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segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Terapia Cognitivo-Comportamental Ensina a Dormir: a mudança de hábitos pode ajudar no combate à insônia e livrar muitas pessoas dos medicamentos



Poucas descrições sobre o suplício das noites maldormidas são tão pungentes (e precisas) quanto o poema Insônia, do poeta português Fernando Pessoa (1888-1935), sob o heterônimo do grandiloquente Álvaro de Campos:

Não durmo, jazo, cadáver acordado, sentindo,
E o meu sentimento é um pensamento vazio.
Passam por mim, transtornadas, coisas que me sucederam
— Todas aquelas de que me arrependo e me culpo;
Passam por mim, transtornadas, coisas que me não sucederam
— Todas aquelas de que me arrependo e me culpo;
Passam por mim, transtornadas, coisas que não são nada,
E até dessas me arrependo, me culpo, e não durmo.
No Brasil, 76 milhões de homens e mulheres têm problemas para dormir. Deles, 22,8 milhões são insones crônicos, quando a tortura de não pregar os olhos (apesar do sono) se repete três vezes por semana, por, no mínimo, três meses. Até recentemente a grande esperança da medicina contra as noites em claro concentrava-se, sobretudo, nos remédios. O tratamento com medicamentos tem eficiência comprovada e os inevitáveis efeitos colaterais. Por essa razão, ganha espaço nos consultórios médicos o uso da terapia cognitivo-comportamental (TCC) para o controle da insônia. Boa parte das pessoas tem insônia não por ser vítima de algum desequilíbrio químico no cérebro, mas simplesmente por estar condicionada a dormir errado. O objetivo da TCC é, por meio de mudanças de hábitos, reprogramar o cérebro para ensiná-lo a adormecer. "Os estudos mais recentes mostram que, a longo prazo, a terapia muitas vezes é mais eficaz do que os medicamentos", diz o neurologista Leonardo Goulart, do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. Nos Estados Unidos, desde 2005 a TCC passou a ser considerada também o tratamento-padrão para a insônia.
Lições para voltar a dormir - “Costumava acordar mais de duas vezes durante a noite e tinha dificuldade para voltar a dormir, o que comprometia o dia seguinte. Por isso, recorri aos remédios. Não acreditei que a TCC pudesse funcionar. Engolir um comprimido antes de me deitar era bem mais simples do que mudar os hábitos, mas resolvi experimentar e hoje durmo sem o remédio e, se acordo durante a noite, aprendi a pegar no sono novamente.” Thelma Frazatto, 40 anos

Quando foi criada, nos anos 60, pelo psiquiatra americano Aaron Beck, a TCC destinava-se ao tratamento de distúrbios psíquicos, em especial a ansiedade e as fobias. Para seus criadores, tais afecções, em geral, surgem da interpretação errônea do mundo concreto. Por meio de confronto e resistência, o método visa a desligar os comandos cerebrais associados aos pensamentos distorcidos. "Com a terapia, é possível reduzir as doses de remédio para dormir ou até suspender seu uso", diz a neurologista Andrea Bacelar, vice-presidente da Associação Brasileira do Sono. É o caso da carioca Regina Zany e da paulista Thelma Frazatto, cujos depoimentos estão nesta página. O tratamento dura, em média, dois meses, com encontros semanais com o terapeuta. Além de aprender técnicas de relaxamento e meditação, entre outras estratégias, o paciente é incentivado a anotar a sua rotina de dormir e acordar e a registrar as preocupações que costumam rondá-lo nas noites em claro — "aquelas coisas transtornadas" do poema de Fernando Pessoa. Diz a psicóloga Karina Haddad Mussa, do Instituto do Sono, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp): "O objetivo é mostrar ao insone que ele é capaz de dormir. Isso é importante, já que grande parte dos pacientes tem a impressão de que não sabe mais o que é dormir".
Sono mais tranquilo - “É terrível ter sono e não conseguir dormir. Rolava na cama por cinco horas até dar um cochilo. Um cochilo apenas. Era uma tortura. A cabeça não parava. Problemas pequenos ficavam enormes. Cheguei a tomar uma quantidade elevada de benzodiazepínicos. A terapia me ensinou a controlar a ansiedade e hoje só preciso de doses baixas de antidepressivo para pegar no sono.” Regina Zany, 47 anos

A eficácia da TCC anti-insônia não pressupõe o abandono dos medicamentos. A terapia não é indicada, por exemplo, para quem não consegue dormir em decorrência de um quadro de apneia. Outros pacientes, por sua vez, não se adaptam ao novo método. Além disso, os remédios continuam indicados para aqueles momentos mais turbulentos, como a morte de um parente ou dificuldades financeiras, nos quais ficar sem dormir é aceitável. Também nesse campo, a medicina tem boas-novas. Foi lançada recentemente no Brasil a versão sublingual do zolpidem, um dos mais seguros e eficazes indutores do sono. Fabricada pelo laboratório EMS e vendida sob o nome comercial de Patz SL, a nova formulação permite que o remédio induza o sono em apenas nove minutos — duas vezes mais depressa que os comprimidos orais. Conclui a neurologista Dalva Poyares, da Unifesp: "Medicamentos de ação mais rápida ajudam a diminuir a angústia do paciente".
 
Fonte: Revista Mente e Cérebro
 
Disponível em:<http://veja.abril.com.br/noticia/saude/aprendendo-a-dormir>. Acesso em: 06 ago. 2012.

Técnica Industrial Faz Hospital Atender Mais


Com técnicas inspiradas na indústria automotiva, hospitais de São Paulo têm conseguido diminuir o tempo de espera de procedimentos e atender um número maior de pacientes sem precisar contratar mais funcionários ou comprar mais equipamentos.
Conhecidos como sistemas de produção enxuta para área da saúde ("lean healthcare"), essas técnicas envolvem mudanças de processos internos das instituições, muitas das quais são simples readequações na maneira como os funcionários trabalham.
Um exemplo foi o que aconteceu neste primeiro semestre no setor de quimioterapia do Instituto do Câncer Dr. Arnaldo Vieira de Carvalho, responsável por 24% das quimioterapias do SUS na cidade de São Paulo.
A instituição, filantrópica, conseguiu reduzir em 76% o tempo de espera de pacientes atendidos na quimioterapia e aumentar em 50% o número de doentes atendidos.
O primeiro passo foi um diagnóstico de todo o funcionamento do hospital e do caminho do paciente dentro dele. Depois, foi criado um mapa com as lacunas existentes.
"No início, parecia meio esdrúxula a ideia de aplicar uma técnica industrial a um hospital. Mas o hospital não deixa de ser um pouquinho uma indústria de transformação. A gente tenta transformar a matéria-prima, o doente, em uma pessoa saudável", compara Roberto Rivetti, diretor técnico do instituto.
Segundo o consultor Ronaldo Mardegan, responsável pelo projeto, descobriu-se que, deixando a sala da químio preparada no dia anterior e adiantando o que era possível na parte de medicação, os pacientes poderiam ser atendidos antes, liberando espaço para mais doentes.
Antes, às 6h, chegavam os farmacêuticos para preparar a medicação e os enfermeiros para preparar a sala. Os pacientes só começavam a ser atendidos por volta das 8h.
Ao liberar os pacientes mais cedo, mais doentes que estavam na fila de espera puderam ser atendidos. Antes, o hospital atendia 80 pacientes por dia. Agora, são 120 -com os mesmos funcionários.
A fila de espera também foi encurtada. Antes, o paciente demorava 30 dias para começar a químio. Hoje, o prazo é de uma semana.
"Imagina o que é isso para um paciente que tem uma doença que parece um monstro te comendo por dentro. Cada dia é um martírio imaginar que você não está se tratando", afirma Rivetti.
Segundo ele, o mesmo conceito está sendo aplicado no pronto-atendimento. Uma das possibilidades estudadas é, após o paciente passar pela consulta, ele poder fazer um exame no mesmo local que vai receber a medicação.
"Se a gente conseguir reduzir de 40 para 20 minutos esse atendimento, já será um grande ganho para um paciente que está com dor."


TÉCNICA
Criado após a Segunda Guerra Mundial, o "lean manufacturing" (produção enxuta) é adotado por empresas como Toyota, Honda, 3M e Adidas, entre outras.
É uma filosofia de gestão focada na redução de desperdícios, entre eles o de superprodução, tempo de espera, transporte, movimentação, excesso de processamento, inventário e outros.
A ideia, segundo Mardegan, é que, eliminando esses desperdícios, melhora-se a qualidade, e o tempo e custo de produção diminuem.
A partir de 2002, hospitais americanos começaram a aplicar a técnica. Outros hospitais brasileiros, como o Albert Einstein, Rede D'Or, São Luiz e São Camilo, já aplicaram esse conceito de gerenciamento às suas rotinas.
 
Fonte: Folha de São Paulo
 

Pesquisadores de Universidades Paulistas Criam Programa de Prevenção de Transtorno Mentais em Jovens: acompanhamento sociopsicológico pretende identificar sintomas precoces entre 10 e 24 anos


Cientistas da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), da Universidade de São Paulo (USP) e da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto (FMRP) lançaram um projeto para criar um centro de apoio sociopsicológico para acompanhar jovens expostos a fatores de risco para desenvolver dependência química e transtornos mentais, como convivência com violência e drogas.

Chamado provisoriamente de “Espaço Cuca Legal”, o futuro centro de tratamento vai dispor de atividades socioeducativas, como oficinas de leitura, teatro, música e esportes, com acompanhamento de equipe multidisciplinar. Os pesquisadores acreditam que a orientação sobre comportamentos sexuais saudáveis, o estímulo a atividades físicas e esportivas e socioculturais e a conscientização sobre os riscos do consumo de álcool, drogas e o tabagismo na adolescência, podem mudar o comportamento dos jovens e inibir ou retardar o desenvolvimento do surto psicótico.

Um projeto piloto será feito com jovens na região de Vila Maria, zona Norte de São Paulo, que possui cerca de 300 mil habitantes e onde foi criada uma área de capacitação. A ideia é dividir a região em seis áreas (50 mil pessoas cada), que serão mapeadas por agentes de saúde para identificar os casos mais emergentes e encaminhá-los para atendimento no centro de prevenção,

Cerca de 30% dos paulistas apresentam algum distúrbio psíquico, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). Centros de pesquisas de várias partes do mundo indicam que patologias, como depressão, esquizofrenia e transtorno bipolar, eclodem principalemente durante a adolescência, entre os 10 e 24 anos. A falsa impressão de que os jovens são sempre muito saudáveis, além do estigma das doenças mentais, contribuem para retardar o diagnóstico e o início do tratamento, o que agrava o problema e traz repercussões por toda a vida.
 
Fonte: Revista Mente e Cérebro
 

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Sofrimento Emocional, Mesmo os Casos Menos Graves, Já Aumenta Risco de Vida: maior estudo já feito sobre essa relação mostrou que problemas mentais leves são capazes de elevar chances de mortalidade por diversas causas em um período de oito anos


O sofrimento emocional, mesmo os casos menos graves, como níveis mais baixos de stress, ansiedade, depressão e insegurança — sintomas que atingem uma em cada quatro pessoas —, aumenta o risco de morte causada pela maioria das causas em um período de oito anos. Essa é a conclusão de um extenso estudo publicado nesta terça-feira no periódico British Medical Journal (BMJ). Ainda de acordo com a pesquisa, a mortalidade decorrente de câncer é a única não afetada por problemas psicológicos leves: apenas distúrbios mais intensos e frequentes parecem interferir nesse risco.
Esse estudo, desenvolvido nas universidades de Londres e de Edimburgo, na Grã Bretanha, é o maior já feito sobre a relação entre problemas emocionais e mortalidade. Os pesquisadores levaram em consideração dez outras pesquisas das quais, ao todo, participaram 68.222 adultos com pelo menos 35 anos de idade que não apresentavam doenças graves, como câncer ou problemas cardiovasculares. Eles foram acompanhados ao longo de oito anos.
Os níveis de sofrimento psicológico foram medidos com base em questionários respondidos pelos participantes, que relataram intensidade e frequência com que sentiam sintomas de ansiedade, depressão, problemas de relacionamento e falta de confiança. Segundo os autores, a associação entre risco de morte e problemas psicológicos foi semelhante mesmo após os resultados serem ajustados em relação a outros fatores, como idade, sexo, tabagismo, consumo de álcool, sedentarismo e hábitos alimentares.
Para o coordenador do trabalho, Tom Russ, esses resultados são preocupantes, já que, segundo ele, como os sintomas de problemas emocionais leves costumam não ser aparentes ou então ignorados pelos profissionais de saúde, os pacientes que apresentam esses distúrbios acabam não recebendo tratamento adequado. Para o pesquisador, esse estudo pode implicar em novas abordagens de terapia para problemas emocionais menos graves a fim de reduzir o risco de mortalidade entre indivíduos que apresentam esses distúrbios.
 
Fonte: Revista VEJA via Associação Brasiliera de Psiquiatria
 
Disponível  em:<http://abp.org.br/2011/medicos/imprensa/clipping-2>. Acesso em: 03 ago. 2012.

Insônia Já Tem Traços de Epidemia em Países Mais Pobres: incidência desses problemas cresceu junto com casos de doenças mentais, como depressão e ansiedade


Distúrbios do sono: incidência em países mais pobres se aproxima das taxas apresentadas por regiões desenvolvidas

Aproximadamente 150 milhões de pessoas que vivem em países em desenvolvimento sofrem de problemas relacionados ao sono, fazendo com que esses distúrbios ganhem contornos de epidemia em regiões da África e da Ásia. Essas são as conclusões de um estudo feito na Universidade de Warwick, na Grã-Bretanha, e publicado na edição deste mês do periódico Sleep.
De acordo com os pesquisadores, a incidência de distúrbios do sono nesses países está se aproximando do número de casos em nações desenvolvidas, e isso se deve ao aumento dos casos de depressão, ansiedade e outros problemas de ordem emocional nessas regiões. Segundo o estudo, a taxa de problemas graves relacionados ao sono entre adultos desses países é de 16,6%. Em lugares como os Estados Unidos e o Canadá, essa porcentagem é de 20%.



Levantamento — Participaram do estudo cerca de 44.000 indivíduos maiores do que 50 anos de oito países da África e da Ásia (Gana, Tanzânia, África do Sul, Quênia, Índia, Bangladesh, Vietnã e Indonésia). Os pesquisadores analisaram características como qualidade do sono, saúde física e condições psiquiátricas. De acordo com os resultados, as mulheres mais velhas foram mais prováveis a apresentarem problemas graves de sono do que as mais jovens ou do que os homens.

“Nossa pesquisa revela que a incidência de problemas do sono nos países em desenvolvimento é muito maior do que se pensava. Isso é particularmente preocupante, já que as nações mais pobres enfrentam um problema duplo de saúde, que envolve o alto custo de tratamento de doenças infecciosas, como a aids, e também o aumento das taxas de problemas crônicos, como as doenças cardiovasculares e o câncer”, diz o coordenador do estudo, Saverio Strangers. O pesquisador ainda chama a atenção para o fato de que a maioria dos entrevistados vivia em áreas rurais — o que derruba a tese de que a insônia é um distúrbio tipicamente urbano.
O estudo foi apoiado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e financiado pelo Instituto Nacional de Saúde (NIH, sigla em inglês), dos Estados Unidos, e pelo instituto britânico Wellcome Trust.
Clique nas perguntas abaixo para saber mais sobre distúrbios do sono:

*O conteúdo destes vídeos é um serviço de informação e não pode substituir uma consulta médica. Em caso de problemas de saúde, procure um médico.
 Leia mais : http://veja.abril.com.br/noticia/saude/insonia-e-outros-disturbios-do-sono-ganham-tracos-de-epidemia-em-paises-mais-pobres

Fonte: Revista VEJA 

A Forma Como Você Vê os Outros Diz Muito Sobre Você

É melhor pensar duas vezes antes de falar dos outros, porque suas palavras podem revelar muito sobre sua própria personalidade, mesmo aquelas características as quais você pode não estar ciente de que possui.
Essa é a conclusão de um novo estudo que afirma que a maneira como você vê os outros reflete muito sobre quem você é, incluindo tanto boas quanto más características.
Segundo os pesquisadores, ver os outros positivamente revela seus próprios traços positivos. Por outro lado, suas palavras podem revelar percepções negativas de outras pessoas que estão ligadas ao narcisismo, o comportamento anti-social, e até mesmo neura.
Os participantes do estudo, estudantes universitários, foram convidados a falar sobre as características positivas e negativas de outros estudantes com os quais estavam familiarizados.
Os pesquisadores descobriram que a tendência de uma pessoa de descrever outras de forma positiva é um indicador importante da positividade das características da própria pessoa. Fortes associações foram encontradas entre positivamente julgar os outros e o quão entusiástico, alegre, bondoso, cortês, e emocionalmente estável a pessoa se descreveu e foi descrita por outros.
Ver as pessoas de forma positiva também mostra o quanto as pessoas estão satisfeitas com suas próprias vidas e o quanto elas são queridas por outros. Os investigadores dizem que as percepções negativas de outras pessoas estão ligadas a níveis mais elevados de narcisismo e comportamento anti-social.
A simples tendência de ver pessoas negativamente indica uma probabilidade maior de depressão e transtornos de personalidade diferentes. Os pesquisadores dizem que encontrar maneiras de levar as pessoas a ver o outro de forma mais positiva pode promover a cessação de comportamentos associados com transtornos de personalidade.
Ser excessivamente negativo ao descrever alguém pode ser uma dica de que a pessoa é desagradável, infeliz, neurótica, ou tem outros traços negativos de personalidade.
Os investigadores encontraram fortes evidências de que a tendência de perceber positivamente os outros em nosso meio social é uma característica altamente estável que não muda substancialmente ao longo do tempo.
Segundo os autores, os resultados mostram que o que uma pessoa vê no outro é mais do que simplesmente a projeção da sua própria imagem. Mas pode mostrar muito de quem você é.

Fonte: Site Hyperscience

Disponível em:<http://hypescience.com/como-o-estresse-faz-voce-perder-seus-objetivos-de-vista/>. Acesso em: 03 ago. 2012.

Hospitais Ignoram Governo e Recusam Internamento de Doentes Mentais: portarias determinam que pacientes psiquiátricos ou dependentes químicos sejam atendidos em instituições do SUS, mas regra é descumprida.


Onze anos após a implantação da reforma psiquiátrica, os hospitais gerais, como são chamados aqueles conveniados ao Sistema Único de Saúde (SUS), ainda descumprem a determinação de internar doentes mentais e dependentes químicos. Hoje, esses pacientes são atendidos em hospitais de referência ou nos especializados. Desde a reforma, em 2001, que fechou manicômios em todo o país, portarias publicadas pelo Ministério da Saúde continham essa determinação. A última portaria é do fim de julho e estabelece a oferta de até 15% dos leitos dos hospitais para o atendimento a esses pacientes. 
Porém, a resistência existe até mesmo nos hospitais regionais administrados pela Secretaria da Saúde do Paraná. O Hospital Regional de Ponta Grossa, inaugurado em 2010, não tem uma ala específica para esse público. Os hospitais regionais do Noroeste (em Paranavaí) e Norte Pioneiro (Santo Antônio da Platina) também encaminham os casos para os hospitais de referência. 

Concentração imprópria
Para o promotor da área de saúde em Ponta Grossa Fuad Faraj, a concentração do atendimento no São Camilo é “imprópria” porque o atendimento deve ser descentralizado. Ele afirma que pretende obrigar os hospitais gerais do Paraná a cumprir as portarias do Ministério da Saúde, seja através de um termo de ajustamento de conduta ou de uma ação civil pública. Por enquanto, comenta o promotor, quem não conseguir atendimento em hospitais gerais pode procurar o Ministério Público de sua cidade para viabilizar a oferta do serviço.
A coordenadora da Divi¬são de Saúde Mental da Secretaria Estadual de Saúde, Larissa Yamaguchi, afirma que os hospitais gerais que ainda não se adaptaram às exigências estão se estruturando para atender às portarias, inclusive os regionais. Em alguns casos, segundo ela, o atendimento é prestado, porém, não é classificado como atendimento psiquiátrico e se encaixa em outras especialidades. “Há casos de agressão ou de tentativas de suicídio que envolvem pacientes com transtornos mentais ou com o uso de álcool e drogas”, diz. 
Desde a reforma psiquiátrica, a internação passou a ser vista como o último recurso para o tratamento do doente mental ou do dependente químico. “É preciso ter um atendimento em rede, que seja realizado desde a unidade básica de saúde até o Caps.” O Caps é o Centro de Atenção Psicossocial, que presta atendimento contínuo à pessoa com transtorno mental, porém, não realiza internamentos. A disposição de um leito hospitalar, conforme o presidente da Sociedade Paranaense de Psiquiatria, André Rotta Burkiewicz, é importante em caso de emergências psiquiátricas, como surtos. “Mas os hospitais gerais não atendem. Primeiro, porque é preciso ter uma equipe especializada desde o técnico em enfermagem até o médico e segundo porque há um estigma quanto ao paciente de saúde mental.”

Incentivo não amplia número de leitos
Em dezembro, o Ministério da Saúde lançou o programa “Crack, é possível vencer” que prevê a criação de 3,5 mil leitos psiquiátricos no país com o investimento de R$ 670 milhões. A mais recente portaria destina R$ 4 mil por leito psiquiátrico aberto nos hospitais após o envio do projeto e a aprovação pelo ministério. 
Porém, as vagas na área con¬¬tinuariam aquém da oferta ideal. A Organização Mundial da Saúde (OMS) preconiza a existência de um leito psiquiátrico para cada grupo de mil pessoas. O Brasil tem hoje somente 32,6 mil vagas e o Paraná, 2,4 mil. O acesso a esses leitos é feito mediante indicação médica. Se o parâmetro da OMS fosse considerado seria preciso criar mais 158 mil leitos no país e 7,8 mil no Paraná. 
Mesmo antes da reforma psiquiátrica, essa meta não era seguida: em 2001 existiam 68,8 mil leitos no país e 5 mil no Paraná. A reforma psiquiátrica foi implantada em abril de 2001 com a Lei 10.216. A lei passou por 12 anos de discussão antes de ser efetivada. A demora ocorreu pela falta de consenso entre os movimentos antimanicomiais e os psiquiatras, que defendiam os modelos tradicionais de tratamento. Com a reforma se estabeleceu o fim do modelo asilar, ou seja, que colocava o doente mental em hospitais fechados, em tratamento contínuo, segregando-os do convívio familiar. 

Descentralização
A concentração dos leitos psiquiátricos existentes hoje se dá nos hospitais de referência e nos especializados. No Paraná, segundo a Secretaria da Saúde, somente 211 leitos estão distribuídos nos hospitais gerais. A descentralização é oportuna, na opinião do psiquiatra e professor da área, Luiz Ernesto Lima de Mello. “Um paciente de transtorno mental que precisa de um exame mais detalhado tem tratamento mais acessível em um hospital geral do que em um hospital especializado, que não tem a mesma estrutura de equipamentos”, diz. 
Conforme o presidente da Sociedade Paranaense de Psiquiatria, André Burkiewicz, a estimativa é de que pelo menos um terço da população precise de atendimento psiquiátrico. Com o avanço do crack e outras drogas, que podem desencadear problemas psíquicos, a necessidade do atendimento especializado deve crescer. Segundo o secretário-geral da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), Luiz Carlos Coronel, a orientação do Ministério da Saúde seria aniquilar o internamento de dependentes químicos. “Metade dos Caps não tem médicos e só com análise não tratamos os doentes mentais e os dependentes”, opina.
 
Fonte: Gazeta do Povo via Associação Brasileira de Psiquiatria
 
Disponível em:<http://abp.org.br/2011/medicos/imprensa/clipping-2>. Acesso em: 03 ago. 2012.

l FORUM DO CAPS JARDIM BAIANO: "COMPARTILHANDO EXPERIÊNCIAS:DA PONTA AO COMEÇO"


Data: 09/08/2012
Horário: 08:00hs as 16:30hs
Local: Centro Cultural da Câmara de Vereadores - Praça Municipal
Convidados: trabalhadores, usuários e familiares dos serviços em saúde
 
As incrições serão feitas pelo e-mail do fórum (iforumdocapsjardimbaiano@gmail.com).
 
Fonte: Comissão Pró- Associação de Profissionais de Saúde Mental da Bahia.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

O Álcool é Um "Lubrificante" Social, Revela Estudo: publicado recentemente pelo jornal de Psychological Science, o estudo selecionou 720 homens e mulheres e montou grupos de três pessoas que não se conheciam.


O estudo também sugere que doses moderadas de álcool podem minimizar emoções negativas – ou, no mínimo, ajuda a reduzir manifestações de desagrado, como permanecer em silêncio, fazer caretas, torcer o nariz e morder os lábios.

Publicado recentemente pelo jornal de Psychological Science, o estudo selecionou 720 homens e mulheres e montou grupos de três pessoas que não se conheciam.

Estudos anteriores já tinham pesquisado o efeito do álcool em indivíduos. “Mas sentimos que muitos dos efeitos significativos do álcool ficariam mais evidentes num experimento que usasse um cenário social”, avalia Michael Sayette, professor de psicologia da Universidade de Pittsburgh e coordenador da pesquisa. 

No total, 20 grupos heterogêneos foram formados. Cada grupo recebeu ou bebidas alcoólicas, ou bebidas não alcoólicas ou bebidas placebo.

As bebidas alcoólicas continham uma parte de vodka e 3,5 partes de suco de cranberry (as mulheres receberam doses menores). Para tornar as bebidas placebo mais parecidas com as bebidas alcoólicas, os copos foram apenas mergulhados na vodka.

Os participantes sentaram-se em volta de uma mesa redonda e beberam três doses das bebidas durante um lapso de tempo de 36 minutos.

As sessões de bebida em grupo foram filmadas para que os pesquisadores pudessem analisar as interações individuais e grupais e perceber sinais faciais e padrões de linguagem.

O consumo de álcool alimentou as interações sociais e fez aumentar o tempo que as pessoas passaram conversando umas com as outras. Também aumentaram a frequência e os padrões ritmados de ‘sorrisos verdadeiros. No final, os pesquisadores declararam que todos os três membros dos grupos que haviam bebido álcool mostravam-se mais predispostos a sorrir ao mesmo do que os membros dos demais grupos.

Da mesma forma, os membros de grupos que haviam recebido bebidas alcoólicas também se mostravam mais engajados nas discussões e conversas.

O álcool afetou a forma como os participantes reagiram aos feedbacks da pesquisa, como “gostei desse grupo” ou “os membros desse grupo são interessantes e estão interessados naquilo que eu tenho para dizer”. Os participantes que haviam bebido álcool reagiram com muito mais intensidade a frases desse tipo.

A partir dos resultados, diz Sayette, “podemos começar a questionar temas de grande interesse para as pesquisas relacionadas ao consumo de álcool: por que o álcool nos faz sentir melhor em situações de grupo? Existem evidências que sugiram a predisposição de um ou outro membro de cada grupo de desenvolverem um problema de alcoolismo?”

O estudo foi patrocinado pelo National Institute on Alcohol Abuse and Alcoholism dos EUA.
 
Fonte: Portal Correio
 
Disponível em:<http://portalcorreio.uol.com.br/noticias/saude/pesquisa/2012/07/31/NWS,212722,42,355,NOTICIAS,2190-O-ALCOOL-LUBRIFICANTE-SOCIAL-REVELA-ESTUDO.aspx>. Acesso em: 01 ago.  2012.

SP Deve Ganhar Centro de Prevenção de Transtornos Mentais: pesquisadores pretendem criar modelo de centro de convivência de adolescentes com maior probabilidade de desenvolver transtornos


Estudos indicam que é especialmente na adolescência que surgem os transtornos mentais – como depressão, esquizofrenia e transtorno bipolar –, classificados como o conjunto de doenças crônicas que atualmente mais afetam a população na faixa etária de 10 a 24 anos no mundo.
Com base nessa constatação, países como a Austrália e o Canadá implementaram centros de prevenção de transtornos mentais voltados especificamente a jovens, de modo a diagnosticar adolescentes que apresentam ou que estão expostos a fatores de risco que potencializam o desenvolvimento de adições, estados depressivos e transtornos mentais graves como esquizofrenia e transtorno afetivo bipolar.
Um grupo de pesquisadores dos departamentos de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), da Universidade de São Paulo (USP) e da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto (FMRP) pretende replicar essa experiência no Brasil.
O objetivo é criar em São Paulo um modelo de centro de convivência de jovens com maior probabilidade de desenvolver transtornos do neurodesenvolvimento, que possa concentrar ações de prevenção em saúde mental.
O projeto foi apresentado por Jair de Jesus Mari, professor do Departamento de Psiquiatria da Unifesp e coordenador da iniciativa, em conferência realizada no dia 25 de julho na 64ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) em São Luís (MA).
De acordo com Jesus Mari, o objetivo é que o modelo de centro, com nome provisório de “Espaço Cuca Legal”, possa atrair jovens que ainda não desenvolveram transtornos mentais para serem acompanhados por uma equipe multidisciplinar de profissionais.

Fonte: Portal Exame via Associação Brasileira de Psiquiatria

Disponível em: <http://abp.org.br/2011/medicos/imprensa/clipping-2>. Acesso em: 01 ago. 2012.

Compulsão Por Compra é Doença: transtorno tem levado paraibanos a consultórios; Procon atende um caso por dia de superendividamento


Ciclos de ansiedade antes da compra, prazer durante o pagamento e arrependimento logo em seguida: esse é o perfil dos compradores compulsivos, que já começam a aparecer com importância significativa nos consultórios médicos paraibanos. Não conseguindo se render aos impulsos, essas pessoas transformam o que seria um ato corriqueiro em um verdadeiro descontrole. Sem tratamento, o problema é capaz de causar, além de dívidas cada vez maiores, depressão e isolamento social.

De acordo com o primeiro-secretário da Sociedade Brasileira de Psiquiatria, Luiz Carlos Ilafon Coronel, o transtorno atinge majoritariamente mulheres entre 25 e 60 anos, mas a faixa etária atingida tem se ‘rejuvenescido’ bastante. “Esse problema cresceu muita na modernidade. Somos uma sociedade do consumo. Deixamos de ser cidadãos para
nos transformarmos em consumidores. Interessante que mesmo as crianças deixaram de ser crianças também. Agora já existe todo um marketing dirigido à exploração da infância e da adolescência como mercado consumidor”, destaca, enfatizando ainda que o mercado, além de atender às demandas por cultura e lazer, também criou novas necessidades. “É só olhar para os eletrônicos. Quem diria que não viveríamos sem eles? É a marca dos tempos”, revela.

O Procon de João Pessoa, por exemplo, atende pelo menos uma pessoa por dia com problemas de superendividamento, sendo a grande maioria por mau uso dos cartões de crédito, isto é, pelas compras excessivas, que superam o orçamento familiar. “Quando eles chegam aqui, já é como o último suspiro. Vêm mesmo tentar fazer um conciliamento com os concedentes dos cartões. Há uns dois anos, atendi um senhor que, por causa desse mau uso, já tinha uma dívida que era em mais de R$ 14 mil superior ao que ele ganhava, que era cerca de R$ 5 mil. Ele veio bem desesperado, mas, felizmente, conseguimos resolver o caso”, explica um dos advogados do órgão, Djalma Pereira de Farias Júnior.

Subnotificação

Embora o assunto seja mais comum do que muitos imaginam, ainda não há pesquisas locais ou nacionais sobre compradores compulsivos. A referência mais importante sobre o tema é feita apenas através de uma pesquisa por amostragem americana, realizada em 2006, que apontou que 5% da população apresentavam o distúrbio. Se pudéssemos adaptar o
percentual para a realidade da Paraíba, chegaríamos a mais de 188 mil paraibanos sofrendo com o transtorno. Uma delas é a sobrinha da funcionária pública Joana Maria, que assim será identificada para preservar a identidade de ambas.

“Ela começou a sair comprando tudo que queria. Não interessava. Era roupa, sapato e coisas caras, como uma televisão, celulares e um notebook. Ela chegou ao ponto de não pagar o aluguel por nove meses. Como a família conhecia o dono do apartamento, perguntou se estava tudo bem. Foi quando ele contou a situação. O pior é que ela alterna essas compras com muita depressão. Fica muitos dias trancada no quarto, sem nem ver a luz do sol”, lamenta.

Um trauma de infância pode levar uma pessoa a desenvolver a compulsão por compras. A garantia é do psiquiatra clínico Edvaldo Brilhante da Silva Filho. Ele ressalta que, embora o transtorno também tenha fundo de origem genética, como no caso do Transtorno Afetivo Bipolar (TAB) e da Compra Compulsiva (antes chamada de oneomania), as experiências mal resolvidas no passado levam o indivíduo a, consciente ou inconscientemente, não querer vivenciar os mesmos fracassos do passado.

“Tenho um parente próximo que tem mania de estocar comida. Na infância, ele passou fome e morava num bairro pobre. Psicologicamente, isso o afetou muito. Ele não quer passar fome de novo, por isso seu consumismo tem, por trás, um
problema psicológico. Por outro lado, principalmente mulheres, por não terem tido determinadas coisas no passado, como bonecas, roupas ou, até mesmo, uma festa de 15 anos como sonhado, desenvolvem o problema. Só que o prazer hoje é efêmero. Eles não conseguem curtir o objeto comprado”, explica o psiquiatra.

Apesar disso, enfatiza Brilhante, os compulsivos por compras não são doentes mentais. “Você não vai encontrar uma pessoa que mora na periferia da cidade consumindo produtos da loja mais cara de um shopping, por exemplo. Elas têm juízo sim, mas estão temporariamente perturbadas no tocante ao prazer”, pontua.

Fonte: Jornal Correio da Paraíba via Associação Brasiliera de Psiquiatria

Disponível em: <http://abp.org.br/2011/medicos/imprensa/clipping-2>. Acesso em: 01 ago. 2012.

Comuns na Primeira Infância, Amigos Invisíveis Não Devem Assustar os Pais


Nillo tem amigos imaginários criados da internet e de desenhos animados

Quando tinha apenas 7 anos, Albert perdeu a mãe em um acidente de carro. Foi morar, então, com a mal-humorada Harriet, melhor amiga da mãe. O menino não gostava de conviver com a mulher e, em busca de apoio, criou um amigo imaginário. A história faz parte do roteiro do filme Bogus, meu amigo secreto, de 1996. Nele, a criança supera momentos difíceis com o parceiro invisível e também se mete em muitas confusões. Rotulada como uma forma de superar momentos conturbados da vida, a criação de um amigo imaginário vai além disso, dizem especialistas. Tem, na maioria dos casos, uma faceta positiva. É, na verdade, uma etapa saudável do crescimento humano.

Karen Majors, do Instituto de Educação da Universidade de Londres, estuda desde 2009 a questão. A última pesquisa de Majors, feita em 2011, relata que cerca de 65% das crianças do país tiveram amigos imaginários em algum momento da vida. Foram ouvidos meninos e meninas de 5 a 7 anos e os pais delas. “Muitos pensavam que crianças com amigos imaginários eram minoria. Alguns presumiam que as criações vinham de meninos solitários, que não conseguiam fazer amizade. Talvez isso explique por que alguns pais se preocupam quando o filho tem um amigo imaginário”, diz Majors. “Pesquisas recentes dão respostas surpreendentes para essas questões. Primeiramente, já existe evidência clara de que amigos imaginários são importantes para o desenvolvimento infantil". 

Mais de um

Para Nillo Buarque, 8 anos, só um amigo imaginário não basta. Criativo, o menino tem vários companheiros invisíveis. “A maioria deles é da internet e de desenhos animados. Eu vou criando e depois dou nomes”, diz o menino. O Foguinho foi criado quando ele tinha uns 4 ou 5 anos: “Ele tem o corpo vermelho e azul e uma barbatana de tubarão em cima da cabeça”, descreve. Nillo conversa muito com os parceiros imaginários, mas não é muito fã de brincar com eles. “Eu brinco pouquíssimo. Como os amigos imaginários não tocam na gente, eu não gosto de brincar sozinho.”
 
Obs. Reportagem completa disponibilizada na versão impressa. 
 
Fonte: Jornal Correio Brasiliense
 
Disponível em:<http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/ciencia-e-saude/2012/07/31/interna_ciencia_saude,314377/comuns-na-primeira-infancia-amigos-invisiveis-nao-devem-assustar-os-pais.shtml>. Acesso em: 01 ago. 2012.

Para Manter as Aparências: passar pelos chamados sonhos de consumo sem ceder a eles pode evitar dívidas, ganho de peso desnecessário e sensação de impotência


Em algum momento, todos ansiamos por nos sentir importantes, poderosos e populares. O desejo por prestígio é um dos aspectos mais essenciais na orientação do comportamento humano – o lugar que ocupamos na escada social pode determinar, entre outras coisas, com quem nos casaremos e quanto tempo viveremos, por exemplo. No entanto, pesquisas recentes sugerem que algumas tentativas para subir na hierarquia social podem ter o efeito contrário em relação ao esperado: certas atitudes, como ostentar grifes ou comer nos restaurantes mais caros para elevar a autoestima, podem melhorar o ânimo por um curto período, mas, a longo prazo, aumentam os riscos de permanecer em uma posição social desprivilegiada.

Os sentimentos de impotência diante das demandas de consumo e a falta de influência no meio em que vivem podem levar pessoas com baixa autoestima a pagar mais por produtos e serviços e até a comer mais. A médio e longo prazo, a insistência nessa atitude é capaz de torná-las mais pobres, menos atrativas e rebaixar sua posição social em vez de fazê-la crescer. Saber como e quando essas questões influenciam nossas decisões pode ajudar a quebrar o círculo vicioso.

Em um estudo feito em 2008, os psicólogos Derek Rucker e Adam Galinsky, da Universidade Northwestern, descobriram que  interferir no sentimento das pessoas quanto à sua posição social pode alterar o valor que elas estão dispostas a pagar por produtos. Os pesquisadores pediram a parte dos participantes do estudo que escrevessem sobre as vezes em que se sentiram poderosos e aos demais que discorressem sobre as ocasiões nas quais experimentaram a sensação de impotência diante de uma situação. Em seguida, perguntaram a todos quanto estariam dispostos a pagar por alguns produtos. Aqueles que haviam escrito sobre se sentir incapazes de agir ofereceram valores significativamente maiores por itens de luxo. Conclusão: o desejo de uma solução rápida para sentimentos de frustração tem o poder de colocar os indivíduos que não se sentem influentes em maior risco de acumular dívidas ou, pelo menos, de fazer alguns investimentos questionáveis.

Além de esvaziar nossa carteira, a sensação de inferioridade pode nos fazer ganhar peso. Para chegarem a essa conclusão, o professor de marketing David Dubois, também da Universidade Northwestern, e seus colegas desenvolveram uma técnica: instruíam metade dos participantes a se imaginar como um profissional de alto escalão, com possibilidade de fazer escolhas, e outra parte como um empregado humilde, sem poder de decisão. Em seguida, eles pediram que escolhessem entre um recipiente pequeno e  um grande, nos quais seria servida a mesma quantidade de comida – um pedaço de pizza ou um milk-shake.

Os “funcionários humildes” escolheram os recipientes maiores na maioria das vezes, em relação àqueles que se imaginaram como “patrões”, embora a quantidade de comida fosse a mesma em ambos os casos. Os pesquisadores concluíram que “grandes coisas” podem sinalizar um status mais elevado, o que faz com que as pessoas que se sentem impotentes tendam a comprar produtos com embalagens maiores. Naturalmente, as calorias adicionais contidas nesses pacotes também terão consequências na vida real. De qualquer forma, um dos efeitos colaterais da compra de mais alimento será o ganho de peso – o que, é claro, pode afetar não só a saúde, mas também a maneira como os outros nos veem.

Quando estamos atormentados por sentimentos dolorosos devido ao baixo reconhecimento social, nosso julgamento pode se tornar obscurecido. Podemos focar tanto em como ser mais feliz no momento que nos esquecemos de prestar atenção em como nosso comportamento irá nos afetar a longo prazo. A ligação entre o poder e o tamanho da porção pode explicar, pelo menos em parte, por que a obesidade tem aumentado mais rapidamente entre os americanos mais pobres.

A boa notícia é que manipular o que sinaliza um status social desejado pode orientar as pessoas a fazer melhores escolhas. Quando Dubois e seus colegas alertaram os participantes que a escolha de porções maiores estava relacionada à tentativa de ter maior prestígio social, eles escolheram quantidades menores. Basta estar consciente de que seu comportamento pode estar sob influência de sentimentos de inferioridade para melhorar seu julgamento diante das escolhas.

Por isso, quando você estiver na fila de uma lanchonete, planejando comprar a batata frita tamanho gigante ou aquele refrigerante extra, reflita sobre seu estado emocional. Se alguma coisa o fez se sentir inferiorizado, é provável que você “queira” o tamanho grande por outras razões que não a fome. Tomar consciência das próprias motivações também é útil quando vamos ao supermercado. Se os sentimentos de insegurança estão em alta, seria mais adequado voltar às compras mais tarde, quando se sentir mais confiante. E, assim, ainda fazer um bom negócio.

Fonte: Revista Mente e Cérebro
 

Pesquisadores de Universidades Paulistas Criam Programa de Prevenção de Transtorno Mentais em Jovens: acompanhamento sociopsicológico pretende identificar sintomas precoces entre 10 e 24 anos


Cientistas da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), da Universidade de São Paulo (USP) e da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto (FMRP) lançaram um projeto para criar um centro de apoio sociopsicológico para acompanhar jovens expostos a fatores de risco para desenvolver dependência química e transtornos mentais, como convivência com violência e drogas.

Chamado provisoriamente de “Espaço Cuca Legal”, o futuro centro de tratamento vai dispor de atividades socioeducativas, como oficinas de leitura, teatro, música e esportes, com acompanhamento de equipe multidisciplinar. Os pesquisadores acreditam que a orientação sobre comportamentos sexuais saudáveis, o estímulo a atividades físicas e esportivas e socioculturais e a conscientização sobre os riscos do consumo de álcool, drogas e o tabagismo na adolescência, podem mudar o comportamento dos jovens e inibir ou retardar o desenvolvimento do surto psicótico.

Um projeto piloto será feito com jovens na região de Vila Maria, zona Norte de São Paulo, que possui cerca de 300 mil habitantes e onde foi criada uma área de capacitação. A ideia é dividir a região em seis áreas (50 mil pessoas cada), que serão mapeadas por agentes de saúde para identificar os casos mais emergentes e encaminhá-los para atendimento no centro de prevenção,

Cerca de 30% dos paulistas apresentam algum distúrbio psíquico, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). Centros de pesquisas de várias partes do mundo indicam que patologias, como depressão, esquizofrenia e transtorno bipolar, eclodem principalemente durante a adolescência, entre os 10 e 24 anos. A falsa impressão de que os jovens são sempre muito saudáveis, além do estigma das doenças mentais, contribuem para retardar o diagnóstico e o início do tratamento, o que agrava o problema e traz repercussões por toda a vida.
 
Fonte: Revista Mente e Cérebro
 
Disponível em:<http://www2.uol.com.br/vivermente/noticias/pesquisadores_de_universidades_paulistas_criam_programa_de_prevencao_de_transtorno_mentais_em_jovens.html>.Acesso em: 01 ago. 2012.

A Peste da Psicanálise: antigamente se dizia, cinicamente, que a inteligência era aquilo que os testes mediam; hoje podemos pensar que a depressão é aquilo que os antidepressivos curam


Corre na França acalorada controvérsia sobre o atendimento psicanalítico de crianças autistas. Desde um estudo de 2003, financiado pela Caixa Nacional de Seguro de Saúde daquele país, surgem tentativas recorrentes de desqualificar o uso da psicanálise no tratamento dos “transtornos diagnosticados pela primeira vez na infância ou na adolescência”, bem como a antiga tradição de estudos psicopatológicos, embasados na observação clínica e no acompanhamento longitudinal de casos. A contenda se desenvolve de forma mais aguda e devastadora para os maiores interessados: as crianças. A situação chegou ao extremo com a divulgação de um vídeo, editado de maneira grosseira, expondo declarações sem sentido e equívocas de certos psicanalistas. Uma associação de pais requereu que o ministério da saúde francês suspendesse a recomendação do tratamento de crianças autistas pelo método psicanalítico. Tradicionais centros de tratamento de crianças como Bonneuil foram ameaçados de intervenção psiquiátrica e coagidos a empregar formas “administrativamente mais viáveis” de tratamento das dificuldades graves da infância. Bons argumentos acerca desse sequestro medicalizante do sofrimento na infância podem ser encontrados na compilação organizada por Alfredo Jerusalinsky e Silvia Fendrik em O livro negro da psicopatologia contemporânea (Via Lettera, 2011).

Desde o DSM-III verifica-se um expurgo de oposições diagnósticas oriundas da psicanálise, tais como a distinção entre neurose e psicose, bem como a substituição dos antigos quadros clínicos, que definia sintomas em sua lógica de produção, por categorias descritivas e arranjos arbitrários de signos. Enquanto temos uma espantosa proliferação de novos transtornos para os adultos – cogita-se incluir a tensão prémenstrual (TPM) como a mais nova forma de doença mental – no campo da clínica com crianças há um processo inverso de redução e expansão injustificada dos critérios diagnósticos para o autismo.

Por que será que a diagnóstica das doenças mentais dos adultos se pulveriza na medida inversa em que a diagnóstica das crianças se concentra inflacionando o autismo? Que epidemia teria feito as crianças sofrerem de modo cada vez mais igual e os adultos de modo cada vez mais diferente? Por que os sofrimentos se “atualizam” de forma tão afinada com as gerações de medicamentos? Agregados de forma cumulativo, tal como Combo Junky Food, os novos quadros clínicos são recorrentemente definidos de modo reverso. Antigamente se dizia, cinicamente, que a inteligência é aquilo que os testes de inteligência mediam. Hoje ouvimos dizer, analogamente, que a depressão é aquilo que os antidepressivos curam. E que o autismo é aquilo que os neurolépticos aquietam. Efeito da compressão diagnóstica, que exclui a existência de quadros de psicose entre crianças, este limite interesseiro da classificação e da prerrogativa de tratamento prolifera a retórica do pósdiagnóstico. Ou seja, inúmeros casos de cura de autismo – conforme depoimentos de pais de crianças tratadas pela psicanálise – são neutralizados pelo argumento “fatalista” de que se houve melhora é porque o diagnóstico inicial estava errado (não eram verdadeiros autistas). A sobrecarga de diagnósticos de déficit de atenção e hiperatividade (que aparentemente herdou a popularidade das antigas dislexias) e de transtornos do espectro autista parece estar a serviço da supermedicalização. Mas com a nova lei brasileira do ato médico só haverá um tipo de diagnóstico e de indicação de tratamento. E não será o psicanalítico. Enquanto isso as crianças sofrerão caladas, sonolentas e pacificadas; seus pais terão certeza absoluta de que estão fazendo o melhor para seus filhos, os médicos seguirão seus protocolos e a saúde das populações terá sido resguardada contra a peste da psicanálise.
 
Fonte: Revista Mente e Cérebro
 

A Máquina de Levitar: estrutura criada por engenheiro capta impulsos neurais e ergue as pessoas até 6 metros do chão

De pé sobre uma superfície circular, o visitante é atado em um equipamento de segurança contra quedas, semelhante aos usados para escalar montanhas. Em sua testa e nas laterais da cabeça são colocados eletrodos, os mesmos usados em exames de eletroencefalograma (EEG), que registram os impulsos elétricos do cérebro e os enviam para microcomputadores. Assim começa a diversão na estrutura The ascent. Criada pelo engenheiro Yehuda Duenyas, do Instituto Politécnico Rensselaer, em Nova York, a máquina que faz pessoas levitar com o poder do pensamento tem atraído curiosos a um teatro na periferia da cidade, onde está instalada.

Os registros neurais são processados e o espectador é iluminado por um feixe colorido – se for vermelho, significa que ele está “distraído” demais para levitar; verde, que tem concentração suficiente para subir cerca de 1 metro; azul, que está com a mente limpa de pensamentos que desviam sua atenção do foco e por isso pode voar. Segundo os organizadores do projeto, a maioria das pessoas não passa da “fase verde”. No entanto, alguns poucos conseguem atingir os 6 metros, marca comemorada com uma explosão de confetes prateados. “Geralmente costumam praticar meditação”, assegura Duenyas.
Fonte: Revista Mente e Cérebro