortes ou mais fracas, dependendo do que foi vivenciado. Os cientistas esperam que suas descobertas possam abrir novas possibilidades para tratar distúrbios do humor, como depressão ou estresse pós-traumático, uma condição mais presente em determinados segmentos da sociedade, como os militares, em que as pessoas vivenciaram eventos particularmente trágicos ou de risco de morte.

"No futuro, eu gostaria de pensar que, com a nova tecnologia, seremos capazes de controlar os neurônios no cérebro sem fios e sem ferramentas intrusivas, como os eletrodos", disse Tonegawa, que ganhou o Prêmio Nobel de Fisiologia e Medicina em 1987. "Poderíamos fazer prevalecer as lembranças boas sobre as ruins", afirmou.

Em um comentário também publicado na Nature, os cientistas especializados em cognição Tomonori Takeuchi e Richard Morris, da Universidade de Edimburgo, na Escócia, disseram que o estudo representa uma inovação na exploração de mecanismos da memória, embora a optogenética tenha limitações como uma ferramenta para fazer isso. "Mas a engenharia molecular está lançando luz sobre nossa compreensão das redes de memória fisiológica subjacente", escreveram.


Fonte: Clipping ABP - Associação Brasileira de Psiquiatria

Disponível em: <http://www.abp.org.br/portal/imprensa/clipping-2/>. Acesso em: 1 set. 2014

Estresse precoce pode agravar depressão na vida adulta

                               Estresse precoce pode agravar depressão na vida adulta
Maus-tratos na infância e na adolescência levam a alteração em sistema psiconeuroendócrino.
O estresse precoce é um termo que engloba tanto traumas e maus-tratos físicos como abusos sexuais e emocionais sofridos por crianças e adolescentes.
O que pesquisadores brasileiros verificaram é que situações como essas podem agravar quadros de depressão mais tarde, na vida adulta.
A equipe do Dr. Mário Juruena, Faculdade de Medicina da USP em Ribeirão Preto detectou registros permanentes no cérebro de quem passou por esse tipo de estresse e estabeleceu um meio de identificar a relação entre causa e efeito em diferentes tipos de depressão.
Em parceria com pesquisadores britânicos, o estudou identificou alterações no eixo hipotálamo-pituitária-adrenal (HPA) - parte do sistema neuroendócrino que percebe as situações causadoras de estresse - como resultado de estresse precoce em pacientes com psicopatologias depressivas na vida adulta.
"Buscamos avaliar quadros de depressão atípica e melancólica em adultos com dificuldade de resposta a tratamentos, o que tende a ocorrer com mais frequência quando há histórico de estresse precoce", disse Juruena.
Segundo ele, estudos anteriores e a experiência em atendimento clínico indicam que, em geral, 50% dos casos de depressão não respondem ao tratamento.
Oitenta por cento dos pacientes com estresse precoce receberam o diagnóstico de depressão atípica. Entre os sintomas desse tipo de depressão estão a hiperfagia - tendência a comer em demasia, sobretudo doces e carboidratos - e a hipersonia - propensão para dormir muito. Eles são resultado de uma liberação muito baixa de cortisol pelo eixo HPA.
Por outro lado, a maioria dos pacientes sem estresse precoce foi diagnosticada com depressão melancólica. Nesse caso, o desequilíbrio no eixo HPA provoca a liberação de altos índices de cortisol, levando a quadros de insônia e perda de apetite.
Genética e epigenética
De acordo com o professor da FMRP, a pesquisa indicou que o estresse precoce exerce influência sobre as pessoas consideradas suscetíveis a apresentar um dos subtipos de depressão na vida adulta.
Mesmo passando por eventos traumáticos na infância e adolescência, há pessoas que não desenvolvem quadros depressivos, pois não apresentam predisposição genética à depressão, "tendo algum tipo de resiliência", disse Juruena.
"Os quadros de depressão apresentam uma interação entre a vulnerabilidade do indivíduo e o ambiente adverso em que ele viveu ou vive. Se um indivíduo com predisposição genética à depressão sofrer maus-tratos, os riscos de que desenvolva a doença aumentam muito. Isso ocorre por causa de fatores epigenéticos, ou seja, pela influência de fatores externos [ambientais, sociais, econômicos] na constituição física e psíquica dos indivíduos", disse.
Segundo Juruena, embora a síntese de proteínas esteja relacionada à herança genética de cada pessoa, crianças que passam por estresse precoce têm modificadas suas características de liberação de proteínas. Fatores ambientais exerceriam o dobro de influência nos quadros depressivos, em comparação com fatores genéticos.
Fonte: Diário da Saúde

Excesso de conexões digitais enfraquece conexões humanas em crianças

                     Excesso de conexões digitais enfraquece conexões humanas em crianças
"Muitos olham para os benefícios da mídia digital na educação, mas não há muitos que estudam o custo disso."
Lado negativo
Um estudo da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, indica que o uso exagerado de equipamentos digitais pode atrapalhar a capacidade de crianças em reconhecer emoções de outras pessoas.
Pesquisadores do departamento de psicologia observaram 105 alunos de 11 e 12 anos, divididos em dois grupos, e perceberam que depois de cinco dias sem acesso às telas de celulares, tablets ou televisores, eles passaram a identificar emoções muito melhor.
No estudo publicado na revista especializada Computers in Human Behaviour os psicólogos afirmam que o efeito da mídia digital pode ser muito mais danoso que se imagina.
"Muitos olham para os benefícios da mídia digital na educação, mas não há muitos que estudam o custo disso", afirmou uma das autoras da pesquisa, Patricia Greenfield.
"Sensibilidade reduzida diante de sinais emocionais, ou uma certa perda da capacidade de entender as emoções dos outros, é um deles", disse.
Ela diz ainda que a troca da interação interpessoal pela interação via telas parece estar reduzindo o "traquejo social".
Reconhecimento de emoções
Os alunos foram separados em dois grupos: 51 passaram cinco dias em um acampamento para ciência e natureza, enquanto os outros 54 continuaram em sua escola.
O acampamento não permite o uso de equipamentos eletrônicos, o que muitos alunos acharam difícil nos primeiros dias. No entanto, a maioria se adaptou à situação rapidamente.
No início do estudo, ambos os grupos tiveram avaliada a capacidade de reconhecer emoções em outras pessoas através de fotos e vídeos.
Depois de cinco dias no acampamento, os 51 alunos apresentaram uma melhora significativa nesta capacidade.
Já os que continuaram imersos nas "telinhas" não tiveram grande melhora.
Refeições sem telas
"Não se pode aprender a ler sinais não-verbais a partir de uma tela da mesma forma que se aprende na comunicação cara a cara. Sem essa prática, perde-se importantes habilidades sociais", disse outra autora do estudo, Yalda Uhls.
O conselheiro do governo britânico para questões de infância, Reg Bailey, também recentemente criticou o uso excessivo de equipamentos eletrônicos.
Para ele, os pais estão deixando as "telas assumirem o controle" e recomendou que as famílias passassem mais tempo conversando.
Bailey afirmou que as famílias deveriam considerar "refeições sem-telinhas" para estimular o contato pessoal.
Fonte: Diário da Saúde

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Antidepressivo e terapia, juntos, são o melhor tratamento contra depressão

Segundo estudo, paciente se recupera mais rapidamente e tem menor chance de recaída se submetido à abordagem combinada do que quando é apenas medicado

Os resultados de uma nova pesquisa reforçam que a melhor forma de combater a depressão é aliar antidepressivos com sessões de terapia cognitiva, em comparação com tratamentos baseados unicamente em medicamentos. Segundo o estudo, o método combinado é até 30% mais eficaz do que o uso isolado do remédio. 


O trabalho, feito nos Estados Unidos, foi publicado nesta quarta-feira no periódico Jama Psychiatry. Os pesquisadores avaliaram 452 adultos que apresentavam sintomas de depressão e que estavam sendo tratados apenas com antidepressivo ou então com uma combinação de medicamento e terapia cognitiva. Os especialistas acompanharam os pacientes até seis meses depois de eles deixarem de apresentar qualquer sintoma. 



Segundo os resultados, os participantes que receberam a terapia combinada se saíram melhor. Ou seja, recuperaram-se mais rapidamente e foram menos propensas a abandonar o tratamento ou a sofrer uma recaída após o fim da terapia. No entanto, o estudo indicou que o tratamento combinado não parece ser mais eficaz no caso de pacientes com depressão crônica.



“Os nossos resultados indicam que a terapia combinada pode fazer uma diferença maior do que imaginávamos em pacientes com depressão”, diz Steven Hollon, professor de psiquiatria da Universidade Vanderbilt, nos Estados Unidos, e coordenador do estudo. “Os antidepressivos atuam em uma determinada parte do cérebro, regulando a atividade da região onde as emoções são geradas. Já a terapia cognitiva pode trabalhar outra parte do cérebro, o córtex pré-frontal, aumentando o controle que um paciente tem sobre suas emoções.”



O principal sintoma da depressão é o humor deprimido, que pode envolver sentimentos como tristeza, indiferença e desânimo. Todos esses sentimentos são naturais do ser humano e nem sempre são sinônimo de depressão, mas, se somados a outros sintomas da doença e persistirem na maior parte do dia por ao menos duas semanas, podem configurar um quadro de depressão clínica. “O humor deprimido faz com que a pessoa passe a enxergar o mundo e a si mesma de forma negativa e infeliz. Mesmo se acontece algo de bom em sua vida, ela vai dar mais atenção ao aspecto ruim do evento. Com isso, o paciente tende a se sentir incapaz e sua autoestima diminui”, diz o psiquiatra Rodrigo Leite, do Instituto de Psiquiatria da USP.



Perder o interesse por atividades que antes eram prazerosas é outro sintoma importante da depressão. O desinteresse pode acontecer em diferentes aspectos da vida do indivíduo, como no âmbito familiar, profissional e sexual, além de atividades de lazer, por exemplo. “O paciente também pode abrir mão de projetos por achar que eles já não valem mais o esforço, deixar de conquistar novos objetivos ou de aproveitar oportunidades que podem surgir em sua vida”, diz o psiquiatra Rodrigo Leite.



Pessoas com depressão podem passar a dormir durante mais ou menos tempo do que o de costume. É comum que apresentem problemas como acordar no meio da noite e ter dificuldade para voltar a dormir ou sonolência excessiva durante a noite ou o dia. 



Pessoas com depressão podem apresentar uma perda ou aumento do apetite — passando a consumir muito açúcar ou carboidrato, por exemplo. Segundo o psiquiatra Rodrigo Leite, não está claro o motivo pelo qual isso acontece, mas sabe-se que, somado a outros sintomas da doença, a alteração do apetite que persiste por no mínimo duas semanas aumenta as chances de um paciente ser diagnosticado com depressão.



Mudanças significativas de peso podem ser uma consequência da alteração do apetite provocada pela depressão — por isso, são consideradas como um dos sintomas da doença. 



Em muitos casos, a depressão também pode prejudicar a capacidade de concentração, raciocínio e tomada de decisões. Com isso, o indivíduo perde o rendimento no trabalho ou nos estudos. Segundo a psiquiatra Mara Maranhão, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a depressão pode impedir que o paciente trabalhe ou estude, ou então faz com que ele precise se esforçar muito para conseguir concluir determinada atividade.



Diminuição de energia, cansaço frequente e fadiga são comuns em pessoas com depressão, mesmo quando elas não realizaram esforço físico. "O indivíduo pode queixar-se, por exemplo, de que se lavar e se vestir pela manhã é algo exaustivo e pode levar o dobro do tempo habitual", segundo o capítulo sobre depressão do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), feito pela Associação Americana de Psiquiatria.



Em casos mais graves, pessoas com depressão podem apresentar pensamentos recorrentes sobre morte, ideação suicida ou até tentativas de suicídio. A frequência e intensidade dessas ideias podem mudar de acordo com cada paciente. "As motivações para o suicídio podem incluir desejo de desistir diante de um obstáculo tido como insuperável ou intenso desejo de acabar com um estado emocional muito doloroso", de acordo com o DSM-5.


Fonte: Clipping ABP - Associação Brasileira de Psiquiatria

Disponível em: <http://www.abp.org.br/portal/imprensa/clipping-2/>. Acesso em: 25 ago. 2014

Esclerose lateral amiotrófica: a doença e seus sintomas

A ELA, muito comentada graças ao “desafio do balde com gelo" , causa atrofia muscular progressiva, afetando os movimentos

Recentemente, celebridades e políticos têm publicado vídeos entornando um balde cheio de água com gelo sobre a própria cabeça. O Ice bucket challenge (desafio do balde de gelo) é parte de uma campanha de sensibilização que busca levantar fundos para a ALS Association. A associação americana financia pesquisas científicas sobre a esclerose lateral amiotrófica (ELA), conhecida também como doença de Lou Gehrig, sem cura e de causas ainda não conhecidas.
                 
O sucesso da campanha é notável não apenas nas redes sociais (cada um que cumpre o desafio deve convidar outros amigos, de forma que a iniciativa “viralizou”). Desde o início do projeto, no final de julho, até a segunda quinzena de agosto, a associação conseguiu quatro milhões de dólares em doações: aproximadamente quatro vezes mais do que alcançaram no mesmo período em 2013.

A ELA é uma doença neurodegenerativa que atinge apenas os neurônios motores – aqueles que conduzem os impulsos nervosos do córtex motor até os músculos. Sua degeneração progressiva casa atrofia muscular progressiva e, consequentemente, leva à paralisia total. Todas as funções cerebrais não associadas à motricidade permanecem absolutamente intactas, de forma que o paciente continua plenamente consciente e lúcido até o estágio final da doença, que atinge a musculatura respiratória e causa a morte.

Mais comum em homens, os primeiros sintomas de ELA começa surgem entre os 40 e os 70 anos. Estima-se que a cada 100 mil pessoas, são diagnosticados de quatro a oito pacientes todos os anos. Acima dos 70 anos, porém, a relação aumenta. O envelhecimento populacional deve resultar em maior prevalência de ELA nas próximas décadas.

O neurologista francês Jean-Martin Charcot (1825-1893) foi quem primeiro descreveu a doença. Em condições normais, os feixes de neurônios motores superiores partem do córtex cerebral e terminam no corno anterior da medula espinhal, onde se comunicam com neurônios motores inferiores, cujos prolongamentos têm como destino as fibras musculares (ver quadro abaixo). Charcot percebeu que certos pacientes com dificuldades motoras tinham os feixes do funículo lateral degenerados e recobertos por células da glia. Essas células, que normalmente protegem os neurônios, endureciam – ou se esclerosavam – com o progresso da doença – por isso neurologista a denominou “esclerose lateral”. Já com o termo “amiotrófica” refere-se à atrofia, isto é, à degeneração do tecido muscular, condenado à inatividade devido à ausência de estimulação nervosa. Os primeiros sintomas físicos mais comuns são câimbras e falta de controle e, posteriormente, ausência dos movimentos, em uma parte do corpo, como um braço ou uma mão.

Mesmo depois de mais de 130 anos desde a primeira descrição da ELA, suas causas permanecem desconhecidas, bem como seus fatores de risco. Apesar disso, o conhecimento científico acumulado nos últimos anos ampliou consideravelmente a compreensão da doença e forneceu novos caminhos para a pesquisa sobre sua etiologia e tratamento. O principal objetivo dos pesquisadores é descobrir por que apenas os neurônios motores da medula espinhal são destruídos. É provável que tenham características fisiológicas que os diferem de outras células neurais: ao que parece, os neurônios motores têm tolerância excepcionalmente baixa a variações na concentração de íons cálcio no interior da célula. Para eles, o aumento do cálcio intracelular acima de certos níveis é fatal.

Ao contrário da maioria dos neurônios, os da medula espinhal apresentam escassez de proteínas que se ligam ao cálcio, que evitariam excesso desses íons dentro das células. Uma exceção a essa regra são os neurônios que enervam a musculatura ocular: raramente são afetados na ELA, o que permite que os pacientes possam mover os olhos, ainda que o resto do corpo esteja totalmente paralisado. Segundo o neurologista Stanley Appel, da Faculdade de Medicina Baylor em Houston, é muito provável que as proteínas ligadoras de cálcio conhecidas como parvalbumina e calbindina livrem os neurônios motores oculares da degeneração promovida na ELA.
                  

Falha na comunicação entre neurônio e músculo

A esclerose lateral amiotrófica (ELA) leva à deterioração da parte do sistema nervoso responsável pelos movimentos voluntários do corpo (inclusive musculatura respiratória, que é passível de controle consciente). Esse sistema começa no córtex motor, onde ficam os corpos celulares dos neurônios motores superiores, os quais enviam comandos através de longos axônios que terminam no corno anterior da medula espinhal. Aí eles fazem contato com os neurônios motores inferiores, cujos axônios terminam na junção neuromuscular.

As imagens histológicas à direita mostram o aspecto dos tecidos mencionados: neurônio motor superior, no córtex motor; bem como o inferior, na medula espinhal. As fibras musculares pertencem a ratos que sofrem de doença semelhante à ELA; a forma como elas se apresentam (contorno angular, seccionamento reduzido) indica que o tecido muscular está se atrofiando devido à falta de estimulação.

Fonte: Scientific American Mente Cérebro

Disponível em: <http://www2.uol.com.br/vivermente/noticias/esclerose_lateral_amiotrofica_a_doenca_e_seus_sintomas.htm>l. Acesso em: 25 ago. 2014

Memória operacional é chave para o sucesso acadêmico


Com informações da Universidade de Luxemburgo
 

A memória operacional nas crianças é fortemente vinculada ao sucesso acadêmico e ao hábito de leitura.
Foi o que demonstrou um estudo realizado em uma parceria entre pesquisadores da Universidade de Luxemburgo e das universidades Federal da Bahia (UFBA), Federal de São Paulo (UNIFESP) e de São Paulo (USP).
Mais importante, os resultados mantêm-se verdadeiros independentemente do nível socioeconômico das crianças.
A conclusão dos pesquisadores é que crianças com dificuldades de aprendizagem podem se beneficiar de métodos que evitem a sobrecarga da memória operacional.
Memória operacional
O estudo buscou identificar as habilidades cognitivas subjacentes ao sucesso no aprendizado de crianças de uma ampla diversidade social, com metade vivendo abaixo da linha de pobreza.
As crianças foram testadas para medir o QI e as chamadas "funções executivas", um conjunto de processos cognitivos que usamos para controlar nossos pensamentos e ações, incluindo como lembramos informações, controlamos nossas emoções, prestamos atenção e alternamos os nossos pensamentos.
Estes resultados foram comparados com as capacidades de leitura, escrita, matemática, linguagem e ciências.
Os resultados mostraram que as habilidades de memória operacional de uma criança - sua habilidade de manter e manipular informação na mente - foi capaz de predizer seu sucesso em todos os aspectos da aprendizagem, independentemente do QI.
Além disso, a maioria das crianças identificadas por seus professores como "maus leitores" têm problemas com sua memória operacional.
Pobreza
"Nossos achados sugerem a importância de se fazer triagem e intervenção precoces, especialmente no contexto da pobreza. Até o momento, problemas de memória operacional são raramente identificados pelos professores", disse a líder do projeto, Dra. Pascale Engel de Abreu, professora da Universidade de Luxemburgo.
"Dificuldades para aprender a ler e escrever, baixo sucesso acadêmico e viver na pobreza criam um ciclo vicioso reforçador. Existe uma chance de quebrá-lo pela identificação precoce das crianças com problemas de memória operacional e ao ajudá-las na aquisição de ferramentas mentais que tornem-nas capazes de aprender", acrescenta.
O estudo foi publicado na revista Frontiers in Psychology.
Fonte: Diário da Saúde

Viagem no tempo virtual ajuda a superar traumas

Se na vida real não é possível voltar no tempo, uma pesquisa que possibilitava essa viagem em um ambiente de realidade virtual descobriu que a experiência pode ajudar a superar traumas.
O estudo avaliou o comportamento de voluntários que presenciaram, no ambiente de realidade virtual, um homem abrir fogo dentro de uma galeria de arte e matar cinco pessoas.
No teste, o participante aprendia a controlar um elevador e, sem saber, deixava o assassino subir ao piso superior, onde estavam as vítimas.
Metade dos participantes voltava no tempo para reviver os acontecimentos, mas na segunda vez se deparavam com um dilema moral: não fazer nada e ver cinco pessoas morrerem, ou intervir para salvá-las, condenando à morte apenas uma pessoa que estava naquele andar.
Como era esperado, a maioria das cobaias resolveu intervir e não deixar o assassino subir.
         
O participante (embaixo) controlava o elevador que poderia ou não levar o atirador (no alto à esquerda) para o segundo piso, onde havia mais pessoas.
Impacto emocional
O mais interessante, segundo os pesquisadores, foi o impacto emocional que a experiência virtual teve sobre os participantes.
A maioria teve menos sentimentos de culpa e remorso após "voltar no tempo" e salvar mais vidas.
"Quanto mais eles sentiam a ilusão, maior o senso da sua própria moral," explicou Mel Slater do Instituto Catalão de Pesquisas (Espanha) e da Universidade College de Londres.
"Na realidade virtual, o sistema mais superficial de percepção do cérebro não distingue entre o mundo virtual e o real. E o cérebro considera verdadeiro o que vê e ouve no ambiente," acrescentou.
Por isso, a equipe afirma que viagens virtuais no tempo podem ajudar a superar transtornos de estresse pós-traumático ou mesmo reavaliar decisões ruins que tenham sido tomadas anteriormente.
Fonte: Diário da Saúde

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

IX Colóquio da Residência em Psicologia Clínica e Saúde Mental do Hospital Juliano Moreira

                                            
Para a realização da PRÉ-INSCRIÇÃO no IX Colóquio da Residência em Psicologia Clínica e Saúde Mental do Hospital Juliano Moreira, o participante deverá preencher a ficha de pré-inscrição e enviá-la para o e-mail residencia psi.saudemental@gmail.com. Solicitamos que o espaço destinado ao "Assunto" do e-mail seja preenchido com o termo PRÉ-INSCRIÇÃO e que renomeiem o arquivo Ficha de Pré-Inscrição com o seu nome completo.

Para realizar a SUBMISSÃO DE TRABALHO (Pôster e/ou Paper), o participante deverá preencher a ficha para submissão de trabalho e enviá-la para o endereço residenciapsi.saudemental@gmail.com. Solicitamos que o espaço destinado ao "Assunto" do e-mail seja preenchido com o termo PRÉ-INSCRIÇÃO E SUBMISSÃO DE TRABALHO - RESUMO DE PÔSTER ou PRÉ-INSCRIÇÃO E SUBMISSÃO DE TRABALHO - RESUMO DE PAPER e estejam anexadas as fichas de pré-inscrição e de submissão de trabalhos devidamente preenchidas, pois aqueles que irão submeter trabalho devem garantir sua pré-inscrição. Caso o participante queira submeter trabalhos nas duas categorias, pedimos que as faça em mensagens diferentes.

A confirmação das pré-inscrições aceitas e dos trabalhos aprovados será feita através da divulgação no blog http://residenciapsi-saudemental.blogspot.com.br/ no dia 5 de setembro. Os autores de trabalhos receberão e-mail informando datas e locais para entrega dos pôsteres e envio dos papers.

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Depressão: 5 mitos que muita gente acredita

             kinopoisk.ru
A depressão sempre é motivo de muito debate. Especialmente agora, com a morte do grande ator Robin Williams, que aparentemente cometeu suicídio, o debate mundial a respeito dessa doença e seus sintomas ficou ainda mais em evidência. O eterno Patch Adams sofria com uma depressão profunda, e as especulações são de que ele tenha colocado um fim na própria vida justamente por conta da doença.

Mundialmente, segundo um estudo epidemiológico publicado na revista especializada BMC Medicine, 121 milhões de pessoas estão deprimidas. Esse número é quase quatro vezes maior do que o de portadores de HIV (33 milhões). Já o Brasil lidera, entre os países em desenvolvimento, o ranking de prevalência da depressão: 18% da população que participou da pesquisa do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo estava deprimida há pelo menos um ano.

É comum que aqueles que poderiam se beneficiar com um tratamento acabem não tendo acesso a ele, seja por falta de informação ou até por interpretar os sintomas de maneira errada. Que uma coisa fique bem clara desde já: depressão não é frescura!

Abaixo listamos cinco dos mitos mais comuns sobre a condição, para esclarecer de uma vez por todas quão grave é esse diagnóstico:
Mito 1: Depressão é sinônimo de tristeza

Muitos conhecidos do ator Robin Williams que foram entrevistados desde a sua morte falaram que eles nunca o viram infeliz, ainda que ele sofria de depressão profunda. De acordo com o Instituto Nacional de Saúde Mental dos Estados Unidos, muitas das pessoas que sofrem de depressão sentem sim uma tristeza esmagadora, mas, em contrapartida, muitos outros não sentem qualquer emoção específica. A melhor descrição seria uma sensação de vazio e apatia. E uma vez que a ansiedade muitas vezes acompanha a depressão, muitos sentem um constante estado de tensão que persiste por nenhuma razão aparente.
Mito 2: A depressão é um sinal de fraqueza mental

Parte do estigma que envolve a depressão é que os outros vão encarar essa doença como um sinal de fraqueza. No entanto, nós não temos o costume de acusar ninguém que sofra de uma doença cardíaca, ou tenha câncer, por exemplo, que são doenças que afetam uma ampla gama de pessoas. A depressão também é uma doença e, mais especificamente falando, é um transtorno médico absolutamente complexo que tem dimensões biológicas, psicológicas e sociais. Dessa forma, as pessoas “fortes” também podem sofrer de depressão grave, e as consequências de não tratá-la são tão reais e trágicas como em qualquer outro caso de doença grave. Uma condição que afeta a química do cérebro e do sistema nervoso não é menos devastadora do que uma que afeta qualquer outra parte do corpo.
Mito 3: A depressão é sempre situacional

Embora a depressão muitas vezes apareça por conta de um fato pontual, como perda de um ente querido, divórcio, estresse no trabalho, etc, ela não precisa desse tipo de faísca para começar. A depressão normalmente é diagnosticada quando alguém sofre de episódios prolongados (de pelo menos duas semanas) de desesperança, vazio e letargia que não têm nenhuma causa aparente. Esses períodos podem se manifestar inexplicavelmente, mesmo quando os eventos da vida parecem geralmente positivos. Esta, inclusive, é outra razão de porque depressão e tristeza não são sinônimos.
Mito 4: Sintomas de depressão são todos mentais

Embora seja verdade que muitos sintomas de depressão são coisas que normalmente associamos com a “cabeça” (emoção, tensão, etc), a condição se manifesta com frequência em todo o corpo. Sintomas depressivos comuns incluem indigestão, dificuldade em respirar, aperto no peito e fadiga geral. Alguns pacientes também se queixam de dores musculares persistentes.
Mito 5: Se você é diagnosticado com depressão, você usará antidepressivos o resto de sua vida

A forte presença de comerciais de antidepressivos e insistência da mídia nesse assunto tem tido uma repercussão negativa. Muitas pessoas têm medo de serem colocadas em um antidepressivo, mesmo que possam se beneficiar de seus efeitos, porque acham que o medicamento pode viciar e gerar uma dependência.

A realidade é que nem todo mundo se beneficia com antidepressivos. Segundo algumas estimativas, cerca de 40% das pessoas que recebem prescrição para ingerir o medicamento não experimentam nenhum benefício. Afinal, cada um é cada um. Algumas pessoas reagem melhor a formas de psicoterapia, como a terapia cognitivo-comportamental, ou uma combinação de medicação e terapia. Mesmo alguém que obtém bons resultados a partir de um antidepressivo pode, com supervisão médica, eventualmente, reduzir essa medicação. Por isso é importante o acompanhamento médico. Só um profissional irá saber o que receitar e qual o melhor tratamento para cada caso.[FORBES, ipan]

Fonte: Hypescience

Disponível em: <http://hypescience.com/depressao-5-mitos/>. Acesso em: 14 ago. 2014

A estreita relação entre drogas e doces

Exames de neuroimagem revelam semelhanças entre a compulsão por alimentos calóricos, obesidade e uso de substâncias que causam dependência química

               
Inúmeras evidências científicas demonstram que o comer compulsivo e o consumo de drogas envolvem circuitos cerebrais com funcionamento semelhante. Essa constatação tem oferecido nova compreensão da obesidade e aberto caminhos para possibilidades de tratamento. Mas, afinal, que circuitos do cérebro são ativados pela adicção – seja de comida ou de substâncias tóxicas?

O sistema neural ativado tanto pela ingestão compulsiva de alimentos quanto pelo consumo de drogas é basicamente o circuito que evoluiu para recompensar comportamentos essenciais à sobrevivência. Em geral, as pessoas são atraídas pelos alimentos porque isso é recompensador e produz prazer. Quando experimentamos prazer, nosso cérebro aprende a associar essa sensação com as condições que o predispõem a isso. Essa memória fica mais forte à medida que, nesse ciclo, a predição, a busca e a obtenção do prazer são repetidas e tornam-se, aos poucos, mais frequentes, criando condicionamento. E as drogas são eficientes nesse processo.

Estímulos naturais como comida ou sexo levam mais tempo para ativar o circuito da recompensa. O condicionamento, porém, estabelece um elo entre a memória, o estímulo e o ambiente. É exatamente isso que a natureza “pretende”: se a ação necessária para atingir uma experiência prazerosa for disparada exclusivamente pelo estímulo em questão, a resposta condicionada será muito ineficiente. Uma vez criada a memória condicionada, a resposta torna-se um reflexo – presente no uso abusivo de drogas e na ingestão compulsiva de alimentos.

Por essa razão, alimentos altamente calóricos são mais propícios a desencadear um desejo compulsivo por comida. Como os caçadores, nem sempre conseguimos uma presa, e alimentos calóricos, com grandes quantidades de energia, contêm um apelo maior: a suposta garantia de sobrevivência. Ao longo do processo evolutivo, fomos compelidos a consumir a maior quantidade de comida que pudéssemos encontrar. E esses estímulos serviam de reforço. Mas, agora, quando abrimos a geladeira, temos 100% de certeza de que vamos encontrar alguma coisa para comer. Nossos genes mudaram pouco, mas em nosso entorno estamos sempre cercados de alimentos com altos teores de açúcar e gordura, que contribuem para o aumento da obesidade.

Crises de desejo

Se Pavlov pudesse analisar o funcionamento do cérebro dos cães que utilizava em seus experimentos, provavelmente teria notado um aumento nadopamina sempre que os animais viam a luz que tinham associado à oferta de carne. A dopamina nos informa sobre o que é importante: pequenos indícios de informação inesperada a que precisamos estar atentos para poder sobreviver – alertas sobre sexo, alimento, prazer, perigo e sofrimento. Ao mostrar certos alimentos a voluntários de uma pesquisa, previamente condicionados, é possível observar um aumento de dopamina no striatum, região do cérebro envolvida nos processos de recompensa e motivação comportamental.

Mas é preciso observar que esse aumento de dopamina só ocorre quando os participantes do estudo, já avisados de que não poderiam comer o alimento, apenas o olham e o cheiram. E esta é exatamente a mesma resposta neuroquímica que surge quando dependentes químicos assistem a um vídeo de pessoas consumindo drogas ou qualquer outra imagem relacionada. A mensagem recebida quando a dopamina é liberada no striatum é a de que é preciso agir para alcançar certa meta, no caso, obter o objeto de desejo.

No cérebro de dependentes de drogas e de pessoas obesas também encontramos um número reduzido dos receptores dopamina D2 no striatum. Talvez essas descobertas revelem que o sistema nervoso está tentando compensar ondas de dopamina liberadas por estímulos contínuos de drogas ou de alimentos. Outra possibilidade é que, de início, essas pessoas talvez disponham naturalmente de poucos receptores, o que pode predispô-las a aumentos crescentes de doenças causadas pela dependência. É interessante notar que encontramos uma correlação negativa entre a disponibilidade de receptores D2 em indivíduos obesos e seu índice de massa corpórea (IMC); ou seja, quanto mais obesa for a pessoa, menos receptores ela tem.

Pidjoe/IStockphoto
          
                            Predisposição a excessos

Parece haver, portanto, indivíduos mais predispostos ao uso de drogas ou a comer demais. Estudos realizados com gêmeos mostram que aproximadamente 50% do risco para as duas tendências é genético. Mas os genes envolvidos começam a atuar em níveis muito diferentes – há variações em relação à eficiência com que metabolizamos certas drogas ou alimentos, à inclinação para nos arriscarmos ou nos engajarmos em comportamentos exploratórios que oferecem riscos mais específicos e no que diz respeito à sensibilidade que sustenta o sistema de recompensas de cada um.

Nos casos de obesidade, algumas pessoas podem se arriscar mais ao comer compulsivamente porque podem ser excessivamente sensíveis à recompensa por alimentos. Um estudo mostrou que a atividade cerebral de alguns obesos aumentava em resposta a sensações nos lábios, boca e língua. Já outros respondem com muito menos eficiência ao registrar sinais internos de saciedade, ou ao responder a eles, sendo assim muito mais vulneráveis aos desejos desencadeados pelas ofertas de alimento do ambiente.

A sobreposição entre dependência e obesidade pode revelar novos alvos para tratamento. Há intervenções farmacológicas ainda não exploradas, como a medicação que aumenta a resposta da dopamina no cérebro. Um desenvolvimento animador é a síntese recente de uma droga administrada oralmente que bloqueia a orexina, um peptídeo que reforça o nível “alto” associado ao consumo de bebidas alcoólicas, e acredita-se que regule sua ingestão. Essa droga poderia ser extremamente útil no tratamento de pessoas que utilizam drogas e comem de forma abusiva. Além disso, devido ao estigma social, tanto a obesidade quanto a drogadicção podem levar o indivíduo a um estado de isolamento, que é muito estressante e desencadeia um círculo vicioso de solidão e autodestruição. Nesses casos, a terapia de grupo pode ser extremamente benéfica.

Injeções de morfina

Quando se fala na associação entre uso de substâncias tóxicas e obesidade, outra área muito promissora de estudo é o uso de imagens de ressonância magnética funcional (fMRI) em tempo real para ensinar as pessoas a exercitar partes específicas do cérebro. Por esse método, o anestesiologista Sean Mackey, professor do Laboratório de Dor da Universidade de Stanford, e o neurocientista Christopher De Charms, do centro de tecnologia e pesquisas em neuroimagem Omneuron, em São Francisco, treinaram pessoas saudáveis e pacientes com dores crônicas para controlar sua atividade cerebral e modular suas experiências de desconforto. Dessa forma estamos explorando a possibilidade de que se possa usar esse tipo de técnica para ajudar homens e mulheres a controlar a região do cérebro chamada de ínsula, associada ao desejo compulsivo por alimentos e drogas. Os fumantes que tiveram uma lesão nessa área depois de um derrame cerebral parecem perder a vontade de fumar.

Um obstáculo para recuperar comilões compulsivos esbarra numa questão social. Enquanto o usuário de drogas está de certa forma protegido, já que o consumo da droga é ilícito e a substância nem sempre está disponível de forma óbvia, a comida é anunciada e encontrada em qualquer lugar do planeta, nas mais diferentes formas. Uma das intervenções terapêuticas para usuários de drogas, inclusive, é ensiná-los a evitar locais onde seus hábitos são praticados livremente. Mas como fazer isso com comida? É praticamente impossível, o que causa um sofrimento adicional aos obesos, fazendo com que muitas vezes se sintam socialmente excluídos.

Em ratos, verificou-se que se lhes for oferecida uma dieta rica em açúcar e depois for administrado um antagonista opióide chamado de naloxone, pode haver o desencadeamento de carência alimentar semelhante à que ocorre com animais que receberam naloxone depois de repetidas injeções de morfina. Esse resultado indica que a exposição crônica de ratos a dietas com altos níveis de açúcar produz neles dependência física. Nos humanos, ocorre um processo análogo. Dessa forma, verifica-se que intervenções com o objetivo de mitigar os sintomas da retração podem ser benéficas para aqueles submetidos a dietas rigorosas.

Fonte: Scientific American Mente Cérebro