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segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Estudo avalia comprometimento da memória em epilepsia

Da Agência Universitária de Notícias

            
 Crises de epilepsia comprometem a memória verbal e não verbal

Uma pesquisa da Faculdade de Medicina (FM) da USP analisou os efeitos na memória em pacientes que sofrem de epilepsia de difícil controle. Os resultados apontaram que as crises, ainda que originais de um lado do cérebro, afetam ambos os lados do órgão, comprometendo a memória verbal e não verbal das pessoas.
O estudo do médico Lecio Figueira Pinto avaliou pacientes com epilepsia, acompanhados no Hospital das Clínicas (HC) da FM. Dessa população, foram escolhidos aqueles que apresentam a chamada esclerose de hipocampo, uma lesão cortical dessa área cerebral que é a causa mais frequente de epilepsia de difícil controle. Para o pesquisador, esse tipo de epilepsia consiste um bom modelo de estudo, pois os pacientes “apresentam crises que afetam uma parte do cérebro chamada lobo temporal, mais especificamente o hipocampo, parte crucial nos processos cognitivos, em especial a memória, o que o torna uma estrutura chave para que as informações sejam armazenadas e, posteriormente, recordadas”.
No total, 121 pacientes tiveram seus exames de eletroencefalograma avaliados, em um estudo retrospectivo que buscou medir as funções cognitivas das pessoas, o que inclui aspectos como memória verbal, não verbal, atenção e linguagem. “O exame analisado consiste no paciente ficar internado por um ou mais dias, e durante esse período eles tem a atividade eletroencefalográfica continuamente gravada e concomitantemente são filmados, de forma a registrar o que acontece, tanto na hora das crises, como entre elas”.
Muito a ser esclarecido
Os dados dos participantes foram estudados estatisticamente, de forma a comparar se aqueles que apresentavam uma lesão cerebral unilateral, à direita ou à esquerda, e que apresentaram alteração eletroencefalográfica unilateral ou bilateral, apresentam também diferença no desempenho nos testes neuropsicológicos, que incluiu memória verbal, não verbal, funções executivas, linguagem, escalas de ansiedade e depressão e questionário de queixas de memória.
Lecio ressalta que, apesar de o assunto ser muito estudado, ainda faltam esclarecimentos. “Nesse sentido, resolvemos investigar se, nos pacientes que apresentam alteração elétrica medida pelo eletroencefalograma que atinge não apenas o lado onde existe a lesão causadora da epilepsia, existiria maior impacto sobre memória e outros aspectos cognitivos”.
Ele explica que pacientes com lesão no lado esquerdo no lobo temporal apresentam alteração de memória que envolve conteúdo verbal, pois as estruturas presentes neste lado do cérebro são responsáveis pela linguagem e também pela memorização de conteúdos com significado verbal. Por outro lado, pacientes que possuem lesões no lado direito, apresentam alterações na memorização de aspectos não verbais, incluindo pontos visuais e espaciais. Entretanto, a análise dos dados permitiu identificar que, pacientes com lesão à esquerda têm um desempenho ainda pior das funções não verbais, ligadas ao lado oposto do cérebro. “Conseguimos perceber que o outro lado, com relação à parte afetada pelas crises, também possui importância e é afetado pelas crises”.
O pesquisador afirma que seria esperado que o paciente com lesão à esquerda apresentasse o mesmo desempenho na função de memória verbal, já que este era o lado afetado. “Também esperávamos que a pessoa apresentasse alteração de memória não verbal pelo acometimento do outro lado”. Segundo ele, “ao acometer o outro lado, foi visto piora adicional da função de memória do lado onde havia a lesão [esclerose de hipocampo], o que sugere ao menos que nessa população não existiria dominância de memória em cada hemisfério cerebral [verbal para esquerdo e não verbal para o direito], mas uma predominância, com piora do acometimento ao existir envolvimento de ambos os lados”.
Imagem: Wikimedia Commons
 
Fonte: Agência USP de notícias
 
Disponível em: <http://www.usp.br/agen/?p=162735>. Acesso em: 02 dez. 2013

Voltar à sala de aula na terceira idade traz benefícios físicos e mentais

Por Odenice Rocha 
Acadêmica de Jornalismo do CEULP/ULBRA 

A melhor idade chega e com ela muitas reações são despertadas, o condicionamento físico não é mais o mesmo, a memória, o sentimento de sentir-se só, é aflorado, e por isso, muitos idosos procuram novas formas de ocupar-se e melhorar a relação social. Pois a solidão não é mais uma alternativa, a expectativa de vida só aumenta e os idosos procuram uma forma de ocupar-se e de fazer amizades e até de sentir-se útil.
Uma procura que vem crescendo gradativamente é por educação. Com a melhora na qualidade de vida, devido a melhores condições de acesso à saúde e tecnologia, a turma da melhor idade, também tem se preocupado com os estudos.

No Brasil, atualmente são cerca de 21 milhões de pessoas com mais de 60 anos, um crescimento de 23% nos últimos 10 anos, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e a expectativa é de que, em 2025, existam 64 milhões de brasileiros com mais de 60 anos.

No Tocantins, a Universidade da Maturidade – UMA – um projeto de extensão da Universidade Federal do Tocantins (UFT) surgiu em fevereiro de 2006. Pensada para ir além das discussões acadêmicas, a UMA busca desmistificar a velhice como sinônimo de decadência ao resgatar a cidadania de seus alunos por meio do conhecimento.
Sem dúvida que estudar é bom a qualquer momento, porém voltar ao banco da escola na terceira idade traz benefícios tanto para a mente quanto para o corpo. Segundo a psicóloga Camila Alves Siqueira “as pessoas que voltam a estudar na “melhor idade” passam a ter uma melhor qualidade de vida física, mental e espiritual. Além do ganho com a saúde, também pode ser notado uma melhora na integração cultural e social, de acordo com relato dos próprios alunos, voltar a estudar traz uma maior sociabilidade, aumenta a auto estima, recicla e atualiza os conhecimentos, desperta para novos projetos, traz novas amizades, além de preparar para o envelhecimento saudável”.
Segundo Sonia Pinto, estudante da UMA, a Universidade é importantíssima. “Todos temos mesmos interesses, os mesmos pensamentos em relação da aceitação aos idosos na sociedade, muitas coisas mudaram na minha vida, inclusive faremos uma viagem, entraremos de férias no dia 18 de Abril e vamos para São Paulo, em Aparecida do Norte, vamos ver a catedral de nossa senhora Aparecida”. Ela conta que vários colegas chegaram na UMA  com depressão, “e os médicos recomendaram fazer a UMA” porque ajuda a reduzir este problema. Sonia defende que “os médicos dos postos de saúde dizem que reduziu em quase 50% o numero de procuras de consultas pra idosos com depressão”. E conclui dizendo que “pra mim foi uma benção, muito boa mesmo recomendo a todos que me perguntarem”.
Os idosos estão voltando ao mercado de trabalho com tudo. Pesquisa feita pela consultoria de recursos humanos Hays, aponta que 20% das companhias contratam profissionais aposentados. Desse total, 75% para cargos técnicos, 33% para a diretoria e 28% para a gerência. O motivo: falta de mão de obra qualificada, redução de custos e, principalmente, amplo conhecimento técnico.

Fonte: (EN)Cena
 
Disponível em: <http://ulbra-to.br/encena/2013/11/30/Voltar-a-sala-de-aula-na-terceira-idade-traz-beneficios-fisicos-e-mentais>. Acesso em: 02 dez. 2013 

Transtornos mentais afetam 700 milhões no mundo

Por Odenice Rocha 
Acadêmica de Jornalismo do CEULP/ULBRA 

Segunda causa mais comum de invalidez em todo o mundo, a depressão fica atrás apenas das dores nas costas, segundo um estudo recém-publicado na revista científica PLOS Medicine. A pesquisa comparou a depressão clínica, um dos transtornos mentais mais comuns, com outras 200 doenças e lesões apontadas como causas de invalidez. Segundo os autores, a doença deve ser tratada como uma prioridade de saúde pública global.
Falar sobre transtornos mentais ainda é um assunto muito delicado. Mas o fato é que eles são bem mais comuns do que se imagina. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), os transtornos mentais atingem cerca de 700 milhões de pessoas no mundo, representando 13% do total de todas as doenças. E apesar de doenças como esquizofrenia e psicose serem as primeiras lembradas ao se falar no assunto, elas não são as mais frequentes.
No topo da lista estão a depressão e a ansiedade.
No Brasil, a capital paulista é a cidade com o índice mais alto de habitantes com transtornos mentais. Isso é o que aponta o projeto São Paulo Megacity: estudo realizado pelo IPq (Instituto de Psiquiatria) do Hospital das Clínicas de São Paulo com 5.037 residentes dos 39 municípios da região da Grande São Paulo, em 2012.
Depressão

A depressão é caracterizada pela tristeza, baixa autoestima, pessimismo e desânimo. Segundo a OMS, a depressão atinge cerca de 350 milhões de pessoas pelo planeta, o que corresponde a 5% da população mundial. Só no Brasil, 10% da população sofrem com o problema.

Já a ansiedade é caracterizada por excesso de pensamentos negativos, sensação de aflição, incapacidade de relaxar, tensão e preocupação exagerada. De acordo com a organização, a ansiedade atinge 10 milhões de pessoas.

Apesar dos altos números, muitas pessoas consideram a depressão e a ansiedade mais um "estado emocional" do que uma doença. O que é um erro grave: não dando o devido valor a esses sintomas, pode-se adiar o diagnóstico da doença, agravar seu estado e até mesmo prejudicar seu tratamento.

"É necessário entender que o transtorno mental é uma doença como qualquer outra, como diabetes, por exemplo. É necessário buscar tratamento para que os sintomas sejam controlados e, assim, a pessoa possa levar uma vida normal", afirma a psicóloga Ana Cristina Fraia, coordenadora terapêutica da Clínica Maia Prime.

Uma doença com tratamento
Os transtornos mentais podem ser causados por vários fatores, entre eles a genética, a química cerebral (problemas hormonais ou uso de substâncias tóxicas que afetam o cérebro) e o estilo de vida são tidos como os principais. "Muita pessoas acreditam que os transtornos mentais não tem componente físico e, portanto seriam causados apenas por fatores externos, ambientais, sociais", aponta Pedro Katz, psiquiatra do Hospital Samaritano de São Paulo.

Como qualquer doença, os transtornos mentais precisam de tratamento e acompanhamento especializado. Existem medicamentos eficazes para tratar depressão, esquizofrenia, transtorno obsessivo compulsivo e todas as outras doenças mentais.
"Hoje, com um refinamento maior dos diagnósticos e com o avanço dos tratamentos, pode-se ajudar pessoas que possuem alterações mais sutis em relação a um sofrimento emocional, mas que, se diagnosticadas e tratadas, apresentam uma melhora importante na qualidade de vida", explica Marco Antônio Abud Torquato Junior, psiquiatra do Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP (Ipq/HCFMUSP) e do Hospital Universitário da USP.
Porém o tratamento não é fácil: ele exige comprometimento e adesão - em muitos casos para a vida toda. Isso porque a maioria dos transtornos mentais não tem cura. Muitos médicos os comparam às doenças como hipertensão ou diabetes, que também não têm cura, mas podem ser controladas a ponto do paciente viver bem. "Não tem cura, mas tem controle - desde que a pessoa busque e siga um tratamento adequado. Aí é possível atingir uma boa qualidade de vida", ressalta Fraia.

Preconceito e desinformação
O que não pode é ficar sem tratamento - o que acontece muitas vezes devido ao preconceito e a desinformação que cercam os transtornos mentais. E vencer isso é um verdadeiro desafio.
 "Em geral, o maior desafio está no início do tratamento, em ajudar a própria pessoa e sua família a vencerem o preconceito e o estigma em relação a realizar um tratamento psiquiátrico", afirma Torquato.
Parte desse preconceito existe justamente pela falta de informação. O assunto ainda é considerado tabu e dificilmente é discutido abertamente, mesmo na mídia.  Também não existem muitos materiais informativos ou campanhas para esse tipo de doença. E a informação é um aliado importantíssimo na hora de fazer um diagnóstico e buscar um tratamento, que pode fazer toda a diferença para a qualidade de vida e o bem-estar do paciente.
"As pessoas ainda têm muita dificuldade e pouco acesso a informações que as auxilie a compreender que, embora estejamos falando de doenças que se manifestam com alterações emocionais, mudanças de humor, do comportamento e do pensamento, existe na maioria dos casos um comprometimento orgânico. E que é necessário um tratamento, que é efetivo na grande maioria dos casos", explica Katz.

Notícias UOL

Fonte: (EN)Cena

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Desordens psiquiátricas são as doenças que mais deixam pessoas incapacitadas no mundo


Os piores impactos vêm da depressão, da ansiedade e dos distúrbios causados pelo uso de drogas 

Historicamente, transtornos mentais e por uso de substâncias lícitas e ilícitas não são uma prioridade de saúde global, especialmente quando comparados a doenças como câncer e problemas cardiovasculares. No entanto, eles são a primeira causa, nas 187 principais nações do planeta, a levar indivíduos a viverem com incapacidade. Apenas em 2010, foram mais de 175 milhões de anos de vida perdidos pela população mundial em situação de impotência causados prioritariamente por depressão, uso de drogas ilegais e esquizofrenia (em ordem decrescente de impacto). O cálculo foi feito pelo grupo internacional de pesquisadores que compõem o Estudo Global da Carga de Doenças (GBD), divulgado neste mês, na revista científica The Lancet.

Eles alertam para o perigo da negligência nos serviços de saúde referente ao tratamento dessas desordens, que, em muitos países, estão até mesmo separados dos cuidados majoritários, com mobilização de recursos incompatível com o seu impacto global. Em 20 anos, a carga desses distúrbios na saúde global aumentou em quase 40%. Os pesquisadores acreditam que a maioria deles foi impulsionada pelo crescimento da população e pelo envelhecimento. O primeiro trabalho, realizado em 1990, mostrou que os transtornos neuropsiquiátricos — que, na época, englobavam distúrbios neurológicos, demência, uso de substâncias e distúrbios mentais — foram responsáveis por mais de um quarto de toda a carga não fatal. Cinco das 10 principais causas de incapacidade no mundo já estavam incluídas na categoria de desordem neuropsiquiátrica. “Hoje, essas desordens são responsáveis por uma carga global na saúde maior que a tuberculose, o HIV/Aids, o diabetes ou as lesões por transporte”, reforça a autora do estudo, Louisa Degenhardt, do Centro de Pesquisa Nacional em Drogas e Álcool da Faculdade de Medicina da Universidade de South Wales, na Austrália. No total, em 2010, doenças mentais e por uso de substância foram responsáveis por 183,9 milhões de anos de vida perdidos tanto por morte prematura quanto por serem vividos com incapacidade, medida conhecida na epidemiologia por DALY (sigla em inglês). O número corresponde a 7,4% de todos os DALYs no mundo.

Desse universo, os transtornos depressivos são os grandes representantes (40,5%), seguidos por distúrbios de ansiedade (14,6%), pelos transtornos causados pelo uso de drogas ilícitas (10,9%), pelo uso de álcool (9,6%) e por desordens altamente debilitantes, como a esquizofrenia (7,4%) e o distúrbio bipolar (7,0%). Diferentemente de outros males que comprometem drasticamente a saúde e levam ao óbito precoce, essas desordens têm um impacto maior na qualidade de vida do indivíduo. Dos quase 200 milhões de DALYs atribuídos a elas, somente 8,6 milhões estão associados aos anos perdidos por morte prematura, o equivalente a 232 mil fatalidades. A grande maioria deles (81,1%) está ligada a transtornos pelo uso de substâncias.

Efeitos regionais
A quantidade de DALYs teve uma grande variação por sexo. Curiosamente, os meninos menores de 10 anos tiveram uma proporção maior de carga do que as meninas em idade equivalente. Essa diferença foi especialmente evidente no caso de distúrbios de comportamento na infância, nos quais a carga dos meninos foi mais que o dobro do impacto registrado para o outro sexo.

Degenhardt chama atenção para a variação regional dos transtornos. Os distúrbios alimentares tiveram a maior diversidade, sendo mais de 40 vezes maior na região da Australásia que no oeste da África Subsaariana. O uso do álcool também variou em mais de 10 vezes entre as regiões. Ela conta que o efeito dos conflitos regionais pode ser claramente observado em países como o Afeganistão, o que é consistente com as análises do modelo de desordens de ansiedade e depressão nos quais o estado de conflito possui um efeito significativo para a prevalência dessas doenças. Apenas a China, a Coreia do Norte, o Japão e a Nigéria produziram DALYs totais estatisticamente menores que a média global.

Terapias negligenciadas
Para Sérgio Tamai, doutor em psiquiatria pela Universidade de São Paulo (USP) e membro da Associação Brasileira de Psiquiatria, a disponibilidade, o acesso e a busca por tratamento dos transtornos mentais são menores que em outras doenças. “Sabemos que, no mundo inteiro, os sistemas de saúde, sejam privados ou públicos, não têm capacidade de lidar com o número de pessoas que têm transtorno mental. Isso é uma realidade.”

O texto da equipe de Degenhardt mostra que, apesar dos custos pessoais e econômicos, as taxas de tratamento para as pessoas com transtornos mentais e por uso de substâncias são baixos, com lacunas de tratamento de mais de 90% nos países em desenvolvimento. Três principais razões para isso são a escassez de recursos humanos e financeiros disponíveis, as desigualdades na distribuição desses recursos e a ineficiência ao usá-los.

Mesmo em países desenvolvidos, o tratamento seria fornecido muitos anos após o início da desordem. Já uma característica comum a todos os países é o estigma sobre os transtornos mentais e o uso de substâncias. Isso seria responsável por uma restrição do uso dos recursos disponíveis. “A combinação de estigma e grandes lacunas de tratamento contribui para a exclusão social e as violações dos direitos humanos básicos dos indivíduos com transtornos mentais”, afirma Degenhardt.

Tamai acredita que o investimento nessa área também ainda é muito tímido. “Embora seja um quadro grande de pacientes e uma causa importante de incapacitação das pessoas para trabalhar e para viver, o investimento é muito pouco”, lamenta.

Um estudo realizado pelo Fórum Econômico Mundial estimou que o efeito dos transtornos mentais acumulado em termos de produção econômica perdida pode chegar a US$ 16 trilhões nos próximos 20 anos. O valor seria equivalente a 25% do PIB global em 2010. Os problemas associados com a carga dos transtornos mentais e uso de substâncias são especialmente graves nos países em desenvolvimento, que gastam menos de 2% de seus orçamentos de saúde na saúde mental. “Os distúrbios mentais já são conhecidos como uma das principais causas de incapacidade desde os anos de 1990, quando o primeiro estudo foi feito. O que eles fizeram, agora, foi ampliar a avaliação e incluir algumas desordens e características, como o uso danoso do álcool e de outras substâncias que também são uma grande causa de incapacitação. O uso prejudicial do álcool pode ter vários desfechos: a doença, a intoxicação, os acidentes, e isso também pode ser associado às drogas.”

Fonte: Associação Brasileira de Psiquiatria - ABP
 
Disponível em: <http://www.abp.org.br/portal/imprensa/clipping-2>. Acesso em: 29 nov. 2013 

Alzheimer pode ser estágio final do diabetes tipo 2

Com informações da New Scientist 
 
O Mal de Alzheimer pode não ser nada mais do que uma fase tardia do diabetes tipo 2.
A revelação surpreendente vem de uma série de estudos que inicialmente não chamaram muito a atenção por desafiar as teorias mais aceitas pelos cientistas sobre a doença.
Contudo, conforme o número de indícios sobre a conexão entre Alzheimer e diabetes tipo 2 se acumula, as suspeitas "vazaram" por entre os muros da comunidade acadêmica.
Teorias falhas
Não é uma surpresa total, porque as teorias vigentes sobre Alzheimer não conseguiram avanços em termos de tratamentos ou cura.
Há cerca de três anos, um pesquisador lançou um manifesto à comunidade científica, clamando por uma nova teoria sobre a Doença de Alzheimer.
As drogas atualmente prescritas visam reduzir os depósitos de placas das proteínas beta-amiloides que se acumulam no cérebro.
Estas placas são uma marca visual da doença, mas alguns estudos mostram que as placas de beta-amiloides podem ser uma defesa do cérebro contra a demência, e não sua causa. Além disso, já havia indícios de que o Alzheimer não seria uma doença só do cérebro.
A novidade agora é que os estudos têm indicado uma correlação muito forte entre o diabetes tipo 2, que também causa deterioração cognitiva, e Alzheimer.
Alzheimer e diabetes avançado
Os cientistas afirmam que já há um "corpo de evidências" significativo de que a doença de Alzheimer seja realmente uma fase tardia do diabetes tipo 2.
A notícia pode encarada de duas formas: um caminho seguro para a prevenção da demência, o que é uma ótima notícia, e uma previsão de um número explosivo de novos casos nos próximos anos, o que é uma péssima notícia.
Isso porque estima-se que existam hoje 35 milhões de pessoas com Alzheimer. O problema é que estimativas semelhantes contam 270 milhões de pessoas com diabetes tipo 2.
Mas há uma diferença significativa entre os dois aspectos: apesar de décadas de pesquisas, não sabemos praticamente nada sobre o Alzheimer, mas sabemos exatamente como evitar o diabetes tipo 2.

Como evitar o Alzheimer
Alzheimer pode ser estágio final do diabetes tipo 2diabetes tipo 2 é uma doença em grande parte ligada ao estilo de vida, causada pela obesidade, má alimentação e falta de exercícios físicos.
Ou seja, ela pode ser prevenida, aliviada e mesmo curada com a adoção de um estilo de vida saudável.
Isso traz a esperança de que seja possível começar a prevenir de forma eficaz a doença de Alzheimer.
Se a ligação entre o diabetes tipo 2 e o Mal de Alzheimer realmente se confirmar, as razões serão ainda mais fortes para que as pessoas se cuidem, o que poderá ajudar a reverter a onda crescente de obesidade.
De fato, boas notícias podem vir de muitas formas - a possibilidade de que a doença de Alzheimer seja "apenas " o diabetes tipo 2 é uma delas.

 
Fonte: Diário da Saúde
 
Disponpivel em: <http://www.diariodasaude.com.br/news.php?article=alzheimer-estagio-final-diabetes-tipo-2&id=9364>. Acesso em: 29 nov. 2013 

13 coisas que as pessoas mentalmente fortes evitam


               
Inúmeros artigos, particularmente voltados a empreendedores, falam sobre as características críticas das pessoas mentalmente fortes, como tenacidade, otimismo e uma capacidade de superar obstáculos.
No entanto, também podemos definir força mental identificando as coisas que indivíduos mentalmente fortes não fazem. Confira alguns desses itens na lista compilada pela psicoterapeuta e assistente social Amy Morin:

1. Perder tempo sentindo pena de si mesmas

Você não vê pessoas mentalmente fortes sentindo pena de si mesmas ou suas circunstâncias. Elas aprenderam a assumir a responsabilidade por suas ações e resultados, e têm uma compreensão inerente de que muitas vezes a vida não é justa. Elas são capazes de emergir de uma situação difícil com consciência e gratidão pelas lições aprendidas. Quando uma ocasião acaba mal para elas, pessoas fortes simplesmente seguem em frente.

2. Ser controladas ou subjugadas

Pessoas mentalmente fortes evitam dar aos outros o poder de fazê-los sentir-se inferiores ou ruins. Elas entendem que estão no controle de suas ações e emoções. Elas sabem que a sua força está na sua capacidade de reagir de maneira adequada. 

3. Fugir de mudanças

Pessoas mentalmente fortes aceitam e abraçam a mudança. Seu maior “medo”, se tiverem um, não é do desconhecido, mas de tornarem-se complacentes e estagnadas. Um ambiente de mudança e incerteza pode energizar uma pessoa mentalmente forte e estimular o seu melhor lado.

4. Gastar energia em coisas que não podem controlar

Pessoas mentalmente fortes não reclamam (muito) do tráfego, da bagagem perdida e especialmente das outras pessoas, pois reconhecem que todos esses fatores estão, geralmente, fora do seu controle. Em uma situação ruim, elas reconhecem que a única coisa que sempre podem controlar é a sua própria resposta e atitude.

5. Preocupar-se em agradar os outros

É impossível agradar a todos. Pior ainda é quem se esforça para desagradar outros como forma de reforçar uma imagem de força. Nenhuma dessas posições é boa. Uma pessoa mentalmente forte se esforça para ser gentil e justa e para agradar aos outros quando necessário, mas não tem medo de dar sua opinião ou apoiar o que acha certo. Elas são capazes de suportar a possibilidade de que alguém vai ficar chateado com elas, e passam por essa situação, sempre que possível, com graça e elegância.

6. Ter medo de assumir riscos calculados

Uma pessoa mentalmente forte está disposta a assumir riscos calculados. Isso é uma coisa completamente diferente do que pular de cabeça em situações obviamente tolas. Mas com a força mental, o indivíduo pode pesar os riscos e benefícios completamente, e avaliar plenamente as potenciais desvantagens e até mesmo os piores cenários antes de tomar uma atitude.

7. Saudosismo freqüente

Há força em reconhecer o passado e, sobretudo, as coisas aprendidas com as experiências passadas, mas uma pessoa mentalmente forte é capaz de evitar se afundar em decepções antigas ou fantasias dos “dias de glória” de outrora. Elas investem a maior parte de sua energia na criação de um presente e futuro melhores.

8. Cometer os mesmos erros repetidamente

Não adianta realizarmos as mesmas ações repetidas vezes esperando um resultado diferente e melhor do que o que já recebemos. Uma pessoa mentalmente forte assume total responsabilidade por seu comportamento passado e está disposta a aprender com os erros. Pesquisas sugerem que a capacidade de ser autorreflexivo de forma precisa e produtiva é uma das maiores características de executivos e empresários bem-sucedidos.

9. Ressentir o sucesso dos outros

É preciso ter força de caráter para sentir alegria genuína pelo sucesso de outras pessoas. Pessoas mentalmente fortes têm essa capacidade. Elas não ficam com ciúmes ou ressentidas quando outros alcançam sucesso (embora possam tomar nota do que o indivíduo fez bem). Elas estão dispostos a trabalhar duro por suas próprias chances de sucesso, sem depender de atalhos.

10. Desistir depois de falhar

Cada fracasso é uma oportunidade para melhorar. Mesmo os maiores empresários estão dispostos a admitir que seus esforços iniciais invariavelmente trouxeram muitas falhas. Pessoas mentalmente fortes estão dispostas a falhar de novo e de novo, se necessário, desde que cada “fracasso” os traga mais perto de seus objetivos finais.

11. Ter medo de passar tempo sozinhas

Pessoas mentalmente fortes apreciam e até mesmo valorizam o tempo que passam sozinhas. Elas usam esse tempo de inatividade para refletir, planejar e ser produtivas. Mais importante, elas não dependem de outros para reforçar a sua felicidade e humor. Elas podem ser felizes com os outros, bem como sozinhas.

12. Sentir que o mundo lhes deve algo

Na economia atual, executivos e funcionários de todos os níveis estão ganhando a percepção de que o mundo não lhes deve um salário, um pacote de benefícios e uma vida confortável, independentemente da sua preparação e escolaridade. Pessoas mentalmente fortes entram no mercado preparadas para trabalhar e ter sucesso de acordo com seu mérito, ao invés de já chegar com uma lista de coisas que deveriam receber de mão beijada.

13. Esperar resultados imediatos


Quer se trate de um treino, um regime nutricional ou de começar um negócio, as pessoas mentalmente fortes entram nas situações pensando a longo prazo. Elas sabem que não devem esperar resultados imediatos. Elas aplicam sua energia e tempo em doses e celebram cada etapa e aumento de sucesso no caminho. Elas têm “poder de permanência” e entendem que as mudanças genuínas levam tempo.
E aí? Você tem força mental? Existem elementos nesta lista que você precisa melhorar? [Forbes]
 
Fonte: Hypescience
 
Disponível em: <http://hypescience.com/13-coisas-que-as-pessoas-mentalmente-fortes-evitam/>. Acesso em: 29 nov. 2013

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Princípio ativo de antidepressivos resgata propriedades juvenis de neurônio


Os autores do experimento ainda precisam investigar se o efeito é benéfico ou maléfico, mas acreditam que a descoberta vai ajudar no combate a doenças psiquiátricas

Ao envelhecer, o corpo humano tem os mecanismos de defesa enfraquecidos, facilitando o surgimento de doenças e distúrbios. Uma dúvida que intriga cientistas é se seria possível, ao resgatar o estado jovem do organismo, corrigir ou retardar essas complicações. Um experimento desenvolvido por pesquisadores do Japão com ratos indica que sim. O sucesso dos testes é resultado dos efeitos da fluoxetina. Princípio ativo de antidepressivos, a substância foi capaz de reativar o lado juvenil do cérebro dos animais. A primeira aplicação clínica cogitada pelos cientistas é o desenvolvimento de medicamentos que recuperem o humor de pessoas depressivas. “A imaturidade de neurônios no cérebro adulto não tinha sido descoberta. O nosso grupo pode ter sido o primeiro a encontrar tais fenômenos marcantes”, comemora Koji Ohira, professor da Universidade de Saúde de Fujita e um dos autores do trabalho.
 No experimento, foi aplicada a fluoxetina em ratos de laboratório e observado como ela agia no cérebro das cobaias. Os animais mostraram uma expressão reduzida de parvalbumina e redes perineuronais — marcadores moleculares que indicam a maturação em neurônios maduros em adultos e o aumento da expressão de um marcador imaturo, que normalmente aparece no desenvolvimento de cérebros juvenis, no córtex pré-frontal, definido por eles como estado juvenil induzido, ou Iyouth. “Notamos o estado juvenil induzido em uma proporção substancial de neurônios no córtex. Embora não tenhamos nenhuma evidência direta do efeito de Iyouth para doenças psiquiátrica, como depressão e ansiedade, o seu efeito em transtornos psiquiátricos pode ser maior do que a nossa imaginação”, explica o pesquisador.

Segundo Ohira, ainda não é possível dizer ser o efeito rejuvenescedor provocado pela fluoxetina trará malefícios para o corpo humano. “Alguns aspectos de Iyouth podem desempenhar papéis em certos efeitos colaterais, como agressão, violência e psicose. Temos de investigar questões como os mecanismos celulares e moleculares subjacentes e as diferenças deles em relação à juventude atual e a induzida”, complementa. O pesquisador também acredita que mais estudos poderão ajudar a entender como o remédio age na mente humana, recuperando, por exemplo, o humor de pessoas com depressão. “Estamos confiantes de que esses estudos evoluirão e contribuirão para o prevenção e o tratamento de várias desordens neuropsiquiátricas”, aposta.

Cuidado ao ingerir
Na opinião de Patrícia Medeiros de Sousa, professora de farmacologia da Universidade de Brasília (UnB), a pesquisa foca na ação de uma substância que tem sido consumida em excesso. Além de antidepressiva, a fluoxetina é usada, por exemplo, por pessoas que querem emagrecer, em razão da capacidade de inibir o apetite; e em tratamentos contra a fibromialgia, síndrome caracterizada pela dor crônica e generalizada. “Cada vez mais, as ações dessa substância são exploradas na área médica, o que requer muito cuidado e atenção pois, se for ingerida em grandes quantidades, ela pode acarretar problemas sérios de saúde”, alerta. “Entender a fundo como essa substância age, como relatado no estudo, é de extrema importância para que possamos saber em que tratamentos e com que dosagens corretas ela pode ser estabelecida.”
Professor do Centro de Neuropsiquiatria da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), João Ricardo Oliveira acredita que o estudo japonês mostra um lado novo da ação da fluoxetina, mas que a exploração dessa propriedade ainda precisa ser muito avaliada. Outros estudos seguem nesse sentido, usando a substância como auxiliar no tratamento de outras doenças. “Acredito que há pontos positivos e negativos. Descobrir esse efeito de rejuvenescimento pode auxiliar na criação de remédios para o tratamento do Alzheimer, por exemplo. Nesse caso, ela animaria os pacientes que ficam abatidos ao decorrer dos efeitos da doença. Porém, precisamos ter cuidado para que as pessoas não achem que é possível usar o remédio de forma indiscriminada”, pondera.

Oliveira também ressalta que a realização de mais estudos sobre a ação desse medicamento poderá ajudar a explicar quais reações colaterais podem ser geradas com a exploração desse novo efeito provocado pela fluoxetina e a decidir se a indução ao estado de juventude cerebral é benéfica. “Testes clínicos iniciais feitos com cobaias animais são bastante interessantes e nos ajudam a entender como o corpo reage, mas precisamos de exames com humanos. Neles, com o uso de eletroencefalogramas, por exemplo, poderemos ver se esse efeito também acontece na nossa espécie e se devemos ter cuidado ao ingerir essa substância”, destaca.

Lançamento revolucionário

A fluoxetina foi sintetizada e comercializada primeiramente pela companhia farmacêutica Eli Lilly com o nome Prozac. A patente do remédio que revolucionou o tratamento contra a depressão expirou em 2001, permitindo a produção por outros laboratórios. Quando lançada, a substância chamou a atenção por reduzir os efeitos colaterais provocados por antidepressivos antigos, como a queda da pressão arterial, o ganho de peso e a tontura. Ela aumenta o nível de serotonina — um dos neurotransmissores do cérebro que atuam na comunicação dos neurônios. Com a comunicação entre as células nervosas cerebrais facilitada, os efeitos da depressão são aliviados.

Fonte: Associação Brasielira de Psiquiatria - ABP
 
Disponível em: <http://www.abp.org.br/portal/imprensa/clipping-2>. Acesso em: 28 nov. 2013

Antecipação da dor é pior do que a própria dor

Com informações da New Scientist 

A antecipação da dor é realmente pior do que a própria dor.

Em outras palavras, as pessoas ficam felizes em suportar um pouco mais de dor se elas puderem senti-la agora, em vez de ficar esperando por ela.
As teorias clássicas da tomada de decisão supõem que as pessoas preferem adiar as punições e antecipar as recompensas porque eventos distantes parecem ser menos importantes - isso é chamado de "descontos temporais".
Mas essa teoria parece desabar quando o assunto é a dor.
Uma explicação possível é que a antecipação da dor é, por si mesma, desagradável, um fenômeno que os pesquisadores denominam apropriadamente de "temor".
Medo no tempo
Para investigar como o temor, ou o medo, variam com o tempo, Giles Story e seus colegas da Universidade College de Londres convenceram 33 voluntários a ficar em um aparelho que lhes dava choques elétricos suportáveis.
Os voluntários podiam escolher entre choques fracos, moderados ou mais fortes que fossem aplicados agora ou mais tarde.
Embora algumas pessoas tenham sempre optado por experimentar o mínimo de dor, em 70% das vezes, em média, os participantes optaram por receber mais choques mais cedo do que um número menor de choques mais tarde.
Variando o número de choques e o tempo de espera, a equipe verificou que o medo da dor aumenta exponencialmente à medida que se aproxima a hora de sentir essa dor.
O medo da antecipação é tão forte que reverte o padrão tradicionalmente aceito de "desconto temporal".
Vai uma dorzinha aí?
Outro estudo similar já havia comprovado que as pessoas podem experienciar a dor como um alívio, e até como prazer, quando ela dói menos do que o esperado.

"Provavelmente não é um exagero dizer que as dores na vida se originam tanto, ou até mais, da antecipação e da memória do que de experiências reais," avalia George Loewenstein, professor da Universidade Carnegie Mellon, que analisou o estudo.
O experimento poderá ter implicações para a medicina, porque compreender como as pessoas julgam a dor é importante para lhes apresentar opções de tratamentos potencialmente dolorosos.

Fonte: Diário da Saúde

Disponível em: < http://www.diariodasaude.com.br/news.php?article=antecipacao-dor-pior-propria-dor&id=9352>. Acesso em: 28 nov. 2013

terça-feira, 26 de novembro de 2013

1º Encontro Nacional da RAPS

                 
O Encontro tem por objetivo principal o fortalecimento da RAPS, reunindo todos os pontos de atenção e serviços da rede, seus usuários, familiares e parceiros. Instituída pela portaria nº 3.088, em 2011, a RAPS reforça a Política Nacional de Saúde Mental, apoiada na lei 10.216/01, na busca pela consolidação de um modelo de saúde mental de base comunitária. O Encontro possibilitará um espaço de interação, troca, apoio e articulação entre os diversos atores institucionais e comunitários que compõem a RAPS, fortalecendo as redes e os colegiados regionais e estimulando a realização de encontros regionais. Sua realização propiciará a troca de experiências locais e dará visibilidade às boas práticas de implementação e consolidação da RAPS.

O Encontro será realizado nos dias 4, 5 e 6 de dezembro, na cidade de Pinhais, região metropolitana de Curitiba/ PR, no Expotrade Convention Center, no seguinte endereço: Rodovia Dep. João Leopoldo Jacomel, 10.454.

ATENÇÃO: O Prazo Final para inscrições no I Encontro Nacional da RAPS foi prorrogado até o dia 29 de novembro! O prazo para envio de Propostas de Apresentação de Pôster e Apresentação em Rodas de Conversa está encerrado!


Confira no nosso 2º Informe uma lista de hotéis pré-bloqueados para o Encontro e outras informações importantes.

Fonte: Portal da Saúde

Disponível em: <http://portal.saude.gov.br/portal/saude/area.cfm?id_area=1893>. Acesso em: 26 nov. 2013

Raiva: como lidar?

Por Jéssica Rodrigues Lima 
Acadêmica de Jornalismo do CEULP/ULBRA
        
Em meio à vida estressante das sociedades modernas, a raiva se torna um sentimento comum do dia-a-dia das pessoas. Situações como uma fechada no trânsito ou uma briga conjugal são alguns dos motivos que podem causar esse sentimento desagradável. Nesse momento a pessoa pode ter sentimentos como falta de esperança, nervos à flor da pele, instabilidade afetiva e irritabilidade persistente. Tudo isso pode levar o indivíduo a agir por impulso, o que pode levar a sérias consequências. Fatores como genética, depressão, problemas hormonais, cansaço e fome podem contribuir e muito para o estado da raiva.
O estudante de Publicidade e Propaganda, Adriano Marinho, conta que sente raiva facilmente por diversos motivos como ciúmes e pessoas que ficam em seu pé. A raiva já fez o estudante agir por impulso e com agressividade muitas vezes. “Um cara falou umas mentiras sobre mim. Avancei em cima dele, bati muito nele e depois me arrependi. Quando fico nervoso, só ouvindo rock para me acalmar”, afirma.
                  
Por causa dessa reação impulsiva, cerca de 30% dos homicídios em São Paulo, por exemplo, são provocados por motivos fúteis, como brigas entre vizinhos e no trânsito. Em outros estados, como Rio Grande do Sul e Pernambuco, esse percentual chega a 50%. Tudo isso comprova que, em momentos de fúria, é preciso parar e pensar antes de tomar uma atitude que possa causar arrependimento depois.
Expectativas frustradas também podem levar a raiva, que por sua vez pode gerar doenças graves como a depressão. "Estamos suscetíveis a senti-la já que estabelecemos relações afetivas com o outro. Porém, devemos aceitar que ele não é o culpado pelo o que sentimos. Sentimos raiva por que não temos nossas expectativas concretizadas e daí vem a mágoa. Só que o outro não tem que, necessariamente corresponder as nossas expectativas, mesmo quando a causa é a injustiça ou a humilhação. Não somos iguais", explica o psicólogo Chris Almeida.
Em casos em que a irritabilidade foge do controle, o médico pode até mesmo receitar o uso de antidepressivos. Dependendo do caso, o comportamento agressivo pode ter como alvo a própria pessoa, outras que estejam por perto ou até mesmo objetos. Além disso, o indivíduo no momento da fúria pode agredir outros de maneira física ou também verbal. Por isso, para evitar tudo isso, a primeira dica é afastar-se da situação.
Saber lidar com a raiva é uma ótima forma de preservar a saúde e, sobretudo, os relacionamentos. Veja a seguir o que fazer para você se sentir melhor e controlar a raiva: conte a 10, perdoe, tente se distrair, respire profundamente, não negue que está irritado, escreva sobre o problema, não faça tempestade em copo d’água, faça exercícios, pratique a compaixão, ao envie e-mail quando você está com raiva, tente ser grato, espere para falar e faça uma oração.
       
Fonte: (EN)Cena

Disponível em: <http://ulbra-to.br/encena/2013/11/25/Raiva-como-lidar>. Acesso em: 26 nov. 2013 

Conviver com animais de estimação faz bem à saúde física e mental

Por Jéssica Rodrigues Lima 
Acadêmica de Jornalismo do CEULP/ULBRA
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Segundo um estudo feito pela Universidade de Miami, publicado no site do Journal of Personality and Social Psychology, pessoas que possuem animais de estimação "têm mais qualidade de vida e conseguem resolver melhor diferenças individuais que as que não têm animal de estimação". Para chegar aos resultados, os pesquisadores questionaram 217 pessoas, na maioria (79%), mulheres com idade média de 31 anos. 
O estudo indicou que donos de cachorros, gatos e outros bichos de estimação mantêm uma relação tão estreita com as pessoas próximas como a que têm com seus animais, proporcionando apoio social e emocional às pessoas. "Especificamente os donos de mascotes têm mais autoestima e estão em melhores condições físicas, além disso, tendem a ser menos solitários, são mais conscientes do que ocorre a sua volta, são mais extrovertidos, tendem a ser menos receosos e menos preocupados", afirmou o pesquisador.
O Consultor de Engenharia de Produção, Marcelo Augusto Gibbert, tem dois cachorros e acredita que um animal de estimação influencia positivamente na saúde física e mental do indivíduo. [O animal] “se torna companheiro meu, e parece que dando carinho ao animal, ele também está dando carinho pra gente, retirando uma carência natural do ser humano”.
Um animal de estimação pode deixar o dono mais feliz, otimista, ativo e menos solitário. Costumam saber quando a pessoa está triste ou feliz e podem ser os melhores companheiros. Além disso, os animais domésticos podem fazer bem para o coração (pressão arterial e circulação sanguínea), sistema imunológico, hiperatividade, depressão, postura e alergias. Saiba quais são os principais benefícios de conviver com um animal de estimação:
            
As opções de animais de estimação são diversas. Cão, gato ou outro bichinho mais exótico – como aves, peixes e tartarugas são algumas das opções de companhia e funcionam como verdadeiros terapeutas. Em alguns casos, até animais de grande porte podem ajudar, como cavalos e botos. É importante escolher um animal que possui características e personalidade adequadas para cada tipo de dono e família. Veja abaixo o animal mais indicado para cada tipo de dono:
       
Os estudos nessa área são muitos e só reforçam que os bichos são benéficos a diversos aspectos da saúde das pessoas. A Associação Americana do  Coração publicou um estudo enfatizando que os animais de estimação estão fortemente associados à redução de riscos de doenças cardíacas, colesterol alto e obesidade, além de melhorar a qualidade de vida. Os cães foram o grande destaque da pesquisa, porque eles fazem com que seus donos saiam para se exercitar, chegando até a fazer 90 minutos de caminhadas por semana. A Associação também afirma que os bichinhos podem provocar um efeito positivo sobre as reações do organismo ao estresse.
A estudante de Publicidade e Propaganda, Tamaria Sandoval, tem dois cachorros e quatro gatos. Para ela “os animais possuem uma energia diferente do que sentimos quando estamos com outra pessoa. A capacidade de sentir algo tão puro, mesmo que o dono não esteja em um bom dia e não o trate bem. Sinto isso com meus animais. Após um dia difícil, sempre ficam esperando a chegada do pessoal que mora aqui em casa, sempre dispostos a brincar, a fazer algo que nos faça esquecer qualquer problema que tenha ocorrido”, afirma.
No Brasil, mais precisamente no hospital Albert Einstein, existe a Pet Terapia, ou seja, locais em que os pacientes internados ou em recuperação recebem seus bichinhos. Os efeitos são muito positivos. Para receber os bichinhos, o hospital exige que o paciente tenha autorização do médico, um laudo veterinário atestando as boas condições do bicho, a carteira de vacinação em dia e a comprovação de banho tomado. Se forem animais de grande porte, não poderão ser aceitos no quarto e a visita é marcada em outro local do hospital.
Os benefícios dos internados são evidentes, entre os resultados testados estão a melhora do sistema imunológico, da autoconfiança, o resgate da autoestima e o aumento da capacidade motora, cognitiva e sensorial.

Fonte: (EN)Cena
 
Dispononível em: <http://ulbra-to.br/encena/2013/11/23/Conviver-com-animais-de-estimacao-faz-bem-a-saude-fisica-e-mental>. Acesso em: 26 nov. 2013

Insônia: a vilã do sono perfeito

Por Jéssica Rodrigues Lima 
Acadêmica de Jornalismo do CEULP/ULBRA
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Um dos requisitos básicos para uma vida saudável é um sono de qualidade, importantíssimo para o desenvolvimento normal do cérebro, os processos de memória e o aprendizado. Também é através do sono noturno que são liberados hormônios indispensáveispara a maturação, o crescimento e a manutenção da saúde do nosso corpo.
O sono é um estado complexo e ativo e apresenta cinco estágios que se alternam. Um ciclo de sono é considerado completo quando todos os estágios estão presentes e costuma durar cerca de 90 minutos. Desta forma uma pessoa que durma 6 horas numa noite apresentará cinco ciclos de sono e outra que durma 8 horas, seis ciclos. Na primeira metade da noite predomina o sono profundo e na segunda metade o sono REM ou paradoxal. Por estes motivos dificilmente acordamos na primeira metade da noite. Na segunda metade sonhamos, e também acordamos com mais facilidade.
Problemas no sono como insônia interferem de maneira significativa na qualidade de vida e estão entre as principais causas da baixa produtividade. Muitas vezes, a insônia passa despercebida pelos pacientes e pelos médicos. Cabe então ao neurologista perceber que muitas vezes, um paciente com queixas frequentes de memória, atenção, dores de cabeça, mau humor, etc. tem na verdade um transtorno de sono, como insônia. A partir do diagnóstico é possível oferecer tratamento adequado para esse distúrbio que é o mais comum dos transtornos do sono.

O que é?
A insônia é a dificuldade em iniciar e/ou manter o sono, o que prejudica o bom funcionamento da mente e do corpo no dia seguinte. Cerca de 40% dos brasileiros sofrem ou sofreram deste mal nos últimos doze meses. Os principais sintomas da insônia são: dificuldade em iniciar o sono; levantar muitas vezes durante a noite com dificuldade em voltar a dormir; acordar cedo demais e sono não restaurador. A falta de sono pode causar problemas durante o dia, tais como: cansaço, falta de energia, dificuldade de concentração e irritabilidade.

Causas e consequências
Geralmente a insônia é decorrente de fatores estressantes em um indivíduo que apresenta fatores predisponentes, como idade avançada; sexo feminino (principalmente durante e após a menopausa); história de insônia em familiares; depressão e outros distúrbios psiquiátricos; doenças orgânicas; tabagismo; etilismo e dependência química.
O tipo crônico geralmente é causado por uma combinação de fatores como desordens físicas ou mentais. Outras causas incluem artrite; doença nos rins; problema no coração; asma; apneia; narcolepsia; síndrome das pernas inquietas; mal de Parkinson e hipertiroidismo.
Alguns comportamentos têm mostrado perpetuar a insônia em algumas pessoas, são eles: expectativa e preocupação em ter dificuldade para dormir; preocupação excessiva com o trabalho, não sabendo esquecê-los após o fim do expediente; ingestão de quantidade excessiva de cafeína; ingerir álcool ou fumar antes do horário de dormir; soneca excessiva de manhã ou de tarde; horários de dormir/acordar irregulares ou continuamente alterados; ciclos irregulares de sono/despertar (por um trabalho noturno, por exemplo).
A professora Paula Gibbert conta que tem insônia quando está preocupada ou muito estressada. No outro dia as consequências da noite mal dormida aparecem. “Torno-me mais irritada e cansada. Sinto dores na omoplata, principalmente a esquerda”, afirma. A professora ainda conta que nunca procurou um médico para obter um diagnóstico preciso e um tratamento adequado. “Os brasileiros de modo geral vão deixando o tempo passar até o ponto em que não dá mais pra suportar e como não é sempre, vou indo. Nesta noite dormi bem, na noite anterior, acordei às 3 horas e cadê o sono? Sumiu”, relata.
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Diagnóstico e tratamento
Pacientes com insônia devem ser adequadamente avaliados por um médico especializado em Medicina do Sono. Um dos métodos para se diagnosticar um paciente com insônia é o Diário do Sono. O paciente deve preenchê-lo ao longo de 1 a 2 semanas, registrando os horários em que se levanta, deita, cochila, toma café e faz exercícios. O diário do sono é muito útil para a abordagem do médico. Um exame de sono chamado polissonografia também pode ser solicitado, com o intuito de detectar outras possíveis doenças do sono que contribuem para a insônia.
        
O tratamento para a insônia pode ser simples nos casos de início recente ou nos casos em que se interrompe e reinicia por períodos de tempo, com a utilização de comprimidos para dormir de curta ação. Já o tratamento da insônia crônica é mais complicado e consiste em um tratamento multimodal, através do diagnostico e tratamento dos problemas médicos ou psicológicos que possam estar ocasionando a insônia. Também é necessário identificar comportamentos que podem piorar a insônia e interrompê-los ou reduzi-los. Pode ser necessária a prescrição de medicamentos para dormir, dando-se preferência àquelas que não causam dependência. Também são utilizadas técnicas de relaxamento para reduzir ou eliminar a tensão corporal e ansiedade, restrição de sono e recondicionamento do corpo.

Fonte: (EN)Cena

Disponível em: <http://ulbra-to.br/encena/2013/11/23/Insonia-a-vila-do-sono-perfeito>. Acesso em: 26 nov. 2013 

Estratégia polêmica contra o abuso de drogas

Professor titular da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, Carl Hart não acredita em um mundo sem drogas e denuncia o fracasso das atuais políticas na área 


Carl Hart é professor titular do Departamento de Psicologia da Universidade de Columbia, em Nova York, e estuda a questão das drogas desde 1990. Interessado pelo Brasil, arguto pensador e contador de histórias, ele contesta noções convencionais sobre dependência química. Hart virá ao Brasil em 2014 para uma série de conferências.
Carl Hart acaba de publicar o autobiográfico “High price” (Editora Harper Collins), livro que conta a história de um menino que cresceu num bairro pobre e violento de Miami, envolveu-se com toda sorte de pequenos crimes, e finalmente construiu uma carreira respeitada como neurocientista de vanguarda, cujas pesquisas polêmicas têm trazido novas luzes para a relação entre pobreza, drogas e prazer, além de denunciar o fracasso das atuais políticas na área das drogas.



Você menciona em seu livro que, quando as pessoas têm alternativas atraentes nas suas vidas, não escolhem usar drogas de forma autodestrutiva, e que usuários frequentes de drogas são encontrados em todas as classes sociais, mas que a dependência é algo diverso.



No caso do crack, por exemplo, apenas um pequeno percentual dos usuários se comporta de forma perturbadora, o que indica que não é uma determinada propriedade dessa droga que é o problema. O problema é o indivíduo que está usando a droga, sua condição pessoal, social e seu meio ambiente. Eu trabalho com dependentes de drogas num ambiente de laboratório onde eles ficam por seis a sete semanas.
Os participantes dessas experiências são predominantemente negros, hispânicos e pobres e o que estamos investigando é o seguinte: podemos fazer com que essas pessoas escolham outras coisas que possam ter significado para elas, outras opções que não as drogas? Muita gente acha que isto é impossível, mas o resultado é que as pessoas, nas nossas experiências, acabam escolhendo outras coisas — de vales para compra de todo tipo de mercadoria a dinheiro vivo. Se podemos fazer com seres humanos, num laboratório, porque não podemos fazer na vida lá fora? Se você não tiver disposição para tentar descobrir o que funciona com cada indivíduo é melhor desistir.



O que você acha da hipótese de que quem faz uso abusivo de drogas não tem força de vontade ou caráter?
Não há qualquer evidência científica que comprove isso. Outra coisa muito comum é dizer que o problema é genético, e para isto também não existe evidência científica. Há pessoas que são dependentes de drogas por causa de uma série de problemas psiquiátricos: depressão, ansiedade, esquizofrenia, etc. e esses problemas precisam ser tratados para se resolver a questão da dependência desta ou daquela droga. Mas a maioria das pessoas que tem problemas com drogas carece de toda sorte de habilidades para lidar com sua vida diária. E isto pode acontecer com os ricos também. São pessoas às quais não foram ensinadas algumas das mais básicas habilidades para lidar com o seu cotidiano como, simplesmente, ter responsabilidade. A verdade é que para essas pessoas, assim como para aquelas muito pobres, a coisa mais atraente é se drogar. E a satisfação que a droga proporciona passa a ser a grande e única fonte de prazer.



Como a ciência pode influenciar a legislação na área das drogas? Os cientistas deveriam manter um diálogo permanente com os legisladores?
É uma pergunta difícil porque em geral os cientistas são pouco articulados. Estamos todos procurando encontrar as pequenas peças do quebra-cabeças e algumas vezes simplesmente não conseguimos nos fazer entender. Vou dar um exemplo: se você é um cientista, trabalhando com drogas nos laboratórios, os políticos vão querer saber quais os efeitos negativos das drogas. Ora, muitos desses cientistas na verdade desconhecem as complexidades da condição humana. É preciso que os cientistas que falam com legisladores tenham estudado drogas a partir de uma perspectiva muito ampla — os aspectos sociais, a neurociência, os efeitos positivos das drogas versus os efeitos negativos e, em geral, os cientistas não possuem esta visão mais abrangente.



Qual é a sua estratégia para se fazer ouvir?
Para falar como um cientista você precisa ter credibilidade e isto se adquire publicando regulamente. Como os legisladores estão sempre temerosos de qualquer coisa que possa significar um risco político em potencial, o melhor é sempre falar para o público. Falar em organizações locais, em igrejas, em eventos públicos. Até em nightclubs eu já falei. E você precisa escrever artigos de opinião nos jornais e escrever cartas ao editor. Você tem que ir aonde a ação acontece. Quando as pessoas estão convencidas, os políticos acompanham. Mas os políticos não vão liderar este processo. Mesmo quando eles fazem leis mais duras, estão respondendo a seus eleitores. Assim, como cientistas que querem provocar mudanças, precisamos encontrar quem são esses eleitores e falar para eles. Precisamos ensinar às pessoas e elas exigirão as mudanças que os políticos farão.



Como o apoio financeiro para pesquisas na sua área funciona e como você se relaciona com os órgãos governamentais como o Instituto Nacional de Saúde (NIH, na sigla em inglês) e o Instituto Nacional para a 



Dependência em Drogas (NIDA, na sigla em inglês)?
O NIH é como uma instituição guarda-chuva com a missão de solucionar patologias. O NIDA é o meu instituto, que sempre financiou minhas pesquisas, mas eles estão focados nas coisas ruins que acontecem por causa das drogas. Quando eu conseguia recursos — e eu não tenho tido muito sucesso recentemente — eu estava procurando achar as respostas para o que fazer com os efeitos terríveis das drogas. Mas, na verdade, enquanto eu considerava estes efeitos terríveis eu me dei conta de que não estava examinando o cenário como um todo. Nas minhas pesquisas eu comecei a ver os efeitos positivos da maconha, da metanfetamina, do MDMA, do crack e da cocaína — o que não quer dizer que essas drogas não possam provocar, potencialmente, efeitos negativos. Mas eu passei a reconhecer as possibilidades das anfetaminas no que diz respeito a estar mais alerta e vigilante, o que é muito importante nos casos de privação do sono ou fadiga; perceber os estimulantes como substâncias importantes para aumentar o desempenho cognitivo e o humor; e a maconha, obviamente, para diminuir dores, os efeitos da quimioterapia e como recurso importante no tratamento do estresse pós-traumático.



Os cientistas brasileiros precisam lidar com o fato de que o apoio financeiro sempre privilegia intervenções relacionadas à abstinência em vez de intervenções de redução de danos. Como resolver isto?
No meu caso, estou gerando meus próprios recursos para pesquisa. Além de recursos da própria universidade, falo em eventos, e a remuneração dessas palestras vai também para minhas pesquisas. Para dizer a verdade, eu me sinto culpado aceitando dinheiro pelas palestras. Minha educação foi paga com recursos dos cidadãos que pagam seus impostos e eu acredito que preciso retribuir isto.



Como superar a forte influência da mentalidade arraigada do “diga não às drogas” tanto nas políticas como nas ações governamentais?
Acreditar que se pode dizer não às drogas é uma grande estupidez, uma visão simplista e perigosa. Drogas de todo tipo sempre fizeram parte da história dos homens e eu não gostaria de viver num mundo sem drogas. Seria um mundo muito entediante, tenso, cheio de ansiedades e depressões. E é sempre bom lembrar que a maior parte das pessoas que usa drogas não abusa das drogas. Falar de um mundo livre de drogas é pura retórica política vazia.



Como você avalia a questão da maconha para uso medicinal?
A maconha para uso medicinal foi legalizada em 20 estados americanos e, a partir de 1 de janeiro de 2014, a maconha para uso recreacional estará legalizada nos estados de Colorado e Washington.
O interesse pela maconha medicinal tem crescido ano a ano nos Estados Unidos. Já se provou que a maconha tem efeitos benéficos em relação a vários problemas de saúde, como a perda do apetite nos casos de Aids, ou para redução da náusea provocada pela quimioterapia. A maconha também vem sendo usada para tratamento do estresse pós-traumático com sucesso. É claro que há outros medicamentos disponíveis para tratar desses problemas, mas a maconha deveria estar incluída entre as opções possíveis.



Há quem defenda a descriminalização, outros a legalização das drogas. Qual a sua posição?
Eu não sou contra a legalização, mas nos Estados Unidos há tanta ignorância sobre a questão das drogas que para qualquer efeito negativo que se venha a atribuir a esta ou aquela droga sempre haverá os que dirão que é por causa da legalização. E, então, alguns dos efeitos bizarros de algumas drogas serão explorados. Eu aposto o que você quiser que logo estarão dizendo que no Colorado e em Washington, estados que legalizaram a maconha recreacional, os jovens estarão fumando mais cedo, terão problemas cognitivos e mais chances de se tornarem dependentes. Por isso tudo, eu sou a favor de caminharmos por etapas e o que podemos fazer, rapidamente, é descriminalizar. Precisamos esclarecer o público sobre todo tipo de efeitos das drogas. Depois podemos começar a falar em legalização.



Fonte: Associação Brasileira de Psiquiatria - ABP
Disponível em: <http://www.abp.org.br/portal/imprensa/clipping-2>. Acesso em: 26 nov. 2013