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quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Ciberpsicologia - Cyberbullying: um mal silencioso

O suicídio pode ser uma grave consequência do bullying na versão virtual, igualmente doloroso. Essa questão alcançou status de problema de saúde pública mundial

shutterstockDiversos fenômenos ampliaram suas configurações patológicas com o advento da cibercultura: a compulsão sexual se expandiu ao cibersexo e a dependência midiática, anteriormente circunscrita aos televisores, disseminou para os celulares, os jogos eletrônicos e a internet. Simultaneamente, o bullying ganhou o seu caráter virtual, igualmente doloroso: o cyberbullying.
Bottino et al. (2015) mencionam que o cyberbullying é uma nova forma de violência disseminada na mídia eletrônica e tem causado preocupação em pais, educadores e pesquisadores devido aos efeitos negativos que causam na saúde mental do adolescente. Ainda de acordo com os pesquisadores, o termo é derivado dos tradicionais comportamentos de bullying, que são comumente observados entre estudantes, por meio do abuso verbal e insultos, assim como agressões físicas de diversos tipos. Esse comportamento é repetitivo e sistemático, contra um sujeito que é incapaz ou falha em conseguir se defender. O cyberbullying é a expressão dessas características quando restringido em e-mails, salas de bate-papo, celulares ou qualquer outro recurso eletrônico.
Cantone et al. (2015) discutem a existência de três papéis principais no ciclo do bullying: o bully, a vítima e os espectadores. Usualmente o bully é o mais forte entre os seus semelhantes e, paralelamente, apresenta uma necessidade de obter poder. O propósito principal dos comportamentos de bullying é o de minar o status social da vítima assim como seu senso de segurança pessoal, ao mesmo tempo em que o bully aumenta a sua autoestima e seu status social. Como consequência, as ações de bullying usualmente ocorrem em frente a um público. Os espectadores podem dar suporte ao bully, defender a vítima ou serem passivos.
As consequências desse fenômeno, para a vítima, são diversas: solidão, problemas de conduta, sentimento de medo, maior risco de depressão, ideação suicida e diminuição da autoestima (Parris, Varjas; Meyers, 2014). Dentre elas, o suicídio é a mais grave, um problema de saúde pública de âmbito mundial. A depressão, em alguns casos, torna-se um intermédio para a prática suicida e, associada a um fenômeno virtual, pouco se sabe em relação às estratégias para lidar com essa questão. Além disso, há outros aspectos que podem potencializar as chances do adolescente cometer suicídio: violência familiar, orientação sexual, abuso físico e sexual e perdas interpessoais. Sampasa-Kanyinga, Roumeliotis e Xu (2014) mencionam que os professores e pais devem ser treinados em relação às estratégias de prevenção, auxiliando-os a identificar sintomas ou mudanças comportamentais que possam estar relacionadas à depressão e ao suicídio.
Apesar dos conhecidos danos físicos e psíquicos, o cyberbullying é um tema que ainda necessita ser mais explorado, especialmente quanto às estratégias de enfrentamento em relação a esse fenômeno. Sabe-se que a conduta comumente utilizada pela vítima é a evitação, de diversos tipos: apagar mensagens desrespeitosas, bloquear o bully, ignorar emoções negativas, uso de substâncias, fingir que não se importa com essa problemática e, por fim, desabafar com amigos (quando o indicado é o acompanhamento com um profissional da área de saúde mental). Parris, Varjas e Meyers (2014) mencionam, em seu estudo, que a escuta de estudantes trouxe as seguintes sugestões destes no combate ao cyberbullying: buscar um serviço de prevenção, treinamento de pais e professores em relação à tecnologia e ao cyberbullying e intervenções com maior ênfase no comportamento do estudante ao invés da restrição de tecnologia.
Por fim, Nixon (2014) ressalta que o impacto é signif icativo na saúde do adolescente, sendo uma problemática que pode ser considerada de atenção pública, relacionada a diversos tipos de adoecimentos. “É evidente que essas vítimas necessitam de suporte emocional, porém ainda estamos diante de um fenômeno silencioso e igualmente devastador.”

Referências:
BOTTIN O, S. M. B. et al. Cyberbullying and adolescent mental health: systematic review. Cadernos de Saúde Pública, v. 31, n. 3, 2015.
CANTONE , E. et al. Interventions on bullying and cyberbullying in schools: a systematic review. Clinical Practice and Epidemiology in Mental Health, v. 26, n. 11, 2015.
NI XON, C. L. Current perspectives: the impact of cyberbullying on adolescent health. Adolescent Health, Medicine and Therapeutics Journal, v. 5, 2014.
PARRI S, L. N.; VARJAS, K.; MEYER S, J. “The internet is a mask”: High School students’ suggestions for preventing cyberbullying. Western Journal of Emergency Medicine, v. 15, n. 5, 2014.
SAMPASA-KANYING A, H.; ROUMELI OTIS, P.; XU, H. Associations between cyberbullying and school bullying victimization and suicidal ideation, plans and attempts among Canadian schoolchildren. PLoS One, v. 9, n. 7, 2014.

ACERVO PESSOALIgor Lins Lemos é doutorando em Neuropsiquiatria e Ciências do Comportamento pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental Avançada pela Universidade de Pernambuco (UPE). É psicoterapeuta cognitivo-comportamental, palestrante e pesquisador das dependências tecnológicas. E-mail:igorlemos87@hotmail.com


Fonte: Revista psique

Psicóloga explica agressividade em comentários políticos na internet

Psicóloga explica agressividade em comentários políticos na internet
Pamela Rutledge é diretora do Centro de Pesquisas sobre Psicologia e Mídia, na Califórnia, dedicado a estudar a relações entre a mente e a tecnologia. 
Política com raiva
Impotência, frustração e uma necessidade de se impor sobre outras pessoas.
Assim, a psicóloga norte-americana Pamela Rutledge, diretora do Centro de Pesquisas sobre Psicologia e Mídia, na Califórnia, avalia a agressividade de muitos comentaristas nas redes sociais em tempos de polarização política no Brasil.
Referência em um ramo recente da psicologia dedicado a estudar as relações entre a mente e a tecnologia, Rutledge ressalta que as pessoas "são as mesmas", tanto em ambientes físicos quanto virtuais.
Mas faz uma ressalva sobre a impulsividade de quem dedica seu tempo a ofender ou ameaçar pessoas nas caixas de comentários de sites de notícias e páginas de política: "Já estamos acostumados com a ideia de que nosso comportamento obedece a regras sociais, mas ainda não percebemos que o mesmo vale na internet".
Leia abaixo os principais trechos da entrevista da especialista, concedida à rede britânica BBC.
Estamos mostrando o nosso "lado negativo" nas redes sociais?
"As pessoas são as mesmas, online ou offline. Mas a internet tem a ver com respostas rápidas. As pessoas falam sem pensar. É diferente da experiência social offline, em que você se policia por conta da proximidade física do interlocutor. Nós já estamos acostumados com a ideia de que nosso comportamento obedece a regras sociais, mas ainda não percebemos que o mesmo vale na internet."
No Brasil, a polarização política tem levado pessoas com visões distintas a se ofenderem e ameaçarem, tanto em comentários em sites de notícias quanto nas redes sociais. A internet estimularia o radicalismo?
"As redes sociais encorajam pessoas com posições extremas a se sentirem mais confiantes para expressá-las. Pessoas que se sentem impotentes ou frustradas se comportam desta maneira para se apresentarem como se tivessem mais poder. E as pessoas costumam se sentir mais poderosas tentando diminuir ou ofender alguém."
Os comentários na internet são um índice confiável do que as pessoas realmente acreditam?
"Depende do tópico. Mas as pessoas que tendem a responder de maneira agressiva não representam o sentimento geral."
As pessoas com opiniões menos radicais têm menos disposição para comentar do que as demais?
"Sim. Porque os comentários agressivos têm mais a ver com a raiva das pessoas do que com uma argumentação para mudar a mente das outras. Quem parte para a agressividade não está dando informações para trazer alguém para seu lado, estas pessoas querem apenas agredir."
Que tipo de doenças são ligadas ao uso da internet ou das redes sociais?
"A resposta simples é não, não há doenças causadas pela internet. Há preocupações recorrentes com o vício em internet ou em redes socais. Mas vícios são doenças bastante sérias e a internet não cria personalidades com vícios. As pessoas usam as redes da mesma forma que usam álcool, jogos, chocolate, ou qualquer outra coisa que mascare problemas maiores."
Problemas como...?
"Falta de autoestima, depressão. É importante chegar à real causa do vício, apenas cortar a internet não muda nada."
Quais são os conselhos para os pais ajudarem seus filhos a não embarcarem nas ondas de ódio das redes sociais?
"A tecnologia é apenas o "lugar" onde as coisas estão acontecendo; o principal ainda são os valores. Então, se algo está acontecendo em qualquer plataforma que os pais não conheçam bem, a sugestão é que chamem as crianças e peçam que elas deem seu ponto de vista. Aí sim, eles poderão entender como as crianças estão lidando com a questão e, a partir daí, decidir quais devem ser as preocupações. A responsabilidade pode ser compartilhada. É importante ensinar os filhos a pensarem criticamente."
Fonte: Diário da Saúde

Neurociência - Como lidar com obsessões

Ideias indesejadas atingem a todos. A tentativa de suprimir os pensamentos perturbadores, de forma irônica, aumenta sua frequência e os transforma em obsessões

shutterstockOs pensamentos que se intrometem em nossa vida mental, negativos e insistentes, não são exclusivos do transtorno obssessivo-compulsivo (TOC ) nem de transtornos mentais. Todos nós somos vítimas desse tipo de pensamento em certos momentos, em especial sob estresse. De forma intuitiva, a manobra que, de longe, é a mais usada para lidar com esses pensamentos é a supressão, que seria a tentativa de evitar ou afastar da mente essas imagens intrusivas. Embora tentador, quando procuramos evitar uma obsessão, o que acontece é na verdade um efeito paradoxal de aumento da frequência do pensamento nos próximos momentos. Esse processo irônico na mente humana foi chamado de “efeito urso branco” pelo psicólogo Daniel Wegner, pois em sua pesquisa os sujeitos eram instruídos a tentar não pensar em um urso branco. Faça agora o mesmo e verá imediatamente as imagens desse magnífico animal desfilando em sua mente. Ou procure não pensar em uma maçã verde. Dá para sentir o cheiro e o gosto...
Isso acontece em razão da natureza do processo associativo que envolve a evocação de memórias declarativas. Quando se tenta não pensar em um determinado estímulo, a primeira coisa que o cérebro faz é localizar a representação mental que sustenta o conceito em questão. Ou seja, primeiro o cérebro localiza e abre o arquivo “urso branco”, para depois tentar suprimir a evocação de uma imagem associada a essa representação, o que é inútil.
Em um artigo chamado “Liberte os ursos”, Wegner revisa as estratégias possíveis para diminuir os pensamentos obsessivos e sua eficácia relativa. A primeira delas é bem conhecida e funciona razoavelmente: a distração focada. Se focamos em outra coisa, os pensamentos obsessivos vão embora. O problema é que em situações de estresse é difícil achar uma distração que capte nossa atenção. A pesquisa indica que focar em uma coisa específica, por exemplo uma música ou tarefa, funciona muito melhor do que deixar a mente vagar.
A segunda estratégia é evitar estresse. Não use o método intuitivo de se colocar sob pressão pois não funciona, na verdade aumenta as obsessões.
Terceira estratégia: marque hora para se preocupar. Funciona bem adiar os pensamentos para um período de 30 minutos e ajuda a limpar a mente no restante do tempo.
A quarta estratégia chama-se terapia paradoxal, pois envolve se concentrar em pensar, justamente, naquilo que estamos tentando evitar de trazer à mente. Funciona como uma terapia de exposição, onde se expor aos pensamentos temidos faz com que estes se enfraqueçam. A quinta vertente seria a aceitação. Existem evidências de que tentar aceitar alguns pensamentos, mais do que entrar em uma batalha com eles, pode ser benéfico. Um estudo no qual os participantes diminuíram os pensamentos obsessivos deu a seguinte instrução:
Lutar com seus pensamentos pode ser inútil. Quero que você observe seus pensamentos. Imagine que eles estão desfilando na sua frente como soldados marchando em uma pequena parada. Não discuta com os soldados, não evite, não tente fazê-los ir embora, somente observe os soldados marchando.
A sexta estratégia é a meditação do tipo “atenção plena”, ou mindfullness no original em língua inglesa. Esse tipo de meditação budista promove uma atitude de compaixão e não julgamento quanto ao fluxo de pensamentos que invadem a mente durante o processo meditativo, e pode ser uma abordagem útil para se ver livre de pensamentos indesejados.
A sétima estratégia é a autoafirmação, que envolve pensar sobre traços e crenças positivas. A autoafirmação vem recebendo atenção de pesquisas recentemente e tem fornecido evidências de eficácia especialmente em se tratando de aumentar autoconfiança social e autocontrole. Parece ser útil para pensamentos indesejados, mas foram realizados poucos experimentos ainda.
Finalmente, a oitava estratégia envolve a escrita expressiva. Escrever sobre seus pensamentos e sentimentos mais profundos tem sido estudado e promove vários benefícios para a saúde e para a mente.
Essas técnicas não são miraculosas, mas se bem implementadas promovem de fato uma melhora na frequência e intensidade dos pensamentos obsessivos, muitas vezes com outros benefícios adicionais e sem qualquer risco ou efeito colateral.

Para saber mais:
Wegner, D. M. Setting free the bears: escape from thought suppression. Am Psychol., v. 66, n. 8, p. 671-80, nov. 2011.

Marco Callegaro é psicólogo, mestre em Neurociências e Comportamento, diretor do Instituto Catarinense de Terapia Cognitiva (ICTC) e do Instituto Paranaense de Terapia Cognitiva (IPTC). Autor do livro premiado O Novo Inconsciente: Como a Terapia Cognitiva e as Neurociências revolucionaram o modelo do processamento mental (Artmed, 2011)

Fonte: Revista psique

Testes de eficácia de antidepressivos não são generalizáveis

Estudos da eficácia dos antidepressivos
Há algum tempo, uma parte cada vez mais significativa da comunidade médica e científica vem alertando para os riscos dosantidepressivos, que não apenas podem fazer mais mal do que bem aos pacientes, mas podem até mesmo serem menos eficazes do que livros de autoajuda.
A equipe do professor Mark Zimmerman, do Hospital Rhode Island (EUA), concentrou-se agora especificamente nos critérios utilizados nos estudos de eficácia dos antidepressivos, aqueles voltados para validar novos medicamentos como eficazes e obter sua legalização junto às autoridades de saúde.
A análise mostrou que os critérios de inclusão e exclusão dos voluntários para esses estudos foram alterados ao longo dos últimos anos de tal forma que a maioria dos pacientes é excluída, o que significa que o futuro medicamento não é avaliado entre as pessoas que mais necessitariam de um remédio eficaz.
"Os critérios de inclusão e exclusão para os estudos de eficácia dos antidepressivos têm diminuído ao longo dos últimos cinco anos, o que sugere que esses estudos podem ser ainda menos generalizáveis do que já eram anteriormente," explicou o professor Zimmerman.
Funciona para poucos, vendido para muitos
A equipe examinou 170 estudos de eficácia dos antidepressivos controlados por placebo publicados durante os últimos 20 anos, 56 dos quais foram publicados durante os últimos cinco anos.
Os estudos mais recentes foram significativamente mais propensos a:
  1. excluir pacientes com transtornos do Eixo I e transtornos de personalidade;
  2. excluir pacientes porque a duração do episódio depressivo foi muito longa ou muito curta; e
  3. excluir pacientes que atendem os critérios de diagnósticos de depressão grave, mas não têm pontuação alta o suficiente em uma escala de classificação.
"Assim, as empresas farmacêuticas parecem estar ajustando o baralho para demonstrar que os seus produtos funcionam, mesmo que eles possam funcionar apenas para um segmento estreito de pacientes deprimidos," disse o pesquisador.
Mudança ao contrário
"Mais de uma década atrás, o nosso grupo de pesquisa clínica levantou preocupações sobre a generalização dos estudos de eficácia dos antidepressivos e sugeriu que a maioria dos pacientes atendidos na prática clínica rotineira não se qualificaria para participar desses estudos. Aqueles resultados foram replicados várias vezes.
"Nós então nos perguntamos se as empresas farmacêuticas teriam mudado a forma como recrutam pacientes para os estudos. Na verdade, elas mudaram, mas de uma forma inesperada. Os estudos mais recentes são ainda menos generalizáveis do que os estudos anteriores, excluindo os pacientes mais deprimidos dos estudos sobre testes de tratamentos patrocinados pelas empresas farmacêuticas," concluiu Zimmerman.
Fonte: Diário da Saúde

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Dormir pouco prejudica a saúde mental de adolescentes

Pesquisa mostra que cada hora a menos na cama implica aumento da probabilidade de desenvolver problemas como depressão e abuso de substâncias

Muitos estudos sugerem relações entre sono insuficiente e o surgimento de sintomas de transtornos psíquicos. Uma nova pesquisa, publicada no Journal of Youth and Adolescence, faz um recorte desses efeitos sobre a saúde dos adolescentes: cada hora a menos na cama implica aumento da probabilidade de desenvolver problemas como depressão e abuso de substâncias.

Os cientistas avaliaram uma amostra etnicamente diversa de 27.939 alunos do ensino médio da Virgínia. Embora os adolescentes precisem de aproximadamente nove horas de sono por noite, em média, segundo os Institutos Nacionais de Saúde, apenas 3% dos estudantes relataram dormir essa quantidade; 20% contaram ter cinco horas ou menos de sono. O valor médio foi de 6,5 horas por noite por semana. Depois de controlarem as variáveis, como status e renda familiar, os pesquisadores concluíram que cada hora a menos de descanso noturno foi associada com aumento de 38% da probabilidade de sentir tristeza e desesperança; 42%, de considerar o suicídio; 58%, de tentar se matar; e 23%, de
abusar de substâncias.
Os resultados são correlacionais, ou seja, não provam que a falta de sono causa esses problemas. Certamente, o inverso pode ser verdadeiro: depressão e ansiedade podem favorecer a insônia. “A maioria das evidências científicas, porém, aponta na direção causal, de que não dormir o suficiente pode levar a essas dificuldades, e não o contrário”, argumenta o professor de psicologia Adam Winsler, da Universidade George Mason, coautor do estudo. Não descansar satisfatoriamente pode afetar a função executiva (possibilita a regulação de comportamentos), o autocontrole e a capacidade de tomada de decisão – funções relacionadas à área do cérebro ainda em amadurecimento nessa fase da vida. “Pais, educadores e terapeutas devem prestar mais atenção ao papel do sono nas doenças mentais entre jovens”, aconselha Winsler. “Os efeitos de dormir bem, provavelmente, são maiores do que os de terapias e medicamentos.”

Fonte: Scientific American Mente Cérebro

Chorar faz bem... depois de uma hora e meia

Por que choramos?
Embora pareça que os seres humanos sejam a única espécie capaz de derramar lágrimas emocionais, pouco se sabe sobre a função do choro.
Enquanto alguns pesquisadores veem o ato de chorar como um pedido de apoio, conforto ou ajuda, outros acreditam que o principal papel de derramar lágrimas seja para aliviar as emoções.
Diferentes tipos de estudos, no entanto, têm fornecido resultados conflitantes.
Por exemplo, estudos retrospectivos nos quais os voluntários declaram seus pontos de vista concluem que chorar proporciona alívio emocional e melhora o humor. Em contraste, estudos de laboratório usando filmes com forte carga emocional muitas vezes mostram uma piora no humor após chorar.
Benefícios do choro
Em um esforço para entender esses resultados discrepantes, Asmir Gracanin, da Universidade de Tilburg (Holanda), idealizou uma metodologia na qual a avaliação do humor dos voluntários foi estendida no tempo, para tentar captar todas as variações emocionais e identificar como o humor iria se estabilizar mais tarde.
Como esperado, o estado de espírito das pessoas que não choraram durante os filmes manteve-se inalterado após assistir os eventos emocionais.
Por outro lado, o humor daquelas que choraram durante os filmes mostrou-se significativamente pior ao término da apresentação. Novas avaliações, feitas 20 minutos mais tarde, mostraram que seu humor havia voltado ao nível relatado antes dos filmes.
Finalmente, depois de 90 minutos, as pessoas que choraram durante os filmes relataram uma melhoria do humor, que se mostrava melhor do que antes dos filmes. Essa mudança de humor não se mostrou associada com o número de vezes que cada pessoa chorou durante os filmes.
Sem alívio imediato
Pela interpretação dos pesquisadores, a piora significativa no humor após os filmes e seu posterior retorno ao nível anterior podem fazer com que as pessoas que choram sintam como se chorar lhes fizesse bem, já que o humor volta ao normal em apenas 20 minutos.
Contudo, elas de fato apenas apresentam uma melhora real do humor depois de um período de tempo mais prolongado - uma hora e meia - o que contestaria as alegações bastante comuns do tipo "Sinto-me mais aliviado(a) agora que chorei".
Fonte: Diário da Saúde

O risco dos antidepressivos receitados para outras condições médicas

O risco dos antidepressivos receitados para pacientes sem depressão
Pesquisas com um outro antidepressivo, o escitalopram, mostraram que os antidepressivos alteram a arquitetura do cérebro em questão de horas
Sertralina
Um antidepressivo largamente receitado pelos médicos e psiquiatras pode alterar a estrutura cerebral de pacientes deprimidos e não-deprimidos de formas muito diferentes.
Isto levanta preocupações importantes porque esse antidepressivo está sendo receitado para outras condições médicas que não a depressão, gerando efeitos fisiológicos colaterais significativos no cérebro desses pacientes.
O estudo revelou que o antidepressivo sertralina, um inibidor seletivo da recaptação da serotonina (SSRI)comercializado com o nome de Zoloft, aumentou significativamente o volume de uma região do cérebro em indivíduos deprimidos, mas diminuiu o volume de duas áreas do cérebro em indivíduos não-deprimidos.
O problema é que essa categoria deantidepressivos - incluindo a sertralina - está sendo receitada para condições como bulimia, ondas de calor, transtorno obsessivo-compulsivo, estresse pós-traumático, recuperação de derrames e disfunção sexual, ainda que não existam estudos sobre o efeitos dessas drogas sobre os volumes cerebrais desses pacientes sem diagnóstico de depressão.
Antidepressivo para pessoas sem depressão
Neuroimagens feitas após um tratamento padrão com o medicamento revelaram que, nos indivíduos deprimidos, a droga aumentou significativamente o volume de uma região do cérebro, a parte anterior do córtex cingulado, enquanto diminuiu o volume desta região e do hipocampo nos indivíduos não-deprimidos.
O crescimento da região nos pacientes deprimidos era esperado porque os cientistas acreditam que os inibidores da recaptação da serotonina combatem a depressão induzindo o crescimento neural e a conectividade nessas regiões do cérebro.
"Essas observações são importantes para a saúde humana porque o Zoloft é largamente receitado para um grande número de desordens além da depressão," disse Carol Shively, do Centro Médico Batista Wake Forest (EUA), cuja equipe analisou o efeito do medicamento no cérebro de primatas não-humanos com estruturas e funções cerebrais semelhantes às dos seres humanos.
"Os resultados precisam ser mais investigados em populações de pacientes para ver se essas drogas produzem efeitos similares em humanos," recomendou Shivley.
Fonte: Diário da Saúde

terça-feira, 8 de setembro de 2015

O bissexual vive com dúvidas?

Por Breno Rosostolato 
Psicólogo, formado pela Universidade São Judas Tadeu desde 2004, psicoterapeuta clínico especialista em sexualidade humana, pós-graduado em Arteterapia pela Universidade São Judas Tadeu e Hipnose Clínica pela PUC-SP. Prof. da Faculdade Santa Marcelina. Articulista sobre artigos ligados à psicologia, sexualidade, comportamento e tendências dos sites Mix Brasil (portal UOL), Be Style (postal R7), portal Terra e IG e ainda nos sites Top Vitrine e Nosso Clubinho (conteúdo infantil).

Desde que a cantora Daniela Mercury assumiu seu relacionamento com outra mulher, a jornalista Malu Verçosa, ouvi críticas e questionamentos sobre o fato de ela ter sido casada com Marco Scabia. A dualidade do desejo bissexual ainda é visto com resistência e preconceito pela sociedade.
O ator José de Abreu, recentemente, declarou em sua página do Twitter: “Eu sou bissexual, e daí? Posso escolher quem eu beijo? Quando quero beijar uma pessoa, não peço atestado de preferência sexual, só depende de ela querer”. E teoriza: “Tem dias que prefiro homens, tem dias que prefiro mulheres. Tenho que mudar? Eu sou assim, ué. Tenho que ser igual aos outros? Prefiro o que me dá prazer. E prefiro ter a preferência que deixá-la nas mãos da natureza… Ou de Deus. Prefiro homens e mulheres que me interessem sexualmente”.
O bissexual muitas vezes é acusado de ser alguém com dúvida e de estar passando por um momento de transição até confirmar sua homossexualidade. A bissexualidade existe, sim, e é preciso reconhecer esta orientação sexual. O desejo e a atração sexual são direcionados igualmente para homens e mulheres. A identidade sexual é bem definida e não admite estereótipos. O bissexual não é um homossexual enrustido, mas uma pessoa que transita livremente no sistema binário, homem ou mulher.
Exigência
Desde cedo somos exigidos a nos relacionar com alguém do sexo oposto, portanto, enquadrar-se numa heterossexualidade. Esta imposição denuncia que a heterossexualidade é compulsória.
Existe um número grande de pessoas que apresentam este desejo dualista, e resultado disso são sites de encontros que propiciam a relação bissexual. Homens que se relacionam com mulheres e se cadastram buscando relacionamentos com homens.
Muitos equívocos são atribuídos à bissexualidade, que é uma expressão legítima do desejo. São acusados de promíscuos, de não conseguirem ter uma relação monogâmica. Os bissexuais podem ter relações duradouras e fidelizadas.
Atração
O bissexual pode sentir-se atraído por ambos os sexos, mesmo que não coloque isso em prática. A igualdade entre homens e mulheres cria intersecções cada vez maiores entre masculino e feminino. As diferenças são destituídas a partir de um processo mútuo de identificação. Com a inserção das mulheres no mercado de trabalho, o advento da pílula anticoncepcional, a autonomia sexual e os movimentos de libertação sexual, o desejo e o prazer revelaram suas pluralidades.
Na década de 1950, Alfred Kinsey, estudioso sobre sexualidade, criou uma escala que ia de zero a seis, em que zero era “exclusivamente heterossexual” e seis “exclusivamente homossexual”. No meio da tabela, o três representava “bissexual”.  Segundo essa escala, 46% dos entrevistados eram exclusivamente heterossexuais, 4% exclusivamente homossexuais e 50% não se apresentavam exclusivamente nem homo nem heterossexuais, mas bissexuais.

Freud concebia uma “bissexualidade psíquica inata”, algo possível para o ser humano tendo como base o desenvolvimento sexual das crianças, que interiorizavam como referência os órgãos sexuais do pai e da mãe. Segundo Jung, o ser humano possui uma bissexualidade psíquica herdada pelas experiências raciais do homem com a mulher e da mulher com o homem. Os conceitos de “Anima” (arquétipo feminino no homem) e “Animus” (arquétipo masculino na mulher) são assim concebidos pelo teórico. Em sua psique, o ser humano é bissexual.
Identidade
A identidade de gênero, masculino ou feminino, pode ser definida pela sociedade, mas o desejo e o prazer são mutáveis, e não estáticos. Além de os papéis sociais ficarem cada vez mais estreitos, é ingênuo achar que existam padrões para a expressividade do sexo.
A bissexualidade parece ser, definitivamente, uma realidade para todos, em que, as pessoas vão se relacionar de acordo com suas conveniências e necessidades, sem se preocupar se são homens ou mulheres. A mudança de mentalidades enfraquece a heteronormatividade e é aí que reside a legitimidade da identidade sexual.
Fonte: (EN)Cena

Depressão: desconhecimento e preconceito dificultam tratamento

Embora a medicina evolua a passos largos, uma área em específico ainda encontra algumas barreiras: a da saúde mental, em parte pela própria característica de sua “raiz” e seus desdobramentos emocionais.


Embora a medicina evolua a passos largos, uma área em específico ainda encontra algumas barreiras: a da saúde mental, em parte pela própria característica de sua “raiz” e seus desdobramentos emocionais.

Mas outro fator que dificulta o avanço de tratamentos que visem se não curar, ao menos, oferecer mais controle e segurança para seus portadores e familiares, é o preconceito.

Somando à “escola” da psiquiatria, baseada nas terapias e medicamentos, a neurocirurgia tem oferecido caminhos para a estabilização de pacientes psiquiátricos graves.

Indivíduos considerados de “alta periculosidade” para a sua família, sociedade, ou mesmo aqueles que geram grande desgaste por suas frequentes e violentas crises de comportamento, encontram em procedimento neurocirúrgicos ablativos, importantes alternativas de controle.

Já entre os procedimentos funcionais menos invasivos ou reversíveis, para diversos outros tipos de distúrbios mentais, estão as técnicas neuromodulatórias, sendo estas ainda enquadradas como off-label.

Apenas para contextualizar o termo off-label, ele primariamente foi usado pela indústria farmacêutica para o uso de drogas não aprovadas para determinada indicação, ou para um determinado grupo etário, uma determinada dosagem ou por questões administrativas. 

No entanto, o uso off-label é geralmente legal, a menos que viole as diretrizes éticas específicas ou regulamentos de segurança, mas não apresentando riscos a saúde e incompatibilidade na responsabilidade legal.

Um estudo publicado em 2006 descobriu que o uso off-label foi o mais comum em medicamentos cardíacos e anticonvulsivantes. Este estudo descobriu que 73% do uso off-label teve pouco ou nenhum apoio científico.
Extrapolou-se a indicação off-label muito além do uso de medicamentos, passando a outros procedimentos ainda em fase de estudo, mas com evidências primárias promissoras e com morbidade reduzida, conforme casuísticas primárias.

Enfim, voltando à neurocirurgia funcional e os procedimentos neuromodulatórios que ganham projeção em velocidade, estão: 1) depressão refratária, 2) síndrome de adição (tabagismo, cocaína, álcool, morfina, heroína, crack, etc.), 3) obesidade e anorexia, 4) TOC (transtorno obsessivo compulsivo), 5) déficits cognitivos em síndromes demenciais e 6) déficit de memória em pacientes com lesão cerebral prévia (traumatismo craniencefálico, acidente vascular encefálico, etc.).

No caso da depressão refratária, estamos falando de uma doença de alta prevalência populacional. É a mais prevalente doença na psiquiatria, com maior índice de suicídio e 20% destes indivíduos não respondem aos protocolos vigentes: uso isolado ou combinado de antidepressivos, psicoterapia, eletroconvulsoterapia e estimulação magnética transcraniana.

Estudos publicados em escolas tradicionais do Canadá, EUA e Ásia, revelam que algo em torno de 50% destes pacientes considerados refratários, respondem à neuromodulação invasiva de núcleos encefálicos, com mínima morbidade e praticamente zero de mortalidade.

Parece certo que, pacientes que perfazem o perfil acima descrito, acompanhados pelo grupo da saúde mental (psiquiatras e psicólogos) e indicados por estes profissionais, deveriam merecer a oportunidade de serem tratados com o procedimento neuromodulatório, já que um em cada dois, respondem ao tratamento e, em especial, pela gravidade da situação vivida por esta população psiquiátrica.

O Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) é caracterizado por pensamentos irresistíveis e recorrentes (obsessivos) os quais o indivíduo procura combater o inibir ou neutralizar com comportamentos repetitivos (compulsões).
Das técnicas neurocirúrgicas, as ablativas incluem a cingulotomia, capsulotomia anterior e das técnicas neuromodulatórias, a estimulação cerebral profunda.

Também é uma doença tratada primariamente pelo psiquiatra e, na presença de resultados insatisfatórios, este encaminha o paciente ao neurocirurgião funcional, para que a cirurgia seja realizada.
Síndrome de adição. O vício é um transtorno psiquiátrico grave com grande impacto individual e sócio econômico. Várias teorias foram propostas nas últimas décadas para explicar a origem do vício e do comportamento de dependência.

O vício começa, na maioria das vezes, com o uso social de uma substância, que se torna uma compulsão e finalmente dependência e síndrome de abstinência. Estruturas encefálicas como o núcleus accumbens tem um papel central na patogênese da dependência às drogas.

Intervenções psicoterapêuticas e farmacológicas para o tratamento da dependência não apresentam grandes taxas de sucesso, com recaídas ocorrendo em cerca 80% dos pacientes com dependência alcoólica grave.

O tratamento neurocirúrgico da dependência teve início nos anos 1960, com a leucotomia (lesão no córtex frontal), utilizada para tratar pacientes com depressão, que demonstrou aliviar a dependência de álcool e barbitúricos.
Nos anos 1970, a hipotalamotomia gradualmente substitui a lecucotomia no tratamento neurocirúrgico da dependência, baseado em modelos animais e observações clínicas. Ainda na década de 1970, a cingulotomia foi testada para abolir a dependência às drogas.

No final da década de 1990, cirurgiões russos realizaram criocingulotomias bilaterais. O procedimento consistira em congelar parte do cérebro usando técnicas estereotáxicas para cortar o giro do cíngulo no sistema límbico bilateral por meio de uma pequena perfuração no crânio.

Recentemente, procedimentos neurocirúrgicos foram utilizados para tratar a dependência à heroína pela ablação do nucleus accumbens bilateralmente.

Relato de caso mostrou que a estimulação cerebral profunda do nucleus accumbensbilateral aliviou a dependência ao álcool de uma paciente que sofreria de agorafobia, sugerindo que essa técnica também poderia ser utilizada no tratamento da dependência de drogas.

Pesquisa que explorou a estimulação cerebral profunda em ratos mostrou que o nucleus accumbens desempenha papel central nas propriedades de recompensa e vício do abuso de drogas em geral e em especial do álcool.
Revisão da literatura concluiu que onucleus accumbens parece ser o melhor alvo para o alívio do vício, mas apenas estudos que analisaram pacientes com dependência como comorbidade foram analisados.

Obesidade. A obesidade é uma doença crônica com importante envolvimento neuropsiquiátrico. Os centros do apetite e da saciedade no cérebro estão relacionados à sensação de reforço associada à ingestão de alimentos, fatores intimamente ligados à fisiopatologia da obesidade.

Com base nesse conceito, a obesidade tem sido proposta como um distúrbio mental e alguns estudos tem explorado o uso da estimulação cerebral profunda para o tratamento da obesidade.

Os centros do apetite e saciedade do cérebro são o hipotálamo lateral e o hipotálamo ventromedial, respectivamente. A literatura tem confirmado essas regiões como foco da estimulação cerebral profunda para diminuir o apetite e perder peso.

Regiões do circuito de reforço cerebral, como o nucleus accumbens, são alternativas promissoras da estimulação cerebral profunda para o controle da obesidade.

Revisão da literatura que comparou a cirurgia bariátrica à estimulação cerebral profunda no tratamento da obesidade mórbida concluiu que, para ser equivalente à cirurgia bariátrica, a eficácia da estimulação cerebral profunda deve ser de 83%.

Porém, esse estudo não leva em consideração a alta taxa de complicações (33,4%) comparado à estimulação profunda (19,4%). Esses resultados estimulam o desenvolvimento de novas pesquisas sobre o papel da estimulação cerebral profunda no tratamento da obesidade.

Mais recentemente, pacientes portadores de doenças degenerativas com progressiva alteração da memória, inicialmente recente e posteriormente a memória remanescente, assim como aqueles indivíduos com profundas alterações cognitivas que sofreram danos encefálicos graves, como traumatismo craniencefálico ou acidente vascular encefálico, vem sendo objeto de tratamento neuromodulatório encefálico.

Estes últimos necessitam de maiores casuísticas vindas de centros médicos embasados pela pesquisa ética e imparcial. Certamente, ainda carecem de uma credibilidade que será, ou não, fundamentada por estes estudos.
Fato é que se faz urgente uma lei nacional que contemple esta opção terapêutica envolvendo todos os Estados.

Fonte: Associação Brasileira de Psiquiatria - ABP
Disponível em: <http://www.abp.org.br/portal/imprensa/clipping-2/>. Acesso em: 8 set. 2015

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

O valor de si mesmo

A autoestima é entendida como um fenômeno importante que está relacionado com todas as pessoas e que muito influencia a vida, até mesmo a corporativa

Imagem: shutterstockPor que algumas pessoas conseguem reconhecer o seu valor e outras se subestimam? Por que uma pessoa pode ser muito amada pela família, ter a admiração dos colegas de trabalho e do chefe, ter resultados e ainda assim não sentir e reconhecer tudo isso, não se sentir merecedor e digno de toda consideração e respeito que outros manifestam?
Não é possivel dar uma única e clara resposta para essa questão e, de fato, estudiosos chegaram a conclusões distintas considerando diferentes elementos da autoestima, porém todos reconhecendo que ela é parte flexível da personalidade do ser humano, um aspecto que pode ser trabalhado.

Falar sobre autoestima é sempre um tema atual, pois não se trata apenas de uma moda passageira, mas sim de um estado psicológico que interfere positivamente ou negativamente na qualidade da vida pessoal e profissional.
William James (1842-1910), fundador da Psicologia moderna e importante filósofo, é talvez um dos primeiros estudiosos a tratar da autoestima. O que o intrigou e o levou a iniciar seus estudos foi identificar a falta de uma ligação direta entre as qualidades objetivas de uma pessoa e o seu sentimento de satisfação. Para James, alguns homens medíocres poderiam ter uma segurança e presunção inabaláveis, enquanto outros, capazes de terem sucesso na vida e serem admirados por todos, estavam sempre inseguros de suas qualidades e capacidades. A partir dessa linha de racioncínio ele verificou que estar satisfeito ou não consigo mesmo não depende tanto dos resultados e sucessos na vida, mas sim dos critérios e jugamentos que a pessoa tem sobre si, da sua maneira de ser, pensar e agir. Esse autojulgamento pode mudar, pois a imagem que cada pessoa tem de si mesma não é fixa e imutável. Ela está sujeita a alterações por conta das experiências ocorridas durante toda a existência.
Como podemos, então, definir alguns aspectos e elementos que podem influenciar e determinar o nível de autoestima nas pessoas? Para tentar esclarecer, a partir da etimologia encontramos o verbo latim stimare, que significa aestimare. Na tradução o termo quer dizer “avaliar”, “determinar o valor de” ou “ter uma opinião sobre”. A partir desse ponto de vista o conceito de autoestima inclui como cada indivíduo vê a si mesmo e como cada um se julga ou que tipo de valor se atribui.
Nesse sentido, a autoestima é caracterizada como uma experiência muito subjetiva, ligada mais ao que cada um sente e pensa sobre si mesmo, e não tanto sobre o que os outros pensam dele. Na verdade, se pensarmos sobre isso, todos os julgamentos que são pronunciados sobre nós durante a vida, desde o mais importante até o mais crítico e cruel, são criados e proferidos por nós mesmos.

William James, fundador da Psicologia moderna, é um dos primeiros estudiosos a tratar da autoestima. O que o intrigou foi identificar a falta de uma ligação direta entre as qualidades objetivas de uma pessoa e o seu sentimento de satisfação

Podemos sintetizar três elementos para fortalecer a autoestima: o amor por si mesmo, a visão de si mesmo e a autoconfiança.
• O amor por si mesmo: Ele permite nos apreciar, apesar das nossas limitações e defeitos. Esse amor incondicional por nós mesmos não depende do nosso desempenho, mas nos permite lidar com a adversidade e se recuperar depois de eventuais fracassos, além de proteger do desespero. Amar a si mesmo é a base da autoestima, o seu componente mais profundo e íntimo. A ideal autoestima envolve a capacidade de aceitar, respeitar e ser solidário consigo mesmo.

• A visão de si mesmo: Como temos olhado a nós mesmos? Como nos avaliamos e julgamos nossas qualidades e defeitos? Não é só conhecer a si mesmo, mas também enxergar a nossa autoimagem. Para ter uma boa autoestima, precisamos primeiro ter uma boa autoconsciência, estarmos cientes das próprias limitações e pontos fortes, desejos, sentimentos, necessidades, objetivos a serem alcançados e sucessos e fracassos obtidos. Uma pessoa com a visão positiva de si mesmo tende a estar mais preparada para lidar com a vida, pois uma visão limitada e negativa a expõe muito mais à confusão e à insegurança.
• A autoconfiança: É o terceiro componente da autoestima e se aplica especialmente às nossas ações. Ser conf iante é pensar que somos capazes de tomar as medidas adequadas em situações importantes. O papel da autoconf iança é fundamental, porque a autoestima precisa de ações para manter-se ou desenvolver-se e também para fortalecer o nosso senso de ef icácia e percepção de competência. A autoconf iança permite que você se sinta suf icientemente capaz de ter um propósito na vida, um objetivo a ser alcançado por meio de ações consistentes e coerentes, expressão de quem somos e dos nossos valores.
Uma dose equilibrada de cada um desses componentes é essencial para obter uma boa autoestima e viver harmoniosamente, lembrando que a autoestima é sensível a mudanças e pode ser fortalecida, a f im de tornar-se um elemento funcional em nossa vida, em nosso bem-estar e capacidade de reconhecer o próprio valor.

Eduardo Shinyashiki é palestrante, consultor organizacional, escritor e especialista em Desenvolvimento das Competências de Liderança e Preparação de Equipes. Presidente da Sociedade Cre Ser Treinamentos, colabora periodicamente com artigos para revistas e jornais. Autor dos livros Viva como Você Quer Viver, A Vida é um Milagre e Transforme seus Sonhos em Vida – Editora Gente. Para mais informações,www.edushin.com.br


Fonte: Revista Psique
Disponível em: http://portalcienciaevida.uol.com.br/esps/Edicoes/115/artigo362495-1.asp. Acesso em: 4 set.2015

Seis dicas para manter o cérebro sempre jovem

O cérebro precisa de cuidados e atenção para garantir um funcionamento suave e eficiente.
Mas, em vez de um manual de manutenção detalhado de uma máquina, tudo o que temos são conselhos vindos da comunidade científica - muitos deles contraditórios e confusos.
Veja aqui aquelas que têm maior suporte de estudos experimentais mais recentes.
Não perca a fé em suas habilidades
Temos a tendência a acreditar que a perda de memória é um problema decorrente do envelhecimento. Mas alguns lapsos - como chegar a um local e esquecer o que foi fazer ali - podem afetar jovens ou idosos com a mesma frequência e intensidade.
Por isso, não deveríamos nos apressar em assumir que tudo é culpa da idade, já que dúvidas podem ser uma espécie de autoprofecia.
Nos últimos dez anos, Dyana Touron, da Universidade da Carolina do Norte, descobriu que com a idade, temos a tendência de perder a confiança nas nossas habilidades mentais, mesmo quando elas estão funcionando perfeitamente. O resultado é que acabamos dependentes de "muletas", como o GPS do carro ou a agenda do celular.
Mas, ironicamente, ao não nos colocarmos diante de desafios, podemos acelerar nosso próprio declínio mental. Portanto, se você se encontrar diante de uma porta não sabendo onde deveria estar, veja a situação como uma oportunidade para forçar um pouco mais a memória.
Proteja seus ouvidos
A mente sofre se for isolada dos cinco sentidos. E a perda auditiva parece detonar a perda da massa cinzenta do cérebro, provavelmente por colocar uma ênfase na atenção e por nos bloquear de estímulos úteis. O problema aumenta em 24% o risco de atraso cognitivo durante um período de seis anos, segundo um estudo recente.
Assim, qualquer que seja a sua idade, vale a pena ter consciência das situações que poderiam estar acelerando a deterioração da audição. Escutar música em alto volume por apenas 15 segundos por dia já é suficiente para prejudicar os ouvidos. Secadores de cabelos e aspiradores de pó são outras companhias ruins para os ouvidos.
Aprenda um novo idioma ou a tocar um instrumento
Em vez de dedicar vários minutos do dia a algum passatempo ou aplicativo que promete "treinar seu cérebro", que tal tentar um exercício mental mais ambicioso, como aprender a tocar um instrumento ou falar uma nova língua?
Ambas as atividades requerem uma ampla gama de habilidades, exercitando a memória, a atenção, a percepção sensorial e o controle de motricidade enquanto você tenta executar uma nova canção ou pronunciar os sons estranhos de novas palavras.
Os benefícios tendem a durar até a idade avançada. Um estudo publicado no ano passado descobriu que músicos têm 60% menos chances de desenvolver demência do que as pessoas que não tocam instrumentos. Outra pesquisa mostrou que falar outro idioma pode atrasar em cinco anos o diagnóstico do mal de Alzheimer.
A aprender uma nova atividade que envolva movimentos físicos parece ser particularmente eficaz, como mostrou um estudo recente com pessoas que combateram a perda de memória aprendendo a pintar.
Modere na comida porcaria
A obesidade pode prejudicar o cérebro de muitas maneiras. O acúmulo de colesterol nas artérias pode restringir o fluxo sanguíneo para o cérebro, deixando-o sem os nutrientes e o oxigênio que ele precisa para funcionar bem.
Além disso, os neurônios são bastante sensíveis ao hormônio insulina, produzido pelo pâncreas. Comer alimentos doces e calóricos com frequência pode embaralhar a liberação da insulina, dando início a uma reação em cadeia que leva à produção de placas letais que podem se acumular no cérebro.
A boa notícia é que certos nutrientes - como o ômega 3 e outros ácidos graxos, e as vitaminas D e B12 - parecem ter um efeito "limpante" e reduzem os prejuízos provocados pela idade no cérebro.
Isso pode explicar por que idosos que sempre mantiveram uma dieta tipicamente mediterrânea - à base de peixes, legumes, verduras e baixo teor de gordura - tendem a mostrar as mesmas habilidades cognitivas que pessoas sete anos mais novas.
Concentre-se no corpo
Gostamos de fazer uma distinção clara entre o corpo e a mente, mas, na realidade, estar em boa forma física é uma das melhores maneiras de manter o cérebro funcionando bem.
A atividade física não só estabelece um melhor fluxo sanguíneo para o cérebro, mas também libera uma grande quantidade de proteínas que ajudam a estimular o crescimento e a manutenção de conexões neurais.
Os benefícios são notados desde o berço: crianças que vão a pé para a escola costumam tirar melhores notas, enquanto idosos que fazem caminhadas regulares - mesmo que não sejam vigorosas - têm mais concentração e memória.
Não deixe de viver a vida
Se todas essas mudanças de rotina parecem algo difícil de adotar, saiba que uma das melhores maneiras de proteger o cérebro dos efeitos do tempo é socializar. O ser humano é uma criatura social, e nossos amigos e parentes nos estimulam, nos desafiam a ter novas experiências e nos ajudam a descarregar o estresse e as mágoas.
Surpreendentemente, um estudo com voluntários com idades em torno de 70 anos mostrou que os mais ativos socialmente tinham 70% menos chances de experimentar um declínio cognitivo em um período de 12 anos, em comparação com aqueles com uma vida mais reclusa. Da memória e da atenção à velocidade de processamento mental, tudo parece se beneficiar do contato regular com outras pessoas.
Ou seja, não há uma fórmula mágica única para treinar o cérebro. As pessoas que envelhecem melhor têm um estilo de vida que incorpora um pouco de tudo: uma alimentação variada, atividades estimulantes e um círculo de amigos queridos. Uma receita que também vale para quem quer ter uma vida feliz e saudável.
Fonte: Diário da Saúde