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segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Má notícia para quem tem pai e mãe com Alzheimer

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De acordo com um novo estudo, do Centro Médico Langone da Universidade de Nova York (EUA), adultos de meia-idade que têm a infelicidade de ter ambos os pais com doença de Alzheimer podem enfrentar ainda outra preocupação: um risco aumentado de alterações cerebrais relacionadas a condição, antes mesmo de sintomas aparecerem.
Os pesquisadores descobriram que adultos saudáveis com dois pais afetados pela doença eram mais propensos a mostrar certas anormalidades em exames cerebrais. Os cientistas ainda não entendem o que isso significa, porque ninguém sabe se essas alterações precoces vão com certeza levar ao Alzheimer.

O estudo

Todos os 52 adultos saudáveis participantes do estudo, a maioria na faixa dos 40 e 50 anos, tinham função mental normal e passaram por ressonâncias magnéticas e tomografias do cérebro.
Eles foram divididos igualmente em quatro grupos de 13: aqueles com dois pais com doença de Alzheimer, aqueles com uma mãe afetada, aqueles com um pai afetado e aqueles com dois pais sem a condição.
O grupo com dois pais afetados mostrou mais anormalidades cerebrais ligadas ao Alzheimer. Eles tinham, por exemplo, de 5 a 10% mais depósitos de beta-amiloide do que os outros três grupos. Eles também apresentaram o menor volume de massa cinzenta e um metabolismo mais lento de glicose, principal combustível do cérebro.
Em geral, as pessoas com dois pais com Alzheimer tinham o mais alto nível de indicadores da doença, seguido por pessoas cuja mãe era afetada, e depois aqueles com um pai afetado.
Um especialista que não participou do estudo, Jeremy Silverman, disse que a descoberta de um risco mais elevado no grupo com só a mãe afetada é interessante, já que pesquisas anteriores sugeriram que o risco de ter doença de Alzheimer pode ser maior nas pessoas quando a mãe, ao invés do pai, também tem a condição.
Se isso for verdade, poderia oferecer pistas sobre as raízes genéticas do Alzheimer. Há, por exemplo, um tipo de DNA – chamado DNA mitocondrial – que é herdado apenas da mãe.
Há muito tempo se sabe que uma forma rara da doença que surge antes dos 65 anos, chamada doença de Alzheimer esporádica de início precoce, é causada por mutações genéticas passadas dos pais para os filhos.
A pesquisa recente sugere que também existe um componente genético para a forma mais comum da doença, de início tardio.

Nada mudou

Por enquanto, não há nenhum uso prático para os resultados do estudo. Ninguém deve sair correndo para fazer ressonâncias e tomografias do cérebro a fim de medir esses indicadores da doença, primeiro porque não sabemos se quem tem esses marcadores realmente desenvolverá Alzheimer, e depois porque ainda não há cura para a doença, nem nada que os médicos possam fazer para impedir seu desenvolvimento.
Se os pesquisadores conseguirem criar drogas que ajudem a prevenir a condição, pode-se imaginar um futuro em que as pessoas com um forte histórico familiar de Alzheimer sejam submetidas a uma varredura do cérebro para procurar marcadores precoces da doença.
Por enquanto, as pessoas com histórico familiar de Alzheimer podem se concentrar em levar um estilo de vida saudável recomendado para todos, com uma dieta equilibrada e exercício físico regular.
Estudos têm indicado que os mesmos fatores que podem danificar o coração – como pressão alta, colesterol alto, obesidade e diabetes – levam a um aumento do risco de doença de Alzheimer. Essa não é uma ligação comprovada, mas já existem muitas outras razões para manter um estilo de vida saudável, então não custa tentar.

Próximos passos

Segundo os pesquisadores, o que é necessário agora é um acompanhamento de longo prazo dos participantes do estudo para ver se esses indicadores de mudanças no cérebro são mesmo alertas precoces para pessoas que se encontram em risco de desenvolver a doença.
Os cientistas enfatizam que só porque os filhos de pacientes com a doença têm esses indicadores, não significa que eles vão desenvolverAlzheimer. [WebMD]
Fonte: Hypescience

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Cegos de ciúmes

Há mais de 400 anos, William Shakespeare tratou da “doença da suspeita” em uma de suas obras mais populares: Otelo, o mouro de Veneza. A desconfiança de que a mulher mantinha relacionamento com um rapaz mais jovem – despertada e alimentada por insinuações de um subordinado, Iago – levou-o a buscar e a acreditar ter encontrado provas da traição em fatos triviais. O escritor referia-se ao ciúme como “o monstro de olhos verdes”, uma metáfora sobre a cegueira induzida pelo sentimento que faz entrever como provável ou certo o que apenas é possível de acontecer.

No relacionamento amoroso, no entanto, é natural sentir ansiedade ao perceber que algo ou alguém pode reduzir o espaço afetivo que ocupamos na vida do parceiro. “O ciúme normal é transitório e se baseia em ameaças e fatos reais. Ele não limita as atividades – nem interfere nelas – de quem sente ou é alvo de ciúme e tende a desaparecer diante das evidências”, define a psicóloga Andrea Lorena, pesquisadora de ciúme excessivo do Laboratório Integrado dos Transtornos do Impulso (PRO-AMITI) do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP). O ciúme extrapola as fronteiras do saudável quando se torna uma preocupação constante e geralmente infundada, associada a comportamentos inaceitáveis ou extravagantes, motivados pela ansiedade de tirar a limpo a infidelidade do parceiro. “No ciúme excessivo, o medo de perder a pessoa amada vem acompanhado de emoções específicas – raiva, medo, tristeza, ansiedade – e pensamentos irracionais. ‘Será que ele/ela está me traindo?’ é um pensamento frequente. Quase sempre há prejuízos para quem sente, para quem é alvo e para o relacionamento”, diz Andrea.

Não raro os pensamentos irracionais se traduzem em comportamentos compulsivos, sustentados pela ilusão de que é possível controlar o que o parceiro faz ou sente, como verificar agendas, registro de ligações no celular, seguir o parceiro, conseguir senha de acesso ao e-mail, checar faturas de cartão de crédito e fazer visitas-surpresa para confirmar suspeitas. Muitas vezes as preocupações são acompanhadas por sintomas físicos, como sudorese, taquicardia, alterações no apetite e insônia. De acordo com Andrea, uma das características mais comuns da pessoa excessivamente ciumenta é a baixa autoestima. “Isto é, ela não acredita que tem valor e merece respeito. A priori, é alguém ‘traível’ e abandonável, pois na verdade acredita que a honestidade e a reciprocidade nas relações não valem a pena. É um sentimento com origem na infância e na relação com os pais, em que provavelmente a pessoa foi negligenciada e desrespeitada. Somam-se ainda fatores como insegurança, medo, instabilidade e a própria desorganização pessoal”, diz a psicóloga.

No Brasil, o PRO-AMITI e a Santa Casa do Rio de Janeiro oferecem tratamento gratuito para ciúme excessivo. A abordagem combina atendimento psicológico, em grupo ou individual, e psiquiátrico. É comum a comorbidade com transtornos de depressão e ansiedade que, se diagnosticados, são tratados com medicamentos. “O processo psicoterápico trabalha a melhora da autoestima e a segurança com o próprio relacionamento. Com o tempo, o paciente percebe que comportamentos como investigar o que o parceiro faz na rede ou vasculhar seus pertences são desnecessários”, diz Andrea.

O ciúme excessivo é um traço frequente de outro quadro: o amor patológico (AP), com características semelhantes à dependência química. Ele ocorre quando o comportamento saudável de atenção e cuidado para com o parceiro, característico do amor, começa a ocorrer de maneira repetitiva e frequente. A pessoa se ocupa do outro mais do que gostaria e abandona interesses e atividades que antes valorizava. Segundo a psicóloga Eglacy Sophia, também do PRO-AMITI, ciúme excessivo e amor patológico compreendem medo intenso da perda, baixa autoestima e insegurança emocional. “Muitas vezes os questionamentos sobre a fidelidade do parceiro são calcados em motivos plausíveis. Em geral, uma entrevista cuidadosa com o paciente revela dados sobre o comportamento do parceiro que poderiam causar ciúme em qualquer pessoa, como telefonemas secretos, distanciamento afetivo e físico frequente e confirmação de traições passadas”, diz a psicóloga.

Apesar de existirem poucos estudos relacionando o ciúme patológico com o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), os pensamentos do ciumento costumam ser similares aos das pessoas que têm o distúrbio: são intrusivos, desagradáveis e incitam atitudes de verificação. “Pacientes que reconhecem seus comportamentos como inadequados ou injustificados apresentam mais sentimentos de culpa e depressão; os demais demonstram raiva e condutas impulsivas mais pronunciadas”, diz Eglacy.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Transtornos e sintomas: o que é ser normal?

Como a saúde deve encarar a heterogeneidade humana? Como separar interações pessoais e processos subjetivos de transtornos e sintomas passíveis de serem tratados com medicamentos? Essas preocupações sobre a condição humana também foram tema de debates no congresso.
A controvertida quinta edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-V) esteve na pauta de grupos de trabalho, comunicações orais e mesas redondas. Atualizado em maio de 2013, o documento — que lista diferentes categorias de transtornos mentais e critérios para diagnosticá-los de acordo com a Associação Americana de Psiquiatria (APA) — tem recebido críticas da comunidade científica.
Manual ‘normatizador’ e ‘limitado’
Para muitos estudiosos, o manual continua reproduzindo um modelo de atenção psiquiátrico de viés biológico e normatizador que traz como consequência a medicalização excessiva. Segundo o pesquisador canadense Laurence Kirmayer, da  Universidade de McGill, no Canadá, havia a promessa de que, em sua nova versão, o manual levasse em conta as interações pessoais e os processos subjetivos — e não apenas síndromes e sintomas clínicos. “Mas essa promessa não foi cumprida”, lamentou.
Ele avaliou que o novo documento é limitado e conservador e que não provocou quase nenhum impacto na prática psiquiátrica. “Apenas na retórica”, fez questão de acrescentar. “É preciso valorizar os contextos e os processos sociais e escutar a linguagem do paciente. É isso que pode introduzir ferramentas mais sofisticadas para os clínicos”. 
Intitulada O DSM-V e suas implicações, a mesa trouxe inúmeras provocações ao debate. A pesquisadora Sandra Caponi, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), reforçou as críticas de Laurence e disse que o manual está longe de poder ser considerado a “bíblia da psiquiatria” ou de representar a natureza das patologias com uma linguagem comum e universal. “Por se tratar de uma lista de sintomas sem sustentação científica sólida, o DSM-V não poderá ser usado como marco de referência das pesquisas científicas”, argumentou, temendo o uso meramente administrativo e burocrático do manual.
Publicado originalmente em 1952, o DSM apontava 106 categorias de desordens mentais. A cada nova edição, categorias são excluídas enquanto outras são renomeadas, reorganizadas, adicionadas. O DSM-III, de 1980, com 494 páginas e uma lista de 265 categorias, foi considerado uma revolução na prática psiquiátrica. Para Jane Russo, do Instituto de Medicina Social da Uerj, o DSM-III transformou-se em um marco por romper com a objetificação e a lógica classificatória.
Desde então, as revisões são sempre acompanhadas de muita expectativa. Jane ponderou que, apesar de todas as críticas pertinentes ao DSM-V, a revisão do manual tem o mérito de lançar luzes sobre o tema com uma preocupação de desafiar o reducionismo biológico. A plateia atenta envolveu-se no debate, tentando relacionar o relatório às discussões atuais sobre direitos humanos.
A palavra é ‘farmacologização’
Já há uma palavra para representar o fenômeno contemporâneo que transforma uma condição ou capacidade humana em oportunidade para intervenção da indústria farmacêutica: farmacologização — do inglês pharmaceuticalization. O termo, tema de palestra de Jonathan Gabe, da Universidade Royal Holloway, de Londres, inclui o uso de fármacos com objetivos não medicinais, como um “estilo de vida” entre pessoas saudáveis. E estende-se, segundo o pesquisador, além do alcance estritamente médico: “Pode haver farmacologização sem medicalização”.
“A obesidade, por exemplo, é tratada cada vez mais com medicamentos, e muitas vezes por meio de compras diretas pela internet”, explicou Gabe, para quem a relação direta da indústria com os consumidores é um dos principais aspectos da farmacologização. “Remédios são vistos no imaginário como pílulas mágicas”, resumiu.
Gabe propôs lançar um “olhar antropológico” sobre o fenômeno. Sem deixar de ressaltar que medicamentos podem de fato salvar vidas de pessoas que têm problemas de saúde, o pesquisador esmiuçou novos hábitos de consumidores e estratégias da indústria. Uma delas é “vender a ideia de doença”, ou seja, redefinir o que são problemas de saúde a partir do que tem uma solução farmacêutica. O que inclui renomear problemas pessoais ou as possibilidades e riscos de falhas: ansiedade social, síndrome das pernas inquietas e disfunção erétil foram alguns exemplos listados pelo estudioso.
“Vender a doença envolve também mudar as formas de governança, com a aprovação cada vez mais rápida de novas drogas para o mercado. As agências reguladoras passam a ser agentes da inovação, e não guardiãs da saúde pública”, disse ele, que considera aspecto essencial para a indústria farmacêutica alcançar a retirada dos obstáculos à livre oferta de seus produtos ao consumidor. 
O palestrante apontou também o uso crescente de remédios para fins não médicos. Segundo ele, esse tipo de utilização tem três objetivos: a normalização, ou seja, tornar-se “normal” ou ajustado a um padrão; o reparo, como no caso de tratamento da calvície; ou ainda o aumento da performance em determinada atividade, quando o medicamento é utilizado por pessoas saudáveis. “Isso já vem sendo feito na ausência de qualquer envolvimento médico, como no caso de estudantes e executivos que tomam o estimulante metilfenidato, a chamada ritalina (estimulante indicado para pessoas com transtorno do déficit de atenção e hiperatividade)”, observou. O uso crescente de antidepressivos, ansiolíticos e indutores do sono também foi mencionado por ele.
Para Gabe, a mídia desempenha importante papel na mediação da relação entre indústria e consumidores de medicamentos. Mas a sua atuação não é, na opinião do pesquisador, tão direta e maniqueísta como o da propaganda propriamente dita: a mídia pode atuar como uma “ferramenta de marketing mascarada de educação”. Sobre o lançamento de novos medicamentos, por exemplo, Gabe afirmou que “a imprensa oscila entre a idealização e a condenação”. 
Ele chamou a atenção para os anúncios e as oportunidades de compra direta de medicamentos por meio das novas mídias: “Há um fenômeno de banalização, domesticação, no sentido de tornar-se uma ação doméstica, corriqueira, cotidiana”.  Gabe disse ver a procura de novos canais e suportes para a farmacologização. 
O pesquisador lembrou ainda que as associações de pacientes de doenças raras ou crônicas têm um potencial de ativismo para regular a entrada de novas drogas no mercado, e essa característica é explorada pela indústria: “Os pacientes e familiares são grupos de consumidores informados, tratados pela indústria como parceiros”. Na análise dele, essa relação pode ser tanto boa quanto ruim para a saúde coletiva. “O poder do ativismo pode levar à resistência ou, ao contrário, ajudar a indústria farmacêutica. Vai depender se os grupos estão cooptados ou mesmo formando uma barreira para defender-se dela”, ponderou. 
Governança global e medicamentos essenciais
Em outra mesa, “Medicamentos e saúde global”, o historiador Jeremy Greene, do Johns Hopkins Institute, nos Estados Unidos, reforçou a importância de se compreender a força e as ações da indústria farmacêutica. O autor dos livros Will to live, sobre a epidemia de aids, e The Republic of Therapy, afirmou que a saúde vem sendo reconceitualizada em termos farmacêuticos. 
Greene, que se declarou “um estudioso do que significa ser normal ou anormal, saudável ou doente”, defendeu que o conceito de saúde é construído culturalmente e historicamente. “Precisamos ter uma sensibilidade histórica para o conceito de saúde global. O desenvolvimento tecnológico não é suficiente para explicar o redirecionamento conceitual na direção das drogas, dos fármacos”, disse. Para ele, está em curso uma comoditização da saúde e dos corpos: “Em termos globais, há um excesso de consumo de medicamentos no Norte e um subconsumo no Sul”, explicou. 
O pesquisador discutiu o contexto político e histórico da criação da Lista de Medicamentos Essenciais e de suas alterações posteriores. O documento, publicado em 1977 e atualmente na sua 17ª versão, é utilizado como modelo para a maioria das relações de medicamentos essenciais nacionais. A pergunta que a lista tenta responder é, segundo ele: “As pessoas têm direito aos fármacos?”.
“As listas de medicamentos essenciais nos países da África até poucos anos atrás eram uma total farsa porque não incluíam medicamentos contra a aids”, comentou Greene. Ao mostrar um mapa com dados sobre a gravidade da epidemia da doença no continente, ele afirmou que o estado de coisas apresentado evidencia a “falta de viabilidade moral” das políticas globais de saúde. “As listas se compõem de medicamentos que não são mais o de primeira escolha. A indústria se utiliza do argumento ‘drogas velhas para um mundo pobre’, e as empresas se articulam de maneira a não ver a ameaçada a propriedade intelectual”.
Sobraram críticas também para a Organização Mundial da Saúde (OMS) e outras instituições internacionais, que, segundo o palestrante, não conseguem ter eficácia normativa para defender que as listas de medicamentos essenciais sejam atualizadas e adequadas aos Estados. “A OMS está desabando. Não é o conceito de drogas essenciais, mas a OMS que está desabando. A ideia da lista é muito válida e a OMS deve ser a guardiã”.

Fonte: Radis

Depressão infantil está associada ao baixo peso no nascimento

A ciência vem mostrando que o baixo peso ao nascer, como um risco biológico associado a outras variáveis biológicas, clínicas e sociodemográficas, pode se configurar numa vulnerabilidade para a presença de dificuldades comportamentais e de depressão infantil. Esse foi o objeto de estudos de uma pesquisa realizada no Departamento de Psicologia, da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP: estão, as crianças nascidas com baixo peso, mais propensas a apresentar depressão e dificuldades comportamentais na idade escolar, em comparação a crianças nascidas com peso normal?

O estudo avaliou 665 crianças com idade entre 10 e 11 anos, de ambos os sexos, nascidas em Ribeirão Preto entre maio a agosto de 1994. Elas foram divididas em cinco grupos de peso ao nascer, conforme os valores de referência da Organização Mundial da Saúde: muito baixo peso, baixo peso, peso insuficiente, peso normal e muito alto peso ao nascer (confira tabela abaixo).

A avaliação dos indicadores comportamentais foi realizada por meio do Questionário de Capacidades e Dificuldades (SDQ), respondido pelos pais. Os indicadores de depressão foram avaliados com base no Inventário de Depressão Infantil (CDI), respondido pelas próprias crianças. Além disso, as condições clínicas das crianças e as características sociodemográficas das famílias foram analisadas por meio das informações de um questionário complementar. O trabalho é resultado da dissertação de mestrado de Claudia Mazzer Rodrigues, orientada pela professora Sonia Regina Loureiro.

Peso ao nascer
Muito baixo peso - abaixo de 1500g
Baixo peso - 1500g a 2499g
Peso insuficiente - 2500g a 3000g
Peso normal - 3001g a 4250g
Muito alto peso - acima de 4250g

Os principais achados

De maneira geral, o estudo constatou que crianças expostas ao fator de risco biológico relativo ao “muito baixo peso ao nascer” mostraram-se mais vulneráveis às dificuldades comportamentais, especialmente à hiperatividade, e à depressão infantil.

Particularmente em relação aos indicadores comportamentais avaliados pelos pais, o grupo formado por crianças com “muito baixo peso ao nascer” apresentou mais indicadores de hiperatividade em comparação aos demais, além de mais problemas de relacionamento com colegas que o grupo “muito alto peso ao nascer”.

Com relação aos indicadores de depressão infantil, verificou-se que as crianças do grupo “muito baixo peso ao nascer” se avaliaram com mais problemas em comparação àquelas dos demais grupos.

Análise da associação entre os indicadores comportamentais, relatados pelos pais, e os indicadores de depressão infantil, relatados pelas crianças, mostrou que aquelas que apresentaram mais indicadores de depressão infantil na sua autoavaliação também apresentaram maior número de indicadores de dificuldades comportamentais gerais na avaliação dos pais, o que leva a crer que a sintomatologia depressiva referida pelas crianças foi identificada pelos pais como a presença de dificuldades comportamentais com manifestações diversas.

Observou-se, para todos os grupos, que as variáveis sociodemográficas relativas à menor qualificação da ocupação do pai/chefe da família, à menor escolaridade do pai e da mãe e à inclusão em classes econômicas menos favorecidas foram as que apresentaram mais associações com a presença de problemas comportamentais. O mesmo, no entanto, não foi observado para a depressão.

O baixo peso ao nascer pode ser, assim, reconhecido como uma condição adversa ao desenvolvimento infantil, favorecendo dificuldades comportamentais e depressão infantil. Considera-se, portanto, que o grupo de crianças nascidas com baixo peso mostrou-se mais vulnerável a dificuldades de saúde mental.

Segundo Cláudia, “a identificação precoce de dificuldades comportamentais e de indicadores de depressão associados ao peso ao nascer pode contribuir para o planejamento de programas de prevenção e intervenção para a promoção da saúde mental infantil”.

A depressão infantil

Estudos apontam que, na população brasileira, de 0,4% a 3% das crianças apresentam características depressivas. Em adolescentes, esse número varia de 3,3 a 12,4%, com fortes indicativos de se desenvolver a doença em idade adulta.

As causas são relacionadas a aspectos psicossociais, ou seja, perda de vínculos afetivos, divórcio dos pais, violência física e psicológica, falta de apoio familiar. Um dos primeiros sinais de alerta é a queda do rendimento escolar, além do desenvolvimento do quadros de mudanças repentinas do estado de ânimo, isolamento e tristeza. Além disso, especialistas alertam que alguns sintomas podem ser “recombinados”, o que dificulta o diagnóstico de depressão na infância.
No estudo realizado em Ribeirão Preto, 6,9% das crianças apresentaram indicadores de depressão.

Fonte: Associação Brasileira de Psiquiatria
Disponível em: <http://www.abp.org.br/portal/imprensa/clipping-2>. Acesso em: 11 fev. 2014

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Super Choque:Pesquisadores da USP usam corrente elétrica para tratar depressão

Cientistas da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveram uma nova técnica para o tratamento da depressão. Uma estimulação elétrica indolor feita com a ajuda de dois eletrodos, colocados na cabeça do paciente, poderá servir como alternativa para quem sofre da doença, mas não toma os medicamentos antidepressivos devido aos fortes efeitos colaterais.
                 
De acordo com o coordenador da pesquisa, o médico psiquiatra Andre Russowsky Brunoni, pessoas jovens, as mais acometidas pela depressão, evitam remédios para a doença porque muitas vezes eles vêm acompanhados de ganho de peso e disfunção sexual. Mulheres grávidas ou que estão amamentando também são impedidas de ingerir essa medicação.
Segundo o cientista, os eletrodos transmitem uma corrente elétrica contínua de baixa intensidade para a área do cérebro que envolve a depressão, o córtex dorso lateral pré-frontal. A corrente corrige o baixo funcionamento dessa região cerebral, característica de quem sofre de depressão. “A estimulação elétrica aumenta a atividade dessa área do cérebro. Com isso, a gente tenta melhorar os sintomas depressivos”, explicou.
O procedimento dura 30 minutos e é repetido por 15 dias consecutivos. “Algumas pessoas sentem um leve formigamento na cabeça, mas outras não sentem absolutamente nada”, conta.
Outra vantagem da nova técnica em relação aos antidepressivos é a forma de atuação no organismo. Enquanto o remédio age em neurotransmissores que atuam no cérebro inteiro, ocasionando reflexos negativos em outras partes do corpo, a estimulação elétrica atua diretamente no córtex pré-frontal.
Além disso, embora o resultado de ambos os tipos de tratamentos (remédio e estimulação elétrica) seja o mesmo, o medicamento acaba passando por outras áreas subcorticais para só depois chegar ao córtex pré-frontal.
Esta não é a primeira vez que a eletricidade é usada no tratamento de transtornos mentais. Russowsky cita a tradicional técnica do eletrochoque, usada há 75 anos por psiquiatras. De acordo com ele, esse é um tratamento bem mais radical do que a estimulação que está sendo desenvolvida pela USP, destinado a pacientes com quadros muito graves. “É uma carga elétrica mil vezes maior do que a gente usa”, disse.
O tratamento por eletrochoque tem como objetivo provocar uma crise convulsiva em pacientes que apresentam casos graves de transtornos mentais, o que estimula a regulação de hormônios e de alguns neurotransmissores. “A única semelhança entre as duas técnicas é que elas usam a eletricidade, mas de forma bem diferente. O eletrochoque é um pulso elétrico para fazer uma crise convulsiva, a gente usa uma corrente elétrica de baixa intensidade para aumentar a atividade no cérebro”, define.
A estimulação criada pelo grupo de Russowsky já foi testada, há três anos, em 120 pacientes. “O resultado principal foi que a combinação da estimulação com o antidepressivo dava efeitos mais potentes que cada tratamento separado”, disse o médico.
O próximo passo da pesquisa será testar a estimulação sozinha. Serão recrutados 240 voluntários, entre 18 e 75 anos, com diagnóstico de depressão, no mínimo, moderada e que apresentem sintomas da doença.
Em um teste cego, metade dos pacientes vai receber o antidepressivo Escitalopram, e a outra metade recebe a estimulação elétrica. “Nem o paciente, nem o pesquisador saberão o que estão recebendo, senão favorece inconscientemente um dos grupos”, esclarece.
Ao final da pesquisa, aqueles voluntários que foram testados com o antidepressivo, e que não tiveram melhora do seu quadro, poderão receber o tratamento com a estimulação elétrica.
Nos próximos três anos, as equipes de Russowsky vão aceitar voluntários interessados em participar da pesquisa. Basta enviar e-mail para pesquisa.depressao@gmail.com. Mais informações estão disponíveis no site http://cinausp.org/pesquisa

Fonte: Blog Panorama Notícias
Disponíveis em:  <http://www.blogpanoramanoticias.com.br/2014/02/super-choquepesquisadores-da-usp-usam.html> Acesso em 10 de fev. 2014.

Esquizofrenia: tragédia em família acende sinal de alerta

Assassinato do cineasta Eduardo Coutinho, morto a facadas pelo filho que sofre de esquizofrenia, chamou a atenção para a necessidade de tratamento da doença que atinge cerca de 1% dos mineiros

O assassinato do cineasta Eduardo Coutinho, no último fim de semana, chamou a atenção para a necessidade de tratamento da doença que atinge cerca de 1% dos mineiros. Entre especialistas, familiares e pacientes, o consenso é de que os portadores do transtorno mental não podem ficar sem assistência psicológica e médica. Mas, apesar da facilidade de conseguir remédios pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o tratamento esbarra na falta de leitos psiquiátricos para internação nos momentos de surto. Em Minas, a meta é chegar a 650 leitos para saúde mental nos hospitais gerais até o fim do ano.

A esquizofrenia revela seus primeiros sintomas no fim da adolescência e está associada a fator hereditário. Normalmente, o portador começa a ficar mais apático e deprimido. Sem cura, a doença tem entre suas características confusão mental, com delírios, alucinações, audição de vozes, perda da memória e dificuldade de fazer tarefas corriqueiras de forma organizada. De acordo com o diretor da Associação Mineira de Psiquiatria Paulo Roberto Repsold, as atitudes agressivas se relacionam, muitas vezes, com a personalidade de cada paciente.

O psiquiatra afirma que medicamentos e assistência psicossocial diminuem os riscos de comportamentos agressivos, mas é preciso melhorar a rede de saúde mental. “O tratamento ambulatorial avançou no SUS, mas faltam leitos para os momentos de surtos. Atualmente, as vagas são muito usadas para receber dependentes do crack”, afirma Repsold. O especialista ressalta que as drogas criaram um novo contexto. “Um esquizofrênico é mais vulnerável às drogas. Quem usa cocaína e crack tem chance maior de entrar em crise”, diz.

Para o vice-presidente da Associação Brasileira de Familiares e Amigos de Portadores de Esquizofrenia (Abre), Jorge Assis, de 50 anos, a oferta de mais leitos para surtos é fundamental. Além de pesquisador do Departamento de Psiquiatria da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), ele é portador de esquizofrenia, identificada há 29 anos, e precisou ser internado duas vezes. “Temos dificuldade de encontrar locais para o tratamento psicossocial e leitos em hospitais gerais”, afirma. Jorge classifica o assassinato do cineasta Eduardo Coutinho como uma tragédia. “Indica uma falha na assistência. Mas a maioria das pessoas não são violentas. Nós, portadores, temos uma luta diária para dar significado a nossas vidas”, diz.

Mãe e irmã de esquizofrênicos, Maione Rodrigues Batista tem a visão um pouco diferente da doença e acredita que muitos pacientes precisam de estrutura para morar longe da família, em residências terapêuticas. O transtorno mental do filho foi identificado aos 15 anos, desencadeado pelo uso de drogas. “Mesmo medicado, meu filho continua a escutar vozes e já tentou me matar várias vezes. Dentro de casa, eles se revoltam e agridem quem está mais perto. A paranoia deles é com a família”, afirma. Para tentar resolver o problema, Maione fundou há oito anos uma casa de assitência onde hoje moram 20 portadores da doença. “O único que não ficou lá foi meu filho, que hoje mora em uma clínica no interior”, conta.

A Secretaria de Estado de Saúde (SES) informou que está ampliando a rede de assistência à saúde mental, aumentando de 150 para 650 leitos psiquiátricos em hospitais gerais até o fim do ano. Já os centros de assistência psicossocial (CAPs) vão passar dos atuais 215 para mais de 300. A Secretaria Municipal de Saúde (SMSA) informa que conta com serviço de urgência psiquiátrica e dá suporte ao paciente psiquiátrico nos postos de saúde, em nove centros de convivência, além dos três Centros de Referência em Saúde Mental Álcool e outras Drogas (Cersam-AD) e um Centro de Referência em Saúde Mental Infantil (Cersami).


Fonte: Associação Brasileira de Psiquiatria

Disponível em: <http://www.abp.org.br/portal/imprensa/clipping-2>. Acesso em: 10 fev. 2014

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Bactérias que causam sintomas da depressão


         
Populações de bactérias vivem naturalmente em nosso intestino – elas formam o que conhecemos popularmente como flora intestinal. Ajudam a digerir alimentos e a controlar, por competição, a proliferação de outros micro-organismos que podem causar doenças. Elas ficam restritas ao intestino graças a uma parede impermeável de células que impede que escapem e caiam na corrente sanguínea.

Há situações, porém, em que essa camada celular sofre desgaste (veja quadro ao lado) e substâncias tóxicas e bactérias vazam para o sangue. Estudos recentes apontam relações entre esse desequilíbrio e alterações no humor. Em um deles, publicado no Acta Psychiatrica Scandinavica, pesquisadores analisaram amostras de sangue de pessoas com depressão e observaram que 35% delas apresentavam sinais de bactérias da flora fora do intestino, o que os cientistas chamam de leaky gut (intestino “mal vedado”). 

Ainda não está clara a relação entre a fuga desses micróbios de órgãos do sistema digestivo e o surgimento de sintomas depressivos. Uma hipótese é que o organismo detecta essas bactérias fora do local onde deveriam estar e desencadeia respostas autoimunes e inflamações, que “são reconhecidamente fatores que afetam o humor e a disposição física e podem desencadear episódios de depressão, conforme já demonstrado por estudos anteriores”, diz o psiquiatra Michael Maes, autor do artigo.

Atualmente, o tratamento para regenerar a parede de células que reveste o intestino envolve, além de mudanças na dieta e busca por hábitosmais saudáveis, administração de glutamina, N-acetilcisteína e zinco – ao qual são atribuídas propriedades anti-inflamatórias.

Causas de intestino "mal vedado"

-Uso frequente de analgésicos
-Hipersensibilidade ao glúten
-Antibióticos
-Alergias severas a determinados alimentos
-Infecções, como HIV 
-Terapia de radiação
-Doenças autoimunes
-Doenças inflamatórias em geral
-Abuso do álcool
-Estresse
-Doenças inflamatórias do intestino
-Exaustão

Fonte: Scientific American Mente e Cérebro
Disponível em: <http://www2.uol.com.br/vivermente/noticias/bacterias_que_causam_sintomas_da_depressao.html>. Acesso em: 6 fev. 2014

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Estimulação cerebral pode ser alternativa a antidepressivos

           
A Estimulação Transcraniana por Corrente Continua (ETCC) é uma técnica não invasiva

Buscar um tratamento para o Transtorno Depressivo Maior (TDM), conhecido como depressão, sem uso de remédios. Esse é o objetivo de cientistas da USP que pretendem comparar se a Estimulação Transcraniana por Corrente Contínua (ETCC) e os antidepressivos têm efeitos semelhantes. A ETCC é uma técnica de estimulação cerebral não invasiva. Consiste na aplicação de uma corrente elétrica contínua de baixa intensidade no córtex cerebral, por meio de eletrodos implantados na cabeça, para aumentar a atividade elétrica de áreas do cérebro que são mais baixas em pessoas com depressão.
 A pesquisa Escitalopram e estimulação transcraniana por corrente contínua no transtorno depressivo maior, que tem financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), é desenvolvida no Hospital Universitário (HU) da USP e envolve o Instituto de Psiquiatria (IPq) do Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) e o Instituto de Psicologia (IP) também da USP.
Se a eficácia da ETCC for similar ao antidepressivo, poderá ser adotada como nova terapia. “Isso poderia trazer um impacto importante nos tratamentos clínicos, pois a estimulação transcraniana é uma alternativa segura e eficaz. Ela atua apenas na áreas cerebrais relacionadas à depressão, como o córtex dorso-lateral pré-frontal esquerdo. Ao contrário do medicamento, que age não só no local necessário como também em todo o corpo, aumentando as chances de efeitos colaterais”, explica Andre Russowsky Brunoni, médico psiquiatra e coordenador do Serviço de Neuromodelação do do Instituto de Psiquiatria do HC e do HU.
Outra vantagem da ETCC, apontada pelo médico, é o fato de ser uma técnica barata, de fácil uso e portátil. E para comparar a eficiência da estimulação com corrente elétrica, será utilizado o antidepressivo escitolopram. Trata-se de um medicamento de última geração no tratamento contra a depressão disponível hoje no mercado”, afirma Brunoni.
De acordo com o estudo, a depressão é um quadro psiquiátrico comum, com uma prevalência de cerca de 15% ao longo da vida e uma incidência de cerca de 5% ao ano. Ela atinge duas a três vezes mais mulheres do que homens e, na maioria dos casos, se inicia a partir da terceira década de vida. Seus principais sintomas incluem perda de interesse e prazer nas atividades habituais, humor deprimido e pensamentos de culpa e menos valia.
Voluntários
Para a confirmação dos resultados do estudo, os pesquisadores estão recrutando pacientes com depressão. É necessário atender alguns requisitos, como ter entre 18 e 75 anos, apresentar depressão com sintomas (moderada a grave), não utilizar, no momento, o antidepressivo escitalopram e ter disponibilidade para comparecer no Hospital Universitário (HU) da USP por 15 dias consecutivos, excluindo finais de semana.

Os interessados podem encaminhar um e-mail para pesquisacientificahu@gmail.com ou pesquisa.depressao@gmail.com ou ainda se inscrever no site www.cinausp.org/pesquisa.
De acordo com Brunoni, os voluntários serão divididos em dois grupos: um receberá tratamento apenas com o antidepressivo escitalopram e o outro a estimulação transcraniana. Ele destaca que, desde 2009, a técnica tem sido tema de estudos no HU.  ”Apesar de algumas pesquisas piloto mostraram que a ETCC diminui a intensidade dos sintomas depressivos, estudos com populações maiores são necessários para permitir a generalização destes resultados e verificar a eficácia desta 
Fonte: Agência USP de Notícias
Disponível em: <http://www.usp.br/agen/?p=167281>. Acesso em: 04 fev. 2014

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Malucos beleza’ fazem show musical em hospital

Integrantes das bandas do Caps e Hospital Juliano Moreira ensaiaram, ontem, na Faculdade de Medicina, no Pelô

“Enquanto você se esforça pra ser um sujeito normal”–como diz a música Maluco Beleza,de Raul Seixas –, canções nacionais e internacionais ganham nova roupagem pelo talento do Bando Flores da Massa, formado pacientes do hospital psiquiátrico Juliano Moreira.

O grupo é resultado de uma oficina de arte criada em 2009 como parte do trata-mento para transtornos psiquiátricos. As atividades acontecem semanalmente nas dependências do hospital, situado em Narandiba.
Do outro lado da cidade, no Terreiro de Jesus, pacientes do Centro de Atenção Psicos-social - Álcool e Drogas (Caps-AD) Gregório de Matos se encontram, todos os dias, com o mesmo propósito: uti-lizar a música como instrumento terapêutico.

Hoje, às 14h, os dois grupos vão se reunir para um show, na ala de internação do hospital. Mas a atividade que poderia ser apenas uma apresentação musical comum, vai além disso: expande as fronteiras da arteterapia no estado da Bahia.
De acordo com o psicanalista e coordenador do Flores da Massa, Wagner de Angeli Ferraz, os resultados observa-dos em pacientes após as atividades musicais realizadas no hospital são positivos.
“O paciente com transtorno mental, na maioria dos casos, não consegue criar laços afetivos, vive em um mundo isolado. Com atividades artísticas em grupo, ele consegue refazer esses laços. E, dessa forma, consegue se reestabilizar emocionalmente e se reinserir na comunidade à qual pertence”, disse.

Tratamento



Do outro lado da cidade, no Terreiro de Jesus, pacientes do Centro de Atenção Psicos-social - Álcool e Drogas (Caps- AD) Gregório de Matos se encontram, todos os dias, com o mesmo propósito: utilizar a música como instrumento terapêutico.

Hoje, às 14h, os dois grupos vão se reunir para um show, na ala de internação do hospital. Mas a atividade que poderia ser apenas uma apresentação musical comum, vai além disso: expande as fronteiras da arteterapia no es-tado da Bahia.

De acordo com o psicanalista e coordenador do Flores da Massa, Wagner de Angeli mesmo princípio. Formada por usuários de drogas e fa-miliares, a banda é resultado de uma das 30 oficinas oferecidas pelo Caps-AD Gregório de Matos.

Coordenado pelo artista plástico Hans Peter Gutman, o grupo conta, também, com a participação da professora de música Mila Paraná, que atua como regente.
Sob a batuta de Mila, o repertório vai desde o hino gospel estadunidense When the saints go marching in até composições próprias, como o Samba do Caps, de autoria do dependente químico em tratamento e percussionista José Pereira.

Por trás das notas musicais saídas dos pandeiros, violões e trompetes, flautas e cavaquinhos, as expressões no rosto dos músicos contam um pouco sobre vidas marcadas pelo sofrimento trazido pelo uso de drogas.

Histórias como a do ex-morador de rua e dependente químico, em tratamento, José Antônio Pereira, 46 anos, destacam-se pela superação.
Após experimentar todo o tipo de drogas ilícitas e sofrer violência nas ruas, Pereira resolveu buscar ajuda no Caps.

“Decidi vir por indicação de um amigo e não me arrependo. Minha cabeça, que antes era ocupada pelo álcool, cocaína e crack, hoje só tem lugar para a música”, afirma.
A funcionária pública Letícia Costa, 46, que toca flauta no grupo, decidiu procurar a instituição para auxiliar no tratamento do filho, usuário de drogas.

“Ele não quis fazer o tratamento, mas eu fui ao Caps, para servir de exemplo. Cheguei devastada e, hoje, sou outra pessoa. Meu filho viu o meu esforço e resolveu se tratar. Atualmente, ele trabalha, tem um filho e está livre das drogas. É uma experiência gratificante”, diz.

Troca de prazer

De acordo com o coordenador das oficinas do Caps-AD, Hans Peter Gutman, a intenção é tratar o dependente químico por meio da substituição do prazer que a droga propicia.

Para ele, a ideia é proporcionar ao usuário o equilíbrio necessário para que a droga não interfira na vida social.

“Antes, tratamentos eram realizados por meio do bloqueio do prazer. O que fazemos é substituí-lo pela arte. Juntamente com o tratamento clínico e psicológico, notamos que os pacientes têm evoluído bastante”, disse.

Tal evolução pode ser percebida em um dos versos do

Samba do Caps: “Música é magia/ Drogas não são drops/ União é alegria / O caminho é pelo Caps”.

APRESENTAÇÃO É PARA FAMÍLIA E CONVIDADOS
O show das bandas Flores da Massa e Gregório do Caps será realizado na Ala de Internação do Hospital Juliano Moreira e é aberto apenas para familiares e convidados.

Fonte: Jornal A Tarde
Reportagem veiculada no dia 31.01.2014.

Um choque contra a depressão

Pesquisadores brasileiros testam pela primeira vez no País método que consiste na aplicação de leves estímulos elétricos na face e constatam sua eficácia na redução dos sintomas da doença

Médicos da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo estão testando, pela primeira vez no País, um método inovador contra a depressão. Chamada de estimulação do nervo trigêmeo, a técnica já foi aplicada em 11 pacientes. Um ainda está em tratamento, mas o restante já o finalizou. Desses, todos relataram uma redução de pelo menos 50% na intensidade dos sintomas da enfermidade – entre eles a vontade de chorar e pensamentos suicidas. “Hoje me sinto outra pessoa, com disposição para viver. O tratamento foi uma revolução na minha vida”, atesta a funcionária pública Ivone Lopes, 55 anos, uma das pessoas submetidas à técnica.

O método consiste na aplicação de estímulos elétricos sobre um dos ramos do nervo trigêmeo, presente na face. O canal nervoso mantém conexões com áreas cerebrais associadas à doença. Dessa forma, conduz os sinais elétricos até elas, o que promove a restauração do equilíbrio da atividade elétrica do local. Esse rearranjo interfere no mecanismo responsável pela doença, daí a diminuição de seus sintomas.

A estratégia vinha sendo estudada na Universidade da Califórnia (Ucla), nos Estados Unidos. Neste mês, o grupo que lá conduz os experimentos publicou uma atualização de seus achados na revista científica “Neurosurgery Clinics of North America”. Novamente, eles concluíram que os pacientes – a maioria portadora da forma grave ou moderada da enfermidade – demonstraram melhora significativa. 
Os participantes não deixaram de tomar antidepressivos. Mas, com a evolução do tratamento, diminuíram consideravelmente sua utilização. No futuro, a ideia é que a estimulação substitua a medicação na maioria dos casos ou que pelo menos a reduza à menor quantidade possível.

Tanto os brasileiros quanto os americanos se preparam para ampliar as pesquisas. Por aqui, a meta é iniciar em breve um novo teste, dessa vez com 40 pacientes. “Eles também farão dez sessões, diariamente, e depois passaremos para aplicações quinzenais”, informa o psiquiatra Pedro Shiozawa, coordenador do laboratório de Neuromodulação da Santa Casa e responsável pela pesquisa. “E eles serão acompanhados por seis meses”, completa. O especialista está à procura de voluntários. Nos EUA, as investigações continuam, enquanto a Neurosigma, empresa que patenteou o sistema, trabalha para obter sua liberação em vários países. “Já está em uso no Canadá e nos países da União Europeia”, contou à ISTOÉ Ian Cook, da Ucla e pioneiro no estudo da técnica. 

Eletrodos na coluna para tratar Parkinson

Pesquisadores da Duke University, nos Estados Unidos, e do Instituto de Neurociências de Natal acabam de comprovar que o uso de estímulos elétricos é eficaz contra os sintomas da doença de Parkinson. O experimento, feito com ratos, consistiu no implante de eletrodos na medula espinhal conectados a um gerador portátil para desfechar sinais elétricos nessa estrutura. Após seis semanas de terapia, os cientistas concluíram que o método melhorou a coordenação motora e ajudou a reverter a perda de peso associada à evolução da doença. Testes anteriores haviam demonstrado essa ação apenas por períodos breves. “Precisamos de opções de longo prazo. A estimulação da medula espinhal tem esse potencial”, disse o cientista brasileiro Miguel Nicolelis, que liderou a pesquisa, publicada na semana passada na edição online da revista “Scientific Reports”.


Fonte: Associação Brasileira de Psiquiatria

Disponível em: <http://www.abp.org.br/portal/imprensa/clipping-2>. Acesso em: 03 fev. 2014

Benefícios de treinamento cognitivo duram pelo menos 10 anos

          Benefícios de treinamento cognitivo duram pelo menos 10 anos
Esta é a primeira vez que se vincula um treinamento cognitivo a benefícios em atividades na vida cotidiana, e não apenas às habilidades mentais relacionadas com os próprios exercícios.
Exercícios para aumentar a capacidade mental beneficia adultos mais velhos até 10 anos depois que essas pessoas receberam o treinamento cognitivo.
O estudo foi o primeiro a vincular um treinamento cognitivo a benefícios em atividades na vida cotidiana, e não apenas às habilidades mentais relacionadas com os próprios exercícios.
Aqueles que tinham participado dos programas de exercícios mentais 10 anos atrás apresentaram menos dificuldades para solucionar tarefas do dia a dia do que aqueles que não tinham participado do treinamento.
O programa chama-se "Treinamento Cognitivo Avançado para uma Terceira Idade Independente e Vigorosa" (ACTIVE, na sigla em inglês).
"Esses resultados de longo prazo indicam que determinados tipos de treinamento cognitivo podem fornecer um benefício duradouro uma década mais tarde. Eles sugerem que devemos continuar com o treinamento cognitivo como uma intervenção que pode ajudar a manter as capacidades mentais dos idosos para que eles possam manter-se independentes e inseridos na comunidade," disse o Dr. Richard Hodes, diretor do Instituto Nacional sobre Envelhecimento (EUA) e responsável pelo projeto ACTIVE.
Treinamento cognitivo para idosos
O treinamento cognitivo é dividido em três partes.
O treinamento de memória envolve melhorar as habilidades de recordar textos e listas.
O treinamento de raciocínio inclui a resolução de problemas que envolvem padrões.
Já o treinamento de velocidade, realizado em computadores com tela sensível ao toque, foi projetado para aumentar a velocidade na identificação de informações em locais diferentes da tela.
Depois de 10 anos, os participantes em cada um dos grupos de treinamento apresentaram menos dificuldade na realização de atividades da vida diária do que aqueles nos grupos de controle, que não receberam os treinamentos cognitivos.
Os participantes de todos os três grupos do treinamento perceberam melhorias imediatas em sua própria capacidade cognitiva.
O estudo envolveu 2.832 pessoas que vivem de forma independente, com idade média de 74 anos no início do estudo - cerca de três quartos eram mulheres.
Fonte: Diário da Saúde