quarta-feira, 25 de julho de 2012
segunda-feira, 23 de julho de 2012
O Poder da Amizade: se de um lado as relações humanas permanecem frágeis e tensas, de outro, abre possibilidades de criar e recriar experiências
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Compartilhar a vida. Eis um grande desafio em tempos de hipervalorização da individualidade e de enfraquecimento dos laços. Enfrentamos uma época de contradições em que, de um lado, vivemos cada vez mais solitários e, de outro, criamos permanentemente novas possibilidades de convivência. Hoje são inquestionáveis os desdobramentos da família e a abertura para diferentes modos de relações amorosas, parentais e filiais.
O individualismo e a solidão têm se tornado características muito fortes da vida nas sociedades ocidentais, obrigando os cidadãos a buscar novas experiências que pudessem sustentar o desconforto e o sofrimento advindos dessas imposições sociais. Analisando esse contexto, a amizade seria uma opção e representa uma saída para a fragilidade das relações surgidas com as exigências da modernização que produziram uma vida solitária e ameaçadora.
Embora a vida solitária e a vulnerabilidade dos laços de afeto venham revelando um efeito nefasto, levando pessoas a diferentes tipos de sofrimento psíquico, é necessário reconhecer que nas últimas décadas têm surgido várias formas de convívio: a família vem sendo reinventada, dando lugar a deslocamentos e transformações nas suas funções e papéis. Hoje é possível verificar, por exemplo, fortes laços e amizade em casais que procuram ajuda de outros para uma procriação assistida. É o caso, por exemplo, de dois homens que buscam uma amiga para receber o sêmen de um deles e conceber uma criança.
Algumas vezes forma-se aí uma relação consistente, um misto de amizade e de família, fruto de uma operação não só biológica mas também simbólica, já que um dos parceiros se mantém ausente da procriação de uma criança com a qual poderá, mais tarde, constituir uma relação parental. Há ainda duas outras manifestações interessantes de amizade: a trazida por casais que se separam e, ao constituir novas relações amorosas, mantêm os antigos parceiros no rol dos amigos; e as relações amistosas criadas pelos filhos dos diferentes casamentos de seus pais.
Enfim, se de um lado as relações humanas permanecem frágeis, tensas e em muitos sentidos desestimuladas pelo cotidiano massacrante do trabalho e pelas imposições do mundo fragmentado em que vivemos, de outro, elas têm atualmente maior amplitude de possibilidades de criar e recriar experiências, tanto na vida privada como na pública. Além disso, nos últimos anos as sociedades têm se tornado mais libertárias, e, em consequência, os sujeitos adquirem mais recursos para reconhecer e lutar por seus direitos civis. Gilles Lipovetsky talvez tenha razão ao escrever: “Quanto mais frustrante é a sociedade, mais ela promove as condições necessárias para uma reoxigenação da vida.
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Fonte: Revista Mente e Cérebro
Disponível em:<http://www2.uol.com.br/ vivermente/noticias/o_poder_ da_amizade.html>. Acesso em: 23 jul. 2012.
Psiquiatra Nise da Silveira Inspira Espetáculo Multimídia: o monólogo retrata momentos marcantes de sua vida, como a troca de cartas com o psicólogo Carl Jung
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Filha de um psiquiatra e de uma psicanalista, a atriz Mariana Terra não imaginava que viveria nos palcos a idosa de “olhar penetrante” que conheceu quando criança. No monólogo Nise da Silveira – Senhora das imagens, em temporada em São Paulo, Mariana interpreta a psiquiatra alagoana que apostou no poder terapêutico de tintas, pincéis e argila para tratar pacientes psiquiátricos.
O espetáculo retrata momentos marcantes da vida de Nise, como a chegada ao Rio de Janeiro na década de 20, a amizade com o poeta Manuel Bandeira, a prisão política durante o regime militar, a amizade com o escritor Graciliano Ramos e a troca de cartas com o psicólogo Carl Jung. Admirador do trabalho da alagoana, Jung chegou a visitar o Museu de Imagens do Inconsciente, no antigo Centro Psiquiátrico Pedro II, hoje Instituto Nise da Silveira. Criado pela alagoana há 60 anos, o prédio abriga mais de 350 mil obras de artistas com transtornos mentais. “Para Nise, a linguagem não verbal das artes plásticas possibilitava aos doentes mentais expressar vivências e conflitos e, assim, reorganizar seu mundo subjetivo; ao mesmo tempo, ela acreditava que os materiais produzidos pelos artistas-pacientes podiam fornecer elementos reveladores para o estudo da esquizofrenia e do inconsciente”, escreveu o poeta e crítico de arte Ferreira Goulart, que gravou um depoimento sobre o valor artístico das produções, exibido em vídeo na peça. Ao longo da montagem, são projetadas imagens dos quadros de sete pacientes da psiquiatra, que ela chamava de “camafeus”. Nise da Silveira – Senhora das imagens. Teatro Eva Herz – Conjunto Nacional. Avenida Paulista, 2073, Bela Vista, São Paulo. Informações: (11) 3170-4059. Quintas e sextas, às 21h. R$ 50. Até 27 de julho.
Fonte: Revista Mente e Cérebro
Disponível em:<http://www2.uol.com.br/
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Cientistas Analisam Experiências Subjetivas e Socialização nas Cidades
A compreensão sobre a urbanização do mundo e as transformações do jeito de viver do homem contemporâneo não podem ser alcançadas por uma única disciplina acadêmica.
De tribos a civilizações, todas as sociedades se apoiam em mitos que orientam e modelam a vida.
Mas o que, afinal, estuda a mitopoética?
A mitopoese, isto é, a criação dos mitos, estuda "narrativas simbólicas, de natureza imaginativa, que dizem respeito à condição humana e à maneira de viver dos indivíduos e coletividades", define a professora Sandra Vichietti, da USP.
Ela está coordenando uma pesquisa multidisciplinar cujo objetivo é a compreensão das relações entre paisagens, imaginários e mitos.
O objetivo do estudo é obter subsídios teóricos e práticos para o planejamento de programas - governamentais ou não - de intervenções no ambiente urbano.
Psicologia social
O grupo é formado por 17 pesquisadores da USP e de outras universidades brasileiras e portuguesas nas áreas de Psicologia, História Oral, Arquitetura, Ciências Sociais, Educação e Letras.
"O objetivo é dialogar sobre o imaginário, a experiência subjetiva privada, a mitopoética individual e coletiva, a configuração das paisagens e do modo de viver das coletividades", conta a pesquisadora
A pesquisa evoluiu de temas oriundos da psicologia social e abarca vários fenômenos que surgem nas relações entre indivíduos e grupos humanos.
Mas, para Sandra, a compreensão sobre a urbanização do mundo e as transformações do jeito de viver do homem contemporâneo não podem ser alcançadas por uma única disciplina acadêmica.
Então, "a psicologia social tem o papel de promover o diálogo transdisciplinar sobre estes temas".
Experiências subjetivas e socialização
O grupo está atualmente estudando o imaginário e a paisagem dos bairros paulistanos da Luz, São Miguel Paulista e Itaquera, assim como de cidades da região noroeste do estado de São Paulo e da região dos lagos , no estado do Rio de Janeiro.
"Nossa pesquisa visa discutir os processos de socialização, a experiência subjetiva privada e as atividades cotidianas dos habitantes", descreve a professora.
Nestes trabalhos, é adotado um conjunto de procedimentos de coleta, análise e interpretação de 'informes' sobre a paisagem e o imaginário de seus habitantes, nos quais estão contidos dados qualitativos e quantitativos, de natureza espacial e temporal, que abrangem diferentes aspectos da vida humana.
Depois de coletados, tais dados são processados e discutidos pelos pesquisadores.
O próximo desafio é a construção de estudos comparativos. "Já há um esboço para um projeto conjunto a ser desenvolvido no bairro da Luz, em São Paulo, e no bairro da Ribeira, na cidade do Porto, em Portugal", anuncia a pesquisadora.
Fonte: Diário da Saúde
Disponível em:<http://www.diariodasaude.
Contra Pirataria, Remédios Vão Ganhar Seu Próprio 'RG': para conter o comércio de medicamentos falsificados e estancar um prejuízo anual de 13 bilhões de reais, uma lei de 2009 deve finalmente sair do papel e permitir o monitoramento de remédios desde a fábrica até o balcão da farmácia
Polícia Federal apreende anabolizantes e remédios contra impotência ilegais na fronteira com o Paraguai em março de 2012
A Organização Mundial da Saúde estima que 10% dos remédios consumidos no mundo sejam falsificados. Em países em desenvolvimento, como o Brasil, a taxa sobe até 30%. Para conter a pirataria e estancar um prejuízo estimado em 13 bilhões de reais ao país por ano, uma lei de 2009 deve finalmente sair do papel no segundo semestre deste ano. O texto cria o Sistema Nacional de Controle de Medicamentos e deve permitir que os remédios sejam rastreados desde a fabricação até o balcão da farmácia. A norma da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) confere a cada medicamento um identificador único – uma espécie de RG do remédio.
O comércio de medicamentos falsificados é considerado crime hediondo, com pena de 10 a 15 anos de prisão. Para enganar o consumidor, os piratas copiam as caixas, as embalagens e até mesmo as cores e formatos dos comprimidos. Na melhor das hipóteses, as vítimas estarão consumindo uma pílula de farinha e correrão, sem saber, todos os riscos de quem interrompe ou nem inicia o tratamento médico. Na pior das hipóteses, estarão consumindo outra substância qualquer, potencialmente prejudicial, às vezes letal.
Em 2006, mais de 100 pacientes morreram no Panamá por conta de medicamentos feitos com glicerina falsificada. Em 2008, versões contaminadas do anticoagulante Heparina, importadas da China, mataram 62 pessoas nos Estados Unidos. Em 2011 foram apreendidas na Inglaterra versões piratas dos remédios Truvada e Viread, contra a aids. Estimativas da International Policy Network, organização sediada em Londres, mostram que o consumo de remédios falsos contra tuberculose e malária foi responsável por mais de 700.000 mortes até hoje.
Segundo o diplomata Roberto Abdenur, atual presidente do Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (ETCO), a falsificação de remédios é a forma mais cruel de pirataria. Enquanto na maioria das vezes o consumidor de eletrônicos, CDs e DVDs piratas sabe que está comprando produtos falsos, aquele que compra os medicamentos frequentemente está agindo de boa-fé. 'E os mais pobres, em busca de preços acessíveis, são os mais afetados', afirma.
Pirataria on-line – Segundo a Anvisa, os pontos de venda tradicionais de remédios piratas são camelôs e feiras livres. Mas medicamentos falsos também podem ser encontrados em farmácias, principalmente fora dos grandes centros do país. "O mercado brasileiro é muito grande. Temos muitos municípios onde a fiscalização é tênue, e a informalidade, alta", afirma Sérgio Mena Barreto , presidente executivo da Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma).
Na última década, o avanço tecnológico abriu mais uma rota para esse comércio ilegal: a internet. Segundo uma pesquisa encomendada pelo Ministério da Saúde e divulgada pelo jornal O Globo, existem cerca de 1.200 sites ilegais que vendem remédios no país.
A Anvisa informa que as farmácias on-line só podem funcionar se também existirem fisicamente, com endereço comprovado, e com a autorização da agência. Segundo o delegado Paulo Alberto Mendes Pereira, da 2ª Delegacia de Saúde Pública e Crimes Envolvendo Medicamentos, de São Paulo, o combate a essas farmácias não é fácil. “Muitos desses sites estão registrados em outros países, o que dificulta o trabalho. No entanto, há 40 dias realizamos uma operação onde apreendemos 4 mil remédios comercializados ilegalmente pela internet”, conta.
Armas e drogas – Segundo o Centro para Medicina de Interesse Público, grupo de pesquisa americano financiado pela indústria farmacêutica, o mercado mundial de medicamentos falsos cresce anualmente 13%. A pirataria é praticada em escala global e assim se liga a outras máfias, ao tráfico de drogas e ao de armas.
"Já foram apreendidos carregamentos de remédios piratas nos mesmos contêineres que eletrônicos falsos e munições”, diz Edson Vismona, presidente do Fórum Nacional Contra a Pirataria (FNCP), entidade formada por empresas brasileiras com o objetivo de combater a falsificação de produtos. Só no Brasil, Vismona calcula que os prejuízos alcancem 13 bilhões de reais, dos quais cinco bilhões só em sonegação de impostos.
O RG do remédio – Atualmente, os mecanismos de certificação dos medicamentos no Brasil são frágeis. 'Não há como controlar os lotes de remédio', diz Sérgio Mena Barreto, da Abrafarma. Já a nova tecnologia a ser implantada pela Anvisa tornará possível monitorar todo medicamento produzido e vendido no Brasil ao longo de toda cadeia produtiva.
Quando a lei foi foi aprovada, em 2009, estipulou-se que a Anvisa teria três anos para estabelecer as normas a serem usadas. Por fim, a agência decidiu adotar uma tecnologia conhecida como Datamatrix, parecida com o código de barras. Mas, enquanto este último permite o armazenamento de apenas um número de vários algarismos, o Datamatrix possibilita a leitura de vários dados, pois as informações são guardadas tanto em linhas quanto em colunas. O código deve conter o número de registro da droga, lote, validade e um identificador único do medicamento, que funcionaria como uma espécie de RG.
Segundo a Anvisa, os detalhes sobre o sistema de identificação ainda estão sendo fechados e devem ser anunciados no segundo semestre. Espera-se que a lei enfim saia do papel. Nesses três anos de discussões, foram apreendidos no Brasil mais de 153.000 comprimidos de remédios falsos. Só no ano passado, foram realizadas 40 operações conjuntas, durante as quais foram interditados 177 estabelecimentos e presas 156 pessoas.
Saiba como identificar os remédios falsificados
Segundo uma pesquisa encomendada pela Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma), 6% dos brasileiros compram remédios em camelôs, e 1%, em sites não autorizados. A Interfarma dá algumas dicas para o consumidor reconhecer os produtos piratas:
- • Raspadinha - Todos os medicamentos têm na embalagem uma espécie de “raspadinha”. Com qualquer objeto metálico é possível raspar e encontrar um código de segurança do produto.
- • Selo de segurança - Medicamentos mais caros também têm selos de segurança na parte interna. Na dúvida, entre em contato com o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) do fabricante.
- • Formas e cores - Farmacêuticas investem para variar a forma de seus comprimidos. Alguns são triangulares, outros em forma de balão. Outro diferencial são as cores, texturas e logomarcas fixados na pílula. Prestar atenção nestes detalhes também ajuda a evitar produtos pirateados.
- • Confiança na venda - Por fim, outra forma de evitar a falsificação é sempre recorrer a pontos de venda de confiança e exigir nota fiscal da venda.
Leia matéria completa: http://veja.abril.com.br/ noticia/saude/remedios-que- podem-matar
Fonte: Revista VEJA
sexta-feira, 20 de julho de 2012
SciELO Livros Disponibiliza E-books na Área de Ciências Humanas
Liderado pelas editoras da Fiocruz, Universidade Federal da Bahia, Universidade Estadual Paulista e Fundação de Apoio à Universidade Federal de São Paulo, o projeto “SciELO Livros”, lançado no mês de março, disponibilizou aproximadamente 300 livros, científicos e técnicos, para download. O projeto visa à publicação on-line de coleções de livros de caráter científico, editados, prioritariamente, por instituições acadêmicas. Os livros, que estão disponíveis nos formatos ePUB e PDF, são formatados de acordo com padrões internacionais e podem ser lidos no próprio site ou baixados integralmente sem nenhum custo.
Confira os livros disponíveis em:http://books.scielo.org/ indice-de-titulos/
quinta-feira, 19 de julho de 2012
Psicólogos e Psiquiatras Divergem Sobre Campanha Contra “Medicalização” de Crianças e Adolescentes
A Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e a Associação Brasileira de Déficit de Atenção (Abda) se posicionaram contrariamente à campanha Não à Medicalização da Vida, lançada pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP) na última quarta-feira (11). A campanha adverte para o uso excessivo de medicamentos psiquátricos em crianças e adolescentes com dificuldades de aprendizado.
"Somos contrários à campanha porque é um movimento de psicologização das pessoas. O CFP quer criar a necessidade de que todos sejam submetidos à psicoterapia. O diagnóstico de problemas psiquiátricos dever ser feito por médicos psiquiatras, não por psicólogos", disse o presidente da ABP, Antônio Geraldo.
Na sexta-feira (13), a ABP e a Abda lançaram manifesto à sociedade sobre o tema, que teve o apoio de 29 entidades, criticando pronunciamentos contrários ao uso de medicamentos. Em nota, afirmaram que “todos os artigos científicos disponíveis indicam que o tratamento farmacológico é a primeira escolha para a maioria dos portadores”.
De acordo com a conselheira do CFP, Marilene Proença, medicalização é todo tratamento de processos ou comportamentos sociais e culturais em crianças, adolescentes ou adultos com quadro de patologia psiquiátrica.
Segundo o psiquiatra Antônio Geraldo, no entanto, o consumo de remédios contra distúrbios como a dislexia, o déficit de atenção e a hiperatividade ainda está aquém da quantidade de portadores.
Nas contas do presidente da ABP, cerca de 5% da população brasileira são portadores de distúrbios relacionados à atenção e ao aprendizado, o que corresponde a aproximadamente 10 milhões de pessoas – o que resultaria em 10 milhões de caixas de remédios por mês, uma para cada portador. No entanto, dados do CFP apontam que foram consumidas no Brasil, em média, 2 milhões de caixas por mês em 2011.
“Deve haver pesquisa para identificar o uso inadequado de medicamentos. Se tivéssemos a adequada proteção à saúde no Brasil para esses casos, em que o tratamento deve ser multidisciplinar, o combate a diagnósticos equivocados seria facilitado. O uso de psicofármacos deve ser racional, por meio de diagnóstico bem feito, com o uso do Código Internacional de Doenças”, informou o presidente da ABP.
Para o portador de Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), o médico Pablius Braga da Silva, 47 anos, o diagnóstico do distúrbio não pode ser ignorado. Segundo ele, que descobriu o problema já adulto, o uso de medicação “fez absolutamente toda a diferença”.
“Ninguém merece ficar doente e ficar sofrendo. Desde que tudo fique controlado e sem riscos, a medicação tem de ser usada. Se houver meios de tratamento antes do remédio, tudo bem. O risco é o uso demasiado. Deve-se dar um voto de confiança ao diagnóstico”, disse o portador, que tem uma filha de 6 anos que também tem TDAH.
De acordo com a psicóloga e neuropsicóloga Edyleine Benzik, criadora da Escala de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, usada por professores em escolas, o fator hereditário é determinante para o desenvolvimento desse tipo de transtorno. A ausência da hereditariedade, no entanto, não impede que o problema seja propiciado por outros fatores.
“Se a família é desorganizada, não funciona bem, não tem horário, isso pode desencadear um transtorno e estimular um tipo de comportamento. Se a criança tem a tendência e a família propicia, isso funciona como um gatilho. O problema é neurobiológico, não é só de ordem social ou emocional”, explicou.
A psicóloga explicou que o tratamento indicado para esses distúrbios é a medicação, associada ao acompanhamento em outras áreas.
“Transtornos de atenção e de aprendizado são cientificamente estudados, são processos que têm critérios para diagnóstico. A banalização da medicalização ocorre porque qualquer pessoal julga que a criança mais desatenta e hiperativa tem um distúrbio. Todos temos um ou outro sintoma. Mas o diagnóstico é feito segundo um conjunto de sintomas, que, quando tratados, trazem benefícios significativos à vida da pessoa e da família”, disse Edyleine.
Segundo ela, o aparecimento de distúrbios de atenção e de aprendizado ocorre devido à ausência de determinados neurotransmissores que não são produzidos. Daí o funcionamento cerebral deficiente. A medicação atua para repor as substâncias ausentes.
“Com a medicação, o cérebro tem a resposta adequada e começa a funcionar como deveria. Os remédios não geram dependência e, com o tempo, a pessoa vai desenvolvendo habilidades que não tinha. Quando os portadores optam pelo consumo do medicamento em determinado momento da vida, não é por dependência, mas por consciência”, disse a psiquiatra.
De acordo com Edyleine Benzik, o próprio paciente pode controlar o uso do medicamento. “Uma pessoa que tem bronquite toma um remédio quando sabe que terá de fazer exercício físico. O mesmo ocorre em relação a essas pessoas, quando sabem que terão de atingir certo nível de produtividade no trabalho ou ter de dar conta de alguma tarefa”, disse Edyleine.
Fonte: Associação Brasileira de Psiquiatria
Disponível em:<http://abp.org.br/2011/ medicos/imprensa/clipping-2>. Acesso em: 19 jul. 2012.
Carta de Esclarecimento à Sociedade Sobre o TDAH, Seu Diagnóstico e Tratamento
Carta de Esclarecimento à Sociedade sobre o TDAH, seu diagnóstico e tratamento.
Recentemente, uma série de matérias sobre o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) tem sido veiculada pela mídia jornalística não especializada. Em boa parte dessas matérias, profissionais apresentados como especialistas em saúde e educação (embora seus currículos informem não terem publicações científicas sobre o assunto) transmitem opiniões pessoais como se fossem informações científicas. Pior, suas opiniões não refletem os conhecimentos atuais sobre o transtorno, que é reconhecido pela Organização Mundial da Saúde e sobre o qual constam centenas de publicações em bancos de dados (http://www.ncbi.nlm.nih.gov/ pubmed/) descrevendo claramente as graves consequências nas esferas acadêmica, familiar, social e profissional. Tais opiniões equivocadas são nocivas para pacientes, familiares e para a população como um todo.
A afirmação de que o TDAH “não existe”, de que os medicamentos aprovados pela ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária para o tratamento desse transtorno são “perigosos” e tornam as crianças “obedientes” é, na melhor das hipóteses, expressão pública de ignorância em relação ao tema, investigado cientificamente de modo extenso por pesquisadores de todo o mundo, muitos deles brasileiros. Na pior das hipóteses, configura crime porque veicula informações erradas sobre tema de saúde pública. Incontáveis Associações Médicas ao redor do mundo já se posicionaram não deixando dúvidas sobre a validade do TDAH (vide posicionamento da Associação Médica Americana em Referências no final do texto).
Tais matérias induzem os leitores à falsa conclusão que há dúvidas não apenas quanto à existência do TDAH, como sobre os benefícios do tratamento medicamentoso. Obviamente, tais textos jamais citam qualquer artigo científico, nenhum dado de pesquisa, demonstrando os tais efeitos “perigosos” ou graves. E, numa prova incontestável da natureza parcial e enganosa, em desrespeito aos princípios básicos do jornalismo, deixam de citar centenas de artigos científicos que documentam fartamente os benefícios, a eficácia e a segurança dos medicamentos usados no tratamento do TDAH. Recentemente, um grande estudo publicado no mais importante jornal Inglês de Psiquiatria documentou que o metilfenidato é a medicação mais eficaz em Psiquiatria e uma das mais eficazes em toda a Medicina (vide em Referências no final do texto).
Os sintomas que caracterizam o TDAH não são comportamentos infantis comuns, meras variações da normalidade, que médicos, pais e professores querem “controlar”. Seria o mesmo que dizer que diabete é um mero aumento de açúcar no sangue, uma simples variação do normal observado na população. Noventa e cinco por cento das crianças e adolescentes não tem a intensidade e gravidade de sintomas que os portadores de TDAH, do mesmo modo que 90% dos adultos não têm níveis elevados de açúcar. Diagnósticos são frequentemente estabelecidos pela intensidade e gravidade. A lista é grande: hipertensão arterial, glaucoma, osteoporose, hipertireoidismo, etc. Todos eles, à semelhança do que ocorre no TDAH, cursam com graves consequências para o indivíduo. Proposições do tipo “quem não esquece alguma coisa de vez em quando?” ou “quem não responde impulsivamente de vez em quando?” são, além de superficiais, irrelevantes: todos os sintomas do TDAH ocorrem em frequência e intensidade não observada em indivíduos normais.
O diagnóstico do TDAH é realizado através de entrevista clínica e há extensa literatura científica sobre a fidedignidade deste procedimento. A sugestão de que a ausência de exames complementares tornaria o diagnóstico “frágil” novamente reflete inacreditável desconhecimento de saúde mental: também não há exames para os diagnósticos de Depressão, Autismo, Transtorno do Pânico, Esquizofrenia, Transtorno Obsessivo-Compulsivo, Transtorno Bipolar, etc.
A comunidade científica Brasileira, aqui representada por mais de 20 associações e grupos de pesquisa, reitera que o TDAH pode ser diagnosticado de modo fidedigno e seu tratamento, se bem conduzido, tem grandes chances de diminuir os prejuízos que esses indivíduos apresentam ao longo da vida. Embora tratamentos não farmacológicos possam auxiliar bastante no manejo terapêutico do TDAH, todos os artigos científicos disponíveis indicam que o tratamento farmacológico é a primeira escolha para a maioria dos portadores.
Fornecer informações equivocadas e ocultar dados científicos bem documentados é dificultar ou retardar o acesso da população ao diagnóstico ou a tratamento, é a expressão de uma das mais perversas formas de discriminação social: a Psicofobia.
Referências
1. Diagnosis and Treatment of Attention-Deficit/ Hyperactivity Disorder in Children and Adolescents. Larry S. Goldman, MD; Myron Genel, MD; Rebecca J. Bezman, MD; Priscilla J. Slanetz, MD, MPH; for the Council on Scientific Affairs, American Medical Association - JAMA. 1998;279(14):1100-1107
2. Putting the efficacy and general medicine medication into perspective: review of meta- analysis. Stefan Leucht, Sandra Hierl, Werner Kissling, Markus Dold and John M. Davis. British Journal of Psychiatry, 2012, 200:97-106
Entidades signatárias
1 - Associação Brasileira de Psiquiatria
2 - Associação Brasileira do Déficit de Atenção
3 – Sociedade Brasileira de Pediatria
4 – Sociedade Brasileira de Neurologia Infantil
5 – Associação Brasileira de Neurologia, Psiquiatria Infantil e profissões afins
6 – Academia Brasileira de Neurologia
7 – Sociedade Brasileira de Neuropsicologia
8 – Associação de Psiquiatria do Rio Grande do Sul
9 – Sociedade Interdisciplinar de Neurociência Aplicada à Saúde e Educação
10 – Associação Brasileira de Dislexia
11 – Ambulatório dos Estudos de Aprendizagem do Hospital das Clinicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (Neurologia e Pediatria)
12 – DISAPRE – Laboratório de Pesquisa em Distúrbios da Aprendizagem e da Atenção – Faculdade de Ciências Médicas - Universidade de Campinas
13 – Laboratório de Investigações Neuropsicológicas – Universidade Federal de Minas Gerais
14 – Laboratório de Neuropsicologia do Desenvolvimento – Universidade Federal de Minas Gerais
15 - Unidade de Psiquiatria da Infância e Adolescência (UPIA) da Universidade Federal do Estado de São Paulo (UNIFESP-EPM)
16 – Centro de Referência para Criança com TDAH Instituto de Pediatria e Puericultura Martagão Gesteira – Universidade Federal do Rio de Janeiro
17 – Ambulatório de Neuropsicologia Pediátrica do Serviço de Neurologia do Complexo Hospitalar Professor Edgar Santos da Universidade Federal da Bahia
18 – Ambulatório de Distúrbio de Aprendizagem da Santa Casa da Misericórdia de São Paulo
19 – GEDA - Grupo de Estudos e Pesquisa do Déficit de Atenção da Universidade Federal do Rio de Janeiro
20 – NANI – Núcleo de Atendimento Neuropsicólogo Infantil – Universidade Federal do Estado de São Paulo
21 - Comunidade Aprender Criança – Instituto Glia
22 – Núcleo de Investigações da Impulsividade e da Atenção da Universidade Federal de Minas Gerais
23 – Centro de Orientação Escolar - Hospital da Criança Santo Antonio da Santa Casa de Porto Alegre
24 – Laboratório de Clínica Cognitiva do Instituto de Psicologia da Universidade Federal da Bahia
25 - Programa de Déficit de Atenção/ Hiperatividade do Hospital de Clinicas de Porto Alegre da Universidade Federal do Rio Grande do Sul
26 – Serviço de Psiquiatria Infantil da Santa Casa do Rio de Janeiro
27 - Grupo de Pesquisa em Neurodesenvolvimento, escolaridade e aprendizagem – CNPq
28 - Ambulatório de Déficit de Atenção (AMBDA) da Universidade Federal de Minas Gerais
29 – Instituto ABCD
É importante enfatizar que o Manifesto foi uma iniciativa da ABP ( Associação Brasileira de Psiquiatria) e da ABDA ( Associação de Pacientes) e de todas as entidades medicas signatárias, com o objetivo de esclarecer a população sobre a realidade do TDAH e seu tratamento , impedindo, desta forma, que haja pânico nos pacientes, suspensão dos tratamentos , o que poderá acarretar inúmeros prejuízos e conseqüências na vida dos portadores de TDAH.
Para entrevistas, informações e esclarecimentos, os médicos , psicólogos e personagem estão disponíveis para falar com a mídia, é só entrar em contato.
Mais informações estão no link abaixo.
quarta-feira, 18 de julho de 2012
Otimistas se Protegem Menos Contra Acidentes e Doenças: pessoas com perspectivas muito positivas sobre o futuro se consideram menos vulneráveis a experiências negativas
Tendemos a imaginar que o futuro será melhor do que hoje e a subestimar as chances de passar por situações ruins. Alguns cientistas acreditam que esse funcionamento é um processo adaptativo que nos permite resistir a frustrações e mudanças negativas. Agora, um estudo publicado naNature Neuroscience sugere que a linha entre o otimismo que nos prepara para enfrentar o futuro e o que oferece riscos é tênue – segundo pesquisadores da Universidade College de Londres, pessoas com perspectivas muito positivas sobre o dia de amanhã se consideram menos vulneráveis a sofrer acidentes e a contrair doenças. E justamente por isso se protegem menos.
A neurocientista Tali Sharot pediu a 19 universitários entre 19 e 27 anos que estimassem as chances de enfrentar 80 fatalidades ao longo da vida, como desenvolver doenças ou ser vítima de crime. Em seguida, Tali revelou a probabilidade média real de cada um, calculada com base em questionários que avaliavam seus hábitos, histórico familiar e comportamentos de risco. Depois, solicitou que repetissem o exercício.
Segundo Tali, os que previram riscos mais altos que o real prestaram mais atenção na exposição dos resultados e responderam de forma realista na segunda vez. Já os voluntários que subestimaram as probabilidades mantiveram as expectativas ao refazer o exercício ou fizeram correções menos expressivas. “Os mais otimistas continuaram a acreditar que ao menos eles podem escapar da má sorte”, diz.
Fonte: Revista Mente e Cérebro
Disponível em:<http://www2.uol.com.br/ vivermente/noticias/otimistas_ se_protegem_menos_contra_ acidentes_e_doencas.html>. Acesso em: 18 jul. 2012.
Muito Além das Patentes: escritórios de transferência de tecnologia de grandes universidades ampliam seu papel e estreitam a cooperação com empresas
Nos últimos seis anos, a Universidade Harvard conseguiu melhorar seus indicadores relacionados à transferência de tecnologia, que representavam um ponto opaco no desempenho da líder de váriosrankings internacionais de instituições de ensino superior. O número deinvention disclosures, documentos com a descrição de resultados de pesquisas para avaliar a possibilidade de sua proteção por meio de direitos de propriedade intelectual, aumentou de 180, no ano de 2006, para 351, em 2011. No mesmo período, o número de patentes obtidas no escritório de marcas e patentes dos Estados Unidos (Uspto, na sigla em inglês) subiu de 35 para 60, enquanto o de tecnologias licenciadas cresceu de 11 para 45. O combustível dessa mudança foi uma reforma na estrutura e nas práticas do Escritório de Desenvolvimento Tecnológico (OTD) de Harvard, voltada para multiplicar a coo-peração entre a universidade e o setor privado. Não por acaso, subiu de 12 para 75 o número de acordos entre Harvard e empresas envolvendo a chamada pesquisa patrocinada, modalidade em que companhias financiam o trabalho realizado em um laboratório da universidade muitas vezes em troca de privilégio no licenciamento de descobertas resultantes. O montante investido nesses acordos chegou a US$ 37,2 milhões em 2011, quatro vezes mais do que o total de 2006. Entre as empresas que celebraram parcerias estratégicas recentes com Harvard destaca-se, por exemplo, a Novartis, para desenvolver fármacos a partir de células-tronco junto com Lee Rubin, do Instituto de Células-Tronco de Harvard.
O movimento feito por Harvard é exemplar de um fenômeno que se esboça nos escritórios de transferência de tecnologia de universidades – e não apenas naquelas de classe mundial. Além das tarefas rotineiras, que consistem em identificar descobertas com potencial econômico e protegê-las por meio de patentes, estes escritórios abraçam várias outras atividades, como fomentar colaborações de pesquisa de longo prazo entre empresas e laboratórios, auxiliar na criação de empresas baseadas em tecnologias nascentes, arregimentar investidores privados para financiá-las, oferecer a consultoria de pesquisadores para a indústria e estimular o empreen-dedorismo já entre os estudantes de graduação. “A experiên-cia mostra que é possível alcançar resultados altamente positivos quando empresas e universidades, a despeito de suas diferenças culturais, comprometem-se com parcerias em que ambos os lados saem ganhando”, diz Todd Sherer, presidente da Associação de Gestores de Tecnologia das Universidades (AUTM), entidade que congrega 3,5 mil profissionais vinculados a 350 universidades, instituições e hospitais de pesquisa em vários países e lhes oferece treinamento e apoio sobre mecanismos de transferência de tecnologia.
A mudança em Harvard foi liderada por Isaac Kohlberg, desde 2005 o chefe do OTD. Depois de trabalhar na Universidade de Tel-Aviv, em Israel, onde fundou uma empresa com fins lucrativos para comercializar as patentes de pesquisadores, Kohlberg ajudou nos anos 1990 a New York University a construir um ativo escritório de licenciamento de patentes. Em Harvard, fundiu dois escritórios existentes, ampliou o número de funcionários de 12 para 35 e renomeou os antigos agentes de licenciamento de tecnologia como “diretores de desenvolvimento de negócios”. Um dos destaques de sua gestão foi a criação do Fundo Acelerador de Desenvolvimento Tecnológico, com recursos de doadores privados, com a vocação de catalisar o desenvolvimento de tecnologias ainda em estágio embrionário e facilitar o caminho para o licenciamento e a comercialização. O fundo fornece aos cientistas de Harvard os recursos necessários para conduzir pesquisas naquela fase posterior à descoberta e anterior à comercialização, como experimentos para gerar provas de conceito, modelos práticos capazes de testar descobertas. “Provas de conceito ampliam bastante a possibilidade de atrair a indústria para o licenciamento de uma tecnologia promissora”, disse Curtis Keith, diretor científico do fundo. Profissionais da indústria participam do processo de tomada de decisões do fundo, que já investiu US$ 5,2 milhões em 33 projetos. Doze deles resultaram em colaborações de pesquisa com a indústria e licenças de transferência de tecnologia, que atraíram mais de US$ 10 milhões em parcerias para a universidade. Uma pesquisa do professor de Harvard Tobias Ritter sobre a adição de flúor em medicamentos para torná-las mais estáveis, potentes e capazes de penetrar no cérebro foi apoiada parcialmente pelo fundo acelerador. O projeto deu origem a uma empresa de Boston, SciFluor Life Sciences.
Leia reportagem completa: http://revistapesquisa.fapesp. br/2012/07/16/muito-alem-das- patentes/
Fonte: Pesquisa FAPESP
Enquanto Isso, no Manicômio: “Mas quem é que não sulca nesta vida um caminho só seu? Cada qual com seu qual inculca, ninguém é dois igual na cuca”
Não foi coisa à toa que disseram: que não tem doido. Que ninguém é. Imagine que todo mundo fosse e sesse, lesse, escrevesse e o pau não comesse? Não seria um rebu colosso? Creia não moço, sou antes de tudo um democrasso. Incluso renego da presunção de que louco tem dobra demenos, giros e parapeitos distintos dos comuns sobressalentes. Diferença, se tiver, é na textura da fibra, na liga do ruminado: no papel dobrado. Mas quem é que não sulca nesta vida um caminho só seu? Cada qual com seu qual inculca, ninguém é dois igual na cuca. A coisa é nome só, ideia à toa arrumando emprego no alheio por distração do meeiro. Hospede-se onde quiser, companheiro, mas cauto nesta terra feia. Vozerio de telha é muro alto...
Se não, nem era. Eu mesmo, podendo, desfazia. Descarcerava os doido e no ato o teatro enchia. Ô, se ia! Ave Maria! Uns cem anos de festa seu, põe mais cem de folia! O povo é alegre, compreende? Não que nem agora, não... futuro é mais! O demopátio é tolice, doidura moura da crua. Vou é tirar polvorosa da labuta e lhes prover a batuta. Hoje tem marmelada? Tem, sim senhor. Hoje tem goiabada? Tem sim senhor. Hoje tem derrubada? Tem sim senhor! Tem sim senhor!! TEM SIM SENHOR!!!
Tem tempo já que nós tamo aqui. O senhor também? Hahaha! Piada, chegou agorinha, não foi? Então... Prosa mesmo o senhor consegue é com aquele dentro da casinha dos mamulengo. Inventou uns pringolés de andar dentro, uma colcheia de retaio colorido, funilata mesmo. Eita velho pra despistar! E ele tá que vê, danado de enxergar dobrado, regolhado, gutigustando sozinho o vernizinho de Deus. Os demãos de tinta do artista, a prova do crime, o engenho do dianho, a senha do padre... o milagre! É verdade então, né? Digo, que existe o Cujo. Pois! Tisnado. É o que digo pra ele: homem, feliz esteja, que isto é o enredo! O Grande é bom e capataz. Espere mais...
Hein? Fazendo o quê? Suviando, uai! Ora... Submarelo armarinho, funfarra de bezumzinho. Desculpe o jeito. Gosta? Ah bom, senão parava. Hein? Eu disse: se, não parava. Cê parava? Nem eu, ué. Imagine... Nem nós. Não é, cambada?! Tem regra não. Zumbe quem quer. Chegou, finou, suviou. Vou só bongozando em frente: Silva, gente! Suvia, vai! Silvano, foi! Suviano: Vai!
Vixidanou, não sabe nem suviá. Olha, coió, é tudo junto, faz beiço, vai! Emboca, venta, fola! Tá danado... Preste atenção porque eu só explico uma vez: lembra das trompas de Sacana e Gangorra? ... O homão dirribando a porra toda, o cinco minutos de Deus? Pois então: foi assim, ó: no sopro. A britadeira de Nosso Senhor Doidão tocando loucura até cair o picadeiro. Cair inteiro! COM O CIRCO CHEIO! ATÉ CAIR!!! Cair o quê? O muro, uai. Como? Assim, ó: fifirifi, fifirifi, na manha... Como assim, como? O jeito, tu quer saber? O compadre sente aí, vá soprando e suviando, espere que jajá saímos. Agora é questão de tempo. Não tem muro que resista!
À música? Não, criatura. Ao vento da suviatura.
Fonte: Revista Mente e Cérebro
Disponível em:<http://www2.uol.com.br/ vivermente/noticias/enquanto_ isso_no_manicomio.html>. Acesso em: 18 jul. 2012.
Tempestades do Corpo e da Alma: crises de depressão e de euforia provocam desequilíbrios químicos que podem danificar as células e acelerar o envelhecimento do corpo
Desde 2009 o psiquiatra Rodrigo Bressan e outros pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) acompanham um grupo de adolescentes com alto risco de desenvolver doenças mentais graves como o transtorno bipolar e a esquizofrenia. Eles querem descobrir o momento adequado para agir antes que os problemas se manifestem e, assim, tentar evitar que se instalem. Ao mesmo tempo, procuram ensinar os adolescentes e seus familiares a lidar com situações estressantes que podem disparar as crises. Assim que possível, Bressan e os psiquiatras Elisa Brietzke e Ary Araripe Neto querem ver se compostos anti-inflamatórios, antioxidantes ou neurotróficos poderiam proteger as células cerebrais e, quem sabe, reduzir o risco de desenvolver essas doenças mentais.
A estratégia de tentar proteger o cérebro com esses e outros compostos se baseia na hipótese de que os neurônios e outras células cerebrais sofrem danos gradativos a partir do primeiro episódio mais intenso da doença – há quem suspeite de que os danos podem começar até mesmo antes. Estudos recentes indicam que nesses distúrbios o cérebro produz certos compostos em níveis nocivos que atrapalham o funcionamento das células e podem causar danos irreparáveis à medida que se sucedem, levando à deterioração das capacidades de raciocínio, planejamento e aprendizagem e até a uma alteração leve e definitiva do humor. Simultaneamente ao aumento na concentração dessas substâncias, haveria também uma diminuição nos de compostos neuroprotetores naturalmente produzidos pelo organismo.
Um dos pesquisadores que ajudou a desenvolver essa hipótese é o psiquiatra Flávio Kapc-zinski, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Medicina Translacional. Ele está convencido de que a evolução dramática dos casos graves de transtorno bipolar e de depressão é consequência de alterações fisiológicas causadas pelas crises recorrentes.
As crises que de tempos em tempos atormentam a mente também intoxicam o corpo, acredita Kapc-zinski. Elas seriam como tempestades químicas que desfazem o equilíbrio das células cerebrais e liberam compostos que, carregados pelo sangue, inundariam o organismo – às vezes levando a um grau de intoxicação quase tão grave como o enfrentado por quem desenvolve uma infecção generalizada (sepse). Repetidas ao longo de anos ou décadas, essas avalanches tóxicas precipitadas por surtos de depressão ou de mania produziriam um desgaste lento e progressivo do cérebro e de todo o corpo, reduzindo a capacidade de recuperação e acelerando o processo de envelhecimento.
Kapczinski começou a elaborar esse modelo teórico com base em experimentos feitos por sua equipe e por outros grupos para explicar como e por que a depressão e o transtorno bipolar, uma vez instalados e sem o tratamento adequado, seguem um padrão de agravamento progressivo que pode culminar com a morte precoce por problemas cardiovasculares e até câncer. De acordo com o modelo, as outras doenças que aparentemente nada têm a ver com o que se passa no cérebro poderiam evoluir como resultado dos desequilíbrios orgânicos gerados pelos episódios severos de depressão e mania.
Apresentada inicialmente em 2008 na Neuroscience and Behavioral Reviews, essa hipótese vem ganhando reconhecimento internacional. No último ano os estudos de Kapczinski já foram citados cerca de mil vezes em outros trabalhos. O psiquiatra australiano Michael Berk, da Universidade de Melbourne, acompanha essas pesquisas e, com Kapczinski, chamou esse novo modelo de neuroprogressão.
“Sabemos que esses distúrbios são progressivos e essa proposta teórica explica por quê”, diz Berk. Para ele, a interpretação de que essas doenças se agravam a cada surto pode gerar um impacto importante no tratamento por indicar a necessidade de diagnóstico e intervenção precoce e por sugerir que terapias neuroprotetoras possam atenuar o efeito desses problemas.
“A ideia está posta”, diz o pesquisador da UFRGS. “Agora é possível trabalhar para tentar confirmá-la ou refutá-la.” Ele sabe que o modelo é ousado e que é necessário reunir mais evidências para demonstrar que ele representa de modo adequado a evolução da depressão e do transtorno bipolar. “Temos trabalho para umas duas décadas”, diz Kapczinski.
Conceito e realidade
Segundo alguns especialistas, o conceito de neuroprogressão explica bem os sintomas clínicos, mas é possível questionar se essas alterações biológicas de fato ocorrem, uma vez que as evidências ainda são incipientes. Exames de imagens que indicam redução no volume de algumas áreas cerebrais em geral são feitos com pacientes de idades diferentes, que passaram por números distintos de surtos de mania e depressão. Provas mais consistentes exigiriam o acompanhamento de pacientes por vários anos, com a realização de exames de tempos em tempos para avaliar a evolução do problema.
Leia reportagem completa: http://revistapesquisa.fapesp. br/2012/07/16/tempestades-do- corpo-e-da-alma/
Fonte: Revista FAPESP
Estamos Dando "Drogas Lícitas" às Nossas Crianças, Alertam Especialistas
A discussão das chamadas " doenças inventadas", criadas pela chamada medicalização, chegou à Câmara dos Deputados, em Brasília.
A Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados discutiu sobretudo o uso excessivo de remédios por crianças e adolescentes com dificuldades de aprendizado ou de comportamento na escola, que tem transformando o modo de ser de algumas crianças em doença.
A reunião marcou o início da campanha Não à Medicalização da Vida, lançada pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP) e pelo Fórum sobre Medicalização da Educação e da Sociedade.
Medicalização
De acordo com a conselheira do CFP, Marilene Proença, medicalização é todo tratamento de processos ou comportamentos sociais e culturais em crianças, adolescentes ou adultos com quadro de patologia psiquiátrica.
O debate realizado na Câmara dos Deputados concentrou-se nos tratamentos de distúrbios relacionados à educação - como dislexia, déficit de atenção e hiperatividade.
"Existe uma métrica social que considera sentimentos e comportamentos legítimos como sintomas patológicos. Muitas vezes, esses casos são tratados com os chamados tarja preta, que têm sérias sequelas", explicou Marilene.
Para a conselheira, há muito alarde em relação a drogas ilícitas, mas pouco em relação às drogas lícitas.
Em 2000, eram consumidas 70 mil caixas de medicamentos para o tratamento de distúrbios relacionados à aprendizagem. Em 2010, o número cresceu para 2 milhões, o que faz do Brasil o segundo maior consumidor desse tipo de remédio, apenas atrás dos Estados Unidos.
"Em vez de melhorarem a qualidade da escola, estão criando instâncias de diagnóstico para crianças que têm dificuldade de aprendizado. Não podemos passar às crianças responsabilidades políticas, sociais e culturais da sociedade em geral", disse a conselheira do CFP.
Amplificadores cognitivos
Segundo a professora Maria Aparecida Moisés, da Universidade de Campinas (Unicamp), substâncias que vêm sendo usadas como "amplificadores cognitivos" - como o metilfenidato (nome comercial: Ritalina) e o clonazepam (nome comercial: Rivotril) - não são drogas seguras.
"São psicotrópicos e tranquilizantes que podem provocar morte súbita e inexplicada até sete vezes mais do que em crianças e adolescentes que não os tomam", alertou Maria Aparecida.
Para ela, em vez de se discutir a vida e os valores da sociedade, há uma inversão que faz com que todos acreditem que têm transtornos a serem tratados.
"Precisamos adotar uma política educacional que assuma o princípio fundamental de que todos podem e têm o direito de aprender. Um professor é capaz de ensinar toda pessoa a quem se propuser.
"A medicina fala de impossibilidades. A escola fala de possibilidades. E a escola foi invadida por profissionais de outras áreas, como neuropsicólogos, fonoaudiólogos, psicólogos e psiquiatras. Isso não é escola, mas uma invasão do mercado de trabalho," disse a professora da Unicamp.
Fonte: Diário da Saúde
Disponível em:<http://www.diariodasaude.
Pais Que Se Apaixonam Por Filhos Dados Para Adoção Sofrem Crises Morais
Clara Collins e Trent Holmes ficaram separados por 24 anos. Até que, em novembro de 2008, eles se reencontraram na porta da casa da texana. Dez minutos de um longo e apaixonado beijo foi o primeiro gesto romântico do casal que, na virada do ano, trocou alianças — o anel custou cerca de US$ 3 mil — em uma cerimônia íntima e não oficial. Poderia ser mais uma história de amor ao melhor estilo dos best-sellers de Nicholas Sparks. A não ser pelo fato de Clara ser a mãe biológica de Trent.
O relato do casal, publicado em outubro passado em agências de notícias, não foi uma exceção. Há menos de dois meses, a californiana Mistie Rebecca Atkinson, 32 anos, foi condenada a cinco anos de prisão por fazer sexo com o filho adolescente, de 16, depois de encontrá-lo no Facebook. A defesa de Mistie enviou uma carta à Corte alegando que ela sofreu de um fenômeno desconhecido, pouquíssimo discutido — existe um único estudo acadêmico sobre o assunto — e ainda sem explicação: a atração genética sexual (GSA, sigla em inglês). Tanto Mistie quanto Clara deram seus filhos à adoção logo depois do parto e nunca mais tiveram notícias a respeito, até serem rastreadas ou procurarem por eles.
O termo que descreve essa estranha situação foi cunhado na década de 1980 por uma mulher que se apaixonou pelo filho e escreveu um livro autobiográfico chamado I’m his mother, but he’s not my son (Sou a mãe dele, mas ele não é meu filho, em tradução livre). Devido à falta de estudos sobre o fenômeno, a palavra “genética” foi incorporada por se tratar de relações que ocorrem entre pessoas com um forte grau de parentesco, e não por existir alguma evidência de que o desejo que elas relatam tenham alguma base biológica.
Apaixonada pelo irmão I
"Fui colocada para adoção quando eu tinha apenas alguns dias de vida. Passei minha infância sabendo que fui adotada e, aos 5 anos, me disseram quem era minha mãe biológica. O que fez disso algo muito confuso foi que ela era casada com o filho mais novo da minha mãe adotiva. Ela tinha três filhos com este homem, na época em que me revelaram que era minha mãe biológica. Como a minha mãe adotiva não estava bem de saúde, eu cresci entre as casas de seus filhos adultos.
Acontece que, quando eu tinha 6 anos, ficamos com a minha mãe biológica e seu marido (o filho mais novo da minha mãe adotiva). Essa foi a primeira interação que tive com meus três irmãos. Um deles era dois anos mais novo que eu. Eu o adorava. Ele era uma criança muito doce e engraçado. Comigo, nunca brigou, como fazia com nossos outros irmãos. Quando ele adormecia, eu ia ver seu rosto, e achava que parecia um anjinho. Um tempo depois, me mudei para a casa de outro parente, e meus irmãos ficaram fora da minha vida. A família deles era de militares e eles se mudaram dos Estados Unidos. Vivi minha vida de forma bastante complicada, vivenciando as pessoas à minha volta abusando de ácool e de outra coisas. Quando eu tinha 12 anos, minha mãe adotiva morreu, e um conselheiro me inventivou a buscar um relacionamento com minha mãe biológica.
Nessa época, eles estavam morando em outro estado e viajei para lá com meu avô. Chegamos trade da noite, e minha mãe biológica me mostrou o quarto onde eu iria ficar. No dia seguinte, encontrei meus irmãos, que só tinha viso durante a infância. Eles haviam crescido. Ficamos animados e apreensivos. Passei o verão lá, foi uma experiência agradável. O irmão que eu mais gostava quando era criança ainda era adorável. Nós tínhamos os mesmos gostos, nossos filmes favoritos eram os mesmos, gostávamos de explorar o terreno onde vivíamos e líamos os mesmos livros.
Mas eu ainda me sentia como uma estranha lá e acabei me mudando, ficando com um tutor. Foi muito difícil deixar o meu irmão mais novo. Dois anos depois, eu estava com 14 anos, deprimida, com comportamento suicida e internada em um hospital psiquiátrico. Meu tutor era alcoólatra e estava farto de mim. Fui enviada novamente à casa da minha família biológica. Novamente, fiquei atraída por meu irmão. Nós ainda éramos muito parecidos e nos dávamos muito bem. Começamos a passar tempo em longas caminhadas, falando sobre o que nos incomodava em nossas vidas. Ele, às vezes, ia para o meu quarto e dormia na minha cama, comigo. Foi neste momento que percebi que talvez eu gostasse dele um pouco demais. Mas isso não durou muito tempo. Meu tutor foi me buscar novamente.
Durante um tempo, não tive mais contato com minha família biológica. Mas eles viajaram para minha formatura. Meu irmão estava se tornando um homem jovem e atraente. Ele acabou ficando comigo e com meu namorado para o verão e foi o único membro da família que ficou para assistir o meu casamento. Depois que ele foi embora, minha vida continuou, com coisas boas e ruins. Ele foi para o Exército, passou um tempo em zonas hostis, como o Iraque, e eu sempre preocupada com ele. Hoje, ele está casado e tem um filho. Conversamos muito por telefone e e-mail mas, há pouco tempo, nos encontramos cara a cara. Eu me pego pensando em coisas inadequadas sobre meu irmão e choro muito quando penso nele. Sei que estou apaixonada por ele, e isso não é de hoje. Estou relutante em contar para ele o que sinto, mas me conforta saber que isso não é uma coisa que acontece só comigo, pois tendo lido bastante e sei que outras pessoas passaram pelo mesmo", M.R.N, 36 anos
Apaixonada pelo irmão II
"Tenho seis outros irmãos, mas fui adotada e vivi longe deles desde os 17 meses de vida. Aos 16 anos, eu conheci um dos meus irmãos mais velhos e nós ficamos muito unidos, passsando todos os momentos juntos. Eu me senti atraída por ele e não conseguia me controlar. Eu tinha que estar perto dele, tão perto quanto eu poderia ficar. Nunca tivemos relações sexuais, nem nos beijamos, mas nós dormimos na mesma cama várias vezes. A maioria dos nossos amigos achavam essa situação estranha.
Ele se afastou, arrumou uma namorada e nos vimos de novo e nos reeoncontramos quando eu estava com 23 anos e ele 24. Dormimos juntos de novo, nos tocamos, mas não nos beijamos nem fizemos sexo. Depois daquela noite, vimos que algo maior poderia acontecer e nos afastamos definitivamente. Sofri muito. No começo, eu não sabia o que estava passando e fiquei confusa. Pensei que eu era louca, uma maluca, uma lunática, que teria de ser colocada em um hospício. Comecei a fazer terapia e isso me ajudou bastante. Hoje, sei que foi tudo uma grande confusão e meu sentimento por ele mudou", A.B.N., 28 anos.
Fonte: Correio Brasiliense
Disponível em:<http://www.
Pesquisadores Testam Novo Tratamento Contra Fobia Social em Hospital da USP
Um novo tratamento contra fobia social está sendo testado há um mês por pesquisadores do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP). A terapia usa um programa de computador que mostra imagens em três dimensões que reproduzem situações sociais iguais às que causam desconforto ao paciente. A fobia social é um distúrbio que leva a pessoa a sofrer cada vez que precisa se submeter a situações de interação social ou que tenha que mostrar desempenho em alguma atividade e afeta 8% da população.
De acordo com psicóloga e pesquisadora do Hospital das Clínicas Cristiane Maluhy Gebara, responsável pelo projeto, na terapia, o paciente usa fones de ouvido e óculos especiais que o colocam “dentro” das situações exibidas como se ele realmente fizesse parte daquilo. São exibidas imagens de interação com desconhecidos, de participação em reuniões e até de situações em que é preciso falar a plateias. Com isso, é possível testar se o programa contribui para diminuir a reação de ansiedade dos que sofrem de fobia social.
“[A fobia social] é um transtorno de ansiedade em que as pessoas têm muito medo da avaliação negativa do outro, o que gera dificuldade de interação. Elas evitam situações em que tem que se expor e, quando as enfrentam, fazem isso com muito desconforto, com sofrimento", explica Cristiane. Segundo a psicóloga, entre os sintomas estão a taquicardia, a sudorese, o rubor nas faces. "É uma situação que incomoda muito, porque a pessoa imagina que quem está observando percebe e acaba se sentindo embaraçada e humilhada.”
Uma das técnicas de tratamento é a exposição do paciente à situação, o que pode ser feito ao vivo ou simplesmente imaginado. Com a técnica da exposição ao vivo, a melhora ocorre em 70% dos casos. “Com tal técnica, de forma gradual e repetida, colocamos a pessoa nas cenas que causam desconforto da que menos incomoda para a que mais causa incômodo”, informa a pesquisadora.
Ela ressalta que, com a tecnologia e a possibilidade do uso da realidade virtual, a técnica que está sendo testada no Hospital das Clínicas permite a exposição do paciente a situações difíceis, mas de forma menos agressiva. “Alguns estudos feitos fora do país mostram que o tempo de exposição fica menor e, como isso é feito no consultório, o tempo de tratamento pode ser encurtado e é mais seguro, porque a pessoa sente a ansiedade praticamente da mesma forma, mesmo estando em um ambiente mais privado.”
Nos testes estão previstas 12 sessões, mas o tempo de tratamento varia de um paciente para outro, podendo chegar a até seis meses. “Algumas pessoas não terão tanta dificuldade ao olhar uma cena, então podem terminar o tratamento antes”, diz Cristiane. As causas da fobia social podem ser genéticas ou adquiridas por aprendizagem ou educação. “A pessoa aprende ou copia comportamentos dos pais e aí pode desenvolver fobia social mais para a frente. O transtorno se inicia quando criança e passa para a adolescência”, completa a psicóloga.
Se não for tratada devidamente, a fobia social pode acarretar prejuízos de todos os tipos na vida do indivíduo. Segundo Cristiane, há casos de pessoas que deixam de aceitar cargos que exijam mais exposição, com muita participação em reuniões, por exemplo. Na vida pessoal, também podem ocorrer prejuízos, pois, muitas vezes, o paciente deixa de ter uma vida normal por causa da dificuldade para se relacionar e até para paquerar, afirma a pesquisadora.
O diagnóstico é feito com base na análise de alguns critérios específicos. Com o tratamento, o nível de ansiedade chega a cair muito e a pessoa passa a viver normalmente. O tratamento ainda está em fase de pesquisa e não há previsão de quando a técnica será implantada nas terapias cotidianas.
Fonte: Correio Brasiliense
Disponível em:<http://www.
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