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terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Onze Milhões de Transtornados

O fascínio pelos malucos em geral, sobretudo os que zanzam pelas ruas à procura de algo que talvez nem eles mesmo saibam, tema aqui neste espaço na semana passada, estende-se também para o campo científico.
Daí estar sempre de olho nas "novidades" que surgem a respeito dos transtornos --e são nada menos que 208 disfunções psiquiátricas catalogadas pelo DAS, sigla em inglês para o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais .
Daí ter descoberto que uma comunicação feita no 29º Congresso Brasileiro de Psiquiatria, realizado no começo do mês no Rio, aponta que 66% dos portadores brasileiros de transtorno bipolar recebem diagnóstico errado para a doença. Em geral, essas pessoas são apontadas como (e recebem tratamento para) portadores apenas de depressão.
Mais surpreendente do que isso, pelo menos para quem acompanha esse tipo de tema, foi saber, por meio de declarações da psiquiatra Laura Helena Andrade, pesquisadora da Faculdade de Medicina da USP, que hoje em dia estima-se que 6% da população brasileira (e não mais 2,5% como se supunha) são portadores de transtorno bipolar.
Isso significa que algo em torno de 11,4 milhões de brasileiros sofrem de um problema que os faz alternar sucessivamente estado de espírito depressivo com eufórico (maníaco), naquilo que já foi chamado no passado de PMD (psicose maníaco-depressiva) e hoje recebe a atenuante de transtorno maníaco-depressivo ou transtorno bipolar.
O que não diminui, ao contrário, o problema da maioria dos portadores desse distúrbio, que recebe tratamento apenas com antidepressivos. Trata-se, digamos assim, de atacar apenas metade do problema, jogando o paciente no outro extremo, que é o da mania, do comportamento sem limites, em que o cidadão desconhece perigos e incapacitações, colocando sua vida e muitas vezes a de outros em risco.
Ao receber medicação somente para o lado "down", vive-se permanentemente "up", com tudo de ruim que pode advir disso...
No entanto, não há como não deixar de se espantar com os tais 6%, porque é gente demais: dados que circulavam até agora davam conta de que 12% dos brasileiros sofrem de algum tipo de transtorno mental --pelo menos isso é o que divulgou a Associação Brasileira de Psiquiatria no ano passado.
Então quer dizer que metade desse contingente teria transtorno bipolar!
Portanto, não se espante se uma em cada 20 pessoas que você conhece comporta-se como se a vida fosse uma montanha russa, ou seja, agora age como se estivesse nos píncaros da glória, com fortes emoções à flor da pele, para daqui a pouco recolher-se tristemente como se um abismos negro e pantanoso se abrisse aos seus pés...

 Fonte: Folha de São Paulo

Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/colunas/luizcaversan/1005824-onze-milhoes-de-transtornados.shtml>. Acesso em: 01 dez. 2011

Teste Vocacional ou Orientação Profissional?: embora para alguns pareçam ser o mesmo processo, possuem características diferentes. A meta, porém, é a mesma: ajudar a pessoa a decidir sobre qual profissão seguir

Embora para alguns pareçam ser o mesmo processo, possuem características diferentes. A meta, porém, é a mesma: ajudar a pessoa a decidir sobre qual profissão seguir


Em geral, chama-se Teste Vocacional o processo de orientação apoiado em uma bateria de testes (de interesse, aptidão, inteligência, personalidade) que tem por objetivo contar para o estudante "como ele é e para o que ele dá". O processo de testagem pode ser comparado a uma fotografia que revela aspectos da pessoa. O indivíduo, neste caso, geralmente recebe um laudo que aponta o perfil pessoal encontrado, acompanhado de sugestões de áreas para atuação.
Já os termos Orientação Vocacional e Orientação Profissional podem ser usados no mesmo sentido, para denominar o processo no qual o orientador vocacional/profissional propicia experiências para que a pessoa reflita sobre si mesmo e as áreas profissionais em que poderia atuar. Estamos falando, então, de um programa de atividades voltado à facilitação da escolha da profissão ou do encontro de uma nova opção no mundo ocupacional. Nessa linha, os processos de orientação poderão utilizar alguns testes como complemento do trabalho junto com outras ferramentas. Eles podem integrar os recursos a serem utilizados, contudo não definem em si mesmos o processo de orientação.
Desse modo, o orientador pode ser concebido como um tipo de coadjuvante, que procura proporcionar experiências e trazer novos elementos para o indivíduo avaliar, considerar e se posicionar. Trata-se de uma construção conjunta, realizada pelo indivíduo com o orientador, que tem por objetivo final conseguir a tomada de decisão do indivíduo sobre a opção ocupacional e a idealização de um plano de carreira.
Cabe ressaltar que a Orientação Profissional é dirigida ao indivíduo em qualquer idade, desde que ele tenha uma questão profissional a pensar. Nesta direção, encontram-se trabalhos não só voltados aos vestibulandos, vertente mais conhecida, mas também programas voltados a universitários, adultos em todas as fases do ciclo produtivo, executivos, aposentados, portadores de necessidades especiais, egressos de hospitais que necessitem reoptar, desempregados, entre outros segmentos específicos.
Já a Orientação Vocacional refere-se ao conjunto de qualidades ou características pessoais que predispõem uma pessoa a sair-se bem em determinadas atividades. Esse conceito, no passado, foi associado à noção de dom, que implica na ideia de que há uma predisposição ou capacidade inata (tendência ou inclinação), herdada, para determinadas atividades. A noção de que herdamos, ou seja, nascemos com predisposições naturais, pode ser questionada. O termo Orientação Vocacional ainda é mais utilizado por adolescentes e seus pais. Muitos pais usam o nome Teste Vocacional quando telefonam e solicitam informações sobre o processo de Orientação Profissional.
Para evitar essa imagem de que o orientador profissional irá por meio de testes localizar o dom inato do indivíduo, cujo desenvolvimento permitirá que ele, nalmente, seja feliz no que faz, muitos pro ssionais preferem substituir o termo pelo de Orientação Profissional. Isso é importante porque é necessário que o indivíduo, seja ele um vestibulando ou profissional já inserido no mercado, responsabilize-se pelo processo de autoconhecimento e escolha, não podendo transferir tal responsabilidade para o profissional que o assiste neste contexto.

Leia reportagem completa: http://psiquecienciaevida.uol.com.br/ESPS/Edicoes/71/teste-vocacional-ou-orientacao-profissional-embora-para-alguns-parecam-241577-1.asp

Fonte: Revista Psique Ciência e Vida

MÍDIAS SOCIAIS: rumo à democracia participativa?: o jogo do poder depende também das novas mídias, via internet e celular, que são redes horizontais ou autocomunicação de massa. Assim, o sistema se abre a mensagens de todo tipo, individuais e de movimentos sociais

O jogo do poder depende também das novas mídias, via internet e celular, que são redes horizontais ou autocomunicação de massa. Assim, o sistema se abre a mensagens de todo tipo, individuais e de movimentos sociais
FOTOS: SHUTTERSTOCK
José Luis Orihuela, professor da Universidade de Navarra, na Espanha, no discurso de encerramento do I Congresso iRedes, no final de fevereiro deste ano, sentenciou: "Na Espanha, os partidos políticos ganharão ou perderão as eleições com as mídias sociais (não graças a elas, nem por culpa delas, e sim com elas). Além disso, os que ganharem terão de governar com as redes sociais. Os partidos que usarem bem essas mídias terão de abrir espaço em seus programas eleitorais e acolher os projetos e demandas da população".
Poucos dias depois, em plena campanha para as eleições locais espanholas, as pessoas que já vinham protestando na rede saíram às ruas, de forma espontânea. As manifestações dos "indignados", mais reformistas que revolucionárias, iniciadas em 15 de maio passado, aconteceram em diversas cidades espanholas e só foram suspensas três semanas depois. O 15-M, como foi chamado o movimento, foi a primeira manifestação que, seguindo as dinâmicas da primavera árabe - indignação, protestos, ocupação de praças, etc. - e explorando a capacidade de organização dos cidadãos potencializada pelas redes sociais, acontece num país com plena legitimidade e garantias democráticas. E faz repensar o atual modelo de democracia ocidental.

Leia reportagem completa: http://sociologiacienciaevida.uol.com.br/ESSO/Edicoes/37/midias-sociais-rumo-a-democracia-participativa-238948-1.asp

Fonte: Revista Psique Ciência e Vida

Pesquisa Relaciona o Cuidado das Mães ao Controle da Ansiedade

Colo de mãe é maravilhoso, e isso é indiscutível. No entanto, além de deixar os filhotes dengosos, esse carinho materno ainda controla a ansiedade e, consequentemente, o peso dos filhos. A conclusão é de Carola Eva, especialista do Instituto de Neurociência Ottolenghi Cavalieri, da Universidade de Turim, na Itália. Em estudo realizado com camundongos geneticamente modificados, publicado este mês na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (Pnas), os filhos que foram assistidos pela mamãe rato tinham menos sinais de ansiedade e peso normal.
italiana trabalhou com ratinhos geneticamente modificados para que seus cérebros não produzissem o neuropeptídeo Y, um neurotransmissor que regula o comportamento metabólico, emocional e energético nos mamíferos, incluindo o homem. Depois, a equipe de Carola comparou os efeitos dessa intervenção genética em duas situações diferentes: quando os animais recebiam desde cedo o carinho da mãe e quando não tinham esse tipo de atenção.
Os cientistas perceberam, então, que, quando não havia cuidado da mãe, os efeitos da alteração genética eram praticamente nulos. Tanto os ratos normais quanto os modificados apresentavam comportamento ansioso e baixo peso. Porém, quando os filhotes recebiam atenção da mãe, a diferença entre os normais e os geneticamente modificados era enorme. Os primeiros permaneciam saudáveis, enquanto os últimos continuavam apresentando os problemas.
A conclusão da pesquisadora foi, portanto, que a produção do neurotransmissor no cérebro depende do carinho da mãe, afinal, mesmo os ratinhos normais que não receberam cuidados apresentaram os sintomas de ansiedade e perda de peso. “A atenção materna altera permanentemente o comportamento ansioso e o peso corporal dos filhotes por meio da regulação do gene, ou seja, a produção do neurotransmissor no cérebro depende do carinho da mãe”, diz ao Correio Carola (leia entrevista).
Perda
Como em muitas pesquisas com animais, os resultados, apesar de terem sido obtidos em ratos, trazem dados que podem dizer muito sobre os seres humanos. A própria pesquisadora lembra que há estudos que apontam a influência da atenção materna na parte emocional das crianças. Nesse caso específico, porém, a falta de amor materno pode ter um resultado um pouco diferente em crianças: aumento de peso. Isso porque é comum que a ansiedade faça as pessoas descontarem o sentimento de estresse comendo.
De acordo com a psicóloga infantil Jaqueline Pessoa de Lima, do Espaço Clínico Psicoarte, a ansiedade é um indicativo de perda, ou seja, é sinal de que a criança está sentindo falta da mãe. Ela explica que o bebê pode então tentar suprir essa carência na alimentação. “Às vezes a mãe não percebe que está falhando em dar atenção ao filho, mas precisa ficar atenta, pois pode prevenir problemas emocionais futuros”, destaca. “Hoje em dia é muito comum as mães terceirizarem essa atenção ou até mesmo recompensarem os filhos com presentes, o que é um erro. A criança precisa de participação ativa, de carinho, e não de objetos”, completa.
Foi o que percebeu Luna Boechat, 28 anos, mãe de Pedro, 1 ano e 10 meses. Segundo ela, o garotinho começou a apresentar sintomas de ansiedade quando ela voltou a trabalhar, passando a ficar agitado e carente. A situação se tornou ainda mais delicada porque o pai, o geólogo Bruno Velasco, 33, precisa viajar com frequência. Segundo Luna, já houve muitas situações em que Pedro perguntou insistentemente pelo pai, chegando ao extremo de colocar uma cadeira do lado da porta para esperá-lo.
O comportamento do pequeno acendeu o sinal de alerta na mãe, que passou a conversar mais com o filho. Ela também passou a reservar todo o seu tempo livre para dar atenção ao menino, momentos em que procura demonstrar o quanto é querido. Os fins de semana, por exemplo, são sagrados, dias para serem vividos em família. “Se ele quer minha atenção é porque ele está precisando dela, então não posso negar”, diz Luna.
Equilíbrio
Muito carinho também é a fórmula encontrada pela família de Iago Brazil, 6 anos, para ajudá-lo a controlar a ansiedade. O menino mora com o pai, Igor, 31, desde que tinha 1 ano e meio e se mostra agitado e com dificuldade de se concentrar. Igor conta que sempre procura conversar com o filho para entendê-lo melhor e acalmá-lo. Ele acha que a ansiedade do garoto nada tem a ver com a ausência da mãe, mas sim com o fato de ele ter hiperatividade. Até porque o menino mantém contato constante com a mãe e outros familiares. “Ele também tem muito carinho da minha mãe, minha irmã e minha noiva”, conta o pai. “Ele recebe muito amor.”
O segredo parece estar no equilíbrio. A psicóloga Jaqueline Lima alerta também para o excesso de atenção, que também não faz bem. “Superproteger os filhos pode trazer danos ainda piores, pois a criança não se desenvolve e fica sempre dependente dos pais”, salienta. Segundo a especialista, muitas mães, em consulta, se preocupam com o fato de o filho brincar sozinho, por exemplo. “Mas isso quer dizer que a criança está em desenvolvimento”, observa. Para Jaqueline, é necessário que as mães prestem mais atenção aos filhos e ao próprio comportamento para, só então, dosar essa atenção e aplicá-la de forma efetiva.
Três perguntas para
Carola Eva, pesquisadora da Universidade de Turim
Qual foi o principal propósito de seu estudo?
Queríamos estudar a importância do receptor Y1R no sistema límbico e os efeitos dos cuidados maternos nas emoções e no crescimento.
Como a pesquisa foi realizada?
Para realizar o estudo, geramos ratos geneticamente modificados, dos quais foi retirado o gene Npyr1 no sistema límbico, uma região do cérebro que exerce funções cruciais no aspecto emocional e metabólico. Nós mostramos que a remoção desse gene causa ansiedade e diminuição do peso corpóreo nos animais. No entanto, o efeito dessa remoção só é nítida em comparação a ratos normais quando eles são criados por mães que demonstravam cuidado intenso. Quando as mães não são cuidadosas, os efeitos genéticos não são mais vistos, porque mesmo ratos normais podem ter seu peso e níveis de ansiedade alterados (quando não recebem carinho).
O seu estudo vale para as pessoas?
É difícil dizer. Mas existem estudos que mostraram como o cuidado materno ajuda a regular o modo como a pessoa lida com a ansiedade e sua capacidade de responder ao estresse.

Fonte: Correio Brasiliense

Disponível em:<http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/ciencia-e-saude/2011/11/29/interna_ciencia_saude,280647/pesquisa-relaciona-o-cuidado-das-maes-ao-controle-da-ansiedade.shtml>. Acesso em: 30 nov. 2011

Esquizofrenia Acomete 2 Milhões de Brasileiros e Ainda é Confundida

Era um domingo de 1990. Ao chegar a sua casa, o filho que sempre gostou de bater papo com a família passou direto pelos pais, que estavam na sala. A mãe, a aposentada Vera Maria Mesquita Marques, 73 anos, ficou preocupada. “Fui atrás dele, mas ele não me escutou nem me deu atenção. Vi que ele suava e começou a não falar coisa com coisa”, relembra. Com a mudança de comportamento de Rodrigo Alberto Mesquita Marques, 45, veio o diagnóstico de esquizofrenia, que acomete 2 milhões de brasileiros. A moradora de Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, nunca tinha ouvido falar na doença.
Pesquisa realizada pelo Ibope com 72 famílias de pacientes com esquizofrenia em todo o Brasil mostra que a falta de informação não é exclusividade da mineira. Por desconhecer a doença, o caminho costuma ser longo até o diagnóstico e, muitas vezes, os sinais do problema são confundidos com as mudanças comuns da adolescência. A psiquiatra e psicanalista Gilda Paoliello, membro da diretoria da Associação Mineira de Psiquiatria, explica: “Quando começa a entrar na adolescência, a criança que era dócil fica rebelde, passa a não obedecer às normas, e isso também pode ocorrer na esquizofrenia, mas os sintomas são bem mais acentuados”. O paciente passa a se desinteressar pelo que gostava, tende a se isolar e ficar fora do convívio social e familiar, ao contrário do adolescente que, em geral, prefere viver em grupo.
Como não sabem o que está ocorrendo, as famílias demoram a pedir ajuda, o que só aumenta o sofrimento. “Quanto mais cedo for feito o diagnóstico, melhor, pois o paciente vai conseguir vencer a doença de forma mais tranquila. Torna-se mais fácil evitar uma série de consequências se a intervenção for feita no início”, alerta a psiquiatra. Gilda diz que o paciente medicado precocemente fica menos atormentado e adere melhor ao tratamento.
Os relatos colhidos por pesquisadores do Ibope apontam que muitos familiares se recusam a aceitar a doença, outra explicação para a demora de procurar um médico. A psiquiatra mineira observa que ainda existe a associação da esquizofrenia com o estereótipo de louco, que por muito tempo foi deixado à margem da sociedade. “Mas isso tem mudado. Todos os projetos terapêuticos hoje são pensados no sentido de incluir o paciente no vínculo social e familiar, diferentemente do que ocorria há 20 anos, quando ele era excluído com longas internações”, comenta. Gilda destaca que a estadia no hospital é importante, mas apenas em períodos de crise.
Apoio afetivo
A mãe de Rodrigo Mesquita também passou pela fase de não aceitação. “Fiquei quase um ano de mal com a vida. Não conseguia aceitar que um filho com um futuro brilhante, de uma hora para outra, visse tudo desmoronar”, conta. Até que Vera se deu conta de que o filho dependia dela para se tratar e deu a volta por cima. Não pôde abandonar o trabalho, mas ficou sempre à frente do tratamento. “A vontade era tanta de ver ele bem que resolvi correr atrás. Li muito sobre a doença e encontrei os melhores médicos”, conta.
Para Gilda Paolielo, o vínculo da família com o tratamento é fundamental. “Costumo falar que o psiquiatra consegue muito pouco sozinho. Então, desde o primeiro momento, a gente ajuda a família a entender as ‘esquisitices’ do paciente com esquizofrenia e orienta como ela deve lidar com isso”, pontua. Gilda reforça que os parentes não podem deixar de estimular o paciente a se tratar, porque, como ele perde o senso crítico, não acha que está doente e acredita fervorosamente nas alucinações. “A família precisa de um bom suporte, porque não é fácil lidar com o paciente. Tem que ter orientação médica e receber visitas domiciliares de um assistente social. É tudo muito angustiante.”
Os parentes ouvidos pelo Ibope revelam outra dificuldade: a financeira. A doença acaba tendo um forte impacto sobre as finanças da família, já que muitos cuidadores largam o emprego. Sem falar que o paciente também deixa de contribuir. “As políticas de saúde do governo são importantíssimas. Nos Estados Unidos, o cuidador tem autorização para se afastar do trabalho para cuidar do paciente, mas aqui não existe isso. Se a pessoa tira licença, é sem remuneração. Isso tem que ser mudado, pois é um absurdo”, opina a psiquiatra mineira. O tratamento de esquizofrenia não fica por menos de R$ 1 mil por mês.
Vera diz que convive muito bem com a doença do filho. “Aprendi a lidar com o Rodrigo. Interpreto o olhar dele, se está agressivo nem me aproximo. Sei a hora de conversar e de me calar. Quando ele muda de comportamento, corro para o psiquiatra”, conta. Certa de que o apoio da família é fundamental, a aposentada revela, feliz, que os parentes se uniram ainda mais para enfrentar a esquizofrenia. É uma alegria quando ela, o filho, a neta e três bisnetos se encontram para bater papo.

Fonte: Correio Brasiliense

Disponível em:<http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/ciencia-e-saude/2011/11/24/interna_ciencia_saude,279968/esquizofrenia-acomete-2-milhoes-de-brasileiros-e-ainda-e-confundida.shtml>. Acesso em: 30 nov. 2011

Promotoria da Saúde Ajuíza Ação Para Garantir Medicamentos a Portadores de Doença Mental

A Promotoria da Saúde de João Pessoa ajuizou ação civil pública contra o Estado para regularização da distribuição do medicamento Olanzapina para portadores de doença mental que estão sem receber desde maio deste ano. Segundo o promotor de Justiça João Geraldo Barbosa, a ação foi distribuída para a 2ª Vara da Fazenda da Capital.
João Geraldo informou que, além de aguardar a apreciação do pedido de liminar desta ação, também aguarda a apreciação da petição que formulou junto ao juízo denunciando o descumprimento da ação civil que requer a regularização na distribuição de medicamentos para pacientes portadores de fibrose cística. “Estamos cobrando as medidas coercitivas como multa e sequestro já recepcionadas na ação”, disse.
“A Promotoria da Saúde vem enfrentando esta batalha jurídica em razão da inércia do Poder Executivo em cumprir sua obrigação constitucional com relação a garantir o direito à saúde e à vida dos cidadãos paraibanos, ao ponto de sequer cumprir as decisões judiciais ainda que beneficiado com algumas concessões de novos prazos a cumprir, o que desobedeceu e ainda assim permanece no estado de desobediência. Isso faz com que a Promotoria aguarde, juntamente com o cidadão reclamante de descaso do executivo, que essas medidas judiciais se tornem o mais rápido possível eficazes na forma em que foram exaradas”, explicou o promotor.
Neste contexto, o promotor evidenciou que, no último dia 18, a juíza da 5ª Vara da Fazenda Pública da Capital, Maria de Fátima Lúcia Ramalho, manteve sua decisão com relação à ação civil pública que trata de medicamentos para portadores do Mal de Alzheimer, cuja decisão em sua parte final dispôs o seguinte: “Isto posto, determino com a máxima urgência, o cumprimento da liminar como foi decidido, devendo o Senhor Secretário de Saúde efetuar imediatamente a compra de medicamentos com incidência de ICMS, como determina o Regimento do ICMS, no prazo de cinco dias, advertindo-o que após esse prezo, providências deste juízo serão adotadas, inclusive o bloqueio de verbas públicas”, diz a decisão da juíza.
João Geraldo ressaltou que, conforme mandado de intimação constante na folha 362 dos autos da ação, o secretário Waldson Dias de Souza, foi formalmente intimado no último dia 18. “Portanto, o prazo para que as verbas do Estado sejam bloqueadas, conforme decisão judicial, tem término na data de hoje, caso a situação dos medicamentos não seja regularizada no âmbito do objeto desta ação”, concluiu o promotor.

Fonte: Jornal Paraíba

Disponível em:<http://www.paraiba.com.br/2011/11/25/44622-promotoria-da-saude-ajuiza-acao-para-garantir-medicamentos-a-portadores-de-doenca-mental>. Acesso em: 30 nov. 2011

Hospitais Psiquiátricos Reagem Contra Denúncias do Flamas: Fórum de Luta Antimanicomial de Sorocaba questionou mortes no setor

Seis hospitais psiquiátricos de Sorocaba, Piedade e Salto de Pirapora reagiram ontem contra as denúncias do Fórum de Luta Antimanicomial de Sorocaba (Flamas) sobre as mortes no setor de atendimento da saúde mental. Esses hospitais entraram neste mês com ação indenizatória por danos materiais e morais contra dois representantes do Flamas, o pesquisador e professor Marcos Garcia e o psicólogo Lúcio Costa. Os dois utilizaram a palavra "tranquilidade" para descreverem como recebem a notícia.
Em documento divulgado à imprensa, os hospitais justificaram a ação: "Durante meses, os estabelecimentos (hospitais psiquiátricos) foram alvo de falaciosas acusações e denúncias, orquestradas pelo dito movimento antimanicomial, e após diversos encaminhamentos por órgãos oficiais, elas foram desmontadas." Os referidos hospitais são três de Sorocaba (Mental, Teixeira Lima e Vera Cruz), dois de Salto de Pirapora (Santa Cruz e Salto de Pirapora) e um de Piedade (Vale das Hortênsias).
O advogado dos hospitais, Rodrigo Gomes Monteiro, disse que as denúncias do Flamas tentaram fechar as instituições psiquiátricas em meio a uma situação em que elas já são "fragilizadas" como consequência da falta de recursos públicos. Ele lembrou que uma comissão da Câmara de Sorocaba concluiu que não houve negligência por parte dos hospitais psiquiátricos e ela responsabilizou Marcos Garcia pela divulgação de dados "inexatos". Segundo Monteiro, a Prefeitura concluiu que o Flamas é um movimento "político ideológico" e que tinha por objetivo atacar o governo do PSDB, e o Ministério Público também chegou a conclusão semelhante. Disse que a ação tem por objetivo recuperar o dinheiro gasto pelos hospitais com advogados por conta das denúncias do Flamas e o valor é estimado em R$ 82 mil, além dos danos morais cujo valor ficará a cargo de decisão da Justiça.
De acordo com Marcos Garcia, num universo de sete hospitais psiquiátricos de Sorocaba e região ocorreram 825 mortes entre janeiro de 2004 e julho de 2011. Segundo ele, no mesmo período e em outros 19 hospitais do Estado de São Paulo, a mortalidade atinge 808 registros. Nos seus cálculos, proporcionalmente, se os hospitais de Sorocaba tivessem a mesma média de registros dos demais, teriam ocorrido 375 mortes no mesmo período.
Segundo Marcos Garcia, esses resultados são frutos de pesquisa coordenada por ele e foram apresentados em Congresso da Associação Brasileira de Psicologia Social. Disse que relatório feito pela Prefeitura confirmou os dados da pesquisa. Ontem, ele esteve em reunião com representantes da coordenadoria de Saúde Mental do Ministério da Saúde e do Ministério Público Federal para discutir o assunto.
Marcos Garcia e Lúcio Costa acrescentaram que ainda há vários desdobramentos para acontecer. Como exemplo, Lúcio Costa disse que a situação de Sorocaba no âmbito da saúde mental está nas mãos do Ministério Público Federal, que abriu uma apuração, independentemente de decisão do Ministério Público Estadual. "O que fizemos foi levantar informações oficiais de bancos de dados do governo federal e colocá-las para a sociedade, o que não lesou ninguém, e fomentamos o debate sobre a saúde mental em Sorocaba e região", disse Lúcio Costa. Ele lembrou que, após os debates estimulados pelo Flamas, o Ministério da Saúde organizou mutirão para fiscalizar os 201 hospitais existentes em todo o Brasil. Em um dos debates, em 24 de maio passado, na Câmara, as discussões foram acompanhadas de performance com inspiração na saúde mental.
Enquanto isso, o documento dos hospitais acrescentou: "Como se sabe, o dito movimento antimanicomial, de forma irresponsável, sensacionalista e inconsequente, mas com o claro objetivo de fechar os hospitais psiquiátricos, lançou inúmeras acusações contra os estabelecimentos, com a falsa premissa de que o número de óbitos, neles, seria escandalosamente maior do que a média do Estado de São Paulo. Tais informações foram repassadas para a imprensa e, lamentavelmente, o nome e a imagem dos diretores e das instituições sofreram abalos e, certamente, estes levarão tempos para se recuperar, se é que isso ocorrerá de forma plena."

Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul

Disponível em:<http://portal.cruzeirodosul.inf.br/acessarmateria.jsf?id=345847>. Acesso em:30 nov. 2011

Depressão Resistente ao Tratamento Parece Estar a Aumentar

No último dia do VII Congresso Nacional de Psiquiatria e Saúde Mental, o Dr. Zihad Nahas, da American University of Beirut, mostrou no simpósio “Neuroestimulação em Psiquiatria. Técnicas antigas? Novos dados!” que a depressão, enquanto uma experiência subjectiva, continua a ser um problema real, avança comunicado de imprensa. Este revelou ainda que a depressão resistente ao tratamento está a aumentar. “Quanto mais baixa a resposta, mais alta a recaída. Quanto mais alta a resposta, mais baixa a recaída. Quanto mais alta a recaída e mais baixa a resposta, mais longos são os episódios”, exemplificou.
No simpósio sobre “Disfunção Eréctil: algumas intervenções terapêuticas de análise” Ana Carvalheira, presidente da Sociedade Portuguesa de Sexologia Clínica, apresentou um estudo onde surgiram algumas conclusões importantes para a análise da evolução da disfunção eréctil, um problema muitas vezes silenciado pelo doente e familiares e para o qual os avanços terapêuticos são escassos.
Discutiram-se as razões pelas quais os homens abandonam a terapia cognitiva-comportamental, verificando-se que 48,9% dos homens fazem-no devido à não eficácia dos medicamentos (40%). Num questionário anónimo a 327 participantes, 87% com relações de compromisso e 42% com estudos superiores, verificou-se que o abandono prende-se igualmente com factores relacionais e psicológicos.
Na mesma sessão, debateu-se o conceito de “mindfulness” pela sexóloga da universidade de Coimbra, Sandra Vilarinho, no âmbito da disfunção eréctil. Esta prática meditativa, que leva a pessoa a ver o pensamento enquanto um acontecimento mental isolado, sem julgamento, poderá levar a um aumento da auto-consciência e funcionamento sexual e, por conseguinte, a uma sexualidade mais satisfatória.
Na sessão dedicada ao tema da “Eutanásia – suicídio assistido: sim ou não?”, a Prof. Dra. Laura Santos, da Universidade do Minho, defendeu que as decisões dos doentes terminais são importantes e devem ser consideradas importantes. “Não há lugar para a imposição pela força de uma qualquer moral”, ressalvou, salientando que estar vivo é muito diferente de ter uma vida.
Por seu turno, o Prof. Manuel Curado, docente da Universidade do Minho, defende que não existe lugar para qualquer forma de eutanásia ou suicídio assistido, referindo que “a dor não mata, as ideias e os valores sim”.

Leia artigo completo: http://abp.org.br/2011/medicos/imprensa/clipping-2

 Fonte: Revista Debates em Psiquiatria

Técnica Pode Revelar Consciência em Paciente Vegetativo

Técnicas de imagem do cérebro, como a ressonância magnética funcional e a eletroencefalografia, permitiram que pesquisadores detectassem um estado de "alerta consciente" (uma "consciência mínima") em pacientes no estado vegetativo.
O resultado poderia indicar uma chance de recuperação, embora remota; algo capaz de trazer tanto esperança quanto angústia para parentes de um paciente.


O novo estudo foi publicado na revista médica "The Lancet". O trabalho mostrou, com uma técnica simples de eletroencefalografia, que três entre 16 pacientes diagnosticados como vegetativos mostraram esse sinal de alerta ao receber comandos verbais.
Lesões no cérebro podem afetar o nível de consciência. Um paciente em coma nem abre os olhos; já aqueles em estado vegetativo abrem os olhos e têm movimentos como virar a cabeça, mas não têm comunicação intencional nem percepção de si mesmos ou do ambiente. E as pessoas em estado minimamente consciente têm consciência flutuante.
"Determinar que alguém está em um estado minimamente consciente, e não em estado vegetativo, pode ser muito importante em termos de prognóstico. Nós sabemos que as chances de recuperação de um estado minimamente consciente são melhores do que as de um estado vegetativo", diz um dos autores, Adrian Owen, neuropsicólogo da Universidade de Ontario Ocidental.
Pacientes em coma que sobrevivem, em geral, acabam acordando e se recuperando gradualmente entre duas e quatro semanas, segundo um estudo de revisão da literatura médica assinado por Owen e mais dois colegas na "Lancet Neurology".
DECISÕES DIFÍCEIS
"Em muitos países, decisões sobre a continuação ou não do cuidado médico são raramente feitas em casos de estado minimamente consciente, são feitas com relativa frequência em casos de estado vegetativo, daí a importância do diagnóstico", diz.
Owen esteve em São Paulo para conferir palestra sobre o tema no Hospital Israelita Albert Einstein. "O encontro teve foco na aplicabilidade clínica de técnicas de imagem", diz Edson Amaro Júnior, coordenador do Instituto do Cérebro do Albert Einstein e pesquisador da USP.
"Eles têm tentado entender como obter uma informação a mais. São estudos preliminares", diz Amaro.
Esses dados estão indicando que entre 20% e 40% dos pacientes vegetativos poderiam estar em estado minimamente consciente, algo que mesmo a convivência de parentes com os pacientes já parecia indicar na prática.
Por exemplo, é comum um parente contar ao médico coisas como "hoje ele parecia estar olhando para mim", ou "ele parecia uma pedra", possíveis indicações de flutuação da consciência.
Owen e colegas fizeram testes requerendo a compreensão de dois comandos depois de ouvir um bipe: "tente imaginar que você está fechando a sua mão direita e depois relaxando-a" e "tente imaginar que está mexendo os dedões dos dois pés, depois relaxando-os".
Nenhum paciente mexeu os pés ou as mãos. Mas os cérebros de três pacientes reagiram ao comando verbal, modulando as respostas de eletroencefalografia de modo semelhante aos dos voluntários saudáveis testados como uma forma de "controle" do experimento.
AOS PARENTES
"Quanto ao que os médicos podem aconselhar aos parentes nessas circunstâncias, a resposta é que as técnicas que nós e outros estamos desenvolvendo estão aumentando as chances de que possamos chegar ao diagnóstico preciso, e aí estaremos informados sobre o provável prognóstico", afirma Owen.
As técnicas de imagem só agora estão começando a dar pistas sobre esses estados de consciência alterados.
"Nós não tínhamos nem como começar a investigar a questão, mas com a ressonância magnética funcional e eletroencefalografia podemos começar a fazer perguntas como 'eles podem experimentar emoções', 'será que sentem dor?'", conclui Owen.

Fonte: Folha de São Paulo

Disponível em:<http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/1013264-tecnica-pode-revelar-consciencia-em-paciente-vegetativo.shtml>. Acesso em: 29 nov. 2011.

Assédio Moral: vítimas desenvolvem sintomas de transtorno de estresse pós-traumático

Coação, humilhação e constrangimento são situações que muitas vezes não são percebidas como agressão dentro das empresas. O assédio moral é uma forma de violência psicológica extrema no ambiente de trabalho e, infelizmente, frequente – no Brasil, 36% dos trabalhadores a sofrem de forma sistemática, segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Conflitos nas relações de trabalho são normais e até mesmo saudáveis. No entanto, se eles se desdobram em episódios de estigmatização, exclusão e, em alguns casos, em ofensas físicas e verbais, a situação se caracteriza como assédio moral. Suas possíveis causas vão desde a cultura do ambiente do trabalho, que fecha os olhos às condutas repressivas e arbitrárias dos superiores sob o pretexto de aumentar a produtividade, até variáveis individuais, como a vulnerabilidade da vítima e a personalidade do agressor, que em mais de 90% dos casos, é o chefe direto.

O dano psicológico pode se manifestar desde sinais de estresse, como irritabilidade e insônia, até distúrbios psíquicos graves, como depressão e abuso de substâncias químicas. Estudos de vários países têm apontado que pessoas que sofrem assédio moral desenvolvem sintomas semelhantes aos do transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), como tensão, hipervigilância e pesadelos recorrentes. Deve-se considerar, além disso, o impacto sobre as relações sociais e afetivas das vítimas – 82,5% delas apresentam problemas de memória, 67% têm baixa autoestima e 60% desenvolvem depressão, segundo pesquisa conduzida pela médica do trabalho Margarida Barreto, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), que entrevistou 42.000 trabalhadores do setor público, de empresas privadas e de organizações não-governamentais (ONGs).

Entre os efeitos econômicos, estão maior número de faltas ao trabalho e perda de produtividade. O índice por doenças cardiovasculares decorrentes da degradação das condições de trabalho aumenta em todos os países, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, há apenas leis municipais e estaduais sobre o tema e uma lei federal que veda empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES). Há, no entanto, um projeto de lei em discussão no Congresso Nacional que propõe a inclusão do assédio moral no Código Penal, com penas de três meses a um ano de cadeia e multa para o agressor.

Fonte: Revista Mente e Cérebro

Disponivel em: <http://www2.uol.com.br/vivermente/artigos/violencia_invisivel.html>. Acesso em: 29 nov. 2011

Cães Terapeutas: animais ajudam no tratamento de pacientes com câncer e deficientes mentais

Há dez anos, o adestrador de cães Hélio Rovay, a pedagoga Adriana Maracinni e a cadela Nina, da raça labrador, começaram a visitar uma instituição que cuidava de crianças com síndrome de Down em Campinas, no interior de São Paulo. Com medo no início, os pequenos foram pouco a pouco se adaptando à presença de Nina e passaram a interagir com o animal. O casal estendeu as visitas a hospitais que cuidam de pacientes com câncer e a asilos, percebendo que o contato com o animal trazia bem-estar. A iniciativa tomou corpo, e hoje o projeto social Medicão tem mais de 20 voluntários, entre psicólogos, pedagogos e estudantes, além de 17 cães “terapeutas”.

Fonte: Revista Mente e Cérebro

Disponível em:<http://www2.uol.com.br/vivermente/artigos/caes_-terapeutas-_ajudam_no_tratamento_de_pacientes_com_cancer_e_deficientes_mentais.html>. Acesso em:29 nov. 2011

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Conexão Entre Corpo e Mente


Shakespeare foi um entendedor excepcional da ligação corpo-mente, o que pode ajudar os médicos se lembrarem que os sintomas físicos podem ter causas psicológicas.

Há poucos dias, o jornalista Moisés de Freitas virou hit nas redes sociais com um texto que critica a visão da ciência tradicional, que encara o homem como um animal humano, sem espírito.
Agora foi a vez de um médico britânico sugerir que ler Shakespeare pode ajudar os médicos a entenderem melhor a conexão entre a mente e o corpo.
O estudo, publicado no periódico científico Medical Humanities, destaca que Shakespeare foi um mestre na descrição do fundo emocional dos sintomas físicos de seus personagens, o que pode ajudar os médicos atuais.
"Eles poderiam aprender a ser médicos melhores estudando Shakespeare. Isto é importante porque os chamados sintomas funcionais são a principal causa de consultas aos clínicos gerais e dos encaminhamentos a especialistas," afirma o Dr. Kenneth Heaton.
Do psíquico ao fisiológico
O Dr. Heaton, que é médico, mas também profundamente versado em literatura, estudou não apenas toda a obra de Shakespeare, como também o trabalho de 46 outros autores da mesma época.
"A percepção de Shakespeare de que o torpor e as sensações intensas podem ter uma origem psicológica parece não ter sido compartilhada por seus contemporâneos, nenhum dos quais incluiu estes fenômenos nos trabalhos examinados", escreveu o Dr. Heaton.
Ele conclui que Shakespeare foi um entendedor excepcional da ligação corpo-mente, o que pode ajudar os médicos se lembrarem que os sintomas físicos podem ter causas psicológicas.
"Muitos médicos relutam em explicar os sintomas físicos por distúrbios emocionais, e isso resulta em diagnósticos tardios, exames em excesso e tratamentos inadequados," afirma.
O psicólogo Shakespeare
Ao contrário de seus contemporâneos, Shakespeare foi um mestre em vincular os sintomas físicos com os problemas emocionais.
Vertigem e tontura são observadas em cinco personagens em "A Megera Domada", "Romeu e Julieta", "Henrique VI", "Cimbelino", e "Troilo e Créssida".
Há onze episódios de falta de ar associada com emoções extremas em "Os dois cavalheiros de Verona", "O estupro de Lucrécia", "Vênus and Adônis" e "Troilo e Créssida".
Fadiga e cansaço como resultado de mágoa ou angústia aparecem em "Hamlet", "O Mercador de Veneza", "Do jeito que você gosta", "Ricardo II" e "Henrique IV".
Distúrbios de audição em períodos emoções intensas aparecem em "Rei Lear", "Ricardo II" e "Vida e morte do Rei João".

Fonte: Diário da Saúde

Disponível em:< http://www.diariodasaude.com.br/news.php?article=medico-devem-ler-shakespeare-conexao-mente-corpo&id=7172>. Acesso em: 25 nov. 2011

Saiba Como Surge o Sentimento de Culpa e o Que Ele Pode Causar

As cenas em que a mulher devora um pote de sorvete após terminar o namoro ou em que o homem entra em um bar e sai de lá carregado depois de levar um fora não estão à toa nos roteiros de cinema. Geralmente, os personagens se sentem culpados e buscam meios de fuga para aliviar o sentimento. A culpa é vista como um arrependimento por uma atitude tomada. Segundo a psicóloga Olga Inês Tessari, ela surge do anseio à perfeição. "Quanto melhor uma pessoa querer ser, menos ela admitirá erros", disse. Olga afirma que a culpa está ligada ao contexto cultural em que "surgiu" a raça humana. Ela dá como exemplo a história religiosa de que Eva mordeu a maçã proibida e, por isso, todos pagam por culpa dela, quando na verdade o ser humano é imperfeito, erra e não deveria se culpar. Entretanto, o psicólogo e psicanalista Julio Cesar Walz enxerga o sentimento de uma forma diferente. Segundo ele, a culpa é um "delírio de grandeza". Walz explica que a culpa faz com que a pessoa acredite que pode controlar a vida e, quando algo sai de uma forma inesperada, este indivíduo busca respostas para aquela situação e, então, acredita que algo que fez causou o acontecimento ruim. "A culpa surge como uma forma de a pessoa tentar superar ou dissimular a sua insignificância pela condição de ser humano", disse Walz. De acordo com psicólogo, a culpa é o cultivo e manutenção da sensação de que tudo depende da pessoa e é ocasionado por ela. "A vida acontece de forma independente", concluiu.
O psicanalista e psiquiatra Paulo Sérgio Guedes acompanha Walz na definição do sentimento de culpa. Segundo ele, o sentimento é a causa de uma série de problemas e não consequência de algo feito. Eles acreditam que uma pessoa não se sente culpada porque fez algo e que esta é uma sensação ilusória de poder, de autovalorização, para tentar superar a real condição de insignificância do ser humano. No livro O Sentimento de Culpa, escrito pelos psicanalistas, o sentimento é abordado como a não aceitação dos defeitos, erros e falta de importância que tem cada indivíduo. "A pessoa não quer ir à academia, se sente mal por isso, mas é a culpa que a coloca como importante e perfeita demais para não poder deixar de ter vontade de fazer exercícios naquele dia", exemplifica Walz. "Este sentimento de grandeza nem faz a pessoa ir à academia, nem ficar em casa sossegada, ela fica sofrendo remorso", explica.
De acordo com Guedes, o sentimento de culpa torna a pessoa prisioneira de uma ideia fixa. "Ela deixa de ser quem é para se tornar o crítico desta pessoa", explicou. A motivação pode ser concreta ou imaginária, segundo ele. Os problemas surgem quando o remorso é guardado. A culpa é a única causa de doenças mentais de origem emocional, de acordo com Julio Cesar Walz e Paulo Sérgio Guedes. "Trata-se de uma dívida impagável", define Walz. As consequências de guardar o sentimento vão desde tratar mal os outros, viver encontrando culpados para tudo, reclamar sempre; como depressão, alcoolismo, vício em drogas e isolamento, segundo profissionais.
Como lidar
Para o psiquiatra Paulo Sérgio Guedes, o primeiro passo para enfrentar o problema é identificar o sentimento de grandeza. Depois, a pessoa deve saber que a vida não é controlável e que o ser humano pode errar. Segundo ele, é preciso entender a diferença entre responsabilidade e culpa. Culpa é o sentimento originado da ideia de que as coisas têm que acontecer como a pessoa quer, responsabilidade é assumir que você é responsável por suas atitudes, explicou.
De acordo com a psicóloga Olga Inês Tessari, é preciso aprender com o erro, para não cometê-lo de novo. "Depois de colocar a raiva para fora, aprende e entende que os erros acontecem", aconselhou ela. Confira na galeria de fotos o que guardar o sentimento de culpa pode causar.

Fonte: Jornal O dia

Disponível em:<http://odia.ig.com.br/portal/mulher/html/2011/8/saiba_como_surge_o_sentimento_de_culpa_e_o_que_ele_pode_causar_188956.html>. Acesso em: 25 nov. 2011

Governo Lança Programa Para Atendimento Médico em Casa

Brasília - O governo federal lançou nesta terça-feira (22. 11) o Programa Melhor em Casa, com o objetivo de ampliar o atendimento domiciliar do Sistema Único de Saúde (SUS). A meta é que, até 2014, o programa tenha mil equipes de atenção domiciliar e 400 de apoio atuando em todo o país. As equipes multidisciplinares, formadas prioritariamente por médicos, enfermeiros, técnicos em enfermagem e fisioterapeutas, vão levar atendimento em casa a pessoas com necessidade de reabilitação motora, idosos, pacientes crônicos sem agravamento ou em situação pós-cirúrgica.
Cada equipe poderá atender, em média, a 60 pacientes, 12 horas por dia, de segunda a sexta-feira, e em regime de plantão nos fins de semana.
A expectativa é que o atendimento domiciliar do programa ajude a reduzir as filas nas emergências dos hospitais da rede pública e desocupar os leitos de quem pode se recuperar em casa. “A medicina aprendeu que esse tipo de atenção domiciliar reduz a necessidade de internação, reduz infecção hospitalar e humaniza o atendimento”, disse e ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
O ministro informou que já foram cadastradas 110 equipes em todo o país. A presidenta Dilma Rousseff também participou da cerimônia de lançamento do programa, no Palácio do Planalto.
O Ministério da Saúde vai investir R$ 1 bilhão para custear o atendimento domiciliar. Esses recursos também poderão ser usados na manutenção dos serviços, como na compra de equipamentos e remédios.
O programa será executado em parceria do Ministério da Saúde com estados e municípios. Para aderir, a condição é que as cidades tenham, no mínimo, 40 mil habitantes. Caberá aos gestores estaduais e municipais contratar as equipes de atenção domiciliar. Este ano, o ministério deve repassar a estados e municípios R$ 8,6 milhões para implantação e manutenção do serviço de atendimento domiciliar.
Atualmente, o Programa Saúde da Família atua no atendimento domiciliar de prevenção de doenças e manutenção da saúde.
Na mesma cerimônia, foi lançado o Programa SOS

Fonte: Jornal O dia

Disponível  em:<http://odia.ig.com.br/portal/cienciaesaude/html/2011/11/governo_lanca_programa_para_atendimento_medico_em_casa_204942.html>. Acesso em: 25 nov. 2011

O Valor Simbólico do Alimento: mais que nutrir, comer e beber são formas de interação social; as refeições estão vinculadas a percepções primordiais de amor e aceitação

Há muito se sabe que comer não é apenas um modo de se manter vivo e aplacar a fome, mas também um meio de comunicação e forma de obter prazer. Muitos conflitos emocionais, porém, revelam-se na forma de sintomas vinculados aos hábitos alimentares. Experiências da infância associadas à alimentação costumam deixar fortes marcas, tanto que a maior parte das pessoas fica ligada a sabores e alimentos aos quais foi habituada.
Além disso, os ritos à mesa favorecem a coesão social e por isso mesmo as diferenças culturais são tão evidentes e significativas nesse campo. É difícil encontrar, por exemplo, um italiano que queira comer pasticcio de rim, um prato comum entre os ingleses. Já os chineses são loucos por pés de frango, a parte da ave menos valorizada pelos brasileiros. Para os americanos, os mexilhões são moluscos repugnantes. Essas e outras preferências são resultado de aprendizagens precoces embasadas na imitação. A primeira fonte de informação é a família, mas assim que vão para a escola as crianças começam também a observar como os colegas se alimentam. Agir como os outros – comer e beber como eles – significa integrar-se ao grupo – empenhar-se para não ser excluído.
Já nas primeiras horas de vida o mundo entra pela boca. Junto com o leite, o bebê recebe o calor, o toque e o cheiro de quem o alimenta. Sente, ainda que de forma sutil, a presença – ou a falta – do afeto. E, depois das primeiras mamadas, a fome jamais será apenas de alimento. Ao longo da existência, as relações continuam permeadas pelos significados simbólicos que a comida assume na vida de cada um. A criança, por exemplo, sabe, mesmo que intuitivamente, que o alimento é um ponto delicado, é capaz de perceber o valor que o pai e a mãe dão às refeições. Assim, recusá-las é um modo de exercitar a chantagem afetiva. As técnicas usadas pelas crianças são conhecidas: há quem não toque na comida; quem a segure na boca por muito tempo cuspindo-a depois; quem só coma fora dos horários das refeições.
No entanto, nem sempre a iniciativa parte dos pequenos. Às vezes os pais insistem para que as crianças comam alimentos de que não gostam, não levando em consideração que os gostos na infância são diferentes dos que se estabelecem mais tarde. Ou então as estimulam a comer mais que o necessário, o que favorece a confusão entre alimento, prazer e afeto.
A equação alimento = amor e aceitação está tão consolidada que, quando os filhos não comem muito, certos pais sentem-se culpados por achar que não estão cumprindo seu papel. Preocupam-se quando percebem que a criança come menos, sem considerar que o processo de desenvolvimento não mantém sempre o mesmo ritmo: há momentos de crescimento intenso – como os dois primeiros anos de vida ou o início da adolescência – e há também fases mais atenuadas, em que a necessidade de alimento é menor. Se a criança ou o adolescente são saudáveis, deveriam ser capazes de autorregular-se com base nos sinais de fome e saciedade que vêm do organismo.
Se forem muito estimulados, poderão enjoar da comida, tornar-se resistentes aos sinais do estômago ou comer mais que o necessário e entrar na espiral da polifagia ou da bulimia. Nesse caso, o risco consiste em associar as sensações de estômago e intestino estufados à condição psicológica de saciedade e bem-estar. Sob o estímulo de um reflexo condicionado, comer em excesso pode se transformar em uma maneira rápida, imatura e inconsciente de buscar consolo, de enfrentar frustrações e decepções, de combater o tédio ou de preencher um vazio afetivo, com todas as consequências que isso acarreta para o próprio desenvolvimento físico e psicológico.

Fonte: Revista Mente e Cérebro

Disponível em:<http://www2.uol.com.br/vivermente/noticias/o_valor_simbolico_do_alimento.html>. Acesso em: 25 nov. 2011

O Mercado de Trabalho Tornou-se Um Foco de Doenças Como Depressão e Estresse

As concessões de auxílio-doença acidentário --que têm relação com o trabalho-- para casos de transtornos mentais e comportamentais cresceram 19,6% no primeiro semestre de 2011 em relação ao mesmo período do ano passado.
Esse aumento foi quatro vezes o da expansão no número total de novos afastamentos autorizados pelo INSS.
Nenhum outro grupo de doença provocou crescimento tão forte na quantidade de benefícios de auxílio-doença concedidos entre janeiro e junho deste ano.
"Há ondas de doenças de trabalho. A onda atual é a da saúde mental", diz Thiago Pavin, psicólogo do Fleury.
Mudanças adotadas pelo Ministério da Previdência Social em 2007 facilitaram o diagnóstico de doenças causadas pelo ambiente de trabalho. Isso levou a um forte aumento nas concessões de benefícios acidentários para todos os tipos de doença em 2007 e 2008.
Os afastamentos provocados por casos de transtornos mentais e comportamentais, por exemplo, saltaram de apenas 612 em 2006 para 12.818 em 2008. Mas, depois desse ajuste inicial, tinham subido apenas 5% em 2009 e recuado 10% em 2010.


Fonte: Folha de São paulo

Disponível em:<http://www1.folha.uol.com.br/mercado/1011732-afastamentos-por-doencas-mentais-disparam-no-pais.shtml>. Acesso em: 25 nov. 2011

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

100 anos de Mário Lago

Chega de Prozac-coma iorgute: nosso intestino tem uma rede de 100 milhões de neurônios. Ao cuidar bem dele, podemos curar males como ansiedade e depressão


Não é à toa que o intestino vem sendo chamado por médicos e cientistas de nosso segundo cérebro. Em suas paredes, há uma rede de 100 milhões de neurônios e os mesmos neurotransmissores que são encontrados na cabeça, como a serotonina, reguladora do humor. Essa imensa rede nervosa se comunica diretamente com nossa mente. Assim, cuidar bem de nosso intestino poderia ser bom para a cabeça, inclusive para o tratamento de doenças psíquicas. “Uma grande parte de nossas emoções é provavelmente influenciada pelos neurônios em nosso intestino”, afirma Emeran Mayer, professor da escola de Medicina da Universidade da Califórnia.
A grande aposta na área atualmente são os chamados probióticos, micro-organismos que inibem a proliferação de bactérias intestinais nocivas. Eles estão presentes em alguns leites fermentados e iogurtes — em geral, com indicação no rótulo — e também são vendidos como suplementos alimentares em farmácias e lojas. Sua ingestão estimularia no cérebro a produção de neurotransmissores responsáveis pela sensação de bem-estar. Pesquisas vêm mostrando, ainda em cobaias, que esses bichinhos em nosso aparelho digestivo poderiam ajudar a dar fim a problemas que vão de ansiedade à depressão. Conheça ao lado alguns dos principais estudos de acordo com o sintoma.

 ACABA COM OS SINTOMAS
Confira pesquisas científicas que mostram que comer probióticos pode melhorar a mente — além da pele
IRRITABILIDADE > Pesquisadores do Departamento de Psicologia da Universidade da Virgínia, EUA, demonstraram que as bactérias causadoras de infecções gastrointestinais fazem com que o nervo vago (que conecta o intestino ao cérebro) transmita sinais que ativam as regiões cerebrais que processam sensações como medo e ansiedade. Ao inibir a proliferação dessas bactérias, os probióticos ajudariam a regular o humor.
DEPRESSÃO > Ratos tratados com o probiótico Bifidobacterium infantis tiveram os níveis de triptofano, um precursor da serotonina, elevados em duas áreas cerebrais associadas com o humor e as emoções. Os resultados são de um estudo da Universidade College Cork, na Irlanda. A conclusão é de que esse tipo de probiótico pode ter propriedades antidepressivas.
ANSIEDADE > Em um estudo feito por pesquisadores da Universidade de McMaster, no Canadá, cobaias infectadas de propósito com o parasita Trichuris muris desenvolveram, além de inflamação no intestino, sintomas de ansiedade. Ao serem tratadas com o probiótico B. longum, os sintomas foram revertidos.
PROBLEMAS DERMATOLÓGICOS > Lactobacilos vivos melhoraram inflamações de pele e perda de pelo em ratos estressados. O resultado é de um estudo feito no Hospital Universitário Charité, de Berlim, e levaram os pesquisadores a crer que a ingestão do probiótico Lactobacillus reuteri ajudaria a melhorar problemas dermatológicos decorrentes do estresse.

Fonte: Revista Galileu

Disponível em:<http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0,,EMI269837-17933,00-CHEGA+DE+PROZAC+COMA+IOGURTE.html>. Acesso em:23 nov. 2011

Estudo Questiona Tratamento Compulsório para Anorexia: sensação de que a doença está separada do 'eu interno' do paciente pode alterar a maneira como o paciente reage à terapia

Tratamento: distinção entre "eu" autênico e não-autêntico pode influir no tratamento da anorexia nervosa
Tratamento: distinção entre "eu" autênico e não-autêntico pode influir no tratamento da anorexia nervosa

Tratamento: distinção entre "eu" autênico e não-autêntico pode influir no tratamento da anorexia nervosa (Thinkstock)
A anorexia nervosa leva o paciente a enfrentar questões sobre sua personalidade: quem realmente são, sua autenticidade e se sua doença é algo separado ou integrado à personalidade. Esses conflitos têm, no entanto, implicações diretas no tratamento compulsório. Segundo um estudo conduzido pelo The Hastings Center, dos Estados Unidos, explorar essas ideias sobre autenticidade pode ajudar os médicos a formular abordagens terapêuticas, além de fornecer insights sobre se o tratamento compulsório pode ser justificado.
Durante o estudo, foram entrevistadas 29 mulheres que estavam em tratamento para a anorexia nervosa em clínicas localizadas ao sul da Inglaterra. Todas tiveram de responder questões sobre como enxergavam sua própria doença, como se sentiam sobre o tratamento compulsório e o que pensavam sobre o impacto da doença na tomada de decisões. Embora os pesquisadores não tenham perguntado sobre autenticidade ou identidade, quase todos as participantes falaram em termos de um “eu autêntico” - para quase todas, a relação entre anorexia nervosa e o eu autêntico era uma questão importante.
As participantes caracterizaram essa relação de diversas maneiras. Muitas viram a anorexia nervosa como algo separado do seu verdadeiro eu. Algumas expressaram a ideia de uma luta de poder entre seu eu verdadeiro e seu eu não-autêntico. Outras disseram ainda que outras pessoas poderiam ser fonte de apoio, permitindo, assim, que o eu autêntico ganhasse força dentro da luta. Essa noção da doença como algo externo, separado de seu verdadeiro, foi interpretada com um sinal de esperança. “Conceituar o comportamento anoréxico como uma parte não autêntica de si pode ser uma estratégia válida para superar o problema”, disseram os autores.
Tratamento - Segundo os pesquisadores, essa distinção entre um eu autêntico e um não-autêntico não é necessariamente o mesmo que uma falta de capacidade de tomada de decisão. Ela não pode justificar ainda a recusa do paciente ao tratamento. “Algumas autoridades argumentam que o tratamento compulsório não deveria nunca ser usado para a anorexia nervosa”, disseram. “Nós acreditamos, entretanto, que devemos levar a sério a possibilidade de que a pessoa no auge da anorexia nervosa pode estar experimentando conflitos internos substanciais, mesmo que ela não esteja expressando isso no momento.”
Os autores concluem que os clínicos precisam monitorar os pontos de vista do pacientes ao longo do tempo e que, se os conflitos internos persistirem, isso poderia sugerir uma falta de capacidade de tomada de decisão - e, portanto, um risco de dano significativo. Uma questão ainda não respondida é se os pacientes que consideram a anorexia nervosa como uma parte inautêntica do seu eu são mais suscetíveis a responderem ao tratamento.

Bullying em Mensagens de Texto se Torna Mais Comum, Diz Estudo

Bullying em mensagens de texto se torna mais comum, diz estudo
Bullying em mensagens de texto se torna mais comum, diz estudo
Cada vez mais crianças norte-americanas afirmam ter sido alvo de ofensas via mensagens de texto, o que inclui ameaças e boatos sobre elas espalhados para terceiros, de acordo com um estudo.
Dos mais de 1,5 mil alunos dos ensinos fundamental e médio pesquisados em 2008, 24% disseram ter sido "atormentados" por mensagens de texto --ante 14% em pesquisa com o mesmo grupo de estudantes um ano antes, de acordo com constatações publicadas pela revista Pediatrics esta semana.

Bullying em mensagens de texto se torna mais comum, diz estudo
No estudo, ser "atormentado" significa que colegas espalharam boatos sobre eles, fizeram comentários "rudes ou malévolos" ou os ameaçaram.
O bullying propriamente dito, definido como repetidas agressões morais, subiu a 8% dos estudantes pesquisados, ante 6% um ano antes.
Os pesquisadores, liderados por Michele Ybarra, da Internet Solutions for Kids, de San Clemente, Califórnia, disseram à Reuters Health que as constatações sugerem que é preciso dedicar mais atenção às mensagens de texto das crianças, mas que os pais não precisam se alarmar.
"Não é motivo para que eles se sintam incomodados ou decidam tirar os celulares de seus filhos. A maioria das crianças parece estar navegando de modo bastante saudável por essas novas tecnologias", disse ela.
O estudo inclui 1.588 crianças dos 10 aos 15 anos, pesquisadas online inicialmente em 2006. A pesquisa foi repetida em 2007 e 2008, e cerca de três quartos dos participantes originais participaram dos três levantamentos.
O trabalho publicado não informa por que os dados sobre a pesquisa concluída em 2008 só foram divulgados agora.
No que tange a agressões via internet, em contraste com as agressões via mensagem de texto, não houve tanta mudança ao longo do período. Em 2008, 39% dos pesquisados disseram ter sido "atormentados" on-line, e a maioria afirmou que isso aconteceu algumas vezes. Menos de 15% disseram ter sofrido bullying via internet.
Os estudantes agredidos parecem ter conduzido a situação no geral de maneira positiva, o que os pesquisadores dizem ser bom sinal.
Dos estudantes que disseram ter sido ofendidos on-line, 20% disseram ter ficado "muito ou extremamente incomodados" com o mais sério incidente do tipo, o que representa um total inferior aos 25% de 2006.

Fonte: Jornal Folha de São Paulo

Disponível em:<http://www1.folha.uol.com.br/tec/1010188-bullying-em-mensagens-de-texto-se-torna-mais-comum-diz-estudo.shtml>. Acesso em: 23 nov. 2011

Nostalgia e Depressão: evocar momentos felizes pode agravar o distúrbio

A nostalgia revelou-se, em vários estudos recentes, um recurso para levantar o ânimo. Por isso, é natural que se suponha que pessoas deprimidas também possam tirar proveito desse efeito. Porém, estudo da psicóloga Jutta Joorman, da Universidade de Miami em Coral Gables, na Flórida, demonstrou em 2007 que pacientes com depressão grave, diferentemente das pessoas saudáveis, não ficaram mais alegres – e até mesmo se tornaram mais tristes – ao se lembrar de momentos felizes do tempo de escola.
Pesquisadores da Universidade Cardiff , no País de Gales, desenvolveram recentemente um sistema para explicar essa descoberta: o modelo de congruência de humor em comparação temporal. Segundo ele, as pessoas depressivas notam pouca identificação entre características pessoais positivas do “eu” de suas lembranças e a percepção de si mesmas no presente. Essa discrepância é acompanhada do sentimento de que o “eu positivo” está em um passado infinitamente longínquo. E concluem: “Em comparação com a pessoa que eu era naquele tempo, hoje sou um fracassado”. Assim, pensamentos nostálgicos poderiam agravar o estado de pessoas com distúrbios depressivos.
Na opinião dos psicólogos Constantine Sedikides e Jochen Gebauer, entretanto, a nostalgia também poderia melhorar o estado de espírito de pessoas que sofrem de depressão. Eles ressaltam que a “saudade de antigamente” se diferencia de memórias felizes em três pontos essenciais:
1. Lembranças nostálgicas são mais multifacetadas e complexas do que as recordações positivas. Além disso, frequentemente incluem uma sequência de superação, o que poderia animar as pessoas. E se uma vez algo já terminou bem, isso pode acontecer de novo;
2. Memórias que despertam saudade são percebidas de forma especialmente nítida, afetiva e rica em detalhes. Revividas com frequência, em comparação com outras memórias, são mais vívidas, fazendo com que o episódio seja sentido como temporalmente muito próximo, o que o torna mais “real”;
3. Como a nostalgia forma uma espécie de ponte entre o passado e o presente, gera sentimento de autocontinuidade. Assim, a maioria dos participantes dos estudos de nostalgia de 2008 concordou com avaliações como: “tenho a sensação de que o ontem e o hoje se misturam”, ou “mantenho várias das minhas antigas características positivas”. Uma identificação tão intensa superaria em nossa percepção a distância temporal entre a lembrança e o momento atual, abrindo perspectivas para tirar a pessoa depressiva da apatia e imobilidade emocional.
Para comprovar as impressões de Sedikides e Gebauer, entretanto, são necessárias mais pesquisas.

Fonte: Revista Mente e Cérebro

Disponível em:<http://www2.uol.com.br/vivermente/noticias/nostalgia_depressao.html>. Acesso em: 23 nov. 2011

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

História dos Antidepressivos: no decorrer dos séculos, médicos já receitaram ópio, anfetaminas e cocaína para tratar transtornos do humor

A lista das substâncias que deveriam vencer as depressões, mas sempre ajudavam apenas alguns afetados, é muito longa. No decorrer dos séculos, os médicos testaram quase tudo o que influenciava o cérebro de alguma forma. O ópio já era considerado na antiga China um meio eficaz contra doenças do ânimo. Nos tempos modernos, os médicos europeus sistematizaram o tratamento: o britânico Thomas Sydenham (1624-1689) o misturou com álcool, produzindo láudano (do latim laudare = louvar). O “tratamento com ópio” devia curar a angústia e a melancolia. Mais tarde, as pessoas desistiram da droga devido ao grande risco de vício.

Com o álcool ocorreu algo semelhante. Em 1802, um médico londrino recomendava um pesado Borgonha, um bom vinho branco ou mesmo brandy contra a melancolia. A Cannabis e a cocaína também eram comumente utilizadas no século 19 como medicamento. A melancólica escritora britânica Virginia Woolf (1882-1941) usava o sonífero e calmante Veronal, um barbitúrico. Nos anos 50, entraram em voga as anfetaminas estimulantes. Em todas essas substâncias, o potencial viciante é extremamente alto.

Em 1953, causou sensação uma notícia que dizia que o medicamento utilizado para tuberculose, a iproniazida, também tinha efeito antidepressivo. Alguns anos mais tarde, porém, ele foi tirado do mercado, pois pode causar icterícia. Substâncias bastante semelhantes, denominadas inibidores MAO, até hoje fazem parte do arsenal terapêutico contra a depressão. Eles inibem uma oxidase (daí vem o “O”) – uma enzima que decompõe diversos mensageiros do cérebro do grupo da monoamina (daí o “MA”). Entre eles, encontram-se os transmissores serotonina, dopamina e noradrenalina.

Inibidores MAO fazem com que os neurotransmissores fiquem disponíveis por mais tempo nas sinapses das células nervosas. Infelizmente, eles também cruzam o caminho de outras oxidases, que, por exemplo, decompõem componentes nutricionais. As consequências podem ser dores de cabeça ou pressão sanguínea extremamente alta. Por isso, o consumo de queijo é tabu para pacientes tratados com inibidores MAO.

Ainda nos anos 50, a indústria farmacêutica suíça Geigy sintetizou uma série de substâncias semelhantes à clorpromazina, o primeiro medicamento contra esquizofrenia, e pediu a clínicos que as testassem. O médico Roland Kuhn experimentou a variante G22355 em 150 pacientes com diferentes doenças mentais. Por fim, ele obteve sucesso com depressivos em 1957.

A Geigy denominou a substância de imipramina e a ofereceu ainda no mesmo ano sob o nome comercial de trofanil. Esse foi o nascimento dos tricíclicos, que têm esse nome porque possuem três anéis de carbono. Eles representam, ao lado dos SSRIs, até hoje os antidepressivos mais importantes. Tricíclicos são eficazes, mas têm efeitos colaterais relevantes como obstipação e ressecamento das mucosas.

A mais nova geração de antidepressivos, os SSRIs, prometem principalmente menos efeitos colaterais. No entanto, segundo o farmacêutico Gerd Glaeske, ele apenas tem outros efeitos – por exemplo, problemas estomacais, falta de apetite ou perda da libido. Em 2008, um anúncio de que os SSRIs poderiam estimular o suicídio em crianças e jovens causou grande comoção. Desde então, há avisos a esse respeito nas embalagens dos remédios.

Fonte: Revista Mente e Cérebro

Disponível em: <http://www2.uol.com.br/vivermente/noticias/historia_dos_antidepressivos.html>. Acesso em: 22 nov. 2011

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

O Preço da Longevidade: aumento da expectativa de vida faz surgir novos problemas nas pessoas com deficiência mental

As pessoas com deficiência intelectual, que há 40 anos morriam na adolescência, hoje podem viver mais de 60 anos. Como estão vivendo mais, outros problemas orgânicos estão surgindo. Reunidos durante dois dias em agosto na Associação de Paes e Amigos dos Excepcionais (Apae) de São Paulo, médicos e pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e da Universidade de São Paulo (USP), psicólogos, terapeutas, advogados, assistentes sociais e outros profissionais da saúde reconheceram um dos graves problemas emergentes, a possibilidade de envelhecimento precoce.
Em um levantamento preliminar feito em 2009 em seis instituições da cidade de São Paulo, de um grupo de 373 pessoas com deficiência intelectual (ou DI; a expressão deficiência mental não é mais recomendada) e mais de 30 anos de idade, 192 apresentavam pelo menos três sinais de provável envelhecimento precoce, de acordo com um questionário que avaliava eventuais perdas de memória, de autonomia nas tarefas do dia a dia, de interesse por atividades ou de visão e audição. Para dimensionar esse problema, está sendo preparado um levantamento mais abrangente e detalhado, com cerca de 500 pessoas com DI e idade entre 30 e 59 anos da Grande São Paulo.
Os estudos em andamento são essenciais para “vermos o que pode ser feito, em termos de atendimento médico e de políticas públicas”, diz Regina Leondarides, coordenadora do grupo de estudo de envelhecimento precoce das pessoas com deficiência intelectual, que reúne 10 instituições de atendimento. “Temos muitas políticas de saúde voltadas para a criança, mas as políticas para o envelhecimento estão começando a ser construídas”, comenta Esper Cavalheiro, professor da Unifesp e presidente do conselho científico do Instituto Apae de São Paulo. “Estamos atrasados, em vista do envelhecimento acelerado da população brasileira.”
Um estudo da Espanha publicado em 2008 indicou que as pessoas com DI envelhecem prematuramente – as com síndrome de Down, de modo mais intenso. Para chegar a essas conclusões, os pesquisadores acompanharam a saúde de 238 pessoas com DI e mais de 40 anos de idade durante cinco anos. Não se trata, aparentemente, de um fenômeno inevitável. O envelhecimento precoce das pessoas com DI leve e moderada resulta da falta de programas de promoção de saúde e do acesso reduzido a serviços médicos e sociais. As pessoas com DI se mostraram com maior tendência à obesidade (apenas 25% tinham peso considerado normal), à hipertensão arterial (25% do total) e a distúrbios metabólicos, como diabetes e hipotireoidismo (10% do total).
“O envelhecimento precoce, se confirmado, pode ter causas genéticas ou ambientais, independentemente da deficiência intelectual”, comenta Dalci Santos, gerente do Instituto Apae de São Paulo. Matemática de formação, com doutorado em andamento na Unifesp, ela acrescenta: “Não conseguiremos avançar muito até esclarecermos melhor a origem das deficiências intelectuais”. As causas podem ser genéticas, como na síndrome de Down, ou ambientais (causas não genéticas), incluindo infecções, baixa oxigenação do cérebro do feto, alcoolismo, radiação, intoxicação por chumbo durante a gravidez ou prematuridade – muitas vezes, vários fatores em conjunto.
Causas ambientais ou genéticas
Em um artigo no primeiro número da Revista de Deficiência Intelectual DI, publicação do Instituto Apae lançada em outubro, João Monteiro de Pina-Neto, médico geneticista da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, apresenta os resultados de um estudo sobre as causas da deficiência intelectual em 200 pessoas atendidas nas Apaes de Altinópolis e Serrana, dois municípios da região de Ribeirão Preto. Esse estudo faz parte de um levantamento maior, com cerca de  mil pessoas com DI atendidas em quatro Apaes, que Pina-Neto e sua equipe pretendem concluir em meados de 2012. Os resultados obtidos até agora indicam o predomínio de causas ambientais (42,5% do total), seguidas pelas genéticas (29%) e indeterminadas (20%).
Um estudo similar feito com 10 mil pessoas na Carolina do Sul, Estados Unidos, apresentou o mesmo percentual de causas genéticas, mas apenas 18% de causas ambientais e 56% de causas desconhecidas. Alguns contrastes chamam a atenção. Enquanto a deficiência intelectual causada por falta de oxigenação cerebral responde por 5% do total das causas de DI nos Estados Unidos, em São Paulo é 16,5%; a prematuridade, de 5% nos Estados Unidos, foi de 14,5% no estudo paulista; o efeito das infecções, de 5%, é quase o dobro aqui, 9%.

 
A conclusão que emerge dessa comparação é que o número de nascimentos de bebês com DI poderia ser reduzido por meio de algumas medidas preventivas. “Melhorar o atendimento pré-natal e a qualidade do parto são uma prioridade”, ressalta Pina-Neto. “Ainda temos casos de deficiência causada por sífilis, rubéola ou toxoplasmose contraída durante a gestação e meningites pós-natais”, lamenta. Segundo ele, outro problema que pode ser controlado é o alcoolismo. “De 20% a 30% das mulheres da região de Ribeirão Preto consomem bebida alcoólica em excesso e, como resultado, de cada 100 gravidezes, nasce uma criança com DI causada por síndrome alcoólica fetal”, diz ele. “Não fazemos ainda a adequada prevenção das causas da deficiência intelectual.”
As causas genéticas podem ser controladas, já que o risco de uma criança nascer com síndrome de Down aumenta muito com a idade dos pais. “As mulheres estão tendo filhos após os 35 anos de idade, portanto mais propen­sas a terem filhos com Down, e os homens estão se casando várias vezes, tendo filhos em cada ca­samento”, diz Pina-Neto. Segundo ele, homens estéreis que procuram as clínicas de reprodução deveriam ser mais informados sobre a possibilidade de terem alterações genéticas que podem ser transmitidas aos filhos caso se tornem férteis.
As pessoas com DI apresentam capacidade de raciocínio bastante abaixo da média e limitações para aprender, se cuidar ou se comunicar com outras, mas atualmente são muito mais integradas socialmente, autônomas e produtivas, com mais oportunidades para expressar a criatividade do que há algumas décadas. Frequentam escolas regulares, com outras crianças e adultos, participam de competições esportivas e conquistam mais postos de mercado de trabalho. Crianças e adultos com DI não vão mais à Apae de São Paulo para aprender todo dia, mas aparecem algumas vezes por semana para atendimento educacional especializado ou para consultas médicas. O serviço de apoio ao envelhecimento atende 132 pessoas com idade entre 30 e 67 anos.
Ainda há muitas dúvidas sobre como lidar com os novos problemas. Crianças e adultos com de­­­­ficiência precisam de hábitos e horários para se sentir calmos e confortáveis. Ao mesmo tempo, hábitos imutáveis podem favorecer o surgimento da doença de Alzheimer, doença neurológi­ca que se agrava com o envelhecimento. Vem daí um impasse: manter a rotina inalterada poderia alimentar a propensão ao Alzheimer, mas quebrar a rotina pode ser perturbador.
Propensão ao alzheimer
O cérebro das pessoas com Down pode exibir um dos sinais típicos do Alzheimer: o acúmulo de placas amiloides, que dificultam o funcionamento adequado dos neurônios. Uma equipe da Universidade da Califórnia em Los Angeles, Estados Unidos, encontrou placas amiloides em quantidade mais elevada no cérebro de pessoas com Down do que em pessoas com Alzheimer já diagnosticado e em pessoas normais.
“Os sinais biológicos de Alzheimer podem surgir antes dos sinais clínicos”, observa Orestes Forlenza, professor da Faculdade de Medicina da USP. “Ter amiloide não significa ter demência futura. Qual a melhor intervenção futura? Não sabemos. Talvez via nutrição ou atividade física seja mais seguro do que por medicamentos.” Ira Lott e sua equipe da Universidade da Califórnia em Irvine fizeram um estudo duplo-cego durante dois anos com 53 pessoas com síndrome de Down para ver se a complementação da dieta com compostos antioxidantes poderia melhorar o funcionamento mental ou estabilizar a perda da capacidade cognitiva. Os resultados, publicados em agosto na American Journal of Medical Genetics, indicaram que não.
Esper Cavalheiro apresentou três perguntas ainda sem resposta. De que modo as alterações próprias do envelhecimento, como as doenças cardiovasculares, diabetes e câncer, se apresentam nas pessoas com DI? Como alterações frequentes nessas pessoas, a exemplo de demências e osteoporose, se comportam no envelhecimento? Os medicamentos usados para tratar hipertensão, diabetes e outras doenças típicas do envelhecimento funcionam nas pessoas com DI do mesmo modo que em outros indivíduos?
Outra dúvida: as estratégias de controle dos fatores de risco de doenças cardiovasculares recomendadas para pessoas normais, como o estímulo a atividades físicas, têm o mesmo impacto sobre a saúde das pessoas com e sem deficiência intelectual? “Supomos que sim, mas não sabemos ao certo”, diz Ricardo Nitrini, da USP.
Segundo Cavalheiro, as pessoas com DI com 65 anos ou mais correspondiam a 4% da população total no Censo de 2000; hoje respondem por 5,5% da população total. “Não podemos nos contentar apenas com estatísticas e diagnósticos”, alerta. “Temos de enfrentar esse problema com rapidez. Quanto mais gente dialogando e pensando nesses problemas, melhor.”

Fonte: Pesquisa FAPESP Online

Disponível em:<http://revistapesquisa.fapesp.br/?art=4549&bd=1&pg=2&lg=>. Acesso em: 21 nov. 2011

Lobotomia: quando a ciência se torna bárbara e grotesca

Você duvidaria de uma descoberta científica que ganhasse o Prêmio Nobel de Medicina?
Você se recusaria a passar por uma cirurgia que médicos de todo o mundo afirmassem ser a mais indicada para o seu caso, mesmo não sabendo exatamente no que consiste a cirurgia?
Esta é a triste história da lobotomia, ou leucotomia.
Lobotomia
Em 1935, o neurologista português Egas Moniz descobriu uma solução quase milagrosa para os comportamentos obsessivos e depressivos: cortar as conexões entre os lobos frontais e o resto do cérebro.
Isso diminuía os comportamentos violentos observados em pacientes de hospitais psiquiátricos. Se o paciente ficava apático e "tranquilo", isso era visto como um sucesso.
Moniz relatou ter observado melhorias dramáticas nos vinte primeiros pacientes tratados.
Foi tanto entusiasmo que a prática se alastrou por todo o globo, logo saindo dos hospitais psiquiátricos e passando a ser recomendada, por exemplo, para mulheres com depressão pós-parto.
Apesar da oposição de alguns profissionais, a cirurgia tornou-se prática comum, recomendada para tratar transtornos compulsivos, esquizofrenia e depressão.
Em 1949, Moniz ganhou o Prêmio Nobel de Medicina pela invenção da lobotomia. A cirurgia alcançou então o pico de sua popularidade.
Medicina bárbara
Hoje a lobotomia é vista como uma prática bárbara: são feitos dois furos, um de cada lado do cérebro.
Uma ferramenta simples de metal, com um cabo de madeira, é passada de um lado para o outro, rompendo as conexões nervosas dos lobos frontais com o restante do cérebro.
O efeito para o paciente é devastador: ele é mentalmente mutilado, praticamente deixando de existir como pessoa.
E os argumentos dos muitos cirurgiões que ganharam fama com a prática pareceram bem sólidos na época: segundo eles, o encarceramento em hospitais psiquiátricos parecia ser uma alternativa pior.
Anular o paciente enquanto pessoa parecia então uma alternativa razoável, já que ela já estava de fato anulada, e ainda sofria violências de todos os tipos.
Felizmente, na década de 1950, a lobotomia caiu rapidamente em desuso.
Em primeiro lugar, pelo grande número de cirurgias fracassadas. E, em segundo, pelo desenvolvimento de drogas psiquiátricas que também "desligavam" os pacientes violentos sem a necessidade da cirurgia.
Aprendemos a lição?
Será que o mundo aprendeu a lição?
O Prêmio Nobel de Medicina Egas Moniz acreditava que os comportamentos obsessivos eram gerados por circuitos defeituosos no cérebro.
Quantas pesquisas atuais não tentam explicar inúmeras condições por "genes defeituosos"?
Até mesmo comportamentos como simpatia, sociabilidade e altruísmo já foram devidamente "explicados" pela ativação ou desativação de algum gene.
Você não é capaz de saber se outra pessoa é simpática no primeiro contato? Pois uma pesquisa ganhou recentemente as manchetes afirmando não que os humanos sentem a simpatia, mas que eles "detectam o gene da sociabilidade em 20 segundos".
E isto deve continuar por muito tempo, conforme mais e mais universidades compram equipamentos caros de sequenciamento genético, que devem ser usados por mais e mais alunos de doutoramento e pós-doutoramento, que continuarão emitindo explicações e dando resultados baseados no mesmo pressuposto.
E qual é esse pressuposto? O de que o homem, fisiológica e psicologicamente, é aquilo que seus genes dizem que ele é.
Há uma grande corrente que prefere a epigenética, que seria mais razoável, admitindo que pode ser a simpatia que ativa o gene, e não o contrário, mas esta corrente ainda está longe de ser predominante.
Ciência bárbara
Hoje a lobotomia é considerada uma prática bárbara, bizarra e grotesca.
Será que não há tratamentos hoje recomendados que foram desenvolvidos com base em pressupostos "científicos" igualmente bárbaros, bizarros e grotescos?
O pressuposto básico da chamada "ciência oficial" é a de que o ser humano é um animal cuja mente, cuja consciência, ou como se queira chamar o que a filosofia historicamente chama de "espírito humano", é um produto inteiramente gerado pela sua fisiologia.
Em uma comparação com o mundo da tecnologia, o software do homem emana do seu hardware. Logo, qualquer correção, de qualquer defeito, deve ser feita no hardware.
É claro que há inúmeros cientistas que discordam disso. Mas eles não podem publicar isto em seus artigos científicos porque isso não seria considerado ciência. E isto realimenta o processo, uma vez que o pressuposto básico do "homem-unicamente-animal" não encontra oposição.
Na época da lobotomia, inúmeros cientistas também se apresentaram como opositores da cirurgia, mas o argumento de que a alternativa era pior venceu.
Esse argumento da "alternativa pior" continua sendo usado hoje em muitos casos.
Mesmo quando travestido ele pode ser identificado, por exemplo, quando protocolos médicos recomendam determinados exames preventivos em determinada idade e os interesses comerciais começam a reduzir essa idade cada vez mais, apenas para vender mais exames - "Você quer se arriscar a ter câncer?", ameaçam os "vendedores".
E os medicamentos que vieram ajudar a eliminar a lobotomia hoje são prescritos também para crianças que apresentam apenas um comportamento agitado na escola, graças à onda da medicalização de quase todos os comportamentos.
Ciência humana
Os fatos indicam que ainda não estamos isentos de novos barbarismos. Para limitar sua ocorrência, só mesmo o surgimento de uma ciência verdadeiramente humana.
No caso da Medicina, de uma ciência médica que nunca se esqueça de que seu pressuposto básico é que ela estará sempre tratando de seres humanos, que têm corpo e espírito, e não de animais humanos, animais aos quais sempre se negou uma alma.

Fonte: Diário da Saúde

Disponível em:<http://www.diariodasaude.com.br/news.php?article=lobotomia-ciencia-barbara-grotesca&id=7152>. Acesso em: 21 nov. 2011

Feto Consegue Sentir Estado Psicológico da Mãe

Conforme o feto cresce, ele está constantemente recebendo mensagens de sua mãe.
E não se trata só de ouvir seus batimentos cardíacos e ou de as músicas que a mãe canta para seu bebê, mas também sinais químicos através da placenta.
Cientistas agora confirmaram que essa comunicação química inclui sinais sobre o estado mental da mãe.
Se a mãe está deprimida, isto vai afetar a forma como o bebê se desenvolve depois que ele já tiver nascido, inclusive fisiologicamente.
Ambiente estável
Curt A. Sandman e seus colegas da Universidade da Califórnia (EUA) agora descobriram algo inusitada: o que importa para os bebês é se o ambiente é consistente antes e após o nascimento.
Ou seja, os bebês que se saíram melhor são aqueles que, ou tinham mães que eram saudáveis antes e após seu nascimento, ou mães que estavam deprimidas antes do nascimento e que permaneceram deprimidas depois.
Condições variáveis retardaram o desenvolvimento dos bebês - uma mãe que passou da depressão antes do nascimento para um estado saudável depois do parto, ou uma mãe saudável antes do parto que passou a estar deprimida depois.
"Temos que admitir, a dureza desta descoberta nos surpreendeu", disse Sandman.
Participante ativo
"Agora, a interpretação cínica dos nossos resultados seria que, se a mãe está deprimida antes do nascimento, você deve deixá-la dessa forma para o bem-estar da criança," comenta o pesquisador.
"Mas uma abordagem bem mais razoável seria tratar as mulheres que apresentam depressão pré-natal," Sandman diz.
No longo prazo, ter uma mãe deprimida pode levar a problemas neurológicos e distúrbios psiquiátricos, diz o pesquisador.
Em outro estudo, sua equipe descobriu que as crianças mais velhas cujas mães apresentaram ansiedade durante a gravidez, o que muitas vezes vem junto com a depressão, apresentam diferenças em determinadas estruturas cerebrais.
"Nós acreditamos que o feto humano é um participante ativo no seu próprio desenvolvimento e está coletando informações para a vida após o nascimento," comenta Sandman. "Ele está se preparando para a vida com base nas mensagens que a mãe está lhe oferecendo."

Fonte: Diário da Saúde

Disponível em:<http://www.diariodasaude.com.br/news.php?article=feto-sente-estado-psicologico-mae&id=7148>. Acesso em: 18 nov. 2011