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segunda-feira, 2 de abril de 2012

Por Que Mentimos?: a mentira é essencial na construção das sociedades. E os humanos não são os únicos a desfrutar deste artifício

Você quer realmente saber se o vestido novo lhe deixa gorda?

Como seria o mundo se ninguém pudesse mentir? Todos os políticos cumpririam suas promessas, ninguém manteria segredos e traição seria algo inexistente. Ao mesmo tempo, verdades inconvenientes, como o que as pessoas realmente pensam sobre seu peso ou seu cabelo, seriam ditas sem pestanejar. Normalmente vista como a vilã dos relacionamentos pessoais, a mentira existe porque nos ajuda a cumprir um propósito essencial: a convivência em sociedade.
De acordo com Mônica Portella, psicóloga e autora de “Como Identificar a Mentira”, são dois os principais motivos que levam as pessoas a mentir: proteger-se de uma possível consequência negativa de nossas ações e preservar a autoimagem. Ou seja, quando sabemos que nossa posição poderá sofrer reprovações ou sanções, optamos por faltar com a verdade.
Já o professor de filosofia e historiador David Livingstone Smith, autor do livro “Why We Lie: The Evolutionary Roots of Deception and the Unconscious Mind”, algo como “Por que mentimos: as raízes evolutivas do engano e o inconsciente” em tradução livre, enxerga outra motivação essencial para os mentirosos.
“Mentimos para conseguir coisas que seriam mais difíceis de obter de outra forma”, diz Smith antes de completar: “mentimos em qualquer circunstância na qual manipular o comportamento do outro pode ser vantajoso para nós”.
 
No filme “O Primeiro Mentiroso”, de 2009, é por este caminho que segue o protagonista Mark Bllison (Ricky Gervais). Mark vive em um mundo onde ninguém sabe mentir. Um dia, depois de ter sido demitido e de ter tido um encontro frustrado com a garota dos sonhos, ele mente para o atendente do banco em relação à quantia que deveria ter ali. Pronto. A enganação seria a primeira de muitas, que envolveriam, inclusive, a habilidade de falar com “o homem lá em cima”, uma espécie de Deus. Mark seria a primeira pessoa a conseguir enganar o próximo. Apenas quando sente-se acuado é que ele descobre sua capacidade singular. 
Mark agiu por impulso e, embora não conhecesse o conceito de mentira, mentiu conscientemente. Segundo Smith, no entanto, boa parte das mentiras é proferida inconscientemente. “Algumas vezes, quando mentimos, não temos consciência que estamos fazendo isso. Em outras palavras, mentimos até para nós mesmos”.
 
No fundo do poço, protagonista de "O Primeiro Mentiroso" mente para ascender socialmente

Será que já aconteceu conosco algo parecido com o que acontecia com os habitantes do mundo de Mark, no filme “O Primeiro Mentiroso”? Será que já vivemos uma época em que ninguém sabia mentir até que alguém descobriu os poderes da dissimulação? Não. Mônica e Smith concordam que mentir é algo natural para os seres humanos.

“Crianças com um ano já sabem mentir”, diz Mônica. “Muitas vezes a criança chora para conseguir algo em troca. Não é um sentimento genuíno”, completa. “Todos nós nascemos mentirosos”, complementa Smith.
Smith, inclusive, acredita que mentir não seja nem exclusividade da espécie humana. Segundo ele, animais e plantas usam de artifícios similares para conquistarem determinados objetivos. O historiador cita o exemplo de um tipo de orquídea cuja flor se assemelha às fêmeas da vespa. Ludibriado, o macho tenta copular com a planta e acaba levando o pólen de uma flor à outra. “A orquídea engana as vespas, produzindo uma espécie de pornografia animal”, brinca Smith.
 
É assim, de maneira mais ampla, que a mentira se manifesta no cotidiano. Mentiras verbais são acompanhadas de uma série de atitudes que, de uma forma ou de outra, têm como objetivo enganar. “Mentimos com nosso tom de voz, ao evitar dizer algo ou pela forma como movimentamos nosso corpo”, diz Smith. “Também mentimos manipulando nossas aparências: ao usar maquiagem, fazer uma cirurgia plástica ou colorir o cabelo, por exemplo”. 
Sem tanta mentira e enganação, viver em sociedade talvez fosse inviável. “Se todo mundo falasse a verdade sempre, a vida social seria impossível”, diz Mônica. Para ela, as pequenas mentiras do dia-a-dia tornam viver suportável, pois não precisamos enfrentar verdades que nem sempre estamos prontos para encarar. “Viver seria um inferno”, concorda Smith. “Mentir é absolutamente necessário para manter a harmonia da vida social”, finaliza.

Fonte: IG

Workaholics, Fanáticos Pelo Trabalho: workaholics: quando o trabalho se torna um vício. Lazer, momentos livres com a família e descanso são essenciais para uma vida mais saudável.

Muitas pessoas acreditam que levar trabalho para casa, não ter intervalos e ser muito exigente consigo mesmo, cobrando resultados e metas, pode se tornar uma garantia de sucesso profissional. Mas para o psiquiatra credenciado da Paraná Clínicas Planos de Saúde Empresariais, Dr. Lincoln Cesar Andrade, o trabalho em excesso pode viciar, se tornando um grande problema para a saúde.

Quando alguém começa a acreditar que ficar no escritório até mais tarde, trabalha quando chega em casa ou fica checando os emails nos finais de semana, e acredita que isso tudo são atitudes normais, ele faz um alerta. “Além de prejudiciais à saúde, isso tudo pode ser o alerta para um vício. Essas pessoas são chamadas de workhalics”, explica. 
Segundo o especialista, esse é um termo popular que designa pessoas que trabalhem por muitas horas ou intensamente, e foi cunhado em 1960 por W.E. Oates, que tinha a intenção de estabelecer um paralelo com o comportamento compulsivo dos alcoólicos anônimos.
“Como qualquer pessoa com comportamento adicto, workaholics negligenciam a família, os relacionamentos pessoais e outras responsabilidades. Não se sentem bem quando não estão trabalhando, trabalham muito, sempre com o objetivo de elevar sua autoestima, e negam que tal comportamento seja um problema. Em finais de semana e feriados oferecem desculpas ao cônjuge para trabalhar ou mesmo disfarçam o trabalho pelo uso da informática”, alerta o Dr. Lincoln.
Alguns comportamentos indicam a existência do problema na vida de uma pessoa. Maior entusiasmo com o trabalho do que qualquer outra atividade; levar trabalho para a cama em finais de semana e nas férias; nunca chegar do trabalho na hora combinada; pegar trabalho extra frequentemente; impaciência com pessoas que têm outras prioridades que não seja o trabalho; competitividade até mesmo em brincadeiras; e irritabilidade quando solicitado que pare de trabalhar para executar outras atividades. “Os prejuízos causados por este ‘vício’ abrangem a perda de relacionamentos em geral, fora do trabalho, e problemas de saúde como hipertensão, diabetes e AVC – Acidente Vascular Cerebral. Estas pessoas têm fortes tendências a desenvolver problemas cardíacos”, explica o psiquiatra.
A boa notícia é que existe um tratamento adequado para pessoas workaholics, que exige ampliação da consciência e disposição para mudar de estilo de vida. “Esse tratamento requer auxílio profissional e não pode ser deixado para mais tarde, ou seja, antes mesmo de desencadear doenças mais sérias, é preciso buscar ajuda de um médico especializado para tratar este vício”, completa.

Fonte: Bagarai

Disponível em: <http://bagarai.com.br/workaholics-fanaticos-pelo-trabalho.html>. Acesso em: 02 abr. 2012.

Os Sintomas da depressão: falta de energia, perda de ânimo e batimentos irregulares são comumente relatados

Pela classificação internacional de doenças, a depressão pode ser de três graus: leve, moderado ou grave. O humor da pessoa com depressão pode variar de dia para a dia, ou segundo as circunstâncias, e pode ser acompanhado de diversos outros sintomas, como redução da energia e perda de interesse no que está a seu redor. O número e a gravidade dos sintomas ajudam a determinar de que grau ela é.
Na forma leve da doença, em geral há a presença de dois ou três dos sintomas, e a pessoa continua capaz de desempenhar suas atividades. Na moderada, são quatro ou mais sintomas e o paciente parece ter muita dificuldade para manter sua rotina. E, na grave, os muitos sintomas são angustiantes, e a ideia de suicídio é comum. Em alguns casos, o doente tem sintomas psicóticos, como alucinações. Quando é este o quadro, deve-se buscar ajuda imediatamente, porque a pessoa corre o risco de morrer por suicídio, desidratação ou desnutrição.
As principais características da depressão são:
— Rebaixamento do humor
— Redução da energia
— Diminuição da atividade
— Alteração da capacidade de experimentar o prazer
— Perda de interesse
— Diminuição da capacidade de concentração
— Fadiga, mesmo após um esforço mínimo
— Problemas de sono e/ou despertar matinal precoce, várias horas antes do habitual
— Falta de apetite
— Diminuição da autoestima e da autoconfiança, muitas vezes associada a ideias de culpabilidade e/ou indignidade
— Lentidão psicomotora importante
— Agitação
— Perda da libido
— Alucinações e outros sintomas psicóticos (nos casos mais graves)
A literatura médica relaciona ainda sintomas físicos como desconforto no batimento cardíaco, boca ressecada, constipação, dores de cabeça e dificuldades digestivas. Podem aparecer ainda dificuldade para chorar ou vontade de chorar sem motivo aparente, hesitação para tomar decisões, pena de si mesmo, persistência de pensamentos negativos e queixas frequentes.
Há muitas outras manifestações de depressão classificadas. Uma delas é a distimia, em que o rebaixamento do humor é crônico, e pode até persistir por anos, mas os episódios são curtos.
Caso desconfie estar sofrendo de depressão, ou de que algum familiar ou amigo se enquadra nos sintomas descritos, o melhor é procurar um médico imediatamente.

Fonte: Jornal O Globo
 

Série de Reportagens Sobre o Crack na Paraíba Mostra Efeitos da Droga: segundo psiquiatra, no segundo uso já há dependência. Droga vai direto para o cérebro pela corrente sanguínea, diz médico.

De oito a dez segundos. É esse o tempo que o crack, transformado em fumaça ao ser queimado em cachimbos improvisados, leva para chegar ao cérebro quando é aspirada pelos usuários, explica o psiquiatra Alfredo Minervino. Ainda segundo o médico, o período da sensação de bem estar, poder e autoconfiaça que a droga proporciona também é curto: dura no máximo cinco minutos.

Em reportagem que faz parte da série “O crack não dorme”, das TVs Cabo Branco e Paraíba, o psiquiatra explicou que a droga vai direto para o cérebro. “Quando o indivíduo inala o crack, quando ele fuma, a droga passa pela mucosa e entra na corrente sanguínea, o que faz com que ele rapidamente atinja o cérebro e provoque os seus efeitos, ou seja, ele não passa pela metabolização do fígado fazendo com que ele seja rapidamente absorvido”, disse.

O curto período de bem estar leva o usuário a querer mais e mais o crack e, consequentemente, a se viciar. “Não dá para experimentar o crack achando que pode sair dele. Eu costumo dizer que o crack é uma arma de destruição em massa extremamente potente. No segundo uso você já tem a dependência”, pontuou o psiquiatra. De acordo com Minervino, com uma semana de uso a vida do dependente já corre perigo.
  
foto 11.jpg Romero Oliveira dos Santos é um interno em recuperação. Ele contou à reportagem quais eram os efeitos da droga quando ele a consumia. “Eu sentia aquela sensação de prazer antes e durante. Depois, me dava um desgosto da vida. Muitas vezes eu ia dormir chorando, pedindo a Deus que ele me tirasse daquela escuridão”, contou o rapaz, que está internado há 8 meses tentando se livrar do vício.

Alfredo Minervino disse que, além da extrema tristeza que o usuário sente depois que o efeito do crack passa, a droga ainda provoca desidratação, desnutirção, insônia e distúrbios no coração e no pulmão, além dos hidroeletrolíticos, aqueles que ocorrem entre os líquidos do corpo.

“Chegou um certo ponto que eu via minha mãe chorando direto e dizendo que, se eu morresse, ela ia morrer junto comigo, não ia aguentar ver o filho dela morto. O meu destino era esse mesmo”, confessou o interno. Se livrando da droga, Romero tem uma visão melhor do seu futuro. “Eu penso em estudar, futuramente fazer missão. Já me sinto útil na obra”.

Para o policial aposentado e psicólogo especialista em dependência químida, Deusimar Guedes, a educação é a melhor arma para enfrentar o problema. “É preciso mais investimento público, uma repressão mais qualificada à oferta da droga. Mas, principalmente, se trabalhar desestimulando o consumo através das escolas, das igrejas, das famílias, da sociedade como um todo”, disse o psicólogo que trabalha há mais de 30 anos com prevenção através de palestras em escolas e igrejas.
 
Fonte: G1

Medo de Casar e Ter Compromisso Pode Ser Sintoma de Doença: gamofobia tem sintomas parecidos com ataque de pânico, segundo ABP. Tratamento pode ser feito através de medicação e psicoterapia.

Palpitação, sensação de sufocamento e mal estar são alguns dos sintomas da gamofobia, que significa o medo crônico do casamento. Parecida com a sensação de pânico, a doença já foi identificada pela psiquiatria e tem tratamento.
De acordo com especialistas, é natural que a ideia de subir ao altar venha acompanhada de um pouco de nervosismo, afinal é uma mudança grande na vida. No entanto, há pessoas que não podem ouvir falar em compromisso, que logo começam a passar mal. “É um medo irracional, sem sentido, muito maior do que o medo comum que a pessoa tem de casar”, disse o presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), Antônio da Silva.
Ainda segundo Silva, os sintomas da doença são parecidos com os de um ataque de pânico. “Palpitação, sensação de sufocamento, mal estar, sensação de quem pode morrer, as mãos ficam geladas, suadas, só de tratar desse assunto”, explicou.
Em alguns casos, a pessoa que sofre de gamofobia não consegue ir ao casamento, nem mesmo dos outros. “Você vai identificar os sintomas do transtorno em várias situações que lembrem o fenômeno, seja com fotos, com os amigos falando, seja convites de casamento”, destacou a Maria de Jesus, psicóloga da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).
Muitas vezes, a doença pode ter início a partir de algum trauma como a separação dos pais ou uma relação conjugal anterior marcada por problemas.
A psicóloga explica que a doença pode ser controlada com remédios e psicoterapia. “Pode ser tratado e a pessoa com certeza pode vir a casar com aliança, com todas as variações possíveis”, disse.

Gamofobia, o medo de casamento, tem sintomas parecidos com ataque de pânico

 Fonte: G1

O poder de Um Bom Diagnóstico Para a Depressão: mal avaliada por médicos e escondida por pacientes, doença pode derivar de outras, alerta psiquiatra

O psiquiatra Norman Sartorius esteve em São Paulo para um encontro com 300 colegas brasileiros e estrangeiros

Considerado o Freud da do século XXI pelos neurocientistas, o croata Norman Sartorius é um estudioso das doenças mentais e de sua relação com os fatores genéticos e sociais. Em suas pesquisas, ele descobriu que um terço dos pacientes diabéticos têm depressão e que a falta de tratamento de uma das doenças agrava ambas. Acabou criando o Dialogue on Diabetes & Depression, grupo de trabalho internacional que discute o assunto.Ex-presidente da Associação Mundial de Psiquiatria e ex-diretor da OMS, Sartorius participou semana passada do Lilly Neurosciences Academy, seminário que reuniu 300 psiquiatras brasileiros e estrangeiros em São Paulo. Em entrevista exclusiva, ele diz que a especialização médica trouxe benefícios, mas criou uma barreira para que se faça o diagnóstico de moléstias simples. Este desconhecimento, somado à dificuldade dos pacientes de aceitar a doença, faz da depressão um problema cada vez mais grave, especialmente para o sistema de saúde de países em desenvolvimento, como o Brasil.
Um de seus principais estudos relaciona depressão e diabetes. Como estas doenças estão ligadas?
SARTORIUS: Pessoas com diabetes têm mais chances de desenvolver um quadro depressivo. Cerca de 20% dos diabéticos apresentam ou apresentaram sintomas de depressão. Esta relação é um pouco mais frequente em mulheres.
Quais as razões para essa relação?
SARTORIUS: Temos razões genéticas para isso, mas também razões do ambiente. Os diabéticos têm problemas com a alimentação, com o peso, com a resistência a tomar medicamentos e, é claro, com as complicações naturais da doença. Isso acaba levando a um quadro depressivo. As pessoas precisam saber disso. Existe uma relação entre as doenças mentais, principalmente a depressão, mas também os transtornos bipolar e de personalidade, e os males físicos. Tenho estudado sua relação com o diabetes, mas a depressão também tem ligação com outras doenças, como o câncer e as doenças cardiovasculares.
Como se pode diagnosticar a depressão a partir do diabetes ou de outras doenças?
SARTORIUS: Temos duas coisas aí. Os próprios pacientes ainda escondem isso. Há uma dificuldade de aceitar a doença. Uma certa vergonha. A outra coisa é que médicos generalistas, clínicos gerais e endocrinologistas têm dificuldade de diagnosticar as doenças mentais, embora elas estejam hoje muito bem descritas e seus sintomas sejam bem diferentes dos da tristeza momentânea. No caso do diabetes, você tem um quadro de problemas relacionados que muitas vezes acabam desencadeando a depressão. Há aumento do peso, dificuldade de praticar exercícios físicos, complicações no metabolismo, comprometimento de produtividade no trabalho e perda de qualidade de vida. Esta é uma preocupação econômica para os governos e as empresas, inclusive. As pessoas não deixam de ir para o trabalho. Elas vão até lá, mas é como se não estivessem lá. Não conseguem produzir. Chamamos isso de presenteísmo. A pessoa tem dificuldade de aceitar, não é orientada sobre a doença e tenta levar a vida e frequentar o trabalho como antes.
Como lidar com o problema?
SARTORIUS: É preciso capacitar os médicos e os enfermeiros. A superespecialização não pode fazer com que os profissionais deixem de observar sintomas comuns de doenças que não são da sua área. Temos cada vez mais médicos especializados e isso traz bons resultados, mas não podemos deixar de ter uma visão geral. Um médico de um paciente com diabetes pode perceber certos sintomas e indicar o tratamento para a depressão. Quanto mais rápido o tratamento para a depressão, mais benefícios vão aparecer também no tratamento do diabetes.
Qual a sua avaliação sobre o tratamento da depressão hoje e sobre os problemas relacionados a ela?
SARTORIUS: O tratamento evoluiu muito. Os medicamentos melhoraram e os efeitos colaterais foram reduzidos. Mas ainda há uma resistência grande à doença, há o estigma. As pessoas ainda escondem a depressão dos próprios filhos, pais e parceiros. E a doença atinge toda a família, interfere na convivência. Muitas pessoas não sabem como lidar com isso. Se não tratada, a depressão se relaciona com o uso de álcool e drogas e aumenta o risco de suicídio.
Como o senhor vê a produção brasileira no campo da psiquiatria?
NORMAN SARTORIUS: Há pessoas fazendo estudos importantes. O país deve aproveitar o momento de crescimento e aumentar também a produção científica. Isso é essencial, porque este desenvolvimento econômico e social visto em países como Brasil, Índia e México traz algumas características próprias. As famílias estão indo mais para as cidades grandes. E os núcleos familiares estão menores, com dois ou três membros e todos repletos de obrigações, com pressões vindas da sociedade e do trabalho. Antes, você tinha um irmão olhando pelo outro, mais gente cuidando uma da outra. Hoje, as pessoas estão isoladas, cada uma no seu quarto, trabalhando a maior parte do tempo. O serviço de saúde tem de se ajustar a isso. Há outro fator: as pessoas estão vivendo mais, bem mais. A medicina melhorou. Então, estamos diagnosticando muita coisa, com mais frequência, principalmente para pessoas com mais de 25 anos. A dificuldade é fazer a relação entre os problemas. É um desafio para o sistema de saúde.
O senhor falou em aumento de doenças mentais em pessoas com mais de 25 anos. Registram-se muitos casos de depressão de crianças e adolescentes atualmente. Qual a sua visão sobre o assunto?
SARTORIUS: Acho que há um excesso de notificações de casos de depressão em crianças. Este é um fenômeno bem marcante nos Estados Unidos. Tornou-se quase padrão entre os colegas americanos este diagnóstico. É como um ditado que usamos em psiquiatria: "Para quem tem só um martelo, qualquer coisa vira prego". Usam-se os mesmos critérios de avaliação para adultos e crianças. Mas crianças não são pequenos adultos.
 
Fonte: Jornal O Globo 


Disponível em:<http://oglobo.globo.com/saude/o-poder-de-um-bom-diagnostico-para-depressao-4463840>. Acesso em: 02 abr. 2012.

Justiça Decide que Acupuntura Só Pode Ser Realizada Por Médicos: Conselhos de fisioterapia e farmácia querem recorrer; juiz entende que atividade depende de diagnóstico

Conselhos de fisioterapia e farmácia querem recorrer; juiz entende que atividade depende de diagnóstico
A partir de agora, apenas médicos poderão aplicar acupuntura

O Tribunal Regional Federal (TRF) decidiu na última terça-feira (27.03) que apenas médicos podem exercer a acupuntura, acatando ação movida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e o Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura. Os conselhos Federais de Farmácia e Fisioterapia informaram que pretendem recorrer da determinação.
A controvérsia começou em 2001, quando o CFM pediu à Justiça a anulação de resoluções que autorizavam enfermeiros, psicólogos, fonoaudiólogos, farmacêuticos e fisioterapeutas a praticar acupuntura. O CFM defende que a acupuntura é usada para tratar dores que precisam ser diagnosticadas, atividade exclusiva dos médicos.
O relator do caso no TRF, juiz federal Carlos Eduardo Castro Martins, entendeu que não se pode atribuir novas funções a um profissional por meio de resoluções feitas pelos conselhos, apesar de não existir uma regulação para a atividade de acupunturista. A proibição passará a valer, em todo o país, após a publicação no Diário da Justiça.

Fonte: Jornal O Globo
 

A Ciência do Autocontrole: sem dominar nossos impulsos não poderíamos conviver de forma civilizada. Segundo neurocientistas, a capacidade de autocontrole social pode ser compreendida por meio de marcas neurobiológicas


Quem nunca teve muita vontade de dizer poucas e boas ao chefe, a um amigo ou parente mas na hora h usou toda a energia para evitar fazer isso? Ou então cedeu ao ímpeto e perdeu algo importante – talvez um relacionamento ou o emprego? Agora, imagine se você sempre fizesse tudo que passasse pela cabeça. Talvez a possibilidade seja tentadora, mas provavelmente você já teria tido problemas profissionais, dificilmente manteria um relacionamento afetivo estável ou amizades e com certeza se envolveria muitas vezes em brigas de todo tipo – o que seria um risco até para sua integridade física. Afinal, não por acaso a capacidade de autocontrole em situações sociais é essencial para um convívio razoavelmente harmônico. 

O fato é que quase sempre precisamos refrear nossos impulsos para que, por exemplo, um pequeno desentendimento entre colegas ou na família não se torne algo enorme, que cause ruptura permanente. Da mesma forma, também deveríamos resistir a certas tentações se um relacionamento estável for importante. E quem sempre diz o que pensa não raro coloca pedras no próprio caminho – por exemplo, em uma entrevista de emprego.

Em todas essas situações utilizamos o autocontrole para seguir as normas sociais. Mas nem sempre é fácil manter o domínio de nossas reações. E como acontece com a maioria das características humanas, há grandes diferenças individuais no que se refere à capacidade de filtrar comportamentos para não deixar que a exaltação tome conta de nós. Em nossa sociedade, quem tem bom domínio de si mesmo é em geral mais respeitado por outros do que pessoas consideradas imprevisíveis e explosivas – o que certamente traz inúmeras vantagens. 

Pessoas com bom autocontrole são, em geral, mais bem-sucedidas no trabalho e mantêm relacionamentos estáveis, como comprovam estudos do psicólogo social Roy Baumeister e de seus colegas da Universidade Estadual da Flórida em Tallahassee, nos Estados Unidos. Ele reconhece que, apesar de a autonomia emocional ser tão importante para o convívio, durante muito tempo seus fundamentos neurobiológicos foram ignorados. Hoje, os pesquisadores que se dedicam a esse estudo investigam principalmente duas questões: 1. Os processos cerebrais responsáveis por nossa capacidade de autocontrole social; 2. As características neurobiológicas que possam esclarecer as diferenças individuais relacionadas a essa capacidade.

Alguma vez um bom amigo traiu sua confiança? É provável que você tenha exposto a ele claramente sua opinião ou talvez tenha até terminado a amizade. Ou você se irritou ultimamente com uma multa por ter dirigido rápido demais na estrada? De fato, quando desrespeitamos regras, podemos ser punidos pelas pessoas à nossa volta ou por instituições públicas. Por esse motivo, quase sempre respeitamos as normas e controlamos impulsos egoístas para evitar as sanções. 

Sabendo disso, neurocientistas aproveitam o fato de as reações serem mais fortes quando somos ameaçados com punição por desrespeito ao que está estabelecido ou em situações nas quais somos observados por outras pessoas e reproduzem essas condições nos experimentos. Uma equipe de pesquisadores coordenada pelo cientista econômico Ernst Fehr, da Universidade de Zurique, e pelo psiquiatra Manfred Spitzer, da Universidade de Ulm, estudou recentemente o que acontece no cérebro nessas ocasiões. Eles compararam o comportamento e a atividade cerebral de adultos saudáveis em duas situações: na primeira, o participante recebia 1 euro por rodada e deveria decidir a cada vez que porcentagem queria ceder para outro participante. No Segundo cenário a pessoa devia tomar a mesma decisão, sabendo, porém, que o recebedor poderia considerar a oferta injusta e punir com pontos negativos aquele que a propunha. 

Conforme esperado, os voluntários se mostraram muito mais generosos diante da possibilidade de punição. Enquanto no primeiro caso quase ninguém optou por doar mais de 20 centavos, a maioria dos participantes do outro grupo dividiu pela metade a quantia que lhe coube. 

Como revelou a tomografia por ressonância magnética funcional (TRMf), as áreas pré-frontais foram mais intensamente ativadas quando havia a possibilidade de castigo. Quanto mais divergente o comportamento do participante sob as duas condições, maior se mostrava a diferença no cérebro. Aqueles que responderam mais intensamente à punição por uma oferta muito sovina, cedendo muito mais dinheiro, apresentaram intensa ativação do lobo frontal. 

Os pesquisadores acreditam que isso ocorre porque os participantes precisam exercer maior controle sobre seus impulsos egoístas para ceder uma quantia mais elevada do que gostariam. O córtex pré-frontal desempenha aqui um papel claramente importante. 

O resultado é também interessante se considerarmos estudos que mostraram uma ativação reduzida de áreas pré-frontais em criminosos psicopatas. Sua pouca capacidade de controlar o próprio comportamento apesar da ameaça de sanções pode estar associada a déficits nessas áreas.


Fonte: Revista Mente e Cérebro

Acesso em: 02 abr.2012.

Compromisso e Traição: Conceitos Líquidos

O número de pessoas que flertam pela rede aumentou 500% em todo o mundo nos últimos dez anos

Mais de 400 mil brasileiros estão cadastrados no site Ohhtel, uma rede social que reúne interessados em manter relacionamentos extraconjugais. Homens pagam R$ 60 para enviar e-mails para as mulheres, que usam a página gratuitamente. Segundo uma das administradoras do site, Laís Ranna, 66% dos usuários são do sexo masculino, com idade média de 40 anos. A das usuárias é de 33 anos. Os pretendentes podem trocar mensagens com a intenção de avaliar se um encontro real vale a pena. 

Páginas desse tipo mostram que a rede oferece múltiplas concepções de traição e comprometimento. A rede social Facebook, por exemplo, é considerada uma das principais causas de divórcio entre os americanos atualmente, segundo pesquisa da empresa de antivírus Norton. Na mesma medida, sites destinados a pessoas interessadas em um relacionamento amoroso ganham cada vez mais adeptos: cerca de 5% dos recém-casados americanos se conheceram pelo site de relacionamentos eHarmony, que tem mais de 33 milhões de inscritos espalhados por 191 países. Pagando entre R$ 25 e R$ 60 mensais, o usuário tem acesso a um “sistema de compatibilidade” que sugere pretendentes com gostos, valores e crenças similares aos seus. Em um clique, é possível ver fotografias de uma pessoa, saber algumas de suas preferências e convidá-la para uma conversa _ uma forma de conhecer e flertar que tem se tornado cada vez mais comum. Segundo pesquisa do Oxford Internet Institute divulgada em 2011, o número de usuários desse tipo de serviço aumentou 500% em todo o mundo nos últimos dez anos. Entre os brasileiros solteiros que têm acesso à rede, 65% já visitaram essas páginas. 

Dúvidas sobre relacionamentos iniciados e desfeitos na rede e compulsão por pornografia virtual chegam com frequência à caixa de e-mails do Núcleo de Pesquisas da Psicologia da Informática (NPPI) da PUC-SP. O laboratório desenvolve estudos sobre o impacto da tecnologia nas relações humanas e oferece serviço de orientação on-line – são recebidos em média dez e-mails de usuários por semana, segundo a coordenadora do núcleo, Rosa Farah. “Trocamos e-mails breves, focados no problema. Em alguns casos encaminhamos para a ajuda presencial, mas nem todas as pessoas que nos procuram moram em cidades onde é fácil encontrar atendimento”, diz. Interessados podem contatar os psicólogos do NPPI pelo site www.pucsp.br/nppi.


Fonte: Revista Mente e Cérebro

O Paradoxo Moral do Batalhador Brasileiro: mudanças na forma de viver sempre trazem consigo novas maneiras de sofrer; algumas situações são especialmente férteis para novos arranjos psíquicos

O Brasil pós-inflacionário viu nascer uma classe social que emerge junto com um novo tipo de economia. Oficinas de fundo de quintal, operadores de telemarketing, feirantes bem-sucedidos e negócios familiares geridos por pequenos empresários são estimulados pelo microcrédito e pelo auxílio estatal. O sociólogo Jessé de Souza, autor de Os batalhadores brasileiros – Nova classe média ou nova classe trabalhadora (Humanitas UFMG, 2010), estudou as adaptações às exigências de desenraizamento, ausência de identidade de classe e vínculos de pertencimento trabalhista, que nosso capitalismo flexível e expressivo tornou compulsório. Aceitando a superexploração da jornada de trabalho e estudo, o adiamento do consumo imediato e grande dose de crença em si mesma, a classe emergente formou um admirável senso de disciplina, autocontrole e pensamento prospectivo. Diferentemente da chamada ralé, da qual muitos faziam parte até pouco tempo atrás, a nova classe trabalhadora conseguiu criar para si um senso de futuro. Em sintonia com a tese globalizada de que todos agora somos empresários e patrões de nós mesmos, saímos diretamente da periferia do mundo para a vanguarda do capitalismo brasilianizado. 

Um movimento desse tipo pede uma justificativa moral que explique o próprio sucesso de uns e o fracasso de outros tantos. Situações como essas são férteis para novos arranjos entre exigências superegoicas e disponibilidades de ideais. Transformações das formas de viver sempre trazem consigo novas maneiras de sofrer. Exemplos: a classe média americana dos anos 50 está ligada à aparição das patologias narcísicas, assim como a crença neoliberal dos anos 90 está em sintonia com a popularização da depressão e das patologias do consumo. A tese remonta à ideia, posta em circulação por Jacques Lacan, de que na primeira década do século passado, na sociedade europeia, as neuroses clássicas (histeria, neurose obsessiva, fobia) dependiam de um enfraquecimento da imagem do pai. O aprofundamento deste declínio redundou, já na psicopatologia dos anos 30, nas patologias de caráter. 

No caso dos batalhadores brasileiros a religião e os laços familiars parecem ter papel importante na formação deste espírito de resiliência, que aumenta a capacidade de absorver sucessivos fracassos, sacrifícios e riscos envolvidos na empreitada de ascensão social. Ao contrário do imigrante, que se separa de seus laços comunitários iniciando uma aventura individual de conquista, os batalhadores mantêm uma dívida simbólica com o passado e com a comunidade de origem. Se para o imigrante o passado renegado vem bater à porta, como sintoma de que algo de importante foi deixado para trás, para o batalhador é o futuro que assombra como indeterminação e incerteza: “será que trouxe tudo o que precisava na mala?” ou ainda “como posso ser feliz sem para de ser um sofredor”. Os batalhadores não querem mudar de bairro, mas permanecer junto de suas origens. Paradoxo: teria sido o infortúnio original a causa da felicidade posterior? Se essa for a pergunta teremos deentender muito melhor o sentido clínico do masoquismo.


Fonte: Revista Mente e Cérebro

Sair do Armário Não é Garantia de Felicidade: o bem-estar em afirmar a própria sexualidade depende do contexto social

 Pesquisas recentes apontam que pessoas que assumem sua orientação sexual publicamente apresentam aumento da autoestima e redução do risco de depressão e de suicídio. Mas nem sempre é o que acontece, segundo estudo publicado na Social Psychology and Personality Science. Psicólogos da Universidade de Essex constataram que o bem-estar em afirmar a própria sexualidade depende do contexto social em que a pessoa está inserida. 

Os pesquisadores entrevistaram 161 homossexuais de ambos os sexos e bissexuais com idade entre 18 e 65 anos sobre o nível de bemestar que sentiram ao afirmar sua orientação em cinco círculos sociais: amigos, parentes, colegas, companheiros de escola e comunidades religiosas. Os participantes, recrutados em debates públicos pelos direitos dos homossexuais, em redes sociais e em listas de e-mails de estudantes universitários, responderam aos pesquisadores por meio da internet e de forma anônima. 

Foram observados, em média, maior desconforto e, não raro, sintomas associados à ansiedade e depressão quando os voluntários se referiram à experiência de assumir sua orientação em comunidades religiosas (69%), escola (50%) e trabalho (45%). Mais de 35% dos participantes relataram sentir hostilidade por parte da família e apenas 13% disseram ter constrangimento em se abrir com os amigos. Os pesquisadores concluem que, independentemente do sexo e da idade, cada pessoa faz um balanço inconsciente entre a possível resistência que poderá enfrentar em alguns de seus círculos sociais e o apoio que encontrará em outros.


Fonte: Revista Mente e Cérebro

Babosa e Hortelã Entram na Lista de Remédios Oferecidos no SUS

A babosa, a hortelã e o salgueiro são os novos fitoterápicos a entrar na lista oficial de medicamentos do SUS (Sistema Único de Saúde). A informação foi publicada no Diário Oficial da União nesta quinta-feira (29.03). 
A lista é atualizada a cada dois anos e tem agora 810 itens, como medicamentos, vacinas e insumos. 
A babosa é indicada para o tratamento de queimaduras e psoríase (doença inflamatória da pele); a hortelã, para síndrome do cólon irritado; e o salgueiro, para dor lombar. 
Desde 2007, o SUS usa remédios fitoterápicos, que agora chegam a 11. Em 2009, apenas dois, feitos à base de guaco (para tosse) e espinheira-santa (para úlcera e gastrite), estavam na lista. Na época, outras 71 plantas medicinais aguardavam na fila.
Para entrar no rol, o fitoterápico precisa ser industrializado, ter registro na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e eficácia comprovada. 
A nova relação traz também os remédios finasterida e doxasozina (convencionais) usados contra o crescimento anormal da próstata. 
A lista praticamente dobrou, passando de 470 itens, em 2010, para 810, por causa da inclusão dos medicamentos para doenças raras, vacinas e insumos. Antes, eram listados somente os remédios considerados essenciais, utilizados no tratamento das doenças mais recorrentes. 
Estão de fora da lista os remédios para câncer, oftalmológicos e aqueles usados no atendimento de urgência e emergência, pois constam em outra relação nacional. 
O rol é formulado por uma comissão técnica formada por representantes do ministério, da Anvisa, da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), da Fundação Oswaldo Cruz e de associações médicas. 
Os outros fitoterápicos que o SUS oferece são: 
espinheira-santa (dispepsias, coadjuvante no tratamento de gastrite e úlcera duodenal);
guaco (expectorante e broncodilatador);
alcachofra (colagogos e coleréticos em dispepsias associadas a disfunções hepatobiliares);
aroeira (produtos ginecológicos anti-infecciosos tópicos simples);
cáscara-sagrada (constipação ocasional);
garra-do-diabo (anti-inflamatório --oral -- em dores lombares, osteoartrite);
isoflavona-de-soja (climatério -- coadjuvante no alívio dos sintomas);
unha-de-gato (anti-inflamatório --oral e tópico -- nos casos de artrite reumatóide, osteoartrite e como imunoestimulante);
aloe vera (queimaduras e psoríase). 
Para ter acesso a um medicamento da lista do SUS, o paciente deve apresentar receita médica na rede pública. Com base na lista nacional, cada município tem autonomia para fazer sua própria relação de remédios. 
 
Fonte: Folha de São Paulo
 
Disponível em:<http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/1069230-babosa-e-hortela-entram-na-lista-de-remedios-oferecidos-no-sus.shtml>. Acesso em: 02 abr. 2012.

Diagnóstico Rápido é a Melhor Arma Para Combater o Autismo

Em 1911, o psiquiatra Eugene Bleuler criou a palavra "autismo" para designar o fechamento para a realidade --um dos sintomas típicos da esquizofrenia. 
Sabe-se hoje que a fuga da realidade é encontrada em diversos quadros da neurologia e da psiquiatria: na demência, em graves lesões cerebrais ou até mesmo em quadros de psicose depressiva severa, explica Luciana Saddi, blogueira da Folha.com.
A palavra "autismo" se tornou mais conhecida pelo público leigo, quando foi empregada para descrever uma doença que, comprometia o desenvolvimento global de crianças, causando fechamento para a realidade. 
"Algumas crianças, apesar de autistas, tem inteligência e fala preservadas, outras apresentam sérios retardos no desenvolvimento da linguagem. Alguns parecem fechados e distantes, outros presos a automatismos, a comportamentos rígidos e a padrões repetitivos", diz. 
O tratamento se torna mais eficiente quanto mais precocemente ocorrer o diagnóstico. Em alguns países da Europa como França, Inglaterra e Itália os pediatras são preparados para observar os sinais que possam indicar algum comprometimento desde o início da vida. 
O transtorno global do desenvolvimento pode afetar um em cada 166 pessoas. "A melhor arma para lutarmos contra esse transtorno ainda é o diagnóstico e tratamento precoce", diz a psicanalista. 
 
Fonte: Folha de São Paulo
 
Disponível em:<http://www1.folha.uol.com.br/multimidia/podcasts/1066082-diagnostico-rapido-e-a-melhor-arma-para-combater-o-autismo.shtml>. Acesso em: 02 abr. 2012

Cresce Influência da Indústria Sobre Manual de Psiquiatria

O processo de reformulação do manual mais importante da psiquiatria está sofrendo cada vez mais influência da indústria farmacêutica, afirma um novo estudo. 
Dentro da força-tarefa responsável pela quinta edição do livro, o número de pesquisadores que declararam ter conflito de interesses subiu de 57% para 69%, em relação à quarta edição. 
A obra sob crítica é o DSM (Manual de Estatísticas e Diagnósticos), da APA (Associação Psiquiátrica Americana), que vem sendo alvejada por criar novos transtornos mentais (veja infográfico abaixo). 
Segundo Lisa Cosgrove, eticista da Universidade Harvard, o aumento dos laços com o setor privado é uma surpresa, pois a comissão encarregada de editar o manual impôs novas regras para minimizar o problema. 
Na tentativa de evitar que empresas pressionem por alterações que favoreçam a venda de seus medicamentos, a associação instituiu que todos os membros da força-tarefa do DSM-5 devem relatar ligações com laboratórios. 
Pesquisadores que atuam como conselheiros em empresas ou que tenham realizado pesquisas patrocinadas por elas são agora obrigados a revelar suas ligações. 
Sheldon Krimsky, da Univesidade Tufts, que assina o trabalho com Cosgrove, sugere que a nova política fracassou, pois só "transformou um problema de 'viés secreto' em um de 'viés aberto'". 
Os resultados foram publicados na revista "PLoS Medicine". O presidente da APA, John Oldham, emitiu um comunicado questionando o trabalho (veja texto abaixo). 
Além de analisar dados sobre os 29 membros da força-tarefa responsável pelo manual, Cosgrove e Krimsky fizeram um levantamento sobre os 141 pesquisadores que participam dos grupos de trabalho representando sub-áreas da psiquiatria. 
"Três quartos dos grupos de trabalho têm a maioria de seus membros ligados à indústria", diz o estudo. "Os painéis onde há mais conflito são aqueles sobre problemas mentais para os quais o tratamento farmacológico é a intervenção de praxe." 
Mudanças nos critérios de diagnóstico de depressão, por exemplo, podem fazer mais pessoas serem encaixadas no transtorno. 
Segundo Cosgrove e Krimsky, o grau de conflito de interesses pode estar subestimado, pois a APA não exige que psiquiatras revelem participação nos "bureaus de oradores" de empresas. 
Esses profissionais, que fazem apresentações públicas sobre medicamentos, podem listar essa atividade só como "honorários", sem especificar do que se trata. 
"Quando fizemos uma busca de internet pelos nomes dos 141 integrantes do painel, descobrimos que 15% deles tinham revelado estar em 'bureaus de oradores' ou painéis de conselheiros de farmacêuticas", escrevem os autores. 
OUTRO LADO
O presidente da Associação Psiquiátrica Americana, John Oldham, nega que os esforços para reduzir a influência da indústria farmacêutica sobre o manual de diagnóstico DSM tenham redundado em fracasso. 
"O artigo de Cosgrove e Krimsky não leva em conta o nível em que os integrantes da força-tarefa e dos grupos de trabalho do DSM-5 minimizaram ou cortaram suas relações com a indústria", declarou Oldham em comunicado divulgado pela associação. 
"Em 2012, 72% dos 153 integrantes relataram não ter tido relações com empresas farmacêuticas no ano anterior", afirma ele. 
Cosgrove e Krimsky dizem ter consultado versões das fichas dos psiquiatras que estavam disponíveis no site da força-tarefa de atualização do manual médico (www.dsm5.org) em 12 de janeiro. 
A Associação Psiquiátrica Americana não informa com que frequência as fichas dos participantes do projeto estão sendo atualizadas.
faltam dados 
Oldham também afirma, porém, que os dados usados no estudo da dupla na revista "PLoS Medicine" não são suficientes para comparar as influências da indústria de medicamentos sobre as duas edições do DSM em questão, a quarta e a quinta. O problema, diz ele, é que as políticas sobre o tema mudaram muito de lá para cá. 
"Na época da publicação do DSM-4, em 1994, nem os periódicos científicos, nem os simpósios, nem a força-tarefa exigiam que conflitos de interesse fossem revelados", diz o psiquiatra, sugerindo que os número antigos podem estar subestimados. 

Fonte: Folha de São Paulo
 
Disponível em:<http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/1069893-cresce-influencia-da-industria-sobre-manual-de-psiquiatria.shtml>. Acesso em: 02 abr. 2012.